Uma visão geral dos parâmetros tumorais após os tratamentos dos tumores com FT, LP, LN, FR e TX pode ser observada na Tabela 7.
Tabela 6: Parâmetros tumorais após tratamento
*** p<0,001 quando comparada ao tratamento com solução salina (PBS) ** p<0,01 quando comparada ao tratamento com solução salina (PBS) * p<0,05 quando comparada ao tratamento com solução salina (PBS)
Peso (g) Volume (mm) Inibição tumoral (%)
Mitoses Angiogênese Bcl-2 Perfil imunológico FT 1,81 ± 0,45*** 1731,31*** 76,9 0,7 ± 0,22*** 9,735 ± 4,62 0,36 ± 0,03*** Antiinflamatório LP 2,9 ± 0,54*** 2919,00*** 61,05 1,15 ± 0,56** 8,69 ±3,84 0,5 ± 0,04*** Antinflamatório LN 1,37 ± 0,43*** 1258,49*** 83,2 0,86 ± 0,09*** 8,95 ± 2,94 1,12 ± 0,05*** Antiinflamatório FR 1,7 ± 0,61*** 881,83*** 88,2 0,85 ± 0,15*** 9,90 ± 2,11 1,78 ± 0,02*** Antinflamatório TX 2,42 ± 0,84*** 3155,35*** 57,89 1,65 ± 0,61* 19,68 ± 8,94* 1,45 ± 0,05*** Pró-inflamatório PBS 5,96 ± 1,33 7494,22*** 0 1,9 ± 0,8 10,89 3,3 ± 0,3 Inerte
6. DISCUSSÃO
O uso de plantas como medicamento tem aumentado dia a dia em todo o mundo e essa realidade também é bastante visível no Brasil. Por diversos motivos, sejam de ordem médica, social, cultural, econômica ou filosófica, as plantas medicinais têm sido opção terapêutica para uma parcela crescente da população brasileira, rural ou urbana que utiliza medicamentos produzidos pelas indústrias farmacêuticas, fitoterápicos produzidos por centenas de entidades e organizações não governamentais, programas de prefeituras municipais e governos estaduais. No entanto, nos últimos vinte anos no Brasil, país com a maior diversidade vegetal do mundo, o número de estudos sobre plantas medicinais tem crescido apenas 8% anualmente (PLOTKIN, 1991; BRASIL, 1998; BRITO e BRITO 1993; MARTÍNEZ et al., 2010). Isso mostra que em um país biologicamente tão rico, mas com ecossistemas tão ameaçados, pesquisas com plantas medicinais devem ser incentivadas (SANT’ANA & ASSAD, 2004; OLIVEIRA et al., 2010; CONCEIÇÃO et al., 2012).
Visando contribuir com estas pesquisas, o presente estudo objetiva descobrir tratamentos alternativos contra o câncer de mama, através de uma atividade mais seletiva e conseqüentemente menos agressiva aos pacientes. Para tanto, foram inicialmente realizados ensaios de determinação da atividade citotóxica in vitro de FT e de seus constituintes LP, LN e FR, além da droga padrão TX. Isto porque, para que uma droga seja classificada como seletiva, é necessário que a mesma possua pouco ou nenhum efeito citotóxico contra células fisiológicas, associado ao alto efeito tóxico às células tumorais (MOLLINEDO et al., 2010; CHRESTA et al., 2010; WANG et al., 2010; ISMAIL et al., 2010; SVENSEN et al., 2012).
Desta maneira, na Figura 2 e Tabela 1, observamos que FT possui alta seletividade in vitro, uma vez que, principalmente nas concentrações de 2 e 1mg/mL, praticamente não
apresentou atividade tóxica contra os macrófagos e linfócitos (respectivamente 97.98 e 99.32% de viabilidade, na concentração 2mg/mL) porém, extrema atividade contra a célula tumoral (0%). Mesmo em concentrações mais baixas, FT apresenta baixa toxicidade para as células imunológicas, com importante atividade citotóxica. Um exemplo disto é a toxicidade de FT na concentração de 0.125mg/mL; nesta concentração macrófagos e linfócitos apresentaram viabilidade de 80,15 e 98,64% respectivamente, enquanto que as células tumorais se mostraram mais sensíveis à FT, com viabilidade de 54,51%. Com base nestas informações, a concentração 2mg/mL foi selecionada para o tratamento intratumoral dos animais portadores de tumor, uma vez que apresenta atividade citotóxica seletiva à linhagem LM3.
