2.5. Ġlgili AraĢtırmalar
2.5.1. Zekâ Oyunları Ġle Ġlgili AraĢtırmalar
Uma etapa do trabalho com as fontes visuais selecionadas para a pesquisa consistiu no levantamento quantitativo das categorias de análise das dimensões expressiva e icônica do conjunto de fotografias. Por meio de índices estatísticos, pôde-se chegar a algumas conclusões acerca do modo como o álbum fotográfico da MAE trata de representar o trabalho que acontecia na fábrica, já que este é o tema com maior incidência no suporte. Na sequência, alguns desses índices são apresentados, procurando-se fazer as primeiras reflexões sobre os resultados conseguidos através da quantificação. Os demais índices estatísticos, referentes a cada uma das categorias de análise, podem ser conferidos nas duas tabelas que são apresentadas no anexo “Levantamento quantitativo das fotos do Álbum n.º 10 da Metalúrgica
Abramo Eberle – Operários, Seções e Antiga Funilaria – dimensões expressiva e icônica”.
Segundo nosso levantamento, verificou-se que três temáticas são as mais recorrentes no conjunto de fotos do álbum. São elas: trabalho operário, patrimônio da fábrica e retratos
grupais (ou o que escolhemos chamar de “a grande família da fábrica”). Essas três grandes
temáticas configuram-se enquanto padrões visuais, uma vez que as características das imagens que estão agrupadas nesses padrões assemelham-se tanto do ponto de vista estético (ou expressivo) como da representação (ou icônico). O Gráfico 4 mostra os padrões visuais do
Álbum n.º 10 da MAE:
Gráfico 4 - Dimensão icônica: padrões visuais do Álbum n.º 10 da MAE. Total de fotos: 107. Fonte: Elaborado pelo autor.
O padrão visual com maior incidência de fotos no álbum, “trabalho operário”, é
caracterizado pelas cenas que mostram o ambiente de trabalho e os empregados da fábrica dentro das oficinas ou seções de trabalho, ou, quando fora destas, em cenas nas quais os
Trabalho operário : 73 fotos Patrimônio: 24 fotos
Grande família da fábrica: 14 fotos
Trabalho operário (68,2%) Patrimônio (22,4%) Grande família fábrica (13,1%)
empregados estão representando (ou encenando) as atividades que desenvolviam no interior da fábrica. Expressivamente, a maioria dessas imagens é de planos gerais, cuja alta incidência desse tipo de enquadramento nos permite afirmar que a intenção dos fotógrafos autores era dar visibilidade aos operários no contexto de suas seções de produção. Cabe assinalar, também, que esse padrão visual, sozinho, abarca quase duas vezes mais fotos do que os outros dois padrões visuais juntos, índice que atesta que o principal objetivo do álbum é servir para a construção de uma determinada imagem (ou estética) do trabalho. No total, esse padrão reúne 73 fotografias.
Na sequência do padrão visual “trabalho operário” está o padrão “patrimônio da fábrica”, com 24 fotografias. Definem esse padrão visual as cenas fotográficas que destacam,
através mesmo da técnica fotográfica (composição, ponto de vista, foco etc.), o maquinário, os produtos e a estrutura física ocupada pela fábrica. Atentando-se para o enquadramento das cenas desse padrão visual, não há uma característica comum: algumas das imagens são grandes planos gerais, e, outras, são planos médios e planos gerais, sendo até mesmo possível encontrar uma em plano de detalhe. Principalmente, as cenas que foram incluídas no padrão
visual “patrimônio da fábrica” são aquelas ausentes de figuras humanas, sendo explícita a
pretensão do fotógrafo, bem como daquele que organizou o álbum, em querer mostrar os recursos materiais e tecnológicos da fábrica. Muitas vezes, como teremos oportunidade de
demonstrar, as cenas do padrão visual “patrimônio da fábrica” transmitem a ideia de
quantidade, intensidade e modernidade das máquinas da firma, dos produtos fabricados e dos espaços ocupados pela fábrica.
Percentualmente, o padrão visual com menor incidência de fotos é aquele que
intitulamos de “a grande família da fábrica”, que representa 13,1% (ou 14 imagens) do total
de fotos do álbum. Esse padrão reúne os retratos grupais dos operários da fábrica, sendo o
elemento composicional “retrato” o principal determinante para a definição desse padrão
visual. Do ponto de vista estético, esses retratos grupais são muito semelhantes aos retratos de família, sendo responsáveis por transmitirem a ideia de coesão e de unidade entre os operários
da fábrica. Em alguns dos retratos que caracterizam o padrão visual “a grande família da fábrica” é possível ver a figura do chefe, Abramo Eberle, geralmente ocupando a posição
central da composição das cenas, sendo representado, dessa maneira, como um verdadeiro pai de uma família – outros indícios (não visuais) também nos permitem afirmar como o empresário tratava os seus empregados como se fossem membros de sua família, conforme as relações paternalistas comuns nas fábricas da época. Outra característica que marca esse
padrão visual é a representação mais enobrecedora dos operários da fábrica, já que, em alguns dos retratos grupais, esses empregados são vistos trajando fatos mais aprimorados, que são bem diferentes da indumentária comum utilizada no dia-a-dia do trabalho.
Deve-se registrar ainda, sobre os padrões visuais, que os índices relativos às três categorias recentemente apresentadas são flutuantes. Quer dizer, devido à polissemia que a imagem fotográfica apresenta, é possível que uma determinada cena possua características de padrões visuais diferentes. É o caso, por exemplo, da Foto 03 (que poderá ser vista mais adiante), cuja cena retrata o grupo de empregado como uma família e com os mesmos desenvolvendo suas atividades de operário.
Outras categorias de análise merecem ser tema de reflexão antes de se proceder à
análise individual das fotos do álbum fotográfico. É o caso da categoria “tipo de trabalho”,
onde foi observada a relação dos operários com o ambiente de produção. Dentro dessa categoria, quatro atributos específicos diferentes foram encontrados. Quanto aos índices relativos ao tipo de trabalho representado nas fotos do Álbum n.º 10 da MAE, o Gráfico 5 nos mostra os percentuais:
Gráfico 5 - Dimensão icônica: fotos por tipo de trabalho do Álbum n.º 10 da MAE. Total de fotos: 82 (outras 25 fotos não mostram operários). Fonte: Elaborado pelo autor.
Conforme o gráfico acima, as fotos com maior recorrência no álbum são aquelas que mostram os operários durante a execução de trabalhos manuais (fazendo uso de ferramentas ou de máquinas de tração humana), o que representa mais de 40% das cenas fotográficas (ou 44 imagens). Mais do que uma intenção do responsável por organizar o álbum, acredita-se
que o alto índice de fotos concentradas sob o atributo “trabalho manual” reflete o estágio
Trabalho manual : 44 fotos Trabalho com máquinas automáticas: 15 fotos
Trabalho administrativo: 9 fotos Fora da fábrica: 14 fotos
Trabalho manual (41,1%) Trabalho máq. auto. (14%) Trabalho admin. (8,4%) Fora fábrica (13,1%)
manufatureiro no qual a empresa ainda se encontrava no período abarcado pelo álbum. De modo geral, no Brasil, o desenvolvimento da grande indústria, da produção em série, só irá ocorrer após o término da Segunda Guerra Mundial, mais ainda a partir da década de 1950.429 Apesar disso, a fábrica contava, também, com maquinário automático, percebido em 14% das fotos do álbum (15 imagens). Sobretudo, a instalação de máquinas movidas a motores elétricos ocorreu a partir da década de 1920 e se intensificou nas décadas de 1930 e 1940, após sucessivas viagens de Abramo Eberle a outros países com a indústria mais desenvolvida (como à América do Norte e à países europeus como os E.U.A., Itália Alemanha, França e Inglaterra), e dos quais importava o maquinário moderno (ver, por exemplo, as Fotos 94, 95 e 96, que mostram motores italianos, e a Foto 107, que mostra uma máquina alemã).
Uma categoria de análise da dimensão expressiva interessante de se observar é a de
“efeitos – atividade/repouso”. Para se chegar aos índices dessa categoria, as fotos do álbum
foram analisadas buscando-se atentar para o gestual dos operários nas cenas. O Gráfico 6 mostra a divisão de fotos segundo os efeitos de atividade ou de repouso do Álbum n.º 10 da
MAE:
Gráfico 6 - Dimensão expressiva: fotos com efeito de atividade ou de repouso do Álbum n.º 10 da MAE. Total de fotos: 107. Fonte: Elaborado pelo autor.
As fotos do atributo “repouso” são, principalmente, as imagens nas quais os operários
não estão trabalhando em suas respectivas seções de trabalho (são, portanto, os retratos grupais, fora da fábrica), mas, também, estão incluídas nesse atributo as fotos nas quais, mesmo no interior da fábrica, os trabalhadores interromperam as suas atividades para posarem
429 Segundo HARDMAN, Francisco Foot; LEONARDI, Victor. História da indústria e do trabalho no Brasil:
das origens aos anos vinte. 2. Ed. Rev. São Paulo: Ática, 1991.
Atividade: 65 fotos
Repouso: 26 fotos
Não se aplica: 18 fotos
Atividade (60,7%) Repouso (24,3%) N/a (15%)
para o registro fotográfico (é quando encaram a objetiva do fotógrafo). Ao contrário, no
atributo “atividade”, estão reunidas as fotos em que o trabalho dos operários, ou todo o
gestual que dele resulta, é representado. O importante a ser observado sobre esse atributo é
que o efeito de “atividade” contribui para criar a impressão de movimento na cena, dando à
imagem mais dinamismo. Para nós, as 65 fotos que trazem como marca de expressão o efeito
“atividade” são registros muito informativos, que indicam tanto a forma como o trabalho
ocorria na fábrica (em relação aos postos ocupados e às atividades de cada grupo de trabalhadores), mas, também, como ele era encenado para o momento específico do clique fotográfico, na tentativa de construir uma imagem sempre mais digna das atividades desenvolvidas.
Um último índice relativo à série de fotos do álbum para o qual atentamos é o da distribuição por gênero e faixa etária dos operários da fábrica. Desde o início de suas atividades, a Metalúrgica Abramo Eberle serviu-se da mão-de-obra feminina e infantil, podendo-se comprovar isso através dos indícios visuais que as fotografias nos oferecem ao olhar. O Gráfico 7 mostra a distribuição por gênero e faixa etária das fotos do Álbum n.º 10 da
MAE:
Gráfico 7 - Dimensão icônica: distribuição por gênero e faixa etária das fotos do Álbum n.º 10 da MAE. Total de fotos: 107. A porcentagem de fotos de cada atributo de “gênero e faixa etária” foi calculada em relação ao total
de fotos do álbum. Fonte: Elaborado pelo autor.
Como mostra o gráfico, figuras humanas masculinas são as mais representadas nas fotos do álbum, estando presentes em 80,4% das fotos (ou 85 imagens). Na sequência, estão
“jovem menino” (42,1% de fotos) e “mulheres” (21,5%), estas quase empatadas com “criança
Homem: 85 fotos Mulher: 23 fotos Jovem menino: 45 fotos Jovem menina: 12 fotos Criança menino: 22 fotos Criança menina: 04 fotos Criança de colo: 03 fotos Casal: 01 foto F. h. ausente: 18 fotos Homem (80,4%) Mulher (21,5%) Jovem menino (42,1%) Jovem menina (11,2%) Criança menino (20,6%) Criança menina (3,7%) C. colo (2,8%) Ausente (15%) Casal (0,9%)
menino” (20,6%). Esse dado parece refletir a composição de operários da empresa, cuja
maioria era composta pelos homens (adultos e jovens) e, em seguida, pelas mulheres (principalmente, adultas). Em relação ao tipo de trabalho desenvolvido por cada categoria de gênero, confrontando-se os dados, é possível perceber que as mulheres aparecem com mais
frequência em fotos do atributo “trabalho manual” e “trabalho em máquinas automáticas”,
sendo muito menos frequente a presença feminina em atividades administrativas da fábrica, como ocorre no conjunto de fotos da Seção de Contabilidade, da qual, segundo o que sugerem as fotos, as mulheres não faziam parte. Em relação às crianças e jovens aprendizes, estes
aparecem com maior frequência nas fotos do atributo “trabalho manual”, e, sempre que há
aprendizes na cena, há também uma ou mais figuras masculinas adultas presentes, sendo um indício da rígida supervisão que a fábrica exercia sobre os trabalhadores infantis. Demais considerações sobre a divisão por gênero e faixa etária na Metalúrgica Abramo Eberle teremos oportunidade de dissertar a seguir.