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Taban Zemini Taşıma Gücü Testleri 1 Kaliforniya Taşıma Gücü Oranı (CBR)

ZEMİN TAŞIMA

5.3 Taban Zemini Taşıma Gücü Testleri 1 Kaliforniya Taşıma Gücü Oranı (CBR)

Todos os grupos sociais são cobertos de entidades simbólicas herdadas culturalmente. Objetos de tradições e costumes que exercem influência direta em cada núcleo do grupo, sedimentando sempre suas práticas e seus modos de vida. A mais pálida das existências está repleta de símbolos, o homem mais realista, vive de imagens.83 Isto revela que qualquer contexto, é composto pela unidade de várias

zonas do real e o símbolo ocupa uma dessas unidades. E sua influência, nas crenças e no comportamento humano como um todo, é digna de ser observada e estudada, pelo fato de que o mesmo pode se tornar fator que desequilibra as relações humanas.

82 Hugo ASSMANN e Jung MO SUNG, Competência e sensibilidade solidária: educar para a

esperança, p. 171.

Assim, por um lado, “comunica a dialética da hierofania ao transformar os objetos em algo diferente do que eles parecem ser à experiência profana: uma pedra torna-se o símbolo do ´centro do mundo`, etc.”, e, por outro lado, ao tornar-se símbolo, quer dizer, sinal de uma realidade transcendente, esses objetos anulam os seus limites concretos, deixam de ser fragmentos isolados para se integrar num sistema, ou melhor, eles encarnam em si próprios, a despeito de sua precariedade e do seu caráter fragmentário, todo o sistema em questão.84

Ao entrar no horizonte da imaginação, o símbolo ignora o limite do concreto, passando a ter uma força que nem mesmo ele, por si teria, mas lhe é concedida devido à dimensão emocional que o homem lhe atribui. Assim, tudo pode ser um símbolo ou a desempenhar o papel de um símbolo, desde a cratofania mais rudimentar que simboliza, de uma maneira ou de outra, o poder mágico-religioso incorporado num objeto qualquer, até Jesus Cristo, que, de certo ponto de vista, pode ser considerado um símbolo do milagre da encarnação da divindade no homem.85

Portanto, tomar parte na utilização de tal símbolo, posição, objeto ou imagem, deixa de ser somente um costume e vem a ser algo considerado também uma realidade emocional natural, uma necessidade, ou seja, algo comum à vida de cada pessoa. Compreendemos hoje algo que o século IXX não podia nem mesmo se pressentir: que o símbolo, o mito e a imagem pertencem à substância da vida espiritual, que podemos camuflá-los, mutilá-los, degradá-los, mas que jamais poderemos extirpá-los.86

Haja vista que muitas das discussões em torno do assunto do religioso, não passam da esfera simples de seu uso nas comunidades e raramente são avaliadas

84 Mircea ELIADE, Tratado de historia das religiões, p. 368. 85 Ibid., p. 365.

de forma crítica em seu estudo, especialmente dentro do contexto psicológico e realista da necessidade humana. Entender o valor dos símbolos nos relacionamentos interpessoais e a influência que representam para o individuo, respeitá-los, e acima de tudo analisá-los de forma consciente e produtiva para a comunidade religiosa, é uma função significativa das ciências da religião.

A sociedade atual, além de ser relativamente mística, tem também, como parte da natureza comum a todos os homens, uma dificuldade de crença no imaginário ou não visível. Essa, talvez seja a razão pela qual se pode observar a utilização acentuada de símbolos e imagens que objetivam o estabelecimento de segurança e conforto emocional em meio ao palpável ou visível da realidade humana e seus relacionamentos.

Desta forma, representações simbólicas em um grupo, são poderosos influenciadores na formação de um indivíduo. Seja na tentativa de encontro de segurança por meio da adequação a ele, ou pelo conforto emocional em satisfazer a este mesmo grupo. O poder de influência do grupo é observado em cada sociedade. Em parte, os valores que são salientes no mundo contemporâneo, coisas como, dinheiro, beleza, fama e outros, de nada significariam se não fosse por intermédio da representação que estes valores exercem dentro do grupo que os exalta.

José Machado Pais, em sua visão de segurança ontológica, “teoria ou ciência do ser enquanto ser, considerado em si mesmo, independentemente do modo pelo qual se manifesta”87, e Mircea Eliade quando se refere ao símbolo “como valor ou

significado atribuído a algo” 88, mostram uma clara relação existente entre um objeto e seu valor emocional atribuído. Eles estabelecem como fator comum, a segurança,

87 Francisco B. SILVEIRA, Dicionário da língua portuguesa, p 799.

como intenção relacionada diretamente ao uso do símbolo, o que é comum a todos, aceito por todos e usado por todos.

