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C. SELF-SERVİS ANA EKRAN VE MENÜ BAŞLIKLARI

1. Çalışan Bilgileri

Artur da Costa e Silva, que sucedeu ao general Castello Branco, de quem fora Ministro da Guerra, em quinze de março de1967. Sua eleição indireta pelo Congresso Nacional, em três de outubro de1966, ocorreu em meio a promessas de “humanização” do Regime. Essa foi a senha para que os movimentos populares, então em recuo desde o Golpe, se rearticulassem. O ano de 1968 se iniciou com intensa mobilização estudantil e operária que voltou às ruas em diversas cidades brasileiras.

A “linha dura”, da qual o Presidente era ícone, não se conteve. O resultado foi a decretação do AI-5, em treze e dezembro de 1968, e o absoluto fechamento do Regime.

Vale lembrar, a título de exemplo, o crescimento da hegemonia da “linha dura” no interior das Forças Armadas e do Governo, o chamado “golpe dentro do golpe”, ocorrido em trinta e um de agosto de 1969. Na ocasião, o impedimento, por motivo de saúde, do então presidente general Artur da Costa e Silva, levaria à presidência o seu vice-presidente, o sucessor constitucional, o político mineiro, udenista, membro da base civil aliada dos militares, Pedro Aleixo. Por decisão dos ministros militares, pressionados pela “linha dura” que não queria “devolver” o País aos civis, o Vice-Presidente foi afastado do cargo, e o País passou a ser governado por uma Junta Governativa,3 composta por esses mesmos ministros. A

3 Eram eles: general Aurélio de Lira Tavares (Exército), Almirante Augusto Rademaker Grünewald (Marinha) e

Brigadeiro Márcio de Souza e Melo (Aeronáutica). Governou o País de 31/8 a 30/10/1969, data da posse do general Emílio Garrastazu Médici.

chamada “linha dura” entendia que o Governo era uma delegação das Forças Armadas, e que, portanto, a soberania era seu monopólio.

Esse processo de militarização e centralização do poder pela “linha dura”, contudo já se encontrava em franco processo de efetivação. Em primeiro de julho de 1969, foi criada, em São Paulo, a Operação Bandeirantes, que se tornaria a precursora dos DOI-CODIs. E mais, com o Decreto-Lei 667, de dois de julho de1969, todas as polícias militares estaduais passaram a se reportar diretamente ao Exército. No Estado de São Paulo, palco do maior número de ações da guerrilha urbana, foi criada nessa mesma data, a “Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar” — ROTA —, braço da PM paulista, que tinha a incumbência de reprimir as “expropriações” — os assaltos a banco no vocabulário da guerrilha — que viviam um processo ascendente.

No Brasil da ditadura, para aumentar a eficácia da tortura, tal como numa operação burocrática de O&M (Organização & Métodos), os governos militares criaram novas agências repressivas paralelas ao organograma e à cadeia de comando. A todas elas, mesmo às já existentes, foi assegurado um grau elevado de autonomia em nome da agilidade operacional. Verbas secretas, “caixa-dois”, doações de empresários simpatizantes, provisionavam a repressão de recursos financeiros necessários e, muitas vezes, complementavam o salário dos agentes. Paralelamente, cursos de tortura se multiplicavam pelo País, que faziam fama continental, chegando a exportar esse know-how para regimes irmãos no Cone Sul. Os tribunais militares que julgavam os crimes contra a segurança nacional jamais deixaram de receber denúncias de torturas, sequestros, ocultação de cadáveres e outras violências praticadas pelos agentes da lei. Foi através dessas corajosas denúncias, feitas pelas próprias vítimas ou testemunhas diretas nas audiências, que a equipe do “Brasil: Nunca Mais” (BNM) conseguiu realizar sua imensa pesquisa, que revelou4 tal como numa radiografia a estrutura violenta mais íntima da ditadura. No entanto, os juízes faziam ouvidos moucos às denúncias. No mais das vezes, os governantes desqualificavam os depoentes, as táticas usadas e também em relação às acusações que provinham do exterior.

4 Mesmo a legislação autoritária da ditadura assegurava ao acusado de crimes contra a segurança nacional alguns

parcos direitos. Dentre eles, estava o de constituir advogado. Esse, por sua vez, tinha 24 horas para fazer a “vista dos autos” do processo de seu cliente. Nessas poucas horas, os pesquisadores do BNM copiavam o processo, reunindo com isso, um riquíssimo acervo documental sobre a ditadura vista a partir das suas próprias entranhas. A análise dos mais de setecentos processos que tramitaram nas auditorias militares foi reunida numa edição de 12 volumes, denominada “Projeto A”, da qual foram feitas 25 cópias, enviadas para centros de pesquisa e bibliotecas de importantes instituições no Brasil e no exterior. Em 2008, o “Projeto A” recebeu versão digitalizada, disponível nos sítios eletrônicos de entidades brasileiras de luta pelos direitos humanos. Os 12 volumes do “Projeto A” foram resumidos em um único volume, chamado de “Projeto B”, editado com características comerciais, e que contém uma síntese das conclusões da equipe do BNM. As cópias xerográficas dos processos encontram-se de posse do Arquivo Edgard Leuenroth, da UNICAMP.

Os membros da linha dura poucas vezes ocuparam outros postos de destaque para o grande público na estrutura administrativa, além da Presidência da República. Isso porque, eles tinham clareza que, conforme palavras de um alto oficial adepto a ela:

era muito mais importante ter um comando de tropas, do que ocupar um cargo público, por mais visibilidade que ele trouxesse ao seu ocupante. Afinal, quantas tropas efetivamente têm um Ministro? O que ele comanda além da sua mesa?

Astúcia e senso estratégico. A linha dura preocupava-se muito mais em controlar os quartéis, especialmente o médio e baixo oficialato, além dos sargentos — níveis hierárquicos que estavam mais diretamente em contato com o grosso da tropa — do que fazer o jogo político em Brasília. Não que o desprezasse completamente, mas sabia que o poder de fogo dos canhões fazia pender o fiel da balança para quem o detivesse. Isso explica seu esforço em manter seus oficiais à frente de comandos dos Exércitos e das guarnições melhores equipadas e adestradas. E, nem é preciso dizer que os oficiais destacados para atuar e comandar as agências repressivas eram simpatizantes da linha dura.

A centralização do comando da repressão política pelo exército promoveu mudanças nos procedimentos de interrogatórios. Além dos novos equipamentos e técnicas utilizadas, frutos de um intenso intercâmbio com as agências de inteligência dos governos britânico e norte-americano, surgiu no cenário político brasileiro a figura do “desaparecido político”. Até 1969, para ocultar as mortes ocorridas durante os interrogatórios, os órgãos repressivos simulavam acidentes automobilísticos ou tiroteios. A OBAN inovou esse procedimento: em lugar de grotescos simulacros, a ocultação de cadáveres. Acobertada pelo governo e protegida pela censura, a repressão não se intimidou em promover o desaparecimento dos seus opositores. Depoimentos posteriores de ex-membros da repressão trouxeram à luz muitos desses procedimentos: esquartejamento dos corpos com os pedaços enterrados em diferentes locais, evitando assim futura e eventual identificação, ou simplesmente, arremessando o preso, de helicóptero, em alto-mar.

Benzer Belgeler