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2. DİL İNCELEMESİ

2.3.2.6. FİİLLER

2.3.2.6.2. Kip ve Zaman Ekleri:

Tendo-se debruçado sobre os vota do Brasil, de maneira prolongada e meditada, Luiz Baraúna tentou organizar as respostas em torno de alguns eixos e construir uma tipologia em meio ao mar de sugestões por vezes desencontradas.

Partindo da óbvia constatação de que existia no Brasil, como nos demais países, tanto um catolicismo intransigente como um catolicismo mais aberto social e doutrinariamente, propõe-se a analisar os vota das figuras mais em evidência destas duas tendências: para os intransigentes, os bispos de Campos e Jacarezinho, Dom Antônio de Castro Mayer e D. Geraldo de Proença Sigaud, próximos ambos à sociedade criada por Plínio Corrêa de Oliveira, a “Tradição, Família e Propriedade” e que contavam com um número restrito de seguidores e, para os “progressistas”, D. Helder Camara, o núncio Armando Lombardi e um grupo pequeno, mas aguerrido, de bispos, de modo particular do Nordeste.

Na Europa, os grupos da linha intransigente, fortes no Santo Ofício e em outros setores da Cúria Romana, mas também nos vários países europeus, haviam, no passado, mais do que flertado com os regimes autoritários de Salazar, em Portugal, de Franco, na Espanha, de Mussolini, na Itália e até mesmo de Hitler dos primeiros anos. Olhavam com desconfiança até mesmo a democracia cristã, não por ser cristã, mas por ser democrática. Neste sentido faziam guerra aberta, por exemplo, ao filósofo Maritain, que na guerra da Espanha (1936-1939) havia tomado partido pelos republicanos e escrevera uma das obras clássicas sobre as relações entre a Igreja e a sociedade moderna: L’Humanisme Intégral223, onde se posicionava abertamente pela democracia.

No Brasil, bispos desta tendência haviam apoiado, na década de trinta, o integralismo de Plínio Salgado e mantinham suas simpatias irrestritas pelo campo da extrema direita política. Na área doutrinal, pregavam o reforço dos dogmas existentes e a proclamação de novos, de modo particular em relação a Maria, e, na área litúrgica, alinhavam-se na defesa intransigente do latim na missa e nos demais sacramentos;

223 MARITAIN, Jacques, Humanisme intégral: Problèmes temporels et spirituels d’une nouvelle chrétienté. Paris:

Aubier. 1936. Vale relembrar que o então assistente eclesiástico da FUCI italiana, Mons. Giovanni Battista Montini, futuro Papa Paulo VI, havia traduzido para o italiano um dos livros de Maritain, “Les trois Réformateurs”. O Humanismo Integral tornou-se um guia para os jovens universitários orientados por Montini. Peter Hebblethwaite, um dos melhores biógrafos de Paulo VI, escreve sobre esta obra, cuja tradução italiana fora recolhida por ordem do Santo Ofício: “This was beyond question Maritain’s most influential work in Italy, contributing to the formation and development of Christian Democracy during the war and after it.” HEBBLETHWAITE, Peter, Paul VI: the first modern Pope. London: Harper Collins, 1993, p. 121, nota 2

defendiam o latim e a ampliação do seu uso, como chegou a pedir um deles. Na esfera intelectual, propunham a escolástica medieval como a filosofia perene da Igreja, por isso mesmo essencialista e sem perspectiva histórica.

Especificamente a respeito de Maritain, D. Sigaud reclama que, dos Seminários e mesmo dentre os que retornam dos estudos em Roma, chegam seminaristas imbuídos de idéias de Revolução. Declaram-se “maritainistas”, “discípulos de Teilhard de Chardin”, “católicos socialistas”, “evolucionistas”. Os que a eles se opõem, são tratados de “integristas”224. Mais adiante, no seu votum, pede a condenação de Maritain: “Alia damnatio

valde necessaria est damnatio Maritain. Eius errores gravissima damna Ecclesiae, praesertim in America Latina causaverunt. Clerus iuvenis ipsis infestatur. Damna errorum partis “Democratiae Christianae” ex ideis Maritain proveniunt. Agitationes politicae in America ab eius discipulis dicuntur factae. Catholici dicunt: Vaticanum approbat Maritain, nam fuit Legatus Galliae apud Sanctam Sedem. Episcopi se dicunt “maritainistae”. In Universitatibus Catholicis Brasiliae doctrinae eius dominantur. Roma tamen silet”225