É na busca do símbolo, objeto desejado para a realização, que a segurança ontológica referida por Pais encontra o sentido de estabilidade emocional na vida de um ser humano inserido em um grupo e suas relações. Para uma pessoa, sempre será mais fácil crer em algo que vá além do seu senso de fé imaginária, algo que ela possa enxergar ou pegar, alguma coisa visível. Algo que para outros costumeira ou culturalmente já tem sido usado com o mesmo fim. Assim ela mesma passa a fazer uso deste algo, mostrando que qualquer imagem ou representação, seja material, pessoal, lendária, espiritual ou emocional pode influenciá-la.

Esta relação e influência do significado comum e existente nas relações humanas, pode e deve estar ligada diretamente a uma possível necessidade natural deste ser humano na busca da satisfação ou preenchimento de sua realização interior ou seu encontro com esta satisfação. Um exemplo disto é a situação de um jovem que faz uso de drogas em um grupo. Nada poderia justificar esta ação onde, mesmo sabendo que tal uso poderá trazer problemas maiores que a satisfação sentida, o jovem decide ainda usar a droga. Isto mostra a força que existe na necessidade de pertencer ao comum ou na importância que este pertencer exerce em alguém. Este é um exemplo claro do símbolo, sua influência e seus riscos nas relações interpessoais.

Uma outra justificativa plausível a isto, refere-se ao medo de rejeição que acompanha este indivíduo dentro deste contexto do grupo. O receio de exclusão desenvolve uma atitude forte de insatisfação, inadequação e medo da iminente perda de algo. Uma preocupação acentuada com a marginalidade, ou exclusão

social, sentimento este que machuca o ego da pessoa e a faz sentir mal amada e desprezada, o que contraria sua natureza que deseja ser aceita e reconhecida.

Assim é bem evidente que a ansiedade tem relação direta com a frustração do ser humano em não conseguir atender as expectativas simbólicas da sociedade vigente. Seu horizonte de interpretações e possibilidades no uso destes símbolos é demasiadamente vasto e ao mesmo tempo arriscado para quem faz uso dos mesmos. Mesmo porque, a leitura que uma pessoa faz de qualquer objeto ou situação, leva em consideração seu contexto pessoal, suas experiências e expectativas, e elas diferem de pessoa para pessoa, e não é em tudo realista com suas reais necessidades.

Tais utilizações passam pelo mundo do emocional, e por seus clamores, por segurança e estabilidade. Nem sempre o anelo da emoção dialoga em sintonia com a lógica da razão, assim as possibilidades de riscos e erros aumentam, não agora pela utilização do novo, e sim por sua não utilização. Conquanto as crises de inseguranças psicológicas por falta de realização pessoal também sejam reais, de uma forma ou de outra, muitas realizações emocionais só poderão existir mediante a abertura ao novo e quebra do paradigma do uso do comum.

O fato de um objeto ser algo comum ao meio, traz estabilidade para quem usa, diminui o risco de erro ou falha, e não o tira do padrão, do aceitável e comum a todos, pois o simbolismo do mesmo neste contexto já tem sido usado e popularmente fortalecido em seu valor. Quem passa a fazer uso do símbolo, passa também a estar inserido no aceitável, eliminando-se assim, o risco do novo e por assim dizer, a possibilidade de não ser aceito pelo grupo. É deste modo que a resistência do homem ao novo, tem uma estreita relação com a segurança ou

insegurança emocional e com seus relacionamentos, a qual, associa instabilidade ao novo, e senso de segurança ao comum.

Muito embora a sociedade seja aparentemente segura emocionalmente, na realidade, ela é verdadeiramente desestabilizada em sua estrutura emocional e deficitária em suas relações interpessoais. Assim, a caminhada na direção da satisfação do desejo difundido pela representação simbólica, e seu uso comum em comparação com o espiritual ou religioso podem levar a resultados favoráveis ou desfavoráveis dependendo da forma que se considera a coerência da utilização. Pois como existem resultados agradáveis, podem existir resultados desagradáveis, quando ignoradas a coerência e a avaliação dos símbolos em seu uso, a conseqüência tende a ser insustentável e a estabilidade emocional de uma pessoa fica em risco.

