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Çağdaş Türk Düşüncesiyle İlgili Tartışmalar

mas outra coisa. Quando Múcio Cévola169 foi ao acampamento do estrusco Lars Porsenna com a intenção de matar o rei, podia almejar muito caso sua empreitada corresse bem, pois ele notara que Horácio Cocles170 fora recompensado por ter conduzido bem a sua empresa, recebendo grande fama e tendo sido altamente prestigiado. E embora Múcio tenha falhado ao escapar das mãos dos inimigos quando a sua empresa desandou, não se pode dizer que ele tenha se sentido obrigado a suicidar-se de imediato ao ver-se sem esperança de um retorno incólume. Realmente, apesar de capturado, não fora submetido à morte ou coisa pior, como poderia ter ocorrido se houvesse assassinado o rei. E, contudo, por que ele não poderia ter esperado retornar a salvo, se o serviço houvesse sido cumprido? Ele havia assistido o próprio Horácio Clocles escapar de um perigo ainda maior quando este combatia na batalha contra o exército de Porsenna. Ele não pôde ser nem capturado nem morto: arremessando-se de uma ponte enquanto os projéteis eram lançados pelo inimigo, ele conseguira escapar nadando, mesmo portando a pesada armadura171.

(2) Pode ser que Múcio tenha sido incitado por outros motivos: a sua miséria, a

fome de seus parentes e a desfortuna que acometia a maioria das pessoas, mais triste aos olhos que a própria morte; ou talvez a esperança de uma glória póstuma. Quanto àquilo que se narra e que é amplamente enaltecido – graças a uma incrível obstinação, ele havia queimado a própria mão –, ele assim o fizera simplesmente com o intuito de preservar a sua própria vida e ludibriar o inimigo, o que de fato ocorreu.

VI. (1) Quanto aos Décios – tanto o pai, quanto o filho –, vendo seus exércitos retirarem-se, preferiram morrer pelo exército a morrer junto dele, a fim de obter a glória em vez da ignomínia – coisa feita geralmente por pilhadores, bandidos e gladiadores –, e assim

169 Narra-se que em 508 a.c, Gaius Mucius Scaevola ficou famoso por ter-se oferecido a invadir o acampamento do rei inimigo etrusco para assassiná-lo. Mas, ali infiltrado, errou a punhalada, assassinando seu servo. Por essa falha, ateou fogo à sua mão como castigo, impressionando o rei Lars Porsenna que o liberou por isso. A partir daí ficou conhecido como Múcio Scaevola (o canhoto).

170 Narra-se que em 508 a.c, Horacius Clocles conseguiu barrar o avanço etrusco sobre a ponte do rio Tevere que conduzia a Roma.

140 deixarem às suas crianças antes uma herança similar a nenhuma. Com efeito, os seus netos os imitaram na guerra contra Pirro172.

VII. (1) Em exemplo semelhante, relatado por autores importantes173, os cartaginenses deram a Régulo um veneno que não tinha efeito imediato, mas penetrava lentamente pelo corpo – fato que ele mesmo havia declarado no senado. Não podendo sobreviver por muito tempo mais, ele compensou a desvantagem de uma vida curta com algumas vantagens: seja com um dote para sua filha, seja com a glória. Além dessa, poderia ter havido muitas outras causas para seus feitos, mesmo se ele não tivesse entornado o veneno. Eu mencionarei apenas duas diferentes dessa, considerando que muitos suspeitavam que ele se envergonhava de viver como prisioneiro: a primeira causa foi devido ao medo de despertar o ódio contra si mesmo caso a libertação dos prisioneiros levasse à perdição da vitória próxima e já ansiada por todos, ou ao prolongamento da guerra, ou à vitória cartaginense, ou fosse ele capturado novamente. Todas essas possibilidades Régulo sabia que não podia controlar porque elas dependiam da vontade da fortuna. Já a segunda causa possível deve-se ao fato de que ele detestava os cartaginenses o suficiente para sacrificar-se voluntariamente pelo intuito de destruí-los.

(2) Este último tipo de reação é visto com mais frequencia, mas a nós bastará apenas

um exemplo. Escutai o que Lucano, o poeta menos mentiroso, falava de Domício: (...) em meio à confusão da carnificina de tantos homens ilustres, só a morte daquele obstinado guerreiro, Domício, sobressaiu (...), ele caiu feliz com mil ferimentos e regojizou- se por ter escapado, assim, de um segundo perdão174.

Notai as palavras moribundas de Domício, plenas de ultrajante insolência contra César, que o escutava:

„César, ainda não colheste o funesto prêmio pelos teus delitos. Todavia, teu destino continua incerto e és inferior ao teu genro

172 Ver nota 162.

173 Ver: Aulus Gellus, Noct. Att., VII, 4.

141 e, por isso, parto livre e tranquilo para as sombras do Estige,

sob a guia de Pompeu, meu líder. Apesar de eu morrer, ainda tenho esperança de que tu, derrotado em batalhas violentas, pagarás com duras penas o afronto contra nós e Pompeu.’ E antes que ele pudesse dizer uma última palavra, a vida escapou-lhe175.

Se Domício desdenhou da vida concedida pelo benefício de César176, tão grandioso homem, para não dizer um cidadão admirável, por que deveríamos nos surpreender com a relutância de Régulo em receber a liberação garantida a ele pelos cartaginenses, os mais rancorosos dos inimigos, rendidos na mais justa das guerras? Especialmente quando Régulo podia, muito mais que Domício, prever a punição dos seus inimigos e a fama de sua pátria.

(3) E também, quem asseguraria que Régulo não tinha esperança de viver e, retornando a

Cártago, não tentaria suplicar pela sua libertação? Realmente, percebo que facilmente ele poderia ter cultivado esperança. Sem dúvida, era vantajoso para a causa e dignidade dos cartaginenses reterem Régulo ileso e enviá-lo de presente aos romanos para assim acalmarem um inimigo já quase vencedor, concedendo-lhe um favor ao invés de provocá-lo com injúrias e desonras. Se Régulo tivesse previsto a insensatez e a loucura que se seguiriam, acredito (contradiga-me quem quiser) que ele teria permanecido em sua residência, e com justeza.

VIII. (1) Falarei agora de Codro177, de Meneceu178, de Sócrates179, dos homens de Sagunto180, daqueles que foram cercados no barco de Opitérgio181 e de muitos outros. Com

175 Lucano, Bellum civile, VII, 610-616.

176 Caio Júlio César, grande ditador romano, tornou-se famoso por sua benevolência. Durante a guerra civil de Roma entre seus seguidores e os de Pompeu, César oferecia o seu perdão a todos que se arrependessem e ficassem do seu lado.

177 Codro, último rei de Atenas. Narra-se que durante as invasões dóricas, o Oráculo de Delfos havia previsto que os atenienses não venceriam a guerra se o rei ateniense não fosse morto. Sabendo disso, os dóricos evitavam ferir o rei a todo custo. Este, oferecendo-se em sacrifício, disfarçou-se e provocou a ira de alguns soldados inimigos para que o matassem. Ao descobrirem a verdadeira identidade do cadáver, os dóricos retiraram-se por medo da profecia do Oráculo.

178 Na mitologia grega, Meneceo de Tebas se suicida depois de ouvir o oráculo de Tiresias prever que ele deveria morrer para que Tebas fosse salva dos Sete contra Tebas.

179 O processo da morte de Sócrates se remete a 399 a.c. A Apologia de Sócrates de Platão e de Xenofonte oferecem um quadro da defesa de Sócrates no tribunal. Em uma famosa passagem da Apologia de Platão (36b - 37e), Sócrates propõe a si mesmo como pena sua manutenção a despesas públicas no Pritâneo – uma honra reservada aos cidadãos mais ilustres, como por exemplo, os vencedores dos Jogos Olímpicos.

