BÖLÜM 2: ZAMAN YÖNETİMİ
2.6. Zaman Yönetimini Etkileyen Etkenler
2.6.1. Zaman Kaybına Neden Olan Etkenler (Zaman Tuzakları)
Na área estudada a Seqüência Serra das Andorinhas ocorre ao sul da Zona de Cisalhamento Ribeira, apresentando características metamórficas e estruturais semelhantes ao Grupo Votuverava. Entretanto, diferencia-se deste principalmente pela escassez de intercalações
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de rochas metabásicas e abundância de corpos, geralmente lenticulares, de rochas calciossilicáticas e quartzitos.
No âmbito da subunidade siliciclástica (basal) predominam afloramentos de sericita- quartzo xisto e sericita quartzito com transições para filonitos formados por sericita, quartzo e clorita, ricos em veios de quartzo estirados e boudinados, concordantes com a foliação. Termos ricos em clorita e granada ocorrem localmente, mostrando, neste caso, coloração verde escura.
A estrutura principal consiste de uma foliação anastomosada de natureza milonítica com uma lineação de estiramento mineral muito bem desenvolvida associada. Em alguns domínios a lineação de estiramento é mais desenvolvida que a foliação, caracterizando tectonitos tipo L.
Também são comuns intercalações de camadas, por vezes de centenas de metros de espessura, formadas por micaxistos carbonáticos bandados. Localmente ocorrem intercalações de corpos de anfibolito com cor verde escura.
6.2. Descrições Microscópicas
6.2.1. Grupo Votuverava
Os filitos e ardósias presentes no domínio ao norte da Zona de Cisalhamento Ribeira são formados essencialmente por quartzo e sericita, que geralmente representam de 70 a 90% da rocha (Tabela 6.1). Clorita e carbonato geralmente são essenciais podendo individualmente representar de 5 a 15% da rocha total. Acessórios comuns compreendem estilpnomelano, turmalina, epidoto, biotita, titanita, minerais opacos, apatita e zircão. Turmalina esverdeada- acastanhada e minerais opacos podem alcançar proporções de 8% (Tabela 6.1). Localmente ocorrem camadas centimétricas a decimétricas de sericita turmalinito xistoso.
Os filitos e ardósias geralmente apresentam uma laminação definida pela alternância entre leitos ricos em quartzo e leitos ricos em micas. Localmente a laminação é formada por micas clásticas, indicando relíquias de uma laminação primária (S0).
Apresentam uma foliação metamórfica S1 constituída por uma xistosidade penetrativa,
sub-paralela à laminação primária, com isorientação de sericita, quartzo, muscovita, clorita e estilpnomelano. Localmente minerais orientados nessa xistosidade apresentam-se dobrados e rompidos, desenhando uma crenulação S2 oblíqua (Fig. 6.3) que, em geral, não produz foliação
A foliação S3 relaciona-se com a deformação da Zona de Cisalhamento Ribeira, sendo
caracterizada por lenticularização de foliações anteriores e recristalização parcial ou total de sericita, quartzo, clorita e, localmente, biotita.
Tabela 6.1. Proporção entre fases minerais de metapelitos do Grupo Votuverava e da Seqüência Serra das Andorinhas.
Amostra Se Ms Qtz Chl Bt Grt St Ky Kfs Pl Car Stp Ep Op Tur Ttn
EP001G 60 - 20 - - - - - - 12 - 8 tr - F34D (1) 20 - 30 05 40 - - - - 5 - tr tr - F35A 40 - 30 15 - - - - 14 - - tr 2 tr F35B 40 - 35 - - - - - 15 - 5 2 tr 3 F47 40 - 50 10 - - - - - tr tr - GD121A-1 45 - 40 - - - - - - 10 5 - GD121A-2 45 - 50 - 1 - - - - tr 4 - GD121C 22 - 40 - - - 20 10 5 3 - tr tr - GD121E 50 - 30 - 5 - - - - 7 8 - GD179B 35 - 50 - - - - - - - 15 tr tr - IP132A tr - 17 50 - tr - 13 7 - - 3 - - IP530 35 20 25 - - - - 15 - - 5 tr - M014 45 40 tr 10 3 - - - tr 1 - M31D 40 5 - tr - - - - - - tr 55 - M117 40 5 - tr - - - - - - tr 55 - M198 14 50 tr 25 10 - tr - - - 1 tr - M214C 25 40 tr 27 5 - tr - - tr 1 1 - SM-403 35 - 40 01 15 03 06 - - - SM-430 60 - 30 - 06 04 - - - - 10 - - SM-443 - 20 30 - 50 - - - SM-447 30 - 40 - 25 - - - 05 - - SM-448B - 20 60 - 15 - - - 05 - - SM-450 40 - 25 - 30 - 05 - - - - SM-450B - 60 20 - 15 - - - 05 - - SM-452 - 40 20 02 10 - 06 - - 20 - - - 01 01 - SM-453 15 - 10 - 75 - - - SM-455 - 10 60 01 20 02 03 04 - - - - SM-455C 70 - 20 - 09 - - - 01 - - SM-470 40 - 35 05 15 - - - 05 - - SM-481 40 - 25 10 05 - - - 20 - - - SM-490B - 05 20 01 05 04 03 - - 60 - - - - 02 - SM-490D - 40 30 05 15 - 10 - - - SM-490A-1 - 40 30 01 20 06 03 - - - - SM-490A-2 - 40 30 01 20 06 03 - - - - SM-491 - 10 - - 10 - - - 05 70 - - - 02 - - SM-493 - 20 40 - 15 05 20 - - - tr - - SM-494 10 - 70 - 20 - - - SM-496 - 10 07 02 70 05 - - - 03 - - - 03 - - SM-505 - 25 40 - 30 04 - - - 01 -