Porquanto, o significado do símbolo, não se situa em terrenos restritos, como nas áreas da teologia e da história, mas também no campo da cultura, das artes e das emoções. Eles estão presentes em qualquer lugar em que sua influência pode ser vista de forma prática. Eles levam em consideração a própria história e influência cultural como legado e utilizam o cotidiano como palco de atuação no presente.

Assim, se observa o que norteia a ansiedade nas relações interpessoais trazendo consigo certa amargura e infelicidade ao ser humano. Os símbolos e valores atribuídos ao dinheiro, a posição, a beleza, ao poder e outros, são propostos como coisas que mais interessam e têm significado, elas passam assim, a ser pratos recheados à individualidade e à competitividade.

O desafio diante disto é que a não utilização de objetos do desejo, requer de uma pessoa, condição ou estado emocional que comumente a maioria não está pronta para ter um preço que não estão preparados a pagar, condição esta que

podemos entender como o risco de se sair do comum para o novo, do cotidiano, para a inovação, do certo para o duvidoso.

Em certo sentido, os desejos se alimentam dos símbolos e encontram neles também a esperança de realização pessoal. Eles carregam consigo os valores a eles atribuídos e desta forma, a imaginação do homem pode levá-lo para o mundo da liberdade e segurança através de seus credos, como também, para o universo da insatisfação e servidão.

Em busca de sua realização pessoal, alguém corre o risco de usar o simbólico como muleta de sustentação ou estabilidade. Ele passa a ser o objeto de um mundo místico e imaginário, o qual de alguma forma pode trazer prazer e realização, mesmo que, de outra forma, em um contexto de mundo real, ele traga em si certa sujeição instável. Assim, muitas comunidades especialmente religiosas, tem tido a presença constante do símbolo em seu convívio comum, e esses símbolos são reproduzidos em costumes.

Diversas práticas de costumes são reconhecidas como exercício espiritual e passam a ser objetos de extrema influência. Eles têm embutidos em si uma promessa de recompensa espiritual. São observados por meio de um julgamento severo e de certa forma, direta ou indiretamente, vem a influenciar o indivíduo e conseqüentemente o grupo no fazer de sua vida diária.

As pessoas sentem vontade de se unirem a outras, por razão superior às suas diferenças, assim estas pessoas permanecem unidas mesmo que existam divergências entre elas. Esta vontade reflete uma realidade lógica da raça humana que é seu senso comunitário e de relacionamento. Onde se encontra também, em um primeiro momento uma relação intrínseca entre o ato e seu agente motivador, ou

seja, o estar em comunidade, não deixa de ser um reflexo do desejo ou vontade do homem de ser parte ou aceito por esta mesma comunidade.

Em uma pesquisa de campo feita sobre juventude e religião, observou-se o caso de uma aluna da periferia da cidade de Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre, a qual por orientação da igreja não poderia fazer a aula de educação física, por razão de sua crença religiosa. Após uma conversa da direção da escola com o pastor, ficou decidido que ela participaria das aulas, desde que usasse uma bermuda embaixo da saia. Os professores observando o visível desejo da aluna em participar das aulas e a vontade de jogar futebol, a convidaram, mesmo usando as saias longas.89

Esse pequeno recorte da realidade nos permite pensar que o sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um eu coerente. Dentro de nós há identidades contraditórias, empurrando em diferentes direções, de tal modo que nossas identidades estão sendo continuamente deslocadas.

Neste contexto de relações interpessoais as igrejas parecem apresentar um campo doutrinário restritivo, o que de certa forma estabelece de maneira mais clara os limites de interlocução com o mundo pagão. E assim, muitas passam a possuir uma identidade que se expressa e se fortalece através da comunhão desses costumes. Valorizando ou não valorizando determinadas coisas, estabelecem condutas interpessoais baseadas em valores que em certo sentido aumentam tensões relacionais e conflitos.

A valorização da atitude exterior como o uso de saias e cabelos que não podem ser cortados pelas mulheres e a impossibilidade do uso de calção por parte

89 Edmilson SANTOS, Cláudio MANDARINO, Revista de estudos da religião. Juventude e religião:

de homens, representam pudor e santidade, e passam a ser algumas formas de expressão desses costumes.90 Ao serem elevados, tais costumes escondem a possibilidade da expressão interior, sentimentos como, respeito, compreensão e amor são sufocados pela valorização do costume.