Observando os resultados referentes à LP, notamos que este apresenta maior toxicidade frente às células imunológicas, principalmente aos linfócitos e em concentrações mais elevadas, quando comparado a FT, mas por outro lado apresenta grande citotoxicidade às células tumorais. Este fato pode ser observado na Figura 3, Tabela 2, na concentração de 2mg/mL, onde macrófagos foram mais resistentes (65,25% de viabilidade) à exposição a LP que os linfócitos (23,53%). No entanto, a partir de 0,5 mg/mL, notamos que a substância perde a toxicidade às células imunológicas, mantendo parte de sua atividade citotóxica à linhagem tumoral. Desta maneira, a concentração de 0,5mg/mL foi selecionada aos tratamentos intratumorais com LP, uma vez que apresenta baixa toxicidade aos macrófagos (89,31% de viabilidade) e linfócitos (93,70%) e importante citotoxicidade (18,34%) à linhagem tumoral em estudo (Tabela 2).
De maneira semelhante à LP, FR também apresentou maior toxicidade às células imunes, quando comparada a FT (Figura 4, Tabela 3). No entanto, esta citotoxicidade refere-se apenas aos macrófagos, na concentração mais elevada (2mg/mL), apresentando viabilidade de 53,14%. Nesta concentração, linfócitos e células LM3 apresentaram viabilidade de 98,31 e 18, 14%, respectivamente. Observando uma concentração inferior (1mg/mL), notamos que houve
uma acentuada diminuição de citotoxicidade da amostra frente aos macrófagos, mantendo a inocuidade aos linfócitos e toxicidade às células tumorais. Com isto, elegemos 1mg/mL para o tratamento dos animais portadores de tumor.
Por outro lado, observamos que LN possui alta seletividade (Figura 5, Tabela 4), uma vez que, principalmente nas concentrações de 2 e 1 mg/mL, praticamente não apresentou atividade tóxica contra os macrófagos e linfócitos (respectivamente 99,98 ± 2,35% e 99,35 ± 3,54% de viabilidade, na concentração 2mg/mL) porém, significativa atividade contra a célula tumoral (32,51 ± 1,89%). Com base nestas informações, a concentração 2mg/mL foi selecionada para o tratamento intratumoral dos animais portadores de tumor, uma vez que apresenta excelente atividade citotóxica seletiva à linhagem LM3.
Foi também avaliado neste estudo, o efeito citotóxico de Paclitaxel (Taxol – TX), uma droga isolada inicialmente a partir da árvore Taxus brevifolha, amplamente utilizada no tratamento de diversos tipos de câncer, entre eles o de mama (BRIJNONE et AL., 2010; CESCA et AL., 2010; VICARI et AL., 2010; LICHTMAN et al., 2012). Os resultados mostraram (Figura 6, Tabela 5) que a droga apresenta grande citotoxicidade aos macrófagos (viabilidade variando de 22,87 – 98,91%), nenhuma citotoxicidade aos linfócitos (98,65 – 99,86%) e linear toxicidade às células LM3 (54,39 – 56,63%). Desta maneira, com base na Tabela 5, a concentração 0,0625mg/mL foi eleita para o tratamento dos animais portadores de tumor considerando a ausência de toxicidade às células imune e a estabilidade de sua atividade citotóxica contra LM3.
Apesar de TX apresentar pouca citotoxicidade in vitro às células imunológicas nas concentrações mais baixas, não foram observados os efeitos esperados de acentuada toxicidade à linhagem LM3, em nenhuma concentração. Com isto, estes resultados tornaram-se pouco expressivos quando comparados aos resultados referentes aos derivados de Q.multiflora, uma vez que, por exemplo, FT na concentração de 2mg/mL promoveu completa morte das células
tumorais (0% de viabilidade – Tabela 1), enquanto que o efeito máximo de TX (Tabela 5), em todas as concentrações testadas, não ultrapassou 43,37 % de morte celular (56,63% de viabilidade).
