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Bases da Educação Nacional nº 9.394, de 1996:

A compreensão do ambiente natural e social, do sistema político da tecnologia das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; O desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitude e valores; O fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se orienta a vida social (BRASIL, 1996).

OS (DES) CAMINHOS DA PESQUISA

De acordo com os objetivos propostos para esta Tese, se fez necessária a divisão didática do público-alvo da pesquisa. Assim, apresento a seguir uma caracterização dos/as pesquisados/as, por eles/as mesmos/as, ou seja, uma caracterização a partir de informações obtidas dos próprios participantes através de questionário preenchido pelos/as colaboradores/as, antes da realização das entrevistas tipo focal11. Dessa forma, trabalho com dois grandes grupos aqui cognominados de: os/as docentes e técnicas e os/as escolares. O primeiro grupo é composto pelos/as gestores/as (um diretor e duas adjuntas), e a Equipe Técnica Pedagógica (uma psicóloga, uma supervisora, e duas orientadoras educacionais). O grupo de escolares é composto por alunas e alunos do 5º ao 9º ano, regularmente matriculados/as e que frequentam normalmente a escola.

DOCENTES E TÉCNICAS PELAS DOCENTES E TÉCNICAS12

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A descrição da metodologia utilizada na pesquisa será elaborada no próximo tópico. 12

Essa caracterização dos grupos não se pautou em dados obtidos na secretaria da escola, e sim junto aos próprios grupos, através de um questionário objetivo, entregue antes da entrevista tipo

focal. Inicialmente planejou-se recolher os referidos questionários antes da citada entrevista, mas

muitos pediram para entregar no dia posterior. Essa solicitação foi aceita para não comprometer o tempo destinado às entrevistas focais e pelas dificuldades de entendimento /preenchimento destes questionários que muitos demonstraram.

Neste grupo constam onze indivíduos que devolveram o questionário respondido. Apresenta em sua maioria pessoas do sexo feminino (81,81%), com idade entre 41 e 50 anos (54,54%), atuando no magistério há mais de dez anos (72,73%) e cumprindo regime de trabalho de 40 horas semanais13 (72,73%).

Quanto à titulação, 54,54% das pessoas apresentam Pós-Graduação – Especialização e 45,45%, Graduação em áreas variadas. A maior parte das especializações foi em Psicopedagogia e Educação (83,33%), evidenciando-se que os/as docentes se graduaram nos Cursos de Licenciatura em Letras, Ciências, Matemática, História e Geografia. Todos/as afirmaram que suas experiências profissionais sempre se desenvolveram na área educacional, especificamente em nível de 1º e 2º Graus (45,45%) e 1º Grau (36,36%).

Apenas 9,09% dos/as entrevistados/as afirmam participar constantemente de eventos de formação continuada ou eventos promovidos com esse objetivo sobre a temática sexualidade; 36,36% nunca participaram; 27,27% participam às vezes e a mesma quantidade respondeu “já participei, mas atualmente não participo mais.” Foi unânime a resposta “encontros locais” para a pergunta: Quando participa/participou dos encontros foram locais, estaduais, ou em outras regiões do país?

No item situação econômica, 72,73% dos/as docentes declararam estar entre a faixa salarial de 4 a 6 salários mínimos.

CARACTERIZAÇÃO DAS/OS ESCOLARES, SEGUNDO ELAS/ELES

PRÓPRIAS/OS

O universo pesquisado constou de 95 entrevistados/as. Nessa etapa de coleta de dados através de questionários objetivos, para compor uma caracterização

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De acordo com o Projeto Pedagógico da escola, as 40 horas são de efetivo trabalho e distribuídas em 20 horas em sala de aula e 20 horas de plantão e planejamento pedagógico.