Enquanto D. Sigaud preocupa-se com problemas eminentemente práticos, em como debelar o mal da revolução e tudo o que possa estar-lhe até mesmo longinquamente conexo, D. Castro Mayer procede de maneira mais filosófica, examinando o que chama a incompatibilidade entre cristianismo e comunismo e até mesmo qualquer possibilidade de coexistência pacífica: “Impossibilis ergo sub ipso (o comunismo), cooperatio vel simplex pacifica coexistentia fidelium”226. Mostra-se, entretanto, muito mais preocupado com o socialismo, que, segundo ele, propugna uma sociedade baseada no amor, em que não exista nenhuma miséria ou pobreza, nenhuma competição, já que todos serão iguais; nenhuma contradição, já que as que puderem surgir, serão cientificamente superadas. Pede que esta proposta, atrativa para os cristãos, seja declarada incompatível com as disposições da Divina Providência, visto que as desigualdades existentes entre os homens não são, de modo algum, um mal, mas a melhor maneira de manifestar, na presente ordem hierárquica das coisas e dos homens, a perfeição de Deus, tanto mais que na absoluta igualdade entre os homens, algumas virtudes cristãs, bastante necessárias para a salvação, como a

224 “Illi qui errores accusant et impugnant a collegis persecutionem patiuntur, “Integristae” vocantur.

Ex Seminariis et ex ipsa Alma Urbe redeunt seminaristae pleni idearum Revolutionis. Ipsi se dicunt “maritainistas”, sunt “discipuli Teilhard de Chardin”, “socialistae catholici”, “evolutionistae”. ADA II/7, 181

225 ADA II/7, 189. O pedido de Sigaud por uma condenação de Maritain perdeu plausibilidade, tanto

em tempos de João XXIII, que não acreditava na pedagogia ou na eficácia das condenações e mais ainda em tempos de Paulo VI, desejoso de reparar quanto o seu velho mestre intelectual havia sofrido de certas instâncias de Igreja. Jacques Maritain foi convidado para receber, no encerramento do Concílio, a 08-12-1965, a mensagem dirigida aos intelectuais e cientistas. Maritain foi acompanhado no ato por Jean Guitton e S. Swieziawski, auditores do Concílio. Cfr. CAPRILE, V, p. 520.

humildade, a obediência, a misericórdia etc. tornar-se-iam quase impossível de serem praticadas. O peso que os homens sofrem por causa da desigualdade, deve ser considerado como pena do pecado original e ocasião para que melhor se exercitem nas virtudes227.

Evidentemente que o discurso de um Helder vem todo ele voltado para como organizar a sociedade de modo a superar tanto a pobreza quanto as desigualdades entre pessoas e nações, perguntando-se sobre “qual a responsabilidade da Igreja na promoção dos povos menos desenvolvidos”228. Ou ainda, qual seu papel na promoção dos operários; na libertação dos povos submetidos ao longo do jugo colonial; na acolhida aos refugiados (apátridas)?229

D. Helder, movendo-se no âmbito da CNBB, mas também do CELAM, do qual era um dos vice-presidentes, raciocina em termos dos conflitos internacionais e das preocupações de toda a América Latina, assim como do Brasil em seu conjunto.

Mas restava, enfim, um grupo intermediário, largamente majoritário, oscilando entre as posições mais rígidas ou mais avançadas do espectro político e eclesial e que Baraúna reúne no que chama de campo moderado, e cujos vota espelhavam uma opinião média do episcopado brasileiro.

Sob o título, “A grande maioria conservadora ou moderada”, Baraúna assim descreve este segmento do episcopado e suas posições: “O grosso do episcopado brasileiro da época pré-conciliar - falo dos 132 bispos que responderam à circular do cardeal Tardini - são homens de Igreja que se distanciam nitidamente da minoria radical e ultra reacionária de que tratei no item 1 supra, mas, por outro lado, ainda não despertaram para a magnitude dos problemas de uma Igreja colocada diante dos desafios de um mundo completamente novo, que começou a surgir bem antes do Concílio Vaticano I e do Concílio de Trento. Esses bispos desejam avanços, desejam mudanças, adaptações e reformas - porém desde que não saiam dos quadros e do referencial da concepção tridentina e pós-tridentina de Igreja e de mundo. Sabem que as chances de ressuscitar a civitas christiana são nulas, mas não atingiram ainda um grau de consciência eclesial que lhes permita abandonar o referencial clericalista e eclesiocêntrico.

