2.3. Medresetü’n-Nüvvab’ın Kısımları
2.3.2. Âli Kısmının Açılışı
Em epílogo do percurso desse projeto, se esboça uma análise entrelaçada, com as fundamentações postas neste texto e as elaborações realizadas por Draibe (1990), Viana (2006), Senna (2002), Donnabediam (1992), Cohn (2006) e Vasconcelos (2005) sobre processos, financiamento, dualidades e equidadena assistência. Legislado pela realidade estrutural e social como universal e complementar com o sistema privado. As conclusões de Vasconcelos(2005) em tese intitulada “Os Paradoxos do SUS” foram:
Princípios reformistas de política pelo Sistema de Saúde; queda do potencial utópico dos princípios do SUS; o ideário privatista/hospitalocêntrico é hegemônico; o sistema politico não legitima o SUS; a permeabilidade das redes sociais no Estado abstrato e ausente da regulação público/privada,
clientelista, árbitro de práticas e saberes que dificultam a implementação dos princípios doutrinários e emancipalistas; burocratizado, emperrado e ineficaz; os espaços de negociação dos pactos federativos repercutem negativamente nas diversidades regionais e municipais do federalismo brasileiro que requer outras bases de Regionalização; o paradoxo explica-se na fragilidade das forças sociais;o uso do financiamento/gastos racionalizados com elevada supremacia na alta complexidade; a normatização via (PAB, NOAS e PPI) que deveriam ser racionalizadoras são burocratizantes, junto com a fragmentação do financiamento contraditório à racionalização, que não subsidia o planejamento e sim um desenho incrementalista; aumento de recursos e apoio à A. B., PROESF e Hospitais de pequeno porte e incentivos às populações rurais de menos de 30.000 hab e indígenas; criação de Vigilância à Saúde fragmentada e compartimentalizada; esboço de uma nova racionalização via indução de financiamento a programa de Promoção à Saúde 2005-2006; o Conselho Nacional de Saúde tem como agenda principal o financiamento das ações; a XII CNS foi um estanque de 10 anos em discussão; Uma Babel: seus atores são monocráticamente deliberativos e se superpõem à força das próprias Conferências; a tripartite gesta um discurso de romper o estagmatísmo; a precarização do trabalho; a dinamização do controle social; o redimensionamento da gestão e dos pactos; a descontinuidade das políticas e dos programas; a radicalidade do discurso sanitarês não traduz a prática da realidade do sistema de saúde; e, o CONASEMS é manipulado pelos municípios maiores. (fruto do conflito federativo). (VASCONCELOS, 2005,)
Considera-se que este autor ao referir-se aos dilemas na reforma, estes são inerentes aos processos aparentemente contraditórios que o próprio autor menciona serem existentes em uma dada intervenção na recorência do reformismo político, constantes em sociedades de desenvolvimento desigual e fragilidade da sociedade civil. Vasconcelos (2005) sinala o caráter de seletividade do processo social no Brasil, em referência Santos (2002), no que este autor assinala que não está dissociado do processo histórico. Das intervenções sobre o social como elo de uma corrente mais longa, que é tecida desde o início do século XIX.
Em concordância com estas reflexões, se acrescenta deste autor o que avalia sobre o critério de seletividade das políticas que criam pelo abandono, um exército de párias urbanos e rurais sem lugar no processo produtivo e na comunidade política. Se faz mister referir-se a Poulantzas (1977) e Offe (1984)
para pontuar: a mediação dos interesses conflitantes pelo Estado tem o caráter de classe; em corte vertical aos socialmente horizontais; segundo os critérios de seletividade das intervenções.
Agenda setorial saúde: segundo os dados do Caderno de Informação da Saúde Suplementar publicado pela Agencia Nacional de Saúde Suplementar - ANS, do Ministério da Saúde (BRASIL, 2006b), o setor da saúde privada elevou seu crescimento em 30% a partir de 2000. Nos últimos seis anos 10,2 milhões passaram a ter um plano de saúde no Brasil; o total subiu de 34,5 milhões para 44,7 milhões em ritmo superior ao crescimento populacional do período e elevou de 34,5 milhões para 44,7 milhões o total de beneficiários, numa variação de 30%.
A taxa de cobertura do setor aumentou de 20,8% para 23,9% da população. Dados da avaliação da Atenção Básica realizada pela USP nos ELB divulgados em 2006 comprovaram que dentre os usuários do SUS em São Paulo, 15% deles têm plano de saúde privado. É estimado que 30% da população brasileira paga planos de assistência à saúde o que significa que a universsalidade é piramizada e não equanime posto que os que pagam são os que formalmente contribuem em impostos.
Duplicidade tributária e previdenciaria que se avalia juridicamente, “bis in idem”. A maior oferta de planos odontológicos, a melhoria na renda da parcela mais pobre da população e o emprego formal além da não resolutividade horizontal e integral do sistema são as causas apontadas para o crescimento da privatização da assistência. Fausto Pereira dos Santos (2007, online), presidente da ANS avalia que a principal explicação para o crescimento do setor foi a melhoria do emprego formal. "Apesar dos planos individuais também crescerem, a ANS tem registrado um aumento principalmente nos coletivos. Isso se explica porque, ao entrar numa empresa, o trabalhador imediatamente adere ao plano".
