3. ÖNCEKİ ÇALIŞMALAR
3.2 Palinolojik Çalışmalar
3.2.1 Çalışma alanı ve yakın çevresi palinolojik çalışmalar
A brilhante civilização grega no período clássico (séculos 5º e 4º a.C.) emergiu sob o regime escravista. Não existe cidadão nem pólis sem a contribuição maciça dos escravos; por isso, costuma-se afirmar que a democracia grega era escravista. Os escravos eram em- pregados na manufatura, na indústria, na agricultura e na vida doméstica. O número de escravos para cada cidadão difere de comentador para comentador. Alguns afirmam que existiam de 3 a 7 escravos para cada cidadão. Aristóteles e Platão, dois grandes pensadores da Antiguidade, são unânimes ao afirmar a necessidade do trabalho escravo para o ócio do cidadão: “O melhor Estado não fará de um trabalhador manual um cidadão, pois a massa de trabalhadores manuais é hoje escrava ou estrangeira” (Aristóteles, apud Anderson, 1998, p. 26). Platão excluía os artesãos dos benefícios de participar da pólis: “O trabalho permanece alheio a qualquer valor humano e em certos aspectos parece mesmo a antítese do que seja essencial ao homem” (apud Anderson, 1998, p. 27).
Como vimos, é preciso considerar a democracia grega dentro da lógica da escravidão. Em vista disso muitos pensadores da Antiguidade clássica não apenas aceitaram, mas justi- ficaram a existência da escravidão.
20 Ao centro a Agora (praça pública = debate público), acima, à direita, vê-se o Parthenon, símbolo do poder ateniense no fim do século
5º. O Parthenon era um dos templos da acrópole de Atenas. Ictinos e Calícrates foram os arquitetos; Fídias foi o diretor da obra, viveu entre os anos de 447/433 a. C.
Jaime Pinsky (1984) relata, no capítulo primeiro de sua obra, 100 Textos da História
Antiga, que o comércio de escravos era uma prática comum entre os amoritas já no século
19 a.C. e que o Código de Hamurábi justificava a escravidão: “Se um homem comprou um escravo ou escrava e (se) este não tiver cumprido um mês (de serviço) e (se) uma moléstia (dos membros) se apossou dele, ele retornará a seu vendedor e o comprador que despendeu. Se um homem comprou um escravo ou uma escrava e (se) surgir reclamação, seu vendedor satisfará a reclamação” (Código de Hamurábi, GG. 278 / 282, apud Pinsky, 1984, p. 9).
Entre os hebreus, a prática da escravidão seguia algumas regras estabelecidas. Primei- ra: os escravos trabalhariam seis anos para seu patrão e, no final do último ano, seriam libertos (ano sabático). Segunda: os escravos não poderiam ser maltratados, vindo, se isso acontecesse, o seu dono (o patrão) a sofrer duras penas. Geralmente os escravos provinham dos hebreus de outras nações ou eram comprados como forasteiros que peregrinavam por terras hebraicas.21
Até mesmo o grande filósofo grego Aristóteles justificava a escravidão por considerar que há homens escravos pela sua própria natureza e somente um poder despótico (legítimo) é capaz de governar.22
A necessidade do Estado é decorrente, segundo Aristóteles, das necessidades individuais. O homem só sentiu falta do Estado quando a satisfação de suas necessidades elementares não bastava. Só o Estado poderia dar ao indivíduo proteção para que ele realizasse seus ideais éticos, morais e políticos.
A família apenas dá ao homem a sobrevivência física. O Estado é, portanto, utilitário. A escravidão não era só admitida como até justificada. Os governantes deveriam ser os dotados de aptidões espirituais. Àqueles que não possuíam dotes intelectuais – escravos e estrangeiros – estavam reservados os trabalhos mais humildes. O escravo era considerado incapaz para exercer a cidadania.