Com base nestes ensaios in vitro, observamos que FT apresentou a melhor atividade citotóxica contra as células tumorais quando comparado às outras amostras testadas, mesmo quando comparamos às substâncias isoladas LP, LN e FR, constituintes de FT. Isto porque, apesar de LP apresentar alta citotoxicidade às células LM3, o mesmo foi bastante tóxico aos linfócitos, nas maiores concentrações (2 e 1mg/mL) (Figura 3). Nestas mesmas concentrações, FR apresentou significativa citotoxicidade aos macrófagos e moderada atividade tóxica contra as células tumorais (Figura 4). Por outro lado, LN não apresentou toxicidade às células imunológicas (Figura 5), mas também não apresenta grande efeito antitumoral in vitro. De maneira contrária, FT que possui em sua constituição LP, LN e FR não apresentou nenhuma atividade citotóxica contra as células imune e excelente efeito citotóxico contra a linhagem LM3 (Figura 2), sugerindo a seletividade de sua citotoxicidade.
Em uma segunda etapa do projeto iniciou-se a avaliação da atividade antitumoral in vivo das substâncias estudadas. Assim, com base nas escolhas das concentrações de tratamento das substâncias estudadas, foi iniciado o processo de implantação tumoral e tratamento destes tumores. Ao término dos tratamentos, os animais foram sacrificados para que os tumores pudessem ser extraídos, pesados e medidos. A partir destas aferições foram alcançados os valores de inibição do crescimento tumoral que descrevem uma incrível atividade antitumoral in vivo dos componentes de Q. multiflora quando comparados com a droga padrão. Os animais dos grupos que receberam o tratamento com os derivados de Q. multiflora, FT (76,9 ± 4,06%), LP (61,05 ± 4,72%), LN (83,2 ± 6,31) e FR (88,2 ± 7,04%) tiveram uma maior taxa de inibição do crescimento tumoral (Figura 7) em relação ao grupo que recebeu a droga padrão TX (57,89 ±
3,31%), quando comparados ao grupo controle tratado com salina (PBS). Estudos semelhantes com a planta Citrus maxima mostrou que o tratamento dos tumores de Ehrlich com seu extrato metanólico inibiu o crescimento tumoral indicando uma potencial atividade antitumoral (KUNDUSEN et al., 2011). Outro estudo similar mostrou que os extratos etanólico e aquoso de Dendrophthoe falcata apresentaram importante atividade inibitória do volume tumoral mamário murino com ação comparável à cisplatina (DASHORA et AL., 2011).
Frente à retirada dos tumores dos animais tratados, foram feitas análises macroscópicas e microscópicas nos mesmos. Macroscopicamente, o tumor é elíptico, tendendo a apresentar cor esbranquiçada/amarelada, com grande presença de vasos sanguíneos. No centro tumoral há presença de líquido cístico, provavelmente derivado da necrose de células tumorais e do acúmulo de metabólitos liberados pelas células circundantes, decorrente do crescimento acelerado sem suporte nutricional adequado.
Microscopicamente (Figura 8), o tumor apresenta todas as características esperadas de uma neoplasia bem sucedida expandindo-se no hospedeiro. O tumor apresenta hipercelularidade e contém células atípicas, com diferença no tamanho celular e nuclear. Mitoses podem ser observadas em diversas regiões, indicando proliferação acentuada. Há presença marcante grande quantidade de vasos sanguíneos na área periférica. É conhecido pela literatura que tumores autólogos desenvolvem uma rede de vasos sanguíneos desde seu início mais precoce, acumulando estes capilares no centro do tumor (FOLKMAN, 2000). Diferentemente, tumores transplantados, como é o caso do presente estudo, atraem a formação de vasos através da liberação de mediadores solúveis, e estes vasos então crescem partindo da periferia para o centro tumoral (LIN E POLARD, 2007).
Ao observarmos a quantidade de mitoses nos animais de todos os grupos experimentais (Figura 9 e Figura 10), notamos que os grupos tratados com FT (0,7 ± 0,22), LP
(0,86 ± 0,09) e FR (0,85 ± 0,15) apresentaram menor quantidade de mitose por campo quando comparados aos outros grupos LP (1,15 ± 0,56), PBS (1,9 ± 0,8) e TX (1,65 ± 0,61). Apesar de todos os tratamentos serem diferentes estatísticamente do controle PBS, representando uma diminuição de mitoses com os tratamentos estudados, a droga padrão TX tem a menor diferença estatística (p>0,05) em relação ao grupo PBS, o que significa que TX é mais uma vez inferior quando comparado aos derivados de Q. multiflora. O estudo do efeito de tratamentos antineoplásicos sobre a mitose celular vem sendo estudado como provável mecanismo de ação. Dentro deste contexto, um triterpeno da planta Boswellia serrata mostrou atividade antitumoral in vivo com inibição das mitoses celulares nos camundongos portadores de tumor de Ehrlish (AGRAWAL et AL., 2011). Outro estudo sugere que a atividade antitumoral de benzofuranos derivados de plantas da família Asteraceae pode ser em conseqüência a sua influência no processo mitótico de células tumorais (ROMANO et AL,. 2011).
