1. Kuramsal Çerçeve
1.1. Demografik Dönüşüm Kuramı
2.1.3. Yurt Dışından Türkiye’ye Göçmen Nüfus Getirme Politikaları
A expansão de Guedes Pereira ainda estava pouco edificada quando entre os anos de 1923 e 1930 a cidade ganhou uma nova grande expansão planejada: um plano de arruamento que dividia em quadras a propriedade Veado–Sobradinho.
Esse plano, que não aparece na planta da cidade de 1923, está registrado na planta de 1930, organizada pelo engenheiro Alfredo Cihar para a prefeitura da capital paraibana.
Com cerca de 170 hectares, a propriedade Veado–Sobradinho situava-se a nordeste da expansão de Guedes Pereira, a uns 600 metros dela. Ela limitava-se ao sul com a antiga estrada de Tambaú e a oeste com estrada do Boi-só. Atravessava-a longitu- dinalmente, perto do seu limite sul, a nova estrada de Tambaú, larga, retilínea e iniciada em 1918, que se transformaria na atual Avenida Epitácio Pessoa.
A gleba se estendia por quase 2.200 metros do oeste para o leste e uns 1.100 metros do sul para o norte, e na sua topografia – cujas alturas variavam, na sua maioria, entre 35 e 45 metros – predominavam declividades muito baixas, mas numa porção oriental da propriedade o terreno inclinava-se de forma significativa, caído em direção ao talvegue onde se iniciava um pequeno curso de água, o rio Mandacaru.
A planta que constitui a Fig. 49 mostra a localização da gleba. Note-se que nela aparece, justaposta ao limite leste da expansão de Guedes Pereira, uma ampliação planejada de porte médio, que esta autora circundou com um perímetro verde e que igualmente surgiu entre 1923 e 1930.
Segundo depoimento do arquiteto Mario di Lascio à arquiteta Anne Stephannie de Lima (2011), a gleba Veado–Sobradinho pertencia ao engenheiro paulista Alberto de San Juan, que entre 1910 e 1933 foi um dos donos da empresa que fornecia energia elétrica à cidade, a ETLF – Empresa Tracção, Luz e Força (NOGUEIRA, 2005). Essa informação era verídica em 1955, de acordo com um documento do Exército (1º GPT E, 2009). Não foram encontradas informações atestando que San Juan já possuía a gleba quando ela foi arruada, mas é provável que sim, porque ela ficava próxima da usina elétrica da ETLF e continha uma mata de onde podia ser retirada a lenha
necessária à operação das caldeiras da usina. Portanto, é razoável deduzir que foi esse engenheiro o responsável pela criação do arruamento Veado–Sobradinho.
Figura 49: Localização da Propriedade Veado–Sobradinho (área envolvida pelo perímetro
vermelho), em versão modificada da planta da cidade em 1930 elaborada por Alberto Sousa .
Fonte: Sousa & Vidal, 2010.
O projeto deste não está arquivado na Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), mas seu traçado ficou registrado num documento deste órgão, a planta oficial da cidade de 1930 (Fig. 50). Observe-se que nesta, seu autor, Alfredo Cihar, estendeu o arruamento da gleba na direção leste, levando-o até a projetada Avenida Índio Piragibe – hoje denominada Avenida Ruy Carneiro –, que iria substituir um trecho da antiga estrada de Tambaú. Na Fig. 50, os limites da gleba foram ressaltados por um perímetro amarelo, acrescentada à planta por esta autora.
O que terá levado o dono da propriedade Veado–Sobradinho a arruar a totalidade dela muitos anos antes de subdividi-la parcialmente em lotes urbanos a serem colocados à venda? Não se tem ainda resposta para esta pergunta. Terá ele pensando em primeiramente colocar à venda quadras inteiras? Ou terá ele, desejoso de influir no crescimento da cidade, pretendido assegurar um traçado regular ao tecido urbano que fatalmente se implantaria num futuro próximo na sua gleba?
O traçado que ele deu ao arruamento era uma quadrícula ortogonal uniforme, cujo módulo básico era uma quadra retangular medindo 100 metros por 195 metros. Só não seguiam esse padrão as quadras contíguas aos limites irregulares da gleba.
Figura 50: Arruamento da propriedade Veado–Sobradinho na planta da cidade de 1930. Fonte: IHGP
Tendo em vista a simplicidade desse traçado, ele deve ter sido concebido pelo próprio engenheiro San Juan, caso tenha sido este o responsável pela criação do arruamento. O traçado aparece com mais nitidez na versão da planta de Cihar que foi elaborada por Alberto Sousa e publicada em Sousa & Vidal (2010), um trecho da qual é mostrado na Fig. 51.
