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BÖLÜM 2. YENİ MEDYA ETKİSİYLE DÖNÜŞEN İZLEME PRATİKLERİ VE

2.5 EŞ ZAMANLI İZLEME PRATİKLERİ

Ao contrário dos demais Estados da região Sudeste do Brasil, na maior parte do território do Espírito Santo prevaleceu o estabelecimento de pequenas propriedades produtivas a partir da chegada dos portugueses. Durante todo o Período Colonial, a ocupação de terras capixabas se fez na faixa litorânea sem, no entanto, gerar uma produção compatível com o sistema colonial imposto por Portugal. O resultado pode ser observado através da historiografia dedicada ao estudo da História do Brasil Colônia, em que o Espírito Santo raramente é lembrado, excetuando seu caráter de capitania subalterna ao sistema mercantil da colônia. Contudo, cabe ressaltar que, como nas demais capitanias, a utilização da mão de obra escrava estava disseminada pelo Espírito Santo, principalmente na região central, e como no restante do Brasil, a agricultura era a principal base produtiva.

Com a Independência do Brasil, a situação do Espírito Santo não se alteraria de imediato. Ao se iniciar o Período Imperial houve a manutenção de uma baixa densidade demográfica, produção pautada em pequenas propriedades agrícolas e a ocupação prevalecia na faixa litorânea capixaba. Por volta, da década de 1820, o Espírito Santo mantinha uma tímida ocupação do seu território, tendo como limites, ao norte, a Vila de São Mateus e, ao centro, a Vila da Vitória, capital da Província. A partir dessa época, iniciou-se a ocupação da Região Sul do Espírito Santo, com destaque para as áreas do Vale do Itapemirim e do Itabapoana, posteriormente, localidades em que se estabeleceu a cafeicultura em regime de grandes

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propriedades nos moldes das fazendas do Vale do Paraíba e Oeste Paulista, principais zonas cafeeiras (SALETTO, 1996:28).

Em determinada medida, até a chegada dos imigrantes europeus, acentuada a partir de 1850, grande parte do território do Espírito Santo se compunha de mata nativa.

O interior da Província é em sua maior parte coberto por uma selva densa, bastante montanhoso e habitado por grupos dispersos de índios selvagens. Por isso, uma ligação terrestre duradoura e funcional entre as duas províncias só pode ter perspectiva de sucesso, racionalmente falando, através da colonização por uma população estrangeira ou nativa que gradualmente avance para o interior, concomitante à construção de estradas. De qualquer modo, ela teria enorme importância tanto para Minas Gerais quanto para o Espírito Santo e esta última Província, tão decadente, poderia adquirir assim uma maior significação (TSCHUDI, 2004:60).

Da mesma forma que fora observado no relato do Barão Tschudi (2004), os Relatórios Provinciais, sob responsabilidade dos Presidentes da Província, atribuem o atraso econômico, muitas vezes, à situação de isolamento e desocupação da maior parte das terras capixabas, herança do Período Colonial.9

O isolamento, verificado até o século XIX, pode ter como uma das explicações a falta de ligações adequadas entre o interior e a capital, Vila da Vitória, bem como entre a Província e as demais do Império. O referido problema sempre foi motivo de insatisfação das autoridades e da população, que na maior parte, dependia do

9 A historiografia capixaba argumenta que o isolamento e, em certa medida, a decadência do Espírito

Santo durante o Período Colonial está ligada a dois fatores. O primeiro diz respeito à própria geografia do Estado, irregular e acidentado, bem como a ocupação por gentílicos dispostos a lutar por seu território. Outro fator, já no século XVIII, diz respeito a Legislação Portuguesa que impedia o estabelecimento de ligações entre o Espírito Santo e Minas Gerais, sob a alegação de proteger o escoamento de ouro e pedras preciosas encontradas nas Gerais. Mário Aristides Freire (2006), argumenta que as Leis de proibições mais relevantes datam de 1725 a 1758, não significando, necessariamente, a interrupção do trânsito de pessoas e mercadorias entre as duas capitanias (CARVALHO, 2008; FREIRE, 2006).

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A instabilidade socioeconômica foi observada pelos diversos viajantes que se propuseram a escrever relatos sobre a Província, depois Estado, do Espírito Santo, entre os séculos XIX e XX.10 Entre as questões que chamavam a atenção destes viajantes, predominava a baixa densidade demográfica, grande extensão de terras devolutas, isolamento e falta de infraestrutura, elementos que, utilizados da maneira certa, seriam capazes de protagonizar o desenvolvimento do Espírito Santo.

A opção pela estrutura de núcleos coloniais era vista pelos governantes como uma solução de dois dos problemas: baixa densidade demográfica e a grande extensão de terras devolutas. Desta maneira, com a inserção de considerável número de imigrantes garantir-se-ia trabalhadores a baixo custo para a realização de obras públicas, principalmente na construção de estradas e ferrovias. No entanto, mesmo que tenha predominado, a partir de 1850, a colonização em núcleos de imigrantes, estabelecidos em pequenas propriedades, houve regiões que mantiveram o sistema de produção em latifúndios, com a utilização do escravo no trabalho. Assim, no Espírito Santo os dois sistemas de produção agrícola, em grandes e pequenas propriedades, coexistiram pelo menos durante o Período Imperial.

Torna-se relevante para o presente estudo, compreender o processo de ocupação do interior do Espírito Santo, buscando destacar as regiões onde se estabeleceu o modelo de ocupação para produção extensiva, que servirá de contraponto no entendimento para o estabelecimento dos núcleos coloniais imigrantes.

No interior, com destaque para a Vila de Itapemirim, região mais desenvolvida da Província e reduto dos grandes proprietários, se estabeleceu a produção em larga escala nos moldes da indústria cafeeira encontrada em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, sendo por este último, feito o escoamento da produção do Sul do Espírito Santo. Segundo Tschudi (2004:100):

10 Consideram-se aqui como viajantes não apenas o barão Johann Jakob Von Tschudi e Carlo Nagar,

que estiveram no Espírito Santo em 1860 e 1895, respectivamente, mas também Ernest Wagemann, em 1913 e Jean Roche em 1968.

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todavia, não apresenta aspecto desagradável pela vastidão e regularidade de sua praça, assim como das ruas; sua prosperidade é nula, pois que a população respectiva não passando de 900 a 1000 almas, quase toda se ocupa no tiramento de madeiras, levando nisto uma vida nômade, e sem produzirem nem ao menos para o consumo.‖ População de 700 almas (ROCHA, 2008:189- 190).

Enfim, no que tange à população e à ocupação do território, os dados quantificados pelo escritor Renzo Grosselli (2009:115) parecem ser os mais precisos, devido à variedade de estatísticas apresentadas. De acordo com o referido autor, em 1872, após, portanto, as primeiras empreitadas imigrantistas, o Espírito Santo contava com uma população de aproximadamente 82.000 habitantes, dos quais mais de 22.000 eram escravos, sendo que a maioria se encontrava nas fazendas do Sul. Este número demonstra uma densidade demográfica de pouco mais de dois habitantes por quilômetro quadrado, considerando a extensão territorial do Espírito Santo, de 36.000 quilômetros quadrados (NAGAR, 1995:31). O panorama populacional apresentado ajuda a compreender a preocupação por parte das autoridades em atrair imigrantes estrangeiros para povoar e desenvolver a Província e, posteriormente o Estado.

1.4 Café, Imigração e Colonização no Espírito Santo do Século XIX