Para analisar o grau de angiogênese tumoral (Figura 11, Figura 12), foram observados campos microscópicos em regiões de centro e periferia do tumor. Não houve diferença no grau de angiogênese entre os animais do grupo controle PBS (10,89 ± 3,21) e aqueles que foram tratados com derivados FT (9,735 ± 4,62), LP (8,69 ±3,84) e FR (9,90 ± 2,11) de Q. multiflora. No entanto, o tratamento com a droga padrão TX (19,68 ± 8,94) apresentou valores bem superiores de grau de angiogênese quando comparado com o grupo controle PBS. A justificativa para este acontecimento pode estar embasada no fato de que pequenas doses de TX podem estimular a produção de COX-2 e com isso aumentar a angiogênese tumoral (SUBBARAMAIAH et al., 2000; MERCHAN et AL., 2005).
Foram também realizados ensaios para a determinação de Bcl-2, uma molécula de superficie celular, expressa em alguns tiposde célula para escapar da morte programada (apoptose), indispensável à contenção tumoral. Os resultados mostraram pouca marcação para
esta molécula de superfície com resultados inferiores a 10% de células marcadas por campo (Figura 13). No entanto, é possível observar na Figura 14 que os tumores controles tratados com PBS apresentam maior presença desta marcação quando comparado com todas as outras amostras testadas. Uma vez que a expressão de Bcl-2 na superficie celular é um mecanismo tumoral de escape à morte programada (apoptose), é sensato afirmar apartir dos resultados observados na Figura 14 que todas as drogas testadas FT, LP, LN, FR e TX cumpriram seu papel antitumoral, inibindo a superexpressão desta molécula nas células tumorais, deixando-as vulneráveis à apoptose.
Além destes parâmetros tumorais foram também realizados testes para avaliar o efeito modulatório das amostras estudadas sobre o sistema imunológico de animais portadores de tumor. Assim, nos resultados referentes à produção de NO, podemos verificar que FT (97,93%) e seus constituintes LN (87,24%) e FR (89,45%) apresentaram uma expressiva inibição deste mediador imunológico (Figura 15). LP, apesar de não apresentar uma resposta tão expressiva, apresentou importante atividade inibitória da produção de NO com valor de 68,24 %. Por outro lado, de maneira oposta aos derivados de Q. multiflora, a droga padrão TX não apresentou nenhum efeito (0%) sobre a inibição da produção de NO pelos macrófagos peritoneais. Diversos estudos comprovam o efeito de TX sobre o microambiente tumoral através da estimulação da produção de NO e outros mediadores inflamatórios pelos macrófagos.
De maneira semelhante, na determinação da atividade inibitória da produção de TNF- α, é possível observar que FT (95,99%) e seu constituinte FR (82,42%) apresentaram grande inibição deste mediador imunológico (Figura 16). LN e LP, apesar de não apresentarem uma resposta tão proeminente, também apresentou importante atividade inibitória da produção de TNF-α com valores de 70,42% e 71,24%, respectivamente. Mais uma vez, a droga padrão TX
não apresentou nenhum efeito (0%) sobre a inibição da produção de TNF-α pelos macrófagos peritoneais.
Observando a Figura 17, referente a atividade inibitória da produção de IL-1 em macrófagos peritoneais de camundongos portadores de tumor, é possível notar que FR apresentou a maior inibição da produção desta citocina (60,25%). FT (51,20%), LN (48,43%) e LP (45,43%) apresentaram valores semelhantes de atividade inibitória desta citocina. Novamente, a droga padrão TX não apresentou nenhum efeito inibitório sobre o sistema imune com (0)% de inibição de IL-1 pelos macrófagos peritoneais estimulados com LPS.
Verificando ainda os parâmetros imunológicos, podemos notar que todos os derivados de Q. multiflora apresentaram grande atividade inibitória da produção de IL-12, sendo a citocina mais inibida pelas as amostras testadas. Esta atividade variou de 86,99 %(LN) a 96,59 % (FT). Por outro lado, a droga padrão TX não apresentou nenhum efeito (0%) sobre a inibição da produção de IL-18 pelos macrófagos peritoneais estimulados com LPS.
