1.7. Denetim Odağı İle İlgili Yapılan Çalışmalar
1.7.1. Yurdumuzda Yapılan Çalışmalar
Toda a base teórica construída neste trabalho ambicionava elevar uma crença ao patamar de conhecimento científico. Tamanho intento consistia em dar clareza à ideia, fundamentá-la em argumentos consistentes, ampliá-la em suas possibilidades e, então, corroborá-la dentro da própria realidade.
O conjunto teórico elaborado atingiu todos os pontos que dele se esperava, exceto um, o de “corroborá-la dentro da realidade”. Essa ação estava além das características de um simples trabalho conceitual, exigindo, assim, uma etapa complementar, em que as ideias fossem retiradas de seu habitat natural, o cotidiano. Sendo esse um trabalho de Filosofia ou de qualquer uma das ciências sociais, sua primeira etapa talvez lhe fosse meritoriamente suficiente, contudo, é um trabalho interdisciplinar e há outras áreas do saber com quem almeja dialogar; para que ter sua atenção, é necessário ater-se aos seus métodos, é preciso dar-lhes sinais que reconheçam, é preciso ofertar-lhes a linguagem da experiência.
Inúmeros métodos ofertariam as informações desejadas, porém, era preciso escolher um que estivesse em consonância com todo o amparo conceitual, que respeitasse as características de uma pesquisa que unisse interdisciplinaridade e teoria bioecologica e que valorizasse suas congruências: a primeira reconhece o constituído, almejando sempre o inédito, o que amplia o saber; a segunda segue rompendo os limites da pura corroboração de hipóteses ao se atentar ao inesperado, ao conhecimento que se situa além das expectativas do pesquisador, seguindo, ambas, ao novo. Uma se faz pela relação entre saberes, assim como a outra se elabora pelo conhecimento da relação entre diversos os sistemas e a pessoa.
As duas se valem da subjetividade. Para a primeira, a visão particular do professor, cheia de angústias e conquistas é o ponto de partida para a construção de novos saberes; para a segunda, é mais importante o modo como as coisas são percebidas em detrimento ao que elas possam ser de fato. Em ambos os casos, a visão particular conduz à mudança, solicita a transformação.
Sob todos esses aspectos, a escolha pelo método recaiu sobre a Inserção Ecológica (CECONELLO; KOLLER, 2003 – PRATI; COUTO; MOURA; POLETTO;
KOLLER, 2008 – POLETTO; KOLLER, 2008). Essa opção esclarece ao mesmo tempo em que se clarificam o problema e o objetivo que compõem a pesquisa.
5.1 PROBLEMA
O “mestrado em Desenvolvimento Humano: Formação, Políticas e Práticas Sociais”, dentro do qual essa pesquisa se encontra e participa, carrega em suas bases dois importantes conceitos: interdisciplinaridade e desenvolvimento humano. Ambos foram acolhidos e tornaram-se diretamente o alicerce e o motivo deste trabalho.
Quanto mais se debruçava sobre tais ideias e se dispunha a entendê-las, mais se reforçava a hipótese de que havia uma relação entre ambas, de que a interdisciplinaridade, vivida cotidianamente pelo docente, na forma concreta de atitudes interdisciplinares, poderia auxiliar e promover o desenvolvimento, tanto do professor – foco desta pesquisa – quanto dos que estão com ele.
A crença nessa ideia transformou-se, então, em hipótese e foi o problema dessa pesquisa: investigar se havia e como se davam as manifestações da atitude interdisciplinar na prática docente e como tais proporcionavam (ou não) o desenvolvimento humano no contexto do Ensino Médio.
Há uma explicação plausível pela escolha da etapa última da educação básica. Um trabalho cujo foco está na prática docente poderia envolver a todos os que desempenham a função de professor. Porém, uma maior atenção, uma preocupação em investigar cada detalhe que possa manifestar a atitude interdisciplinar e suas positivas consequências exige recortes típicos de uma pesquisa de mestrado (dada a impossibilidade de se atender a todas as possibilidades em um único trabalho); por isso, o contexto particular em que habita a pesquisa é o Ensino Médio.