aproximada do grupo, apenas três não devolveram o questionário. Os motivos alegados foram não ter certeza quanto às informações, ter dificuldade em entender o que estava sendo pedido etc. Porém, os/as próprios/as colegas diziam: “é mentira! Ele tá c/vergonha de dizer a verdade.” Houve algumas tentativas de possível ajuda no preenchimento dos mesmos, mas essas tentativas não obtiveram sucesso. Esses/as três escolares foram responsáveis por uma questão à qual, enquanto durou a coleta de dados, tentei responder: por que estes não entregaram o questionário? Se for verdade o que os/as colegas gritavam em forma de algazarra, do que eles/as teriam vergonha? Da profissão da mãe, do pai, ou do/a responsável? De “oficializar” com quem mora? Da situação econômica? De não ter a sua identidade sexual contemplada no questionário, uma vez que esse continha apenas questões objetivas como pertencer ao sexo feminino ou masculino? Esse questionário atendia ao objetivo de entender melhor quem eram os sujeitos da pesquisa, delineando um perfil, ou uma caracterização aproximada desses. As complexidades quanto às orientações/identidades sexuais e possíveis dúvidas quanto à temática sexualidade, seriam “coletas” através da entrevista focal, etapa posterior de coleta de informações, de caráter mais subjetivo. Porém esse instrumento não dava conta das complexidades quanto às orientações / identidades sexuais e pessoais circunscritas à temática sexualidade.

Assim, a caracterização desse grupo será feita a partir dos 92 questionários recebidos. Verificou-se um desequilíbrio quanto aos sexos, sendo 56,5% do sexo masculino e 43,5% do feminino. A faixa etária mais frequentada foi a de 11-14 anos, com 84,8% dos/as escolares, seguida da faixa 15-18 que contou com 10,8%.

Ao prosseguir com a caracterização no item situação econômica, 29,3% dos alunos afirmaram que a renda familiar fica em torno de dois salários mínimos, seguido pelo contingente de 21,7%, cuja renda familiar fica em torno de um salário mínimo. Depois, 20,7% dos/as escolares situam sua renda familiar em 4 salários mínimos. Na continuidade registra-se 18,5% com renda familiar em torno de até 3 salários mínimos e, por último, tem-se apenas 9,8% dos escolares que declararam ter renda familiar de 5 salários mínimos ou mais.

O item ocupação da mãe, do pai ou responsáveis apresentou uma diversidade de pares de profissionais. Os/as entrevistados/as desta pesquisa são

filhos/as de pedreiro com doméstica, gerente com pastora de igreja, agente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com radialista, eletricista com cabeleireira, professor com dona de casa, policial civil com segurança, empresário com dona de casa, odontólogo com faxineira, muitas outras profissões foram citadas, mas colocando a profissão do pai ou da mãe, sem registrar desemprego por parte de um deles. Logo em seguida a essa indagação, vinha uma complementar: Com quem você mora? Uma das respostas me chamou a atenção: Um/a das/os informantes desta pesquisa cita a profissão do pai que é a de sub-gerente. Importante destacar que ela/e mora com a mãe, que não está desempregada, mas que sua profissão não é mencionada. Cogitei sobre o fato de se tratar de um esquecimento por parte de quem estava preenchendo o questionário, quando houve um sorriso confuso como resposta, seguido de um categórico “deixe para lá professora!”.

A maioria dos/as estudantes (64,1%) afirmou morar com pai e mãe. Os que moram apenas com a mãe são 19,6% e só com o pai 2,2%. Morar com a mãe/pai e outros (padrasto, madrasta, avós) foi a resposta de 8,7% dos/as escolares. Constataram-se também, nesta opção, respostas do tipo “às vezes moro com meu pai e madrasta,” sem citar com quem mora nas outras vezes. Os estudantes que moram com outras pessoas sem os pais (tia, avós, marido e sogra) somam 5,4% do total.

No universo pesquisado, 64% dos/as escolares nunca repetiram ano escolar e 36% já repetiram. Dos estudantes que já repetiram o ano, 58% repetiram uma vez, 15% duas vezes, 6% três vezes, 15% não responderam quantas vezes e a resposta “algumas vezes, mas não me lembro.” contempla 6% das respostas. A disciplina Matemática aparece como a justificativa mais pontuada pelos/as escolares (12,4%) para repetir de ano. Outros motivos como: não gostar dos professores, não estar preparado, bagunça em sala, viagem, muita falta, acidente, amizades erradas, doença, não estudar, conversar muito durante as aulas, preguiça e não ter ido ao Conselho Escolar também são apresentados como motivos principais para a repetição.