Desta maneira podemos concluir que os derivados de Q. multiflora apresentam características anti-inflamatórias sobre os macrófagos e com isso favorecem a contenção tumoral. Isto porque a liberação excessiva de NO, TNF, IL-1 e IL-12 no microambiente tumoral é considerada prejudicial à contenção do tumor uma vez que vários estudos vem mostrando seu efeito no aumento da vascularização tumoral e consequente metástase além de outros mecanismos envolvidos no desenvolvimento tumoral (AMBS and GLYNN, 2011). Tanese e colaboradores (2011) relacionaram a quantidade de NO no micoambiente tumoral do melanoma com a progressão deste tumor e propõem a inibição da iNOS como alvo do tratamento dos pacientes portadores de tumor. Apesar de inicialmente o TNF- ter sido documentado como um mediador anti-tumoral, estudos mais recentes vêm mostrando que esta molécula é um dos principais mediadore de inflamação relacionada à câncer e age como fator promotor de tumor
TNF-α (WU e ZHOU, 2010). A produção de IL-1 também está sendo relacionada à progressão tumoral e vem sendo estudada como alvo da terapêutica no câncer de mama (HOU et al., 2011). Outros estudos sugerem que a neutralização de IL-1 no sobrenadante do ambiente tumoral, inibe a infiltração das células tumorais e a angiogênese através da inibição de 85% do fator de crescimento endotelial tumoral (VEGF)(CARMI et al., 2009).
Por fim, na análise da Tabela 6, que fornece uma visão geral dos efeitos dos diversos tratamentos sobre vários parâmetros tumorais, podemos observar que FT, LN e FR apresentaram o melhor desempenho no que diz respeito à taxa de inibição tumoral. Este dado soma-se ao fato de que estas mesmas substâncias também apresentaram a menor quantidade de mitoses por campo. Contudo podemos sugerir que estes dois parâmetros tumorais podem estar relacionados considerando que diversas drogas antitumorais possuem mecanismo de ação relacionado à diminuição da taxa de mitose celular (AGRAWAL et al., 2011; PANDI et al., 2011; ROMANO et al., 2011 ). Além dos bons resultados obtidos através do tratamento antitumoral com os derivados de Q. multiflora referentes aos fatores tumorais histológicos podemos destacar também o efeito anti-inflamatório destas substâncias sobre os macrófagos através da inibição dos mediadores pró-inflamatórios NO, TNF-α, IL-1, IL-12. Por outro lado, a droga padrão TX não apresenta atividade inibitória da produção destes mediadores envolvidos na progressão tumoral.
Conclui-se, portanto que os derivados de Q. multiflora possuem promissor efeito antitumoral in vivo, apresentando grande inibição do volume tumoral e diminuição da taxa de mitose celular, além de efeito anti-inflamatória sobre macrófagos, superando os efeito da droga Paclitaxel (TX) amplamente utilizada em tratamentos oncológicos. Estes resultados encorajam a continuidade deste projeto, visando estudos mais aprofundados sobre os efeitos in vivo desta planta no tratamento de tumor mamário murino.
7. CONCLUSÕES
- FT possui excelente atividade seletiva citotóxica in vitro à linhagem tumoral de mama LM3, sem afetar a viabilidade das células imunológicas.
- Apesar de ser uma droga amplamente estudada e utilizada em tratamentos oncológicos, TX não superou o efeito citotóxico dos derivados de Q. multiflora contra as células LM3 in vitro. Além disso, provocou considerável diminuição da viabilidade dos macrófagos em suas concentrações mais elevadas.
- FT, LP, LN e FR possuem expressiva atividade inibitória do crescimento tumoral in vivo. - LN e FR apresentaram os melhores resultados in vivo, entre os derivados de Q. multiflora. - FT, LP, LN e FR apresentaram grande inibição da produção dos mediadores inflamatórios envolvidos na carcinogênese NO, IL-1, IL-12 e TNF-α
- Em todos os parâmetros estudados (citotoxicidade in vitro, inibição tumoral, angiogênese e mitose, atividade anti-inflamatória), a droga padrão TX apresentou resultados inferiores aos derivados de Q. multiflora.
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