2.2. İlgili araştırmalar
2.2.1. Yurtiçinde gerçekleştirilmiş araştırmalar
Ao lado das virtudes, concedidas pela divindade ou adquiridas pelo homem, este pode igualmente receber dons que o auxiliem no seu caminhar em direção ao fim supremo. São dons do Espírito Santo, recebidos no sacramento do batismo: sabedoria, entendimento, ciência, conselho, fortaleza, piedade e temor de Deus.
Na ótica de uma análise do processo educativo-repressivo da religião, a sabedoria, a ciência e o temor de Deus constituem os que mais diretamente atuam na legitimação de
45 É o equilíbrio proposto por Aristóteles em Ética a Nicômaco, cuja tese principal é de que a virtude está no meio, o que a igreja batizou com a expressão virtus in medio.
72 uma ordem punitiva, justificando a presença: 1) da razão no indivíduo, de forma a lhe permitir o conhecimento do bem e do mal, e 2) do reconhecimento da autoridade divina, a quem o homem deve reverência.
A vida virtuosa é, para o crente, motivo de felicidade na terra. Seguir as leis de Deus é que nos faz feliz, sustenta Felipe Rinaldo Queirós de Aquino, engenheiro mecânico e autor de livros de formação católica, pregador em retiros e encontros religiosos. E ajunta:
Penso que o segredo está em viver conforme as leis do Criador. Ninguém é mais sábio e nos ama mais do que Deus. Logo, não há lei melhor que a de Deus para nos dar a verdadeira felicidade; isso é o óbvio. O homem é infeliz porque não vive segundo a lei do Criador. [...] A felicidade não está na conquista de muitas coisas, mas na conquista de si mesmo e na vivência das virtudes. A felicidade está escondida no bojo delas46.
Como se vê, para a teologia moral, o mundo é um lugar repleto de pecado e de tentações que podem levar o homem a pecar, isto é, a infringir a lei divina. O desejável é não pecar; mas o homem, ser imperfeito e fraco por conta do pecado original, que a ele se transmitirá perpetuamente, está fadado a sucumbir às tentações e assim se desviar do caminho que deve levá-lo ao fim supremo.
Deus oferece ao ser humano, através dos dons que lhe concede, a capacidade de distinguir o desejável do indesejável, bastando que este, através das virtudes que recebe da divindade e também daquelas que aprendeu a cultivar na vida com seus pares, faça a opção de preferir o caminho de Deus aos caminhos profanos.
De toda forma, o homem haverá de transgredir - uns mais, outros menos – a norma divina, diante do que deverá tratar de se fazer reconduzir ao caminho que leva ao fim supremo. Essa recondução se opera por meio de alguma ação capaz de redimir o homem de suas transgressões à norma divina. Tal ação, que nem sempre é do próprio homem – e nunca é só do próprio homem – se expressa num bem que se agrega ao indivíduo. A esse bem se dá o nome de graça. Do latim gratia, que tem, entre outros sentidos, o de reconhecimento, ou ato pelo qual se obtém reconhecimento, ou ainda serviço prestado,
46 Cf. jornal Diário da Região. S. José do Rio Preto, Revista Bem-Estar, p. 4-5, 14/out./2007. Esta transcrição foi feita com a intenção de mostrar como a pregação das virtudes católicas chega à população pelos jornais leigos da região e, portanto, uma demonstração do poder educativo-repressivo da religião, mesmo fora das paredes do templo.
benefício, obséquio, favor. Daí gratis = sem motivo, de graça (Faria, Dicionário, 4 ed., p. 434).
De conformidade com a teologia moral, a passagem de Jesus Cristo na terra e sua morte na cruz configuram uma ação que, redimindo a humanidade caída por conta do pecado original, lhe restitui o primitivo estado de amizade com Deus. Essa possibilidade de salvação, retomada pelo homem por intermédio da vida, morte e dos méritos de Jesus Cristo, é uma graça; ou melhor, é a graça, de maneira genérica. A graça, de tal sorte, é única. Nada obstante, sua teorização a subdivide em graça santificante, graça atual e graça sacramental.
A graça santificante é considerada uma qualidade sobrenatural, própria da alma, que faz o homem participar da natureza divina. Trata-se de uma união com Deus, na qual o indivíduo se aproxima dele a ponto de vê-lo face a face, iluminados por uma luz especial. Resulta na supressão dos pecados, infusão das virtudes e dos dons, e na herança celeste, dentre outros efeitos. A graça atual é aquela obtida pelo homem através da oração e que o auxilia na sua compreensão e na tomada de decisões. É um auxílio transitório dado por Deus para clarear a inteligência e dar força ao indivíduo para se colocar no caminho do fim supremo. A graça sacramental é aquela obtida por intermédio dos sacramentos. Estes produzem a graça santificante, ou a aumentam, e algumas graças atuais, próprias para o desempenho da missão relacionada com o respectivo sacramento, desde que recebido válida e licitamente.
Então se vê que a graça, capaz de reconduzir o homem à comunhão com a divindade e de lhe devolver o paraíso perdido, se deve aos méritos de Jesus Cristo. Este, segundo a tradição católica, pregou sua doutrina e morreu injustamente na cruz para pagar e apagar os pecados da humanidade. A morte na cruz – e morte injusta – fecha o círculo da dinâmica da educação repressora religiosa: foi preciso um castigo, paradoxalmente assumido por alguém destituído de pecado, para criar em prol da humanidade o benefício da graça. O sofrimento de um humano, que carrega nos ombros todo o mal praticado pelos homens, é o instrumento adequado para repor as coisas em seu estado anterior, pela devolução da possibilidade de suas vidas em amizade com Deus através da graça.
74 A Igreja Católica se vê no papel de herdeira e transmissora da graça e da mensagem de Cristo, que, depois da ressurreição e antes de partir de volta para o Pai, diz aos seus discípulos, em Mateus, 28, 18-20:
Toda autoridade sobre o Céu e sobre a terra me foi entregue. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.