Para uma leitura sociológica da escola, se faz necessário analisar as possíveis transformações que os sujeitos da pesquisa sofrem ao se relacionarem

nessa instituição. Às transformações ocorridas, se ocorridas, pode ser aferido o sentido de uma socialização ou educação, resultantes dos processos de formação ou aprendizagens vivenciados/adquiridos prioritariamente nesse lugar?

O entrelaçamento dos discursos dos dois grandes grupos separados para coleta e análises dos dados pretende colocar no centro de cada pólo discursivo, dois principais personagens que se polarizam cotidianamente na escola: o/a docente e o/a escolar. Esses personagens vivenciam papéis sociais prescritos socialmente, transformam-se, criam outros papéis, transformam seu “outro”, mediante as relações de poder estabelecidas na instituição, ou o lugar de fraqueza ou de força, de acordo com a via de fuga, ou ponto de resistência de uns em relação aos outros e a seus pares.

Assim, chamo Parsons (1955, apud FREITAG, 1994, p. 93) para fundamentar os entrecruzamentos discursivos que comporão a pesquisa, quando aquele sem se referir a discursos, afirma que as relações dos polos-personagens (neste caso, os/as docentes, técnicos/as versus os/as escolares) e os papéis sociais a esses prescritos são complementares.

Assim, tomando como referência a arqueologia foucaultiana, por meio da análise do discurso, escolheu-se uma escola de Ensino Fundamental, já caracterizada e na qual foram efetivadas dez entrevistas tipo focal com grupos de alunos/as assim classificados quanto à identidade de gênero: nove grupos escolhidos pela direção da escola, que obedeciam aos critérios por esta estabelecidos, como por exemplo, os meninos e as meninas que mais precisavam de orientação sexual. Esses grupos que, em média, eram compostos por dez alunos, eram mistos quanto ao sexo (feminino e masculino), às vezes prevalecendo mais um sexo do que outro, aleatoriamente, segundo a necessidade de orientação sexual definida pelos/as docentes e técnicos/as. Seguindo esse critério, dois grupos de sexos distintos foram formados. Os/as escolares que congregaram os referidos grupos possuem idades entre 11 e 18 anos.

Formaram-se também dois grupos mistos (quanto ao sexo e à profissão) compostos por gestores, orientadores, supervisores e professores. Os grupos dos/as docentes e técnicos/as congregavam em média oito pessoas. Durante o período de realização das entrevistas, embora a observação não fizesse parte do conjunto de

técnicas de coleta de dados, essa foi instituída como uma técnica de muita utilidade para o objeto de estudo em pauta. Assim, não foram escolhidas determinadas aulas para observação, mas o cotidiano da escola, a disposição das salas e utensílios de uso pedagógico ou não, a organização do tempo, os recreios/intervalos, as brincadeiras que se desenvolviam (ou as formas de socialização juvenis em espaços escolares), os discursos proferidos no interior das salas de aulas pelos/as professores/as, de acordo com os/as alunos/as e vice e versa. Foram proferidas duas palestras sob o título: “Orientação sexual na escola,” uma para os/as docentes e técnicos/as do turno matutino e a outra para os do turno vespertino.

As entrevistas tipo focal foram motivadas por fotos e reportagens publicadas e revistas de entretenimento. Esse material indiretamente remetia às questões que orientam a coleta e análise dos dados: gravidez precoce indesejada (ou não planejada ou os três juntos e misturados, como diz o Cantor Latino)14 e DSTs /AIDS. Por sua vez, as duas questões remeteram às discussões de temas que envolvem: corpo, beijo, namoro, casamento, menstruação, ejaculação (precoce), família, reprodução humana, escola, formas de lazer etc., na medida em que os grupos se sentiam motivados para conversar e que não demonstravam desconfortos intoleráveis com as conversas. A ordem em que as temáticas foram sendo discutidas seguia a determinação dada pelo seu sentido contextual nos discursos, à medida que esses eram proferidos, variando de grupo para grupo.

A ESCOLHA DAS FOTOS E REPORTAGENS QUE MOTIVARAM AS

Benzer Belgeler