142 efeito, é com a morte que homens bravos obtêm os maiores louvores. Mas, sejamos breves. Basta mostrar que todos esses homens foram induzidos a merecerem o bem de sua nação por algum tipo de recompensa. Já que a honestidade não pode oferecer nenhuma gratificação, ninguém faz nada ou é forçado a nada em seu nome. Antes, é melhor dela se afastar, como se fosse um general que não paga o estipêndio às suas tropas.

(2) Neste ponto, todos os filósofos opor-se-iam declarando que a glória é a

recompensa das coisas honestas, a melhor, a mais nobre e a mais permanente; enquanto o da torpitude é a infâmia. Aquela recompensa eterna e nobre tem induzido muitos homens – os mesmos que eu mencionara anteriormente – a merecerem o bem de sua pátria: Múcio, os Décios, Régulo e Codro. Assim, Platão, o sol dos filósofos, disse a Dionísio: “Após a nossa morte, os homens falarão de nós e, por isso, não devemos negligenciar o tempo vindouro, mas com ele nos preocupar. Observamos na natureza que os mais preguiçosos são os mais descuidados com sua reputação futura, ao passo que os mais sábios e os bons agem de modo tal que os séculos futuros os mantenham sempre em grande apreço”182. E, entre nossos poetas, Virgílio atribuiu a Júpiter este discurso:

Fixos são os dias para cada um. Breve e irremediável é o jorro da vida. Mas, prolongar a fama pelos feitos, esta é tarefa da virtude183.

E também:

(...) eles trocariam a vida pela fama184.

180 Quintiliano, Institutio Oratoria, III, 8, 23. A antiga cidade de Sagunto, na atual Espanha, foi conquistada por Haníbal no início da Segunda Guerra Púnica, em 218 a.c, conforme episódio também narrado por Tito Lívio, XXI, 14 (NE, p. 506).

181 Quintiliano alude a outro fato ocorrido em 49 a.c, também narrado por Lucano, no seu Bellum Civile, IV, 462: mil jovens, habitantes da cidade vêneta de Oderzo (em latim: Optergium) e que haviam sido bloqueados em uma ilha na costa dalmata, resistiram por um dia inteiro contra o ataque de uma frota inimiga muito mais numerosa e, por fim, obedecendo ao conselho de Vulteio, preferiram suicidar-se a render-se. Cf. também, Floro, II, 13, 33-4. (NE, Quintiliano, op. cit., p. 506).

182 Platão, Epistolas, II, 311c. 183 Virgílio, Eneida, X, 467-69. 184 Virgílio, Eneida, V, 230.

143 E Salustio diz no começo da sua Guerra de Catilina: “Posto que desfrutamos de uma vida tão breve, é apropriado fazer com que a memória dos nossos atos seja a mais larga possível”185. E Cícero: “A vida dos mortos repousa sob a memória dos vivos”186. E Quintiliano diz de Sócrates: “Com a perda do breve período de vida que lhe restava devido a idade já avançada, resultou dele ser rememorado durante todos os tempos”187.

(4) Longe de mim censurar tais autores, os quais falavam como pensavam. Em

nosso tempo, contudo, muitos nos incitam a fazer o que eles próprios evitam. Nunca nos faltam professores desse tipo, admoestando-nos como se fossem superiores: “Por que temeis, ó bravos, confrontar a morte pelo bem da pátria? Nós celebraremos vossa fama eternamente e vivereis para sempre na gloriosa memória. Lembrai-vos do grande número de heróis corajosos, como: Epaminondas, Temístocles, os Cipiões, os Marcelos, os Fábios e muitos outros, os quais, tendo se sacrificado ao máximo, agora permanecem na mais alta honra”.