227 “Mihi opportunum videtur omnem confusionem dissipare, v. g. declarando ordinationem civitatis a

socialistis somniatam, in solo amore et progressu scientifico positam, esse contra actualem Divinae Providentiae dispositionem, cum inaequalitas hominum non solum malum minime constituit, sed et melius in praesenti ordine hierarquico rerum et hominum manifestat perfectionem Dei; eo vel magis quod in absoluta paritate omnium hominum quaedam virtutes christianae maxime ad salutem necessariae, ut humilitas, oboedientia, misericordia, etc. fere impossibiles evandernt. Pondus autem quod ex inaequalitate patiuntur homines, consideretur ut poena peccati originalis et ut medium quo execeantur virtutes”. ADA II/7, 160.

228 ADA II/7, 325 229 ibidem, 326

Esta postura de tipo conservador traduz-se primeiramente em nível de:

Doutrina - a) Neste este nível, o pedido que mais ocorre nos vota que compõem o dossiê - perdendo apenas, como já dissemos, para a restauração do diaconato permanente e para o uso do vernáculo na Liturgia - é que o futuro Concílio proclame a doutrina ou o dogma da mediação universal de Nossa Senhora. Sem dúvida, isto é fruto de um surto descomunal da teologia e da piedade mariana no catolicismo a partir da década de 30 e que culminou justamente na década de 50-60: desencadeou-se um verdadeiro movimento” mariano na Igreja, animado e estimulado constantemente pela Academia Mariana Internationalis de Roma (tendo como presidente o franciscano Frei Carlos Balic), a qual, entre outras iniciativas, organizou uma série de congressos mariológicos e marianos internacionais e nacionais, sobretudo em países de tradição latina. A “Mariologia” chegou a constituir-se em um tratado específico dentro da teologia, até surgindo revistas especializadas (Marianum, dos padres servitas de Roma, e Ephemerides mariologicae dos padres claretianos da Espanha). Em vários países, inclusive na França, constituíram-se sociedades marianas com o objetivo específico de cultivar a mariologia e a piedade mariana. Uma das metas desse “movimento” era chegar à definição do dogma da mediação de Maria, após Pio IX ter definido o dogma da imaculada conceição (1854) e Pio XII, o dogma da assunção de Nossa Senhora (1950).

Dentro desta perspectiva, o progresso doutrinal é visto antes como dedução e explicitação de novas “verdades” ou “dogmas” supostamente contidos no “depósito revelado”, do que como enfoque e confronto novo da revelação com os dados e as culturas novas que se sucedem no tempo.

b) Eclesiologia - esta maioria de bispos, na melhor das hipóteses, não vai além da Mystici Corporis de Pio XII.

O excesso de centralização romana, sentido pelos bispos do Brasil, e a premência das situações locais, regionais e continentais que gritam por um mínimo de autonomia pastoral, como também a existência e o funcionamento, desde 1952, de uma Conferência Episcopal no Brasil, levam os bispos brasileiros deste terceiro grupo à consciência de que o Concílio deverá, de uma forma ou de outra, aprofundar a doutrina do episcopado, para complementar as definições do Concílio Vaticano I sobre o primado e a infalibilidade do papa. É, pois, mais ou menos generalizado, o desejo de que o Concílio reconheça maior autoridade aos bispos locais e às conferências episcopais. Pede-se também a concessão de maiores faculdades e direitos aos bispos coadjutores e auxiliares (bispos da província eclesiástica de Belo Horizonte, p. 140); chega-se a sugerir que o papa seja

futuramente eleito por uma representação maior do episcopado mundial, comparecendo ao conclave um representante para cada grupo de 50, 70 ou 100 bispos livremente eleitos na sua região (4 bispos da província eclesiástica de Ribeirão Preto - SP, p. 243), e outro bispo, dom Hugo Bressane de Araújo, arcebispo-bispo de Marília (SP) (p. 213) pede instanter que a Santa Sé se manifeste sobre a “Ordem episcopal” - ainda que seja só para acabar com a opinião de que um presbítero pode ordenar validamente diáconos e presbíteros. Dom Benedito Zorzi (Caxias RS, p. 163) solicita que as decisões da conferência episcopal, uma vez aprovadas pela Santa Sé, tenham força jurídica nas dioceses, em questões de relevância. Tudo isto manifesta uma certa consciência de que é hora de abordar a doutrina do episcopado e da colegialidade episcopal.

Outro item explicitado por certo número de bispos desta maioria conservadora ou moderada é a necessidade de valorizar os leigos e de definir com maior clareza a Ação Católica (tema que na época suscitava muita controvérsia na Igreja do Brasil, devido ao confronto com as tradicionais “associações religiosas” e ao intenso envolvimento da JOC, JUC, JAC nas lutas sociais, políticas e sindicais).