No interior da zona de cisalhamento o quartzo ocorre como grãos recristalizados dinamicamente na matriz; como porfiroclastos estirados com extinção ondulante e subgrãos internos; e como ribbons mono e policristalinos. A sericita/muscovita apresenta-se comumente muito fina, lenticularizada e recristalizada na matriz milonítica, geralmente associada com clorita. Carbonato ocorre associado a vênulas estiradas e incorporadas à foliação milonítica. A biotita, quando presente ao norte da Zona de Cisalhamento Ribeira, é essencialmente de natureza clástica.
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Rochas de ocorrências muito raras presentes no interior da Zona de Cisalhamento Ribeira consistem de xistos grossos porfiroblásticos compostos por clorita, quartzo, feldspato, biotita, minerais opacos e granada. A clorita é porfiroblástica, pisciforme e ocupa 50% da rocha. Quartzo e feldspato são microcristalinos e recristalizados na matriz. O feldspato apresenta formas arredondadas e extinção concêntrica, sugerindo zonamentos composicionais metamórficos. Os minerais opacos encontram-se fortemente estirados devido à intensa milonitização. A granada é euédrica, pós-cinemática em relação à uma foliação anterior à milonitização (S1 ou S2), e
encontra-se parcialmente substituída por biotita retrometamórfica. A clorita também pode ocorrer como sombras de deformação na granada, como resultado de retrometamorfismo. A estrutura desta rocha consiste de um bandamento diferenciado formado pela alternância entre lâminas lepidoblásticas ricas em clorita e leitos granoblásticos constituídos por quartzo e feldspato. Esta foliação encontra-se dobrada e lenticularizada, definindo a foliação milonítica S3. Como produtos
do cisalhamento, a clorita e o quartzo encontram-se fortemente estirados, lenticularizados e com extinções ondulantes ou ainda recristalizados na matriz milonítica. A grande abundância de clorita (50%) e feldspato (15%) sugere que esta rocha pode ser de natureza originalmente vulcano-clástica, com contribuições básicas na deposição.
Os metabasitos presentes ao norte da Zona de Cisalhamento Ribeira geralmente são isótropos e apresentam texturas ígneas preservadas (blastofíticas, blastosubofíticas). Os minerais essenciais são actinolita, hornblenda e epidoto (Tabela 6.2). A hornblenda é idiomórfica, zonada, verde-acastanhada e em parte representa relíquias ígneas. A actinolita ocorre como poiquiloblastos orientados aleatoriamente na matriz. O epidoto apresenta-se como agregados microcristalinos preservando formas reliquiares de plagioclásio tabular, arranjados aleatoriamente. Minerais acessórios compreendem quartzo intersticial, poiquiloblastos de minerais opacos, apatita acicular e clorita.
Em porções mais próximas à Zona de Cisalhamento Ribeira ocorrem xistos básicos compostos essencialmente por clorita, quartzo, carbonato, andesina e minerais opacos, além de apatita e sericita como acessórios. Apresentam um bandamento correlacionável com a foliação S3
das rochas metassedimentares, onde leitos carbonáticos alternam-se com leitos ricos em clorita e quartzo recristalizado. Internamente ao bandamento os minerais apresentam uma intensa orientação preferencial de forma. A andesina é de natureza ígnea e ocorre como porfiroclastos fraturados ou cristais idiomórficos ripiformes em meio a matriz fina composta por clorita e quartzo. Essa feição sugere uma natureza ígnea básica para o protolito destas rochas. Os minerais opacos encontram-se fortemente estirados e lenticularizados. A sericita ocorre como sombras de deformação em porfiroclastos e como alteração de plagioclásio.
