• Sonuç bulunamadı

Zeybeklerde Giyim Kuşam Parçaları

2.2. ZEYBEKLİĞİN TARİHÇESİ

2.3.10. Zeybeklerde Giyim Kuşam Parçaları

A organização do fornecimento de alimentos à Bahia, segundo a documentação, era um grande problema a ser resolvido, principalmente no que se refere à farinha e à carne. A

61 (DHBN, Portarias e cartas dos Governadores Gerais.1670 – 1678, 1929, p. 348). 62 (DHBN. 1681 – 1690. Vol. LXVIII. Cartas Régias. 1945. P. 120).

escassez de produtos alimentícios culminou em uma grande fome no Recôncavo sentida, sobretudo durante a década de 80. Com a finalidade de se resolver a questão do abastecimento da carne, em 1682 houve uma reunião com os ―homens bons‖ da cidade:

Chamados para efeito dese fazerem noua postura So- / b[er] aCar[ne] que se corta nostalhos desta Cidade eperquanto a- / uia geral queixa neste pouo Como atodos os prezentes He / notória que segardauam nostalhos dos aoug[u]es desta Cidade / ordinariamente Carne magra e Com mao cheiro de / talsorte que emtende os médicos desta Cidade pRo- / fessores da [C]iensia da medicina que He carne roim que seCome agora cauza das doensas que há na rua / que n[ã]auaí antigamente eCau[za]do tudo do Roim go- / uerno do senado daCamara porque estaua enduzi- / do adar talhos aos marchantes atrauasadores / e aelles seaRematauão os Coatro talhos que [ilegível] das sobras dadita Camara, eda [Rellação edas [Cargas] 63.

Devido à crescente ocupação dos espaços relacionados à produção de açúcar, o espaço para a criação de gado se tornou insuficiente. Por isso, a carne vinha de fora da cidade, principalmente das três Vilas citadas acima. Sendo assim, o seu fornecimento era feito por atravessadores64 que, segundo a Câmara, passaram a fornecer carne de má qualidade. Segundo os relatos, os talhos de carnes não eram do gosto dos baianos: magros demais e, muitas vezes, impróprios para o consumo: caracterizados de ―carnes roins‖, mal-cheirosas e estragadas. Os médicos afirmavam que muitos dos males da cidade estavam relacionados ao consumo dessa carne. A solução para a problemática seria, na visão da Câmara, proibir os atravessadores de realizarem o comércio:

Corregedor daCamara Com offi- / ciais daCamara Coueniente dazer noua postura afim deque ficasem emprimeiro lugar ex cluhidos / os marchantes eatrauesadores, pois dles Resultara / todo o dano Referido eque os criadores logras / hu preso conueniente eopouo olograse tãobem Cõ / aut[i]l[i]dade grande deComer Carne gorda eboa esendo ouui- / dos os Criadores que seacharão prezentes pertodos iniforme- / mente foi dito que as Causas referidas erão uerdadeiras / eque arespeito dadespeza quetem na Condusão digo / Criasão dogado eCondução delles aesta Cidade emque / temperdas noCaminho (...)65.

Sendo assim, os açougues do Recôncavo deveriam depender dos matadores locais e evitar os atravessadores, pois, com essa medida, a carne seria de melhor qualidade pelos

63 (DHAM da Bahia, 1950, vol. 5, p. 332).

64 Em Bluteau atravessar mercadorias consistiam em comprá-las a um preço barato e revendê-la mais cara. Tomo

1 p. 648.

seguintes pontos: como o animal seria morto próximo ao local do consumo, diminuiria a deterioração, ocorrida quando o alimento vinha de um lugar distante; ainda o preço seria menor já que não passariam pelas mãos dos atravessadores. Ainda em 1694, o problema com os atravessadores persistia. A Câmara de maneira evidente queria extirpar a existência dos atravessadores. Talvez atendendo o interesse dos matadores baianos ou mesmo pensando no preço e na saúde dos moradores locais, ela procura convencer dos problemas ligados a eles:

Os oficiais da Câmara da Bahia, em carta de 30 de julho deste ano, escreveram a Vossa Majestade que constumando-se ordinariamente arrematar os talhos dos açougues daquela cidade por oito, nove, ou dez mil cruzados haveriam que os arrematasse, sendo que por irem os gados em crescimento não deveriam estar reduzidos a tão inferior valor e porque presumiam que esta grande diferença procedia de que há anos a esta parte deram os marchates66 (pela grande conveniência que nisso têm) em vender

nos currais em quartos toda a carne gorda, que neles se matava, pelo mais subido preço que podiam e sai taxado na vereação, no que só as rendas de Vossa Majestade pareciam uma diminuição muito grande senão que também o povo experimentava muito considerável prejuízo porque se todo o gado que se matasse nos currais se fosse cortar aos açougues comeria o povo a carne pelo preço taxado, em que pelo que lhe punham os marchantes e as rendas de Vossa Majestade poderiam facilmente subir ao crescimento que tinham não sendo justo que pela conveniência particular se visse tão prejudicado o bem comum (...) pedindo para que se proíba de se cortar as carnes nos currais, seja que for, condição, etc. E como acontece no reino e em Angola, deve-se fazer o degredo da mesma. E pagarão 200 mil reis para as obras da cadeia da cidade67.