A este propósito, dom Fernando Gomes (Goiânia, p. 179) aponta que o Código de Direito Canônico praticamente tem apenas um cânon sobre os direitos e obrigações dos leigos (682: “os leigos têm direito a receber do clero, segundo a norma da disciplina eclesiástica, os bens espirituais e sobretudo os auxílios necessários à salvação”; sendo que o cânon seguinte proíbe os leigos de usarem o traje clerical), uma vez que todos os demais cânones (684-725) tratam das “pias associações” de fiéis; é, pois, sumamente útil acrescentar ao Código de Direito Canônico, segundo dom Fernando, um capítulo sobre o apostolado dos leigos em geral, e sobre a Ação Católica especificamente.

A mesma expectativa de valorização dos leigos é manifesta, em outros termos, por vários outros bispos: Vicente A. Scherer (Porto Alegre, p. 239), Gregório Warmeling (Joinvile, p. 197-198), Walmor Battú Wichrowski (auxiliar de Santos, p. 33 1), José de Medeiros Delgado (S. Luís do Maranhão, p. 249), Card. Augusto Álvaro da Silva (Salvador, p. 255), Avelar Brandão Vilela (Teresina, p. 262), Afonso M. Ungarelli (Pinheiros, p. 287- 290), Antônio C. de Aragão (Petrolina, p. 234) e outros.

Inegavelmente, porém, a visão de fundo é visceralmente clericalista. Ainda estamos longe de uma doutrina plena da Igreja como Povo de Deus, constituído de irmãos basicamente iguais em dignidade e responsabilidade de evangelização. Bispos há que não disfarçam a visão clericalista e “machista” da Igreja, como faz dom Carlos E. Sabóia Bandeira de Mello, bispo de Palmas (PR), ao escrever: “Talvez seja perigoso utilizar leigos,

providos de ordens menores ou até do diaconato, como ajudantes dos padres. Mas já que este parece ser o desejo da Igreja, delibere-se bem e com muito cuidado sobre esta matéria. Estabeleçam-se normas severíssimas, entre as quais a principal será esta: utilizem-se somente varões (e mulheres) que sejam efetivamente dotados de grande e extraordinária piedade, e ao mesmo tempo de humildade a toda prova, para que evitem quaisquer brigas com o povo e com o padre. Além disso, leiam só instruções escritas, não em forma de sermão. E primeiro passem por um curso” (p. 223 )230.

c) O problema da evangelização em uma perspectiva nova e em confronto com as religiões não cristãs e com os cristãos não católicos é tocado de leve por dom Avelar Brandão Vilela (p. 262) que pede que o Concílio estabeleça normas para a evangelização na Igreja segundo experiências recentíssimas, e que defina, com maior clareza, a posição da Igreja face às religiões não cristãs e face aos cristãos não católicos.

d) A preocupação ecumênica não é muito acentuada, mas está presente231.

Todavia, predomina absolutamente a perspectiva de “volta ao rebanho”, como transparece nestas palavras de dom Joaquim Domingues de Oliveira, arcebispo de Florianópolis (SC) (p. 175): “Queira Deus atender generosíssimamente os votos, a esperança e os copiosos trabalhos do Santíssimo Padre, de modo que, aqueles que (já) pertencem ao rebanho se firmem na fé e na verdadeira disciplina eclesiástica; os outros, que até agora permanecem fora, ainda que se gloriem do nome cristão, retornem com sinceridade à unidade, sob a autoridade e a caridade do bem-aventurado Padre, para que afinal, como quis Cristo, tenhamos um só rebanho sob um único Pastor universal”.

e) Aliás, em vez de enxergarem que o mal da Igreja durante séculos foi a uniformidade, e que o autêntico ecumenismo só pode caminhar pelas vias de um sadio pluralismo, não são raros os bispos que confundem uniformidade com unidade. Com base nisto, pleiteiam uniformidade no campo da doutrina, da liturgia, do Direito e da disciplina. Temos exemplo disto na postura do bispo de Taubaté (SP), dom Francisco B. do Amaral: “Haja um único (os sublinhados são dele) texto da doutrina cristã, isto é, um único catecismo, a ser elaborado e imposto por mandato especial da Sé Apostólica, escrito originalmente em

230Eloqüente também o modo de falar de dom Benedito Zorzi: nas localidades distantes da sede da

paróquia (50-300 km) haja um varão (se possível consagrado a Deus pelos três votos) que seja delegado pelo bispo e, na medida do possível, faça as vezes do pároco... Se não houver tal varão, pode ser uma freira (p. 163-164). Dom Afonso M. Ungarelli deseja que os “catequistas cooperadores”- proposta que apresenta com grande abundância de detalhes -, formados em curso de três anos para suprir a ausência de padres, “sejam totalmente alheios às coisas civis”... pois “na América Latina a religião é muito prejudicada toda vez que o pároco e seus cooperadores se metem nas coisas civis”. Especifica também que se deve dar preferência aos varões sobre as mulheres, quando se tratar de ministrar o batismo ou distribuir a comunhão (p. 290).