Ocorrem também metabasitos isótropos com textura ígnea reliquiar parcialmente preservada, reconhecida pela presença de plagioclásio (andesina-labradorita) tabular ou ripiforme em orientação aleatória e quartzo intersticial. A matriz é muito fina e constituída por agregados microcristalinos de carbonato com clorita intersticial. Em geral a matriz representa de 50 a 65% da rocha. Vênulas de carbonato e clorita cortam todas as estruturas.
Tabela 6.2. Proporção entre fases minerais de metabasitos do Grupo Votuverava e da Seqüência Serra das Andorinhas (compilado de Faleiros, 2003 e Faleiros & Campanha, 2004). Abreviações segundo Kretz (1983). Amostra Hbl Act Pl Ep Chl Car Qtz Op Ap Se
F199B 35 25 10 5 15 5 5 tr tr - GD109A 40 30 20 5 - - tr 5 tr - GD177 10 50 20 15 5 - tr tr tr - GD486A 15 45 tr 20 2 - 10 5 3 - GD487 - - 8 - 30 20 30 10 2 tr GD532 - - 10 - 15 50 5 8 - - M161I 30 40 20 5 - - tr 5 tr -
Ao sul da Zona de Cisalhamento Ribeira é comum a presença de xistos grossos, laminados, com porfiroblastos de biotita e granada. Em domínios locais essas rochas transicionam para micaxistos com estaurolita e, localmente estaurolita e cianita. Estas rochas apresentam uma laminação formada pela alternância entre leitos lepidoblásticos ricos em micas e leitos granoblásticos formados por quartzo poligonizado. A mineralogia essencial dos xistos consiste de quartzo, biotita, muscovita e granada (localmente estaurolita). Minerais acessórios compreendem turmalina, minerais opacos, clorita, feldspato e epidoto (localmente cianita).
O quartzo forma bandas muito contínuas alternadas com leitos micáceos. Muscovita e biotita podem apresentar-se bastante alongadas e, por vezes, recristalizadas em leitos pobres em quartzo. O quartzo nestes leitos apresenta-se como ribbons policristalinos. Essas evidências indicam a natureza milonítica da foliação principal.
Ocorrem biotitas de três gerações. A mais antiga apresenta-se como finas inclusões em granada, orientadas em uma foliação externamente destruída. A biotita de segunda geração ocorre como porfiroblastos de micafish com inclusões de uma foliação retilínea discordante da externa. As formas externas fortemente lenticularizadas são decorrentes da superposição da foliação milonítica S3. A biotita da terceira geração é mais fina, fortemente estirada e associada à
muscovita nos leitos micáceos, sendo portanto, sin-milonítica.
A granada presente em xistos sem estaurolita e cianita nas proximidades da Zona de Cisalhamento Ribeira é porfiroblástica, euédrica e apresenta zonação textural marcada por núcleos ricos em inclusões e bordas livres destas. As inclusões nos núcleos de porfiroblastos são orientadas segundo foliação retilínea, com orientação divergente da xistosidade externa (Fig. 6.4), correlacionável com aquelas encontradas na biotita de segunda geração.
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Figura 6.3. Fotomicrografia mostrando micrólitons com xistosidade S1 preservada em meio a
uma crenulação espaçada S2 (lado maior da fotomicrografia 1,3 mm).
Figura 6.4. Fotomicrografia mostrando porfiroblasto de Grt com inclusões orientadas em foliação retilínea divergente da externa. Amostra M-214C, polarizadores cruzados (lado maior da fotomicrografia 5,5 mm).
A xistosidade externa (S3) invariavelmente aparece defletida em torno dos porfiroblastos.
Localmente ocorre granada fina com formas lenticularizadas, cristalizadas nos leitos ricos em quartzo, sugerindo uma geração de granada sin-milonítica.
A granada presente em xistos com estaurolita ao sul da zona de cisalhamento é porfiroblástica, euédrica a subédrica ou com bordas parcialmente corroídas (Fig. 6.5 e 6.6). A maior parte dos cristais de granada apresenta inclusões orientadas segundo foliação interna retilínea a pouco ondulada, concordante a subconcordante com a xistosidade externa (Fig. 6.5). Alguns porfiroblastos truncam a xistosidade externa (Fig. 6.6), enquanto em outros casos esta é defletida em torno dos cristais, sugerindo que a granada cresceu em fases tardias a posteriores ao desenvolvimento da xistosidade (Fig. 6.5).
