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Avrupa Birliği ve Türkiye’de Biyoetanol Üretiminin Ekonomik Büyüme Üzerindeki Etkisinin Araştırılması 1

6. Çalışmanın Amacı, Materyal ve Yöntem

O trabalho procurou colocar luz na relação naturalizada dos jovens com a violência direta, mas precisamente a violência letal. Entretanto, pode-se perceber nas entrevistas que a juventude pode ser um dispositivo potencializador da interação entre atores engajados em participação política.

Essa relação juventude e violência é perigosa, leviana e ideológica, estabelecida para manter essa ordem social injusta e desigual na circulação pelas cidades, em oportunidades, na economia e sócio-culturalmente.

É fundamental fomentar a discussão da participação política utilizando-se de meios descentralizados e democráticos que alavancam movimentos sociais e contribuem para disseminação de opiniões e informações que permitam ligar ideias e ideais globais e locais.

Não obstante, cabe ao psicólogo social em sua práxis a possibilidade de resgatar uma cidadania rompida, facilitar mecanismos participativos e gerar reais possibilidades de transformação social para os jovens enquanto sujeito de direitos e de potenciais.

As ações voltadas para a população juvenil são, muitas vezes, mais proativas e menos reativas. Mantendo círculos viciosos calcados no medo de possíveis descaminhos. Seria preciso ouvir, planejar, agir e avaliar com os jovens, apostar em seu poder de criação, de compreensão de suas necessidades e de execução de propostas diferenciadas.

Acompanhar e estimular o jovem a fazer perguntas e encontrar respostas ou caminhos que respondam seus interesses e necessidades, reconhecendo seu passado e projetando um futuro. Esse deve ser um movimento constante no trabalho com a juventude.

Não se trata de fazer qualquer pergunta ou produzir respostas definitivas, mas exercitar a leitura do mundo, a análise de situações, o reconhecimento de sonhos, a avaliação de possibilidades para, então, pensar em caminhos que possibilitem a transformação dos sonhos em projetos de vida. Essa é parte importante da vivência cidadã, base das organizações com objetivos transformadores e da conjunção de ideais individuais e comunitários.

Historicamente, muitas vezes, a psicologia esteve “míope” diante da realidade social, das necessidades e sofrimento da população, levando os profissionais a cometerem muitas distorções teóricas, a práticas descontextualizadas e etnocêntricas, e a uma psicologização dos problemas sociais, na medida em que não são capacitados para perceber as especificidades culturais dos sujeitos.

Para Martín-Baró (1997), nesse sentido, é bastante óbvio que a psicologia veio se configurando como um instrumento útil para a reprodução das estruturas injustas de nossos sistemas sociais, especialmente latino-americanos, ou seja, vem servindo de suporte científico das ideologias dominantes, das relações hierarquizadas de poder, e para a manipulação das maiorias pobres por uma minoria.

Em Adolescência e Psicologia, o psicólogo social, Ozella (2002) refere que, não obstante os estudos antropológicos que contestam a universalidade dos conflitos adolescentes, a psicologia convencional permanece negligenciando a “inserção histórica do jovem e suas condições objetivas de vida” (p. 18).

Ao propor uma suposta igualdade de oportunidades entre os adolescentes, a psicologia convencional dissimula, oculta e legitima as desigualdades existentes nas relações sociais. Ideologicamente, a psicologia responsabiliza o próprio adolescente pelas diferenças e injustiças sociais.

Só um sujeito situado no seu tempo histórico e em relação aos determinantes culturais, políticos e econômicos que condicionam seu modo de estar no mundo

poderá transformar, desejar e ousar a mudança, sair do conformismo, reverter a lógica que sustenta o imobilismo, isto é, comprometer-se, ser um ser da práxis.

Tal como o processo de alfabetizar-se, que para Freire (1998) está além de saber codificar e decodificar palavras estranhas, e implica em tornar-se alguém capaz de aprender a ler a realidade circundante e escrever a sua própria história, o compromisso social requer um sujeito capaz de construir um saber crítico sobre si mesmo, sobre seu mundo e sobre sua inserção nesse mundo (Martín-Baró,1997). Sujeitos “dinamizadores”, segundo a perspectiva de Paim e Almeida Filho (2000), capazes de revolucionar o cotidiano na medida em que acreditam na possibilidade de o novo surgir, na surpresa; sujeitos que recusam o determinismo absoluto que aniquila os possíveis espaços de liberdade, de criação, de diversidade.

Para o Foucault (1977), o biopoder foi indispensável ao desenvolvimento do capitalismo, assegurado pelo controle dos corpos em instituições como a escola, a família, o exército, a polícia e a justiça que conjugavam ampliação das forças e assujeitamento.