Quando esses pormenores se tornaram evidentes, foi preciso ainda mais uma lapidação, que consistia em transformar o problema em objetivo de pesquisa e, com isso, evidenciar aquilo que tanto se procura. Essa etapa, aparentemente tão simples, mostrou-se demasiada importante, pois, como diriam à Alice no país das maravilhas: se você não sabe para onde quer ir, então, qualquer caminho serve (CARROLL, 1998). Sendo assim, somente após a elaboração do objetivo, cada nova etapa, cada
instrumento de pesquisa foi se impondo como um passo após outro para se chegar ao destino desejado.
5.2 OBJETIVOS
5.2.1 Objetivo Geral
Investigar as manifestações da atitude interdisciplinar na prática docente e suas relações com o desenvolvimento humano no contexto do Ensino Médio de uma escola pública.
5.2.2 Objetivos Específicos
Identificar no exercício da docência a presença dos princípios necessários à atitude interdisciplinar e seu processo de desenvolvimento;
Conhecer e analisar o significado de atitude interdisciplinar no espaço do trabalho para os docentes e para a escola;
Discutir a questão da atitude interdisciplinar na prática docente e suas relações com o desenvolvimento humano-no-contexto;
Contribuir com o contexto escolar na (re) construção dos valores humanos essenciais à sociedade contemporânea.
5.3 RELEVÂNCIA DO ESTUDO
A relevância deste estudo é obtida nos próprios conceitos que o sustentam: interdisciplinaridade e desenvolvimento humano. Um trabalho isolado sobre cada um deles já seria um trabalho importante, capaz de contribuir para a ampliação e o esclarecimento de ambos.
Ao limitar a pesquisa à questão da interdisciplinaridade, ela seria, ainda assim, relevante, porque, sendo a interdisciplinaridade um conceito em construção, ela foge a qualquer ideia cristalizada e se abre às novas perspectivas, às inéditas definições, que nascem da visão única de cada pesquisador que seriamente se debruça sobre o assunto. Essa contribuição é natural à própria ideia de interdisciplinaridade, é quase algo “necessário” (que acontece mesmo sem a vontade/liberdade) e cuja ausência condenará o conceito à incompletude.
Assim, por exemplo, uma simples revisão de literatura torna-se algo original, pois, nas palavras que ligam cada conceito, nas interpretações e nas explicações que o pesquisador faz das ideias adotadas, torna-se impossível oferecê-las de forma igual, pois ele já tomou posse dessas ideias e as alterou, ampliando-as a partir de sua vivência e de sua realidade; dotando-as, com isso, de uma verdade insubstituível, por isso relevante.
Por outro lado, tratar apenas do desenvolvimento humano também seria significativa a pesquisa. Cada pessoa é um ser inapreensível, ou seja, há sempre algo no homem que nos escapa, que está além de qualquer pesquisa, e, mesmo aquela que atingiu altos índices de saturação, encontra sua exceção, encontra aquele que foge à regra.
É exatamente essa grandeza da pessoa, essa impossibilidade de se esgotar seus mistérios em uma única pesquisa que faz dos trabalhos sobre a pessoa e sobre o desenvolvimento artigos precípuos. Cada um desses apresenta um aspecto, aponta uma manifestação da pessoa, e, ainda que se juntassem todos os trabalhos elaborados e os costurassem num todo conceitual, ainda assim, faltaria algo, pois, no mínimo, o homem de quem se fala já é outro ao final das pesquisas, o que impõe sempre uma nova reflexão sobre ela.
Se, com tudo isso, tais justificativas não forem suficientes, pode-se dizer também que este tema é relevante ao buscar valorizar a prática docente guiada pela atitude interdisciplinar, possivelmente favorecendo o processo de desenvolvimento humano. Mais do que isso, concomitantemente ao tempo da pesquisa, vai o pesquisador iniciar, incentivar e fortalecer as atitudes interdisciplinares dentro do ambiente da pesquisa. Sua valia, então, justifica-se ao tornar o pesquisador um mobilizador dessa troca de conhecimentos e experiências e, ao valorizá-la no contexto escolar, pode possibilitar as primeiras mudanças rumo a uma efetiva atitude interdisciplinar e ao favorecimento do desenvolvimento humano.