Por ser a pessoa humana alguém que busca segurança no contexto social e religioso, a comunidade exerce considerável influência nela. O grupo é a representação do comum, assim, sua comunidade, sua religião, sua escola, seu trabalho é para este, parte do seu existir social. O risco, porém, é que a necessidade de adequação lhe leve ao afastamento da harmonia relacional ou mesmo que seus desejos e anelos por aceitação produzam um forte senso de incômodo, dependência e ansiedade. À medida que não se é feito algo de forma consciente e desejável, algo que de fato seja julgado como bom e necessário para a pessoa, ou grupo que realiza, não existe também o prazer na realização.

Ao pensar sobre saúde relacional é imprescindível a discussão sobre imposições nos relacionamentos interpessoais. Encontrar sentido e estabilidade emocional são coisas extremamente desejadas pelo homem, porém, sempre será mais fácil crer em algo que esteja em seu universo comum e visível e que para outros costumeira ou culturalmente tem sido usado, a viver de forma diferente ou inovadora. Assim, em que subsiste o relacionamento pessoal harmônico, ou mesmo socialmente saudável de alguém, na liberdade do ser autônomo ou na imposição do fazer comum?

Por outro lado, estes elementos simbólicos comuns, identificadores culturais devem existir e sempre serão presentes em qualquer espaço social, sob pena da perca ou até mesmo da morte desta cultura e do existir social. O antropólogo

90 Edmilson SANTOS, Cláudio MANDARINO, Revista de estudos da religião. Juventude e religião:

brasileiro, Egon Schaden, observa que muitos grupos sobreviventes, após relações inter culturais e conseqüente perda de elementos de sua cultura, procuram manter e alimentar um sentido de reconstrução étnica, a qual se manifesta por uma consciência tardia de sua cultura, sobretudo, nas manifestações religiosas e na reiteração dos ritos.91

A percepção é uma das formas de funcionamento dos órgãos dos sentidos e de certa forma influencia o cérebro de uma pessoa em seu entendimento sobre o mundo. A verdade é que, em se tratando de fazer algo ou acostumar-se com algo, mesmo que religioso, a idéia de adequação ou adaptação ao sistema ou grupo sempre estará demasiadamente presente. E este julgamento deve ser feito, não só por conta do distanciamento temporal entre os símbolos, mas também por ocasião das vastas mudanças que ocorrem dentro deste distanciamento. A realidade simbólica pode transcender o tempo, porém pode, em sua transcendência, sofrer consideráveis alterações.

Os mitos se degradam e os símbolos se secularizam, podem nunca desaparecer, porém devem ser avaliados com cuidado, sob pena de produzirem relações interpessoais permeadas por ansiedade e insegurança. A psicologia do comportamento humano ou mesmo social não são neutros, especialmente as teorias de relacionamento. Assim, fazer a análise destes comportamentos nesta proposta metodológica compreensiva, se preocupando com o fato social, principalmente no que concerne ao conteúdo das relações interpessoais, seus significados e motivos do fenômeno, passa a ser de demasiada importância e de grande significado para a harmonia interpessoal.

3.3. Competitividade: ato de sobrevivência, resultante da carência interpessoal

O que cabe avaliar neste ensaio é a ansiedade existente no sistema e nas relações sociais, resultantes de uma produção de necessidades ilegítimas, imanentes de desejos produzido pelo meio comum e fortalecido pela ação da maioria. Neste sentido, o alcance do desejo conduz para além das necessidades e de seus objetos, a um desconhecido colhido e condensado por um objeto de perspectiva conforme os ideais dominantes.92

A sociedade capitalista do mundo pós-moderno alimenta no indivíduo o desejo consumista e o transforma em necessidade, que gera tensão competitiva entre as pessoas. O desejo passa a ser uma sedução dominante da sociedade que influencia não só as relações interpessoais, como também, o consumo, as organizações, a informação, a educação e os costumes.

O sistema competitivo atrai e fascina, suas propostas induzem a sonhos de consumo, às vezes jamais realizáveis. As tecnologias de informação e a mídia são instrumentos por demais manipuladores, falsos e desonestos. O despertar da competitividade diante de uma massa de indução com multidões de pessoas seguindo-a, não oferece quase que chance para aqueles que decidem não ser parte do sistema.

Parece ser inconsciente a atitude comum da sociedade atual, de armazenar e ter mais. Este tipo de conduta é priorizado sob pena da possibilidade de exclusão do meio ou grupo social. É neste quadro que relacionamentos interpessoais são desenvolvidos, dinâmicas de convívio são estabelecidas e normas de conduta são vivenciadas por indivíduos, baseadas em influências recebidas desde sua origem social, desde seus primeiros anos de existência.