Figura 51: Arruamento da propriedade Veado–Sobradinho e prolongamento dele, na versão
O eixo estruturador do traçado foi a Avenida Epitácio Pessoa, que segue uma direção bem próxima da leste-oeste. As vias do arruamento, todas com 15 metros de largura, eram paralelas ou perpendiculares a ela.
Ressalte-se que quando da criação do arruamento não foram loteadas as quadras por ele geradas. Só em 1938 é que parte delas (cerca da metade delas) foi subdividida em lotes urbanos.
O traçado adotado deixou as quadras na orientação mais conveniente, pois elas ficaram com os lados maiores voltados para o norte e para o sul, o que é mais favorável em termos da insolação e da ventilação. Porém, ele deu a elas o incon- veniente de terem uma largura excessiva para lotes residenciais comuns, o que acarretaria no futuro o remanejamento de muitas delas. Ele apresentava também o defeito de não se adequar ao relevo enladeirado existente na porção oriental da gleba. Ademais ele tinha os conhecidos pontos negativos que caracterizam as quadrículas ortogonais do tipo damero: a monotonia do traçado e os excessivos cruzamentos de vias, indutores de acidentes de trânsito.
Por outro lado, a expansão integrou-se de forma satisfatória com o tecido urbano existente, por não estar justaposto a ele e por ser quadriculada com o eram as partes desse tecido situadas nas proximidades dela.
O arruamento Veado–Sobradinho foi a primeira quadrícula ortogonal uniforme da capital paraibana, o que faz dele um marco na história urbanística local. Ele seguia um modelo de traçado usado no Brasil desde os anos 1890, utilizado, por exemplo, nos loteamentos Villa Ipanema e Villa Gomes Jardim – modelo esse que Sitte condenara com tanta veemência. Observe-se, aliás, que as quadras dele eram quase iguais às da Villa Ipanema, em termos de área, forma e dimensões dos lados.
Em 1938 – época em que já haviam sido edificados muitos dos terrenos situados na expansão de Guedes Pereira – foram loteadas as quadras situadas a menos de 300 metros da Avenida Epitácio Pessoa (Fig. 52). Cada quadra-padrão foi subdividida em 40 lotes estreitos e profundos. Foram loteadas 24 quadras-padrão e 11 quadras não retangulares. A área loteada, incluindo as ruas, totalizava cerca de 83 hectares e nenhuma porção dela foi destinada à implantação de uma praça.
Na planta oficial da cidade de 1953 (Fig. 44), o arruamento em questão e seu prolongamento proposto por Cihar, estão desenhados tal como eles aparecem na planta que esse engenheiro organizara 23 anos antes. Porém, nos anos subsequentes ambos seriam objeto de importantes modificações.
O prolongamento proposto por Cihar não se materializou, porque os proprietários das glebas onde ele seria implantado optaram por não segui-lo quando foram loteá-las, preferindo substituí-lo por traçados com outras configurações.
Figura 52: Projeto do loteamento Veado–Sobradinho (1938). Fonte: Arquivo da PMJP.
O arruamento Veado–Sobradinho começou a ser modificado em 1957, quando o Exér- cito brasileiro comprou algumas quadras – que seriam aglutinadas– para nelas instalar o quartel do 1º Grupamento de Engenharia. Pouco depois, duas das quadras loteadas e vendidas foram divididas em quarteirões menores por seus proprietários. Na segunda metade dos anos 1960 os herdeiros de Alberto de San Juan deram igual destino às quadras que não haviam sido loteadas (Fig. 53). Em consequência dessas subdivisões, só doze das quadras-padrão originais, medindo 100 por 195 metros, sobreviveram até os dias atuais. Boa parte das demais deu lugar a quarteirões retangulares de 60 por 100 metros, fracionados em lotes com 30 metros de profun- didade, mais adequados aos padrões do mercado imobiliário local.
Figura 53: Projeto do loteamento San Juan (segunda metade dos anos 1960), que
O arruamento Veado–Sobradinho deu origem a dois dos bons bairros da cidade: o dos Estados e o Pedro Gondim. Observe-se que sua porção localizada ao sul da Avenida Epitácio Pessoa foi incorporada a três diferentes bairros: Torre, Expedicionários e Tambauzinho.