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Zarf Fiiller (gerundiumlar)

1.2. ŞEKİL BİLGİSİ

1.2.7. ÇEKİMSİZ FİİLLER

1.2.7.2. Zarf Fiiller (gerundiumlar)

A empreitada de trazer de Belo Horizonte um docente para ministrar todas as aulas das disciplinas de Matemática no primeiro ano revela a urgência e a conscientização sobre a necessidade de se ter um bom padrão no novo curso. Foram feitas adaptações para que esse curso se mantivesse, como a realização das aulas semanais em período diurno e noturno e, ainda, aos sábados, no turno vespertino, a fim de facilitar a presença dos acadêmicos que trabalhavam. Conforme Pinto (2003), essa peculiaridade era verificada em cursos de instituições privadas que tinham como intuito atender à demanda de acadêmicos trabalhadores. Outra adaptação foi o aproveitamento de professores dos cursos de Pedagogia, Letras, Geografia e História (criados em 1964), para ministrar as disciplinas do núcleo comum dos cursos (Psicologia da Educação, Estrutura e Funcionamento do 1º e do 2º graus, Português, Didática, Metodologia Científica).

Foi necessário contratar colegas de Belo Horizonte. Francisco Bastos Gil, matemático muito inteligente e capaz, dedicou-se integralmente ao curso, ministrando

todas as disciplinas básicas: Física, Matemática, Geometria e outras; João Carlos Sobreira, arquiteto-urbanista, era responsável por Desenho Geométrico (excerto do

depoimento da professora Baby Figueiredo).

Quando o curso de Matemática foi criado, a faculdade convidou um professor de Belo Horizonte para morar e trabalhar aqui. Inicialmente, o curso de Matemática não era difícil, porque os alunos eram professores e tinham uma paixão pela matemática. Havia, também, um relacionamento muito próximo do professor com os alunos. Quando surgia alguma dificuldade na aprendizagem, os alunos chamavam o professor num outro horário ou no final de semana. Eles estavam sempre juntos. Os demais professores sentavam com os alunos, conversavam, combinavam de ir à casa deles para discutir as dificuldades. [...] O professor Gil foi uma das pessoas de maior influência no curso de Matemática, praticamente a pessoa mais forte na criação do curso. Ele era considerado muito experiente e preparado para montar o curso (excerto do depoimento da professora

Maria de Lourdes Ribeiro Paixão).

Informaram que o Gil estaria em condição de vir para cá. Fui atrás dele em Belo Horizonte. Ele estava em São João Del Rey. Ele fazia CPOR106 nessa época. Fui lá e conversei com ele... Ele já tinha uma outra promessa, de um outro emprego, mas nós fizemos uma proposta melhor... Ele veio para cá e não se arrependeu. Ele ministrava quase todas as disciplinas. Havia mais uns três ou quatro professores. É isso (excerto do

depoimento do professor Wandaick Wanderley)

Passamos uma lista de adesão ao curso e fomos atrás de Francisco Bastos Gil

– que era de Belo Horizonte, mas que à época estava em São João Del Rei, onde era

aspirante do Exército – para dar início ao curso. Ele aceitou o nosso convite e veio para Montes Claros, para nos atender, começar uma nova vida e uma nova profissão. Era recém-formado em Matemática pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Belo

Horizonte. Gil era muito exigente. Ele tinha um livro secreto que o batizamos de “o livro da capa preta” para formular as “intrincadas” questões da prova. Nós estudávamos

extensivamente e fazíamos todos os exercícios dos livros adotados, porém, na hora da

prova, apareciam questões inesperadas que nos traziam sérias dores de cabeça (excerto do

depoimento do professor Juvenal Caldeira Durães).

Nossos colaboradores, ex-alunos do professor Gil, destacaram que a postura firme, comprometida e exemplar de seu mestre serviu de inspiração para que suas práticas fossem mantidas e/ou aprimoradas, haja vista que já atuavam na docência, e também, ratificaram a visão que tinham de como deveriam ser as aulas de Matemática: com exposição consistente da matéria, muitos exercícios e uma boa dose de rigor.

Gil foi aquele professor é... Hoje ele confessa para nós que quando chegou em Montes Claros não sabia muita coisa, que teve que se preparar muito, estudar demais, porque viu que a turma era só de alunos que já estavam lecionando nos estabelecimentos.

Mas, ele teve garra, muita vontade de estudar, e falou “eu vou dar conta”. Ele tinha sido

bom aluno, só que nunca pensou que fosse dar aula de Matemática, e, principalmente, para os alunos que já eram professores de Matemática do segundo grau. Mas ele deu conta do recado e muito bem dado, foi um excelente professor. Excelente! Além de sabedor da matéria, tinha conhecimento... A gente falava que ele tinha um livrão da capa preta... Nós não sabíamos que livro era esse, um livro misterioso que era só para tirar exercícios,

e, realmente, depois ele confessou que tinha mesmo, ele falou: “Bobos, vocês acham que eu

poderia deixar vocês resolverem exercícios fáceis e me passarem pra trás? Não, eu

colocava exercícios difíceis mesmo, puxava mesmo!”. Depois, ele falou pra gente que

passou um aperto nas primeiras aulas... Mas ele deu conta. Foi excelente! (excerto do

depoimento da professora Rosa Terezinha Paixão Durães).

Os depoimentos deixaram entrever que o professor Francisco Bastos Gil era reconhecido como extremamente exigente, competente e organizado; dava assistência e se interessava pela aprendizagem e desenvolvimento acadêmico dos estudantes. As narrativas indicam que ele se tornou um modelo para os professores em formação, por sua postura docente. O próprio Gil procurou caracterizar essa postura e seus modos de conduzir as práticas pedagógicas.

Eu sempre fui muito organizado, muito organizado mesmo... Passo isso para todos os que convivem comigo: mulher, filhos e netos. Todos ficam dessa maneira:

pontuais, honestos, corretos, rigorosos... Eu trouxe isso de berço. Então cheguei em Montes Claros e transmiti essa postura para os meus alunos. Por eu ser muito organizado, o meu quadro negro era impecável. Quando saía da sala e entrava outro professor, ele

comentava comigo: “eu fico com dó de desmanchar esse quadro tão organizado e tão bonito”. Aquela disposição eu passei para os meus alunos. Desde o modo de apagar o

quadro, de usar o apagador... até a maneira de raciocinar... (excerto do depoimento do

professor Francisco Bastos Gil).

Em momento algum é aludida, em qualquer das narrativas, a vinculação de Francisco Gil como discente de algum curso de pós-graduação. Ao que nos parece, a realização de cursos de pós-graduação não foi uma prática comum na região norte mineira, pois os acadêmicos destacaram que, quando se tornaram professores do ensino superior, também não frequentaram tais cursos. Cabe ressaltar que o fato de o professor Gil não ter cursado a pós-graduação não foi um empecilho para sua atuação como formador de formadores.

Benzer Belgeler