Figura 6.5. Fotomicrografia de porfiroblasto de granada com borda parcialmente corroída, com inclusões orientadas segundo foliação levemente ondulada concordante com a xistosidade externa. Notar a xistosidade externa pouco defletida em torno do cristal no canto direito da fotomicrografia e cristal poiquiloblástico de estaurolita na porção superior. Amostra SM-490A, Grupo Votuverava ao sul da Zona de
Cisalhamento Ribeira. Polarizadores descruzados.
(lado maior da fotom. 2,6 mm) Figura 6.6. Fotomicrografia de porfiroblasto euédrico de granada truncando e incluindo a xistosidade externa. Amostra SM-490B, Grupo Votuverava ao sul da Zona de Cisalhamento
Ribeira. Polarizadores descruzados (lado maior da
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Comparando o padrão dos xistos fora e dentro da zona de influência da Zona de Cisalhamento Ribeira, é possível interpretar que a xistosidade principal presente fora da zona de cisalhamento é a mesma preservada em núcleos de porfiroblastos de granada presente em rochas no interior desta estrutura.
A estaurolita é porfiroblástica e comumente poiquiloblástica, podendo ser euédrica, subédrica, anédrica, ou com bordas leve a fortemente corroídas. A maior parte dos cristais apresenta inclusões orientadas segundo uma foliação interna ondulada (rotacionada) paralela à xistosidade externa nas bordas dos cristais, sugerindo crescimento sin-cinemático (Fig. 6.7). Alguns cristais de estaurolita incluem parcialmente cristais euédricos de granada (Fig. 6.8). Rochas observadas localmente apresentam porfiroblastos euédricos de estaurolita que truncam e incluem a xistosidade externa, indicando crescimento posterior à geração desta.
No interior da zona milonítica ocorrem anfibolitos caracterizados por porfiroclastos de anfibólio envoltos por matriz fina constituída por plagioclásio, quartzo e hornblenda, além de epidoto, apatita e ilmenita como acessórios (Fig. 6.9 e 6.10). Os porfiroblastos de anfibólio apresentam zonação textural marcada por núcleos de cor verde claro com fraco pleocroísmo (actinolita) e bordas de cor verde escura e fortemente pleocróica (tschermakita) (Fig. 6.10). Essa zonação textural (e composicional), associada à presença de hornblenda (tschermakita) como único anfibólio na matriz, sugere que a milonitização da Zona de Cisalhamento Ribeira ocorreu concomitantemente com a progressão do metamorfismo.
O plagioclásio na matriz encontra-se totalmente recristalizado dinamicamente indicando temperaturas de metamorfismo relativamente altas (> 500ºC). Apresenta uma fraca orientação preferencial de forma e normalmente mostra geminação polissintética bem formada.
A hornblenda na matriz é acicular e encontra-se disposta em orientação paralela à foliação lenticularizada.
O epidoto ocorre como microcristais idiomórficos a subdiomórficos concentrados em certos leitos na matriz, porém aparentemente não está em paragênese com a hornblenda, enquanto a clorita é tipicamente retrometamórfica, e não se encontra presente em todas as amostras de anfibolito.
Os metabasitos presentes ao sul da Zona de Cisalhamento Ribeira são constituídos essencialmente por hornblenda (tschermakita) e plagioclásio (andesina) (Tabela 6.2). Acessórios compreendem ilmenita, quartzo e epidoto. A hornblenda é euédrica, verde escura, e localmente apresenta zonação textural com núcleos de cor verde claro e fraco pleocroísmo (actinolita).
Figura 6.7. Fotomicrografia mostrando porfiroblasto euédrico de estaurolita com foliação interna ondulada concordante com a xistosidade externa nas bordas do cristal. Notar a xistosidade externa defletida assimetricamente em torno do porfiroblasto. Amostra SM-490, Grupo Votuverava ao sul da Zona de Cisalhamento Ribeira. Polarizadores cruzados + placa de gipso. (lado maior da fotomicrografia 3,2 mm)
Figura 6.8. Fotomicrografia mostrando estaurolita porfiroblástica englobando parcialmente cristal euédrico de granada. Amostra SM-490C, Grupo Votuverava ao sul da Zona de Cisalhamento Ribeira. Polarizadores descruzados (lado maior da fotomicrografia 3,2 mm).
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Figura 6.9. Fotomicrografia mostrando porfiroblasto de anfibólio zonado com núcleo actinolítico e borda de hornblenda. Amostra M-161I (lado maior da fotomicrografia 2,8 mm).
Figura 6.10. Fotomicrografia mostrando matriz com plagioclásio (andesina) recristalizado dinamicamente em anfibolito milonítico. Amostra M-161I, polarizadores cruzados (lado maior da fotomicrografia 0,7 mm).