BÖLÜM 2.TEMEL TANIMLAR
2.5. Yapay Sinir Ağları
2.5.2. YSA‟nın eğitimi ve testi
Logo que surgiu a figura jurídica dos Consórcios de Produtores Rurais, por volta do ano de 1999, muitos autores começaram a especular as implicações desta modalidade de contratação sobre as relações de trabalho na colheita de laranja. Esses autores escreveram seus textos com base em expectativas positivas ou negativas do surgimento deste novo instrumento legal.
Lopes (2001) Mazur (2003) e Fonseca (2000), por exemplo, acreditavam que a nova modalidade de contratação traria segurança jurídica aos trabalhadores, uma vez que a figura do terceiro seria eliminada e não haveria mais a intermediação da mão-de-obra pelos “gatos”. Dessa forma, os trabalhadores teriam como identificar perfeitamente os seus verdadeiros empregadores, o que afastaria a possibilidade de reclamações trabalhistas.
Ainda de acordo com os autores, a contratação realizada através dos consórcios traria também garantia legal aos trabalhadores do recebimento dos direitos trabalhistas, já que com a formalização do contrato de trabalho esses teriam garantido todos os direitos trabalhistas tais como piso salarial, férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, FGTS, respeito à Convenção e/ou Acordo Coletivo de Trabalho e garantia de direitos previdenciários. Com o registro em carteira de trabalho, haveria a redução da informalidade comum ao trabalho rural marcado pela sazonalidade e pelo curto período de tempo que a mão- de-obra é ocupada.
Já Alves e Almeida (2000) acreditavam que a contratação por meio de consórcios de produtores poderia proporcionar a indeterