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BÖLÜM 2: İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.1. Yurt Dışında Yapılan Araştırmalar

A pertinência de um estudo comparativo entre campos de expressão distintos se revela enquanto possibilidade aproximativa de linguagens. Introduzir nos estudos da literatura a comparação com outros campos do conhecimento é, de fato, buscar a compreensão dos seus significados de forma mais completa.

Numa concepção ampla, Remak (1994, p. 175) admite ser a literatura comparada o estudo de uma ”literatura com outra ou outras e a comparação da literatura com outras esferas da expressão humana.” Essa é uma maneira de não se condenar os estudos feitos em literatura à fragmentação e ao isolamento.

Soam como um desafio as palavras de Remak (1994, p. 187); ele explicita que os especialistas em literatura “deveriam entender e guiar-se pela obrigação de ampliar suas perspectivas e deveriam ser encorajados a empreender, de vez em quando, excursões em outras literaturas ou esferas relacionada à literatura”. A idéia motiva as análises que se voltam às relações entre a poesia e a pintura, pois é inegável que um texto, além de trazer marcas da história e dos aspectos culturais de um povo, também pode estar relacionado com outros textos, sejam eles verbais ou não-verbais.

Contudo, é bom estar alerta para que não se cometa o erro de achar que a analogia entre as artes seja coisa simples. Isso seria ingenuidade, porque esse confronto não admite uma indução demasiado rápida.

Na concepção de Souriau (1983, p. 24), “As diferentes artes são como línguas diferentes, entre as quais a imitação exige a tradução, o pensar num material expressivo totalmente diferente, a invenção de efeitos artísticos paralelos de preferência aos literalmente semelhantes.” Apesar de a arte verbal e a pictórica terem sistemas autônomos de linguagem, capazes de recriar a realidade com imagens visuais, é possível um estudo comparativo entre essas duas manifestações, pois

ambas se exprimem por meio de símbolos e, portanto, dependem da capacidade de abstração do homem para serem compreendidas em suas representações.

Aristóteles defendia a idéia de imitação na arte e incluía, entre as artes miméticas, outras formas de expressão como a dança e a música; porém, em diversos pontos de sua Poética, estabeleceu correspondências apenas entre a poesia e a pintura.

Muhana (2002, p. 16), apoiando-se na perspectiva aristotélica, salienta que “Sendo imitações como gênero, diferem em espécie apenas pelo material com que operam: a poesia com o ritmo, a linguagem e a harmonia; a pintura, com cores e figuras.” Visto dessa forma, o elemento diferenciador entre tais artes está no meio utilizado para a imitação.

A visão de Souriau (1983, p. 59) pode ser complementar à anterior, para ele “há para toda obra de arte um estatuto existencial, que é o dos fenômenos e, especialmente, da aparência que tem para os sentidos. Não existe pintura invisível nem estátuas impalpáveis, nem músicas jamais ouvidas ou poemas inefáveis.” Daí dizer que o pintor pensa plasticamente, ao passo que o poeta tem, nas palavras, seu material expressivo.

Na passagem, Lessing (1998, p. 10) explicita a pertinência desse tipo de comparação, por considerar que

(...) toda identidade só se constitui através do diálogo com o Outro. É fácil compreender a articulação entre os diversos níveis de competição que coabitam nessa modernidade: competição entre a Modernidade e a Antigüidade, entre as nações, entre as línguas e entre as artes. Todas se articulam a partir da noção de mimesis. Pois quem diz mimesis diz tradução e diz ut pictura poesis (poesia é como pintura), pois a imitação (das imagens) do mundo só existe através da sua tradução, da sua recodificação, quer ela se dê via palavras, quer ela se dê via novas imagens.

Trata-se de uma equação entre a linguagem verbal e a pictórica, pois elas permitem que se perceba a mesma natureza na arte de representar. O fundamento teórico para aproximar poesia e pintura baseia-se na concepção mimética da criação artística.

Em outros pontos de sua obra, Lessing estabelece as diferenças entre essas artes, contrariando a tradição e conferindo uma identidade própria a cada uma delas, especialmente ao considerar os meios de que dispõem para alcançar o efeito desejado sobre seu receptor.

Sobre os diferentes materiais expressivos da arte, Paz (1982, p. 22) explica:

As diferenças entre palavra, som e cor fizeram duvidar da unidade essencial das artes. O poema é feito de palavras, seres equívocos que, se são cor e som, também são significado; o quadro e a sonata são compostos de elementos mais simples – formas, notas e cores que em si nada significam. As artes plásticas e sonoras partem da não-significação; o poema, organismo anfíbio, parte da palavra, ser significante.

Os arranjos dos elementos da comunicação verbal, compostos pelo som, pelas palavras e suas posições, pela medida das sílabas e pelas figuras, são fundamentais para moldar o texto e garantir seu valor poético e sugestivo, produzindo as imagens que, para Iser (1999, p. 62), “são referências múltiplas evocadas pelos signos textuais”.

Na arte pictórica, elementos como cor, forma, linhas, textura, dimensão, contrastes, proporção, luz, sombra, volume, movimento, posicionamento em relação à moldura, são apropriados na composição da imagem. E, por maiores que sejam as diferenças entre a linguagem oral e a pictórica, isso não implica deixarem de ser sistemas com poder significativo e expressivo.

Pintores, músicos, arquitetos, escultores e outros artistas não usam como materiais de composição elementos radicalmente distintos dos que emprega o poeta. São linguagens são diferentes, mas são linguagens. (PAZ, 1982, p. 23-4)

Mesmo sabendo que para Paz (1982, p. 27) “Ser um grande pintor

quer dizer ser um grande poeta: alguém que transcende os limites de sua linguagem”, na observação dos campos artísticos é prudente não generalizar;

responda à indagação: qual a relação entre a composição de um quadro e a de um poema?

Para explicar essa relação, a análise com foco nos elementos físicos dos textos, buscará descobrir na união de sílabas, palavras, ritmos, cores, dessas formas singularmente compostas, uma unidade de sentido, com atenção especial aos elementos intertextuais.

Benzer Belgeler