21 Pode-se conferir o Livro do Êxodo (21.1-11, 20-21, 26-27); Levítico (25.39-52). (In: Bíblia Sagrada).
22 A visão que Aristóteles tem sobre a mulher, os escravos e os estrangeiros (bárbaros) é de seres excluídos da cidadania. Conferir Minogue
O escravo, para Aristóteles, era considerado um bem animado que estava a serviço de outros instrumentos. Aristóteles também distingue os instrumentos de produção dos instru- mentos de ação: o escravo pertence ao segundo grupo e as máquinas ao primeiro. O escravo é propriedade de seu senhor, isto é, faz parte do mesmo, então pertence ao senhor por com- pleto. Por natureza, “o escravo não pertence a si mesmo, senão a outro, sendo homem, esse é naturalmente escravo; é coisa de outro, aquele homem que, a despeito de sua condição de homem, é uma propriedade e uma propriedade sendo de outra, apenas instrumento de ação, bem distinta do proprietário” (Aristóteles, A política, Livro I, 4, 1253b 25ss, apud Pinsky, 1984, p. 12).
No Império Romano, o escravo é uma espécie de homem de segunda categoria, utiliza- do como mão-de-obra para a sustentabilidade dos cidadãos. Os escravos estavam submeti- dos ao poder de seus amos. Esta norma já estava estabelecida como direito dos povos, “pois podemos observar que, de um modo geral, em todos os povos, o amo tem sobre os escravos poder de vida e de morte, e tudo aquilo que se adquire por intermédio do escravo pertence ao amo” (Pinsky, 1984, p. 15). O bárbaro que, sendo estrangeiro,23 não tendo sangue grego, nem ser humano era considerado.24
A Grécia, entretanto, não se tornou importante referência apenas por ser precursora da política e da democracia. Em seus méritos também está a criação da Filosofia, como veremos na seção seguinte.
23 Se ao cidadão dá-se o direito de participar das decisões e dos cultos da cidade, ao estrangeiro, o contrário: “O estrangeiro é aquele que
não tem acesso ao culto, a quem os deuses da cidade não protegem e nem sequer tem o direito de invocá-los” (Coulanges, s/d, p. 135). “Admitir um estrangeiro entre os cidadãos é ‘dar-lhe participação na religião e nos sacrifícios’” (Demóstenes, in: Neaeram, 89, 91, 92, 113, 114, apud Coulanges, s/d, p. 136); “Ninguém podia naturalizar-se cidadão de Atenas, quando já o fosse de outra cidade” (Plutarco, Sólon, 24. Cícero, Pro Caecina, 34, apud Coulanges, s/d, p. 136): “O estrangeiro não tinha direito algum. Se entrava no recinto sagrado que o sacerdote havia delimitado para a assembléia, era punido com a morte. As leis da cidade não existiam para ele. Se cometesse algum delito, tratavam-no como um escravo e puniam-no sem processo, pois a cidade não lhe devia nenhuma justiça” (Aristóteles, A Política, III, I,3. Platão, Leis, VI, apud Coulanges, s/d, p. 136): “Podia-se acolher bem o estrangeiro, velar por ele, estimá-lo mesmo se fosse rico ou honrado, mas não se lhe dava parte na religião e no direito. O escravo, de certa maneira, era mais bem tratado que o estrangeiro; na verdade, sendo membro de uma família, da qual participava do culto, estava ligado à cidade por intermédio de seu senhor; os deuses protegiam-no. Por isso a religião romana dizia que o túmulo do escravo era sagrado, mas não considerava igualmente sagrado o do estrangeiro” (Digesto, liv. XI, tít. 7, 2; Liv. XLVII, tít. 12, 4, apud Coulanges, s/d, p. 137).
24 É importante mencionar que a palavra bárbaro, para os gregos, não contém o mesmo significado que lhe damos atualmente, não era
um termo de desprezo ou repugnância, mas apenas era considerado bárbaro “aquele que não falava grego”, ou “pertencesse a alguma tribo selvagem da Trácia, ou a uma das luxuosas cidades do Oriente, ou do Egito, que, como os gregos bem sabiam, tinha sido um país organizado e civilizado muitos séculos antes de a Grécia existir (Kitto, 1970, p. 12); “O estrangeiro (bárbaro) não era cidadão” (Aquino et al, 1988, p. 191).