(5) Gostaria de encontrar qualquer um destes professores para responder-lhes de

nenhum outro modo senão assim: por que não enrolas tua língua arrogante? É assim, de um posto superior que te diriges a mim, persuadindo-me e incitando-me a lutar não apenas bravamente, mas também arriscando minha vida ao máximo? E quem tu pensas que ignora a razão do porquê ages assim? Certamente para que um trono, riquezas e benefícios sejam concedidos a ti. E por que tu mesmo não lutas? Por que não tentas obter tu esta glória? Naturalmente porque estimas mais as coisas da vida que a glória da morte. Então, se tu, que és o professor, não fazes nada pela glória, por que me repreendes por não ousar fazer aquilo que tu mesmo temes? Ao invés disso, por que não te enrubesces ao elogiar com palavras aquilo que tu amaldiçoas com teus feitos? Certamente eu morreria e tu continuarias vivo. Derramaria meu sangue no colapso contra o chão, repleto de ferimentos, enquanto tu lucrarias com minha morte. E então, depois de morto e enterrado, tu enaltecer-me-ias em voz alta, ou escrevendo, ou por qualquer outra eminente e perpétua marca de memória. Façamos o inverso: vai tu precipitar-te para a morte e eu falarei bem de ti depois que estiveres morto.

185 Salustio, Bellum Catilinae, I, 1, 3. 186 Cícero, Philippicae orationes, IX, 5, 10. 187 Quintiliano, Institutio Oratoria, XI, 1, 10.

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(6) Vamos imaginar que fôssemos admoestados por um daqueles famosos anciões,

particularmente por um daqueles que morreram por sua pátria e que retornasse agora, convocado do inferno. E que seja aquele notável jovem, Cúrcio! O que deveríamos dizer- lhe em resposta? Bons deuses, nós diríamos seguramente e com facilidade: se tu lutaste pela glória, como foi o caso, então tuas ações não deveriam ser chamadas de honestas. “Mas, aquela é companheira da honestidade, e por esta razão, a honestidade vem da honra e da glória”188. Portanto, a honestidade, por si só, não é nada, indubitavelmente.

(7) Por essa razão, Epicuro elegantemente concluiu que a honestidade retém o que é

glorioso por fama popular189. De fato, a palavra grega kalòn190 se traduz em latim por belo [pulchrum]; e honesto [honestum] significa quase o mesmo que honrado [honoratum]. Coisas belas parecem, com efeito, demonstrar certa honra, como Virgilio dizia:

(...) sob seus olhos suspirou [Vênus] jubilosas honrarias [honores]191.

E em outra passagem:

(...) sua bela [honestum] cabeça descoberta [de Dardanio]192

Isto é, bela e honrosa. Portanto, honesto [honestum] é dito das coisas belas e honrosas. Por essa razão, nossos ancestrais decidiram que os templos da Virtude e da Honra fossem reunidos de modo que o primeiro fosse o dever e o segundo, o fim; o primeiro, a fadiga e o segundo, o propósito da fadiga; ou seja, não sendo possível obter o segundo, o primeiro seria menosprezado.

(8) Mas, vamos imaginar que a honestidade seja qualquer coisa e que a sua

companheira seja a glória. Se a honestidade sozinha, líder e soberana, de nada é capaz, seria

188 Apesar de na edição crítica da De Panizza esta citação estar entre aspas (o mesmo ocorre na edição crítica alemã de 2004 e na versão italiana de Radetti), não identificamos se se trata de uma citação de fato.

189 Cícero, De finibus, II, 48.

190 Ver kalòs in LSJ: beautiful, of outward form, freq. of persons. 191 Virgílio, Eneida, I, 591.

145 sua escrava e serva desejada? Não ousaria afirmar tal coisa, nem desejaria que tal fosse dito. Todo desejo de glória provém da vaidade, do orgulho e da ambição. O que é isto, senão querer estar numa posição mais elevada que os demais ou considerar os outros num nível inferior, que é a semente de toda discórdia, ódio e inveja? A amizade e a igualdade entre os homens geram a bondade e a paz. Mas que isto seja como se eu não o tivesse dito, como declarei anteriormente.