Ainda em Foucault (2008), vemos que a resistência é intrínseca ao poder, não havendo um lugar específico de onde surja ou se concentre; pelo contrário, sua emergência é múltipla. Da mesma forma que as relações de poder se organizam e se deslocam por todo o tecido socioinstitucional, as relações de resistência são moleculares, espalhadas e móveis por todos os fios de composição da vida.

O psicólogo é categoricamente parte integrante do processo que, juntamente com outros profissionais, trabalha pela autonomia, independência e transformação da realidade de sujeitos em situação de risco e vulnerabilidade social. É uma atuação comprometida com a promoção de direitos, de cidadania, da saúde, com a promoção da vida e que leve em conta o contexto no qual vive a população atendida. Propor, a partir das nossas intervenções, atravessar o cotidiano de desigualdades e violências a estas populações, visando o enfrentamento e superação das vulnerabilidades, investindo na apropriação, por todos nós, do lugar de protagonista na conquista e afirmação de direitos.

Ainda que o psicólogo não seja chamado para resolver tais problemas, ele deve contribuir, a partir de sua especificidade, para buscar uma resposta. Deve colaborar politicamente para as pessoas superarem sua identidade alienada, pessoal e social, ao transformar as condições opressivas do seu contexto. Pressupõe que o psicólogo recoloque seu conhecimento e sua práxis, assuma a perspectiva das maiorias populares e opte por acompanhá-las no seu caminho histórico em direção à libertação; o psicólogo pode contribuir para a formação de uma identidade, pessoal e coletiva, que responda às exigências mais autênticas dos povos.

Não se trata de abandonar a psicologia; trata-se de colocar o saber psicológico a serviço da construção de uma sociedade em que o bem estar dos menos não se faça sobre o mal estar dos mais, em que a realização de alguns não requeira a negação dos outros, em que o interesse de poucos não exija a desumanização de todos.

Considerar o indivíduo também como produtor de sentidos recoloca-o em posição ativa, mesmo que de maneira contraditória.

Inspirado ainda em Paulo Freire, é um processo de formação amplo para todos os setores da vida, pretende a emancipação humana, analisa as estruturas sociais e procura o seu aperfeiçoamento e transformação, justiça social e pela igualdade de oportunidades.

Essa ação tem por horizonte a cidadania, a consciência de direitos e a identificação do indivíduo como agente sócio histórico e político. Fundamenta-se que a mudança de atitude desencadeia um processo continuo de planejamentos, decisões, avaliações e apropriações que se estenderá a diferentes aspectos da vida e o desenvolvimento pleno: emocional, cognitivo, corporal, lúdico, artístico etc.

O fortalecimento da independência e da autonomia são traços fundantes da atuação. Caminha no sentido de contribuir para a formação, que o jovem seja capaz de avaliar, refletir, escolher, projetar sua vida e intervir na realidade de maneira construtiva e transformadora. Pressupõe a articulação entre projetos pessoais e

coletivos, com compromisso e responsabilidades considerando a participação de cada um e de todos.

A mudança de paradigma, como cidadãos, sujeitos de direitos, compromissado com a conquista da autonomia das juventudes. Busca incentivar a postura ativa e crítica, respeitando seus valores e levando em consideração suas experiências. Visa desenvolver com os próprios jovens um pensar sobre si mesmos e as condições sociais em que vivem, possibilitando o descobrimento de novas alternativas de vida e potencialidades de crescimento.

Ao vivenciar um processo de mobilização coletiva em torno de uma causa comum, aprendem a definir prioridades, ouvir o outro, negociar interesses, dialogar e chegar a consensos - ferramentas muito importantes para a vida em sociedade. Estimular esse trabalho, além de contribuir para uma formação cidadã da juventude, é uma maneira de possibilitar que vislumbrem projetos de vida, que ampliem seu repertório, que possam de fato fazer escolhas baseadas em seus desejos e potencialidades, não apenas nas circunstâncias ou individualidades, mas valorizando o bem comum.

Cabe questionar, então, até que ponto nossas políticas para a juventude são realmente emancipatórias e até que ponto estamos tratando de engajar a energia criativa e transformadora dos jovens em lógicas cujos fins servem apenas aos interesses de uma sociedade desigual.

Para finalizar, assim como os profissionais das instituições participantes, acredita-se que os jovens não são seres violentos em sua natureza, nem ocupam um lugar de vítima passiva; mas são potenciais que podem transformar a realidade que vivem nas relações macro e micro social.

Como disse Castells apud Abramovay (2003):

“Enquanto organizamos, por cima, a nova ordem econômica e tecnológica, um amplo setor de jovens está construindo, por baixo, uma desordem alternativa feita de sua negação a um sistema que os nega. (...) Somente restabelecendo as pontes

de contato com a nossa juventude, em todos os países, poderemos realmente construir nosso futuro. E somente se soubermos como os jovens pensam e vivem, e porque pensam assim, poderemos encontrar uma nova linguagem, fundamento de uma nova política.” (p. 9 - 10).

Benzer Belgeler