Os pontos centrais de definição dessa agenda são de pensamento universal, das modernas linhas da saúde pública mundial e dos sanitaristas brasileiros. A questão central consiste na dimensão da promoção da saúde
como classe social, renda, trabalho, acesso à moradia com saneamento, alimentação e nutrição. De ordem estrutural e inter setoriais das interfaces entre saúde e habitação, saúde e saneamento, nos investimentos que o Plano de Aceleração do Crescimento - PAC pode impactar na saúde coletiva.
O ministro da saúde, José Gomes Temporão defende a adoção de políticas inter setoriais, com interfaces entre saúde e habitação, saúde e saneamento. Idealiza um grande movimento nacional de promoção da saúde com inclusão de integralidade na assistencia e quebra de diferenciais por gênero ou patologia. Aborda os temas extra setoriais como os acidentes de trânsito movidos pelo consumo de álcool e outras drogas em estradas mal sinalizadas, impunidade e desinformação. Em relação ao álcool induziu pela legislação a coibição de venda de bebida em torno das estradas.
Em nível mundial, o setor saúde em termos de serviços e produção tecnologica é dos setores da economia terciária que mais gera produtos, conhecimento e emprego. Uma das metas definidas no debate da OPAS em 1990. O setor bancário e o industrial automobilístico reduz o emprego pelo uso da automação enquanto o da saúde é um mercado de trabalho em franca expansão, pela demografia descrita. Os dados de demografia indicam que a população está envelhecendo mais rapidamente. Serão mais de 30 milhões com mais de 60 anos com demanda de cuidados específicos com a saúde.
O movimento de democratização do Brasil colocou na Constituição de 1988 um conjunto de direitos sociais, inserindo a saúde como dever do Estado e direito do cidadão. Do ponto de vista social, o país avança com a inclusão e a redução da desigualdade, apesar do passado colonial e escravista ainda enraizado na sociedade.Na economia, dois complexos de atividades produtivas alavancaram com a articulação entre o Estado e a iniciativa privada: o industrial militar e o da saúde. Áreas com os maiores gastos de pesquisa e desenvolvimento do mundo que compõem segmentos produtivos estratégicos do potencial econômico e político dos Estados líderes na economia mundial.
O Fórum Global para a Pesquisa em Saúde revelou, em 2006, que a saúde responde por 20% da despesa mundial, pública e privada, e que as
atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico representam US$ 135 bilhões. Dado revelador do papel central da saúde na sociedade do conhecimento e do caráter excludente da globalização é o de que os países de média e baixa renda respondem por apenas 3% desse total, com participação concentrada em atividades de menor densidade tecnológica e potencial econômico. Traços do descompasso entre as necessidades de saúde dos países menos desenvolvidos e a base econômica e de inovação mundial.
A saúde deve ser compreendida a partir da dimensão de política social cuja produção se configura em um complexo social produtivo, com vínculo entre segmentos industriais de alto dinamismo e prestação de serviços assistenciais. Esse complexo incorpora os novos paradigmas tecnológicos determinantes do dinamismo das economias, como fármacos, biotecnologia, eletrônica, nanotecnologia e outros, articulados com a prestação de serviços e que requerem conhecimentos qualificados.
O entendimento dessas atividades como ônus ao orçamento público é cego. O segmento contribui para cidadania, investimentos, inovações, renda, emprego e receitas ao Estado. A cadeia produtiva representa entre 7% e 8% do PIB no equivalente a R$ 160 bilhões. Emprega, com trabalho formal, 10% da população e é a área em que os investimentos públicos com pesquisa e desenvolvimento são os mais expressivos.
O mercado farmacêutico brasileiro movimenta R$ 22 bilhões. Em equipamentos médico hospitalares, R$ 6 bilhões, e vacinas, reagentes e hemoderivados, R$ 3 bilhões que geram 300 mil empregos diretos. Na prestação de serviços, 77 mil estabelecimentos de saúde empregam 1,6 milhão de pessoas , mais da metade com nível superior e alta qualificação. Por ano, o SUS realiza 2,8 mil transplantes renais, 215 mil cirurgias cardíacas e 9 milhões de procedimentos de rádio e quimioterapia, refletindo capacitação do sistema que se destaca entre países com grau semelhante de desenvolvimento.
É consenso que existe fragilidade na alocação de recurssos financeiros ao setor como um todo, bem como uma fragilidade econômica e tecnológica nesta subdimensão do sistema. Indústrias perderam competitividade
internacional na década de 90 e o déficit acumulado cresceu de US$ 700 milhões ao ano, no final dos anos 80, para US$ 4 bilhões, sendo 60% concentrados na área farmacêutica. Um país desenvolvido requer base produtiva forte para atender a inclusão social e atenuar as desigualdades.
O Brasil tem cabedais para enfrentar e superar essa situação: tem base produtiva, ciência, recursos humanos qualificados e sistema de saúde legislado universal que conferem ao Estado elevado poder de compra de bens industriais, com financiamento de longo prazo pelo BNDES. Requisitos peculiares na realidade latinoamericana que tornam o setor saúde uma das frentes de expansão e janela de oportunidades ao padrão de desenvolvimento humanizado, equânime e solidário.