A este pedido responde o Conselho Ultramarino.

Ao Conselho parece que Vossa Majestade deve ser servido mandar que se passe Provisão aos oficiais da Câmara da Bahia, para que façam inviolavelmente guardar que se não venda carne fora dos açougues e possam condenar os transgressores pela primeira vez em seis mil réis, e trinta dias de cadeia, e pela segunda em dobro, uma e outra pela e pela terceira, exterminando fora daquela capitania, e que esta se faça pública para que venha à notícia de todos para que não aleguem ignorância por parte dos mesmos transgressores68.

O argumento do ―bem comum‖ convenceu os membros do Conselho Ultramarino a proibir a venda das carnes fora dos açougues: os preços altos, a deficiência das carnes, as doenças, implicaram na eliminação dessa camada de comerciantes da legalidade. Também, deva pesar o peso político dos açougueiros.

66 Mercador de gado destinado aos açougues. Bluetau, Tomo 5. P. 325. 67 (DHBN, 1950, LXXXIX, P. 255-56).

*

Com a utilização dos espaços pelos engenhos, não havia lugar para a produção de alimentos. Sendo assim, algumas regiões se especializaram no fornecimento desses mantimentos, principalmente farinha de mandioca (―pão do Brasil‖) e carne de bois:

E que enquanto a outra farinha, que conduziam àquela cidade para o sustento do povo e do recôncavo, parecia que tinha alguma cor de justificativa a queixa dos suplicantes, por ser a farinha de mandioca o pão do Brasil, em quenão podia taxar-se-lhe o preço sem ordem expressa de Vossa Majestade, a semelhança do que dispunha as leis que se possa taxar no pão, mas era tal a ambição daqueles lavradores de farinha que não contentes com os ganhos honestos que tiravam das vendas da farinha que traziam para o sustento do povo daquela cidade e seu recôncavo que se mancomunaram uns e outros moradores daquelas vilas para que o provimento das farinhas chegasse àquela cidade tão lenta e pausadamente que fazia com que a falta dela fome na terra, e lhe subiam o preço de repente a um tal excesso que vendia o sírio da farinha a quatro e cinco patacas com que justamente se irritam os governadores e botaram Bandos com pena que o sírio da farinha que ao povo se vendesse não passasse de cinco tostões, que era um preço que não sendo excessivo, para os compradores era honesto e lucro para os lavradores que a vendiam, e quando para os Governadores daquele Estado faltasse poder para publicarem estes Bandos em que obrigam aqueles moradores do Camumu e aos mais lavradores (...) por lhe atalhar a malícia que usam para subir o preço a sua farinha, em evidente dano daquela cidade e seu Recôncavo69.

Também em decorrência da carência de alimentos, os poucos que plantavam mandioca e produziam a farinha, sabendo da necessidade dos moradores, uniam-se formando o que atualmente chamaríamos de cartel, aumentavam os preços conscientes da demanda dos moradores que precisariam comprá-la para o seu sustento e o de seus escravos. Mediante a demanda e a inexistência da concorrência, os vendedores elevavam em demasia o preço do produto com o intuito de obter lucros elevados. Quiçá, a medida da Coroa de exigir que se plantasse mandioca no Recôncavo fosse, também, em resposta a essas atitudes.

Baseado no que foi exposto acima, podemos concluir que houve uma crise na produção de mandioca, a principal fonte de carboidratos da região. Portanto, de maneira lógica, entendemos que essa dificuldade em se adquirir alimentos interferia na produção de açúcar de maneira negativa, encarecendo a produção. Se o preço da farinha aumentava significativamente, os escravos passavam a ter um custo mais elevado, principalmente, se pensarmos em um grande número deles trabalhando até 16 horas por dia, com um grande

gasto de calorias. Com o endividamento dos senhores, o preço elevado dos escravos, a queda da demanda do açúcar num momento de aparente superprodução que gerou uma queda nos preços, a situação era de crise generalizada.

Benzer Belgeler