231Veja-se, entre outro - J.M. Pires (Araçuaí, p. 131), José Martenetz (auxiliar do Rio de Janeiro, pp.

latim, e cujas traduções individuais sejam diligenciadas pela própria Sé Apostólica. Pois nos parece que a unidade no ensinar contribui maximamente para a unidade da fé” (p. 261).

Tendências similares encontram-se, de uma forma ou de outra, em outros bispos, como Cesário A. Minali (Carolina, p. 272), Card. Jaime de Barros Câmara, arcebispo do Rio de Janeiro e presidente da CNBB, João B. Muniz (Barra do Rio Grande, p. 135- 136), José P. Costa (Caetité, p. 146-147), Antônio Barbosa (Campo Grande, p. 151 ss). O bispo de Montes Claros (MG), dom José Alves de Sã Trindade, tem uma proposta no mínimo bizarra - aliás, a única que faz em sua carta-resposta: “Sob a autoridade do Exmo. núncio apostólico, em cada nação seja constituído um visitador, que tenha a função de continuamente inspecionar o estado e as atividades do clero e do próprio povo com as dificuldades e possibilidades de cada diocese, e instruído de tal modo que forneça ao ordinário do lugar conselhos secretos para que todos em tudo estejam em concordância cada vez maior com a cátedra de Pedro” (p. 215)232.

f) Ainda no campo doutrinal, é desejo de alguns bispos deste terceiro grupo, que o Concílio trate da doutrina social da Igreja com base nos pronunciamentos dos últimos papas. Assim, entre outros, os bispos da província eclesiástica de Belo Horizonte (p. 14), dom Antônio Mendonça Monteiro (Bonfim, p. 141), José M. da Rocha (Bragança Paulista, p. 145) e José Martenetz (auxiliar do Rio de Janeiro, p. 335-336), o qual insiste em que a justiça social seja praticada primeiro dentro da Igreja”233.

A propósito das questões sociais (f), alarguei um pouco o enfoque de Baraúna, para chamar a atenção que o sofrimento e miséria do povo encontram eco constante nos vota dos bispos, mas chegam associados, quase sempre ao “perigo ou ameaça” comunista. Alguns deixam-se mover mais pela compaixão ou pela sede de justiça e vêem o comunismo como uma decorrência da insensibilidade dos ricos e da inércia do Estado em enfrentar as carências do povo e em responder às suas necessidades. Outros, porém, estão obcecados por um anti-comunismo que enxerga o inimigo por todo lado, mesmo nas denúncias das injustiças, no empenho social ou em opções políticas mais à esquerda.

Este tipo de anticomunismo visceral pode ser encontrado pelos menos nos vota do Arcebispo de Recife e no dos bispos de Campos e Jacarezinho.

232Cf. proposta igual - expressa em termos quase idênticos - do auxiliar dom Gabriel Bueno Couto, o

qual, além disso, deseja que haja um “preceito formal que obrigue todos os Ordinários de lugar de um mesmo território nacional a criarem uma estação radiofônica nacional católica, única para todo o território; idem quanto a um jornal diário católico” (p. 319).

D. Antônio de Almeida Morais Junior, então arcebispo do Recife, PE, denuncia a infiltração comunista no seu próprio clero:

“b) in dioecesibus et archidioesibus magna cum infiltratione communistica, in electionibus, sacerdotes plures legitimam non acceptant interpretationem Decreti Sanctae Sedis contra Communistas et eorum collaboratores, et aperte sunt contra determinationes episcopales, et sustinentes opiniones proprias, laborant pro hominibus Communismo legatis vel Communismum adiuvantibus;

c) Quidam sacerdotes, etiam post advertentiam Auctoritatis Ecclesiasticae, manent ligatione amicitiae cum elemenis Communistis et Socialistis;

d) Etiam Iesuitae quidam, Magistri nuncupatae Universitatis Catholica Recifensis, amant se appellari homines “a sinitra”. 234

Dom Moraes vivia a ascensão da esquerda em Pernambuco com a eleição de Miguel Arraes, que fora apoiado pelo PCB, outras forças de esquerda, mas também de

Benzer Belgeler