2.9. Konu ile ilgili araştırmalar
2.9.2. Yurt Dışında Yapılan Araştırmalar
A importância do positivismo, bem como das teses apresentadas e defendidas por esta corrente de pensamento na sociedade moderna, dá-se mediante sua defesa das ciências enquanto um método de investigação. Um novo paradigma sobre as ciências é lançado. A.Comte é talvez o expoente maior do positivismo em sua fase inicial ainda no século XIX. Comte parece ter cimentado uma base do pensamento positivista e muitos intelectuais vão partir de suas teses na elaboração de conceitos e teorias sobre a vida em sociedade, as regras sociais, os contratos sociais estabelecidos e o papel do Estado moderno.
Para o positivismo, o comportamento criminal é uma resposta evidente a deficiências psíquicas e a uma distribuição desigual de renda. Parte das mudanças que ocorrem em quase todo o século XX derivam dessa premissa.
Em resposta aos argumentos mencionados acima, o Estado adota novas medidas de combate às desigualdades sociais, através de políticas de seguridade social, visando àqueles de menor poder aquisitivo. Busca contrapor, assim, a perspectiva criminológica positivista que defendia a ideia de um determinismo seja este de natureza biológica, psicológica, social definindo essas condições como inalteradas e que desta forma os indivíduos que se encontrariam nestas condições viriam se tornar criminosos em potencial, como sugere a vertente. O positivismo como criminologia não questionou as
causas da criminalização, quem eram os criminosos, como as condutas foram tipificadas como crimes e de que forma ocorria a atuação do sistema penal.
Lombroso, o principal representante da escola positivista italiana, concebe o criminoso como aquele que possui características físicas próprias como tamanho do maxilar, crânio, dedos, dentre outros, e características genéticas inatas. Tem assim que o criminoso é um doente e deve ser isolado do meio social. A teoria de Lombroso sofre críticas dentro do próprio núcleo do positivismo nos anos 60 do século XX.
Dentre as várias explicações temos que pontuar as contribuições de Durkheim, principalmente aquelas apresentadas em sua obra “ Da Divisão do Trabalho Social” [1930], (2004). Durkheim, membro da escola positivista francesa, postulava sobre os efeitos do meio ambiente sobre o indivíduo. Ele, em estudos sobre a natureza do fato social e as leis da evolução da sociedade, apresenta seus argumentos sobre o crime, a pena e o direito. O crime, em seu entender, corresponderia ao rompimento de laços que vinculavam indivíduos de um mesmo grupo. Para restabelecer esse vínculo há que se colocar normas que, por sua vez, têm por função as reprimendas.
Segundo Durkheim (2004), a única característica comum a todos os crimes é que eles são reprovados por cada sociedade. Considera que algumas atitudes se apresentam de forma mais negativa do que outras causando, assim, maior comoção na sociedade. Isso vai ocorrer porque certos atos delituosos não derivam em sua totalidade dos sentimentos coletivos. A esses são atribuídos outra causa. Fica explícito que o autor busca apontar a necessidade da norma jurídica enquanto um balizador da moral, pois ele acredita que o indivíduo necessita dessa norma. Nessa direção, ele procura definir o que constitui o crime. A argumentação do autor está centrada na ação que levou ao rompimento com uma regra que é obrigatória, nem sempre escrita, mas definida por um grupo e que deve ser seguida por todos. Para Durkheim, as regras morais nem sempre são claras, e por isso seriam necessárias as regras penais, pois essas são precisas e nítidas. Para ele, “um ato é
criminoso quando ofende os estados fortes e definidos da consciência coletiva.”(p.51).
Essa consciência coletiva ou comum está expressa no conjunto das crenças e sentimentos comuns de uma sociedade. Ela é realizada nos indivíduos, mas diferente da consciência particular de cada um. Nessa mesma linha de argumentação, Durkheim defende que: Não se deve dizer que um ato ofenda a consciência comum por ser criminoso, mas que é criminoso porque ofende a consciência comum. Não o reprovamos por ser um crime, mas é um crime porque o reprovamos. (p.52)
O reprovar um ato significa que se faz necessário estabelecer sanções sobre ele para que, assim, a consciência comum seja protegida. Nessa direção, argumenta o autor sobre a ação do Estado, como a seguir:
A amplitude que o órgão governamental exerce sobre o número e sobre a qualificação dos atos criminosos depende da força que ele contém. Esta, por sua vez, pode ser medida seja pela extensão da autoridade que exerce sobre os cidadãos, seja pelo grau de gravidade reconhecido aos crimes dirigidos contra ele. (DURKHEIM, 2004, p.56)
Durkheim, diferente de Lombroso, que tem o criminoso como um doente, defende que o indivíduo está propenso ao crime, mas que no entanto só o praticaria por influência do meio. A sociedade vive e age em nós e é essa ação que regula os indivíduos. A consciência individual nada mais é do que parte da consciência coletiva que deve ser a mesma para cada indivíduo, e para todo o grupo. A atuação das duas consciências é que vai resguardar o cumprimento das normas de conduta proibindo atos que vão ferir o coletivo.
No que tange às análises sobre o “desvio”, podemos detectar nas produções sobre o tema três vertentes teóricas que procuraram explicar as suas causas, sendo que a primeira está assentada no “funcionalismo”, a segunda na “anomia” e a terceira no “culturalismo”. Embora todas tenham aspectos similares em suas explicações, elas apresentam particularidades entre si.
As críticas às três vertentes fundamentam-se no fato delas tratarem o “desvio” de maneira determinista, de não relativizar a questão diante de outros fatos, como também não considerar suas particularidades.
A criminologia crítica, fundada na sociologia, sofre influências do interacionismo simbólico da Escola de Chicago. Essa corrente postulava que o crime e o desvio são construídos socialmente. Ela questionava o rótulo aferido a determinados grupos e indivíduos, bem como os efeitos do que denominavam como “etiquetas”. Para os defensores dessa corrente, que tem Garfinkel principal teórico, os indivíduos interagem com as normas ajustando-as, interpretando-as e modificando-as. Símbolos são construídos e produzidos por processos de interpretação. A criminologia crítica tem como pontos centrais de suas argumentações a conduta desviante e a reação social, categorias que vão permear todo o debate sobre o crime e o indivíduo sentenciado.
Novos atores surgem nesse cenário, construído pela modernidade, na busca de produzir um discurso convincente voltado para a sociedade, para assim minimizar o medo e a insegurança. Esse discurso, tanto sobre quem é o criminoso quanto como forma de
tranquilizar a sociedade, tem uma centralidade no indivíduo, seja ele criminoso ou não. A pena transmitiria uma resposta à sociedade, inibiria os desatentos às normas e regras sociais e traria a todos uma imagem positiva de um Estado que, por meio de suas instituições, está atento e atuante naquilo que lhe cabe: vigiar e punir os sujeitos que vão perturbar a ordem pública e colocar em risco a segurança individual e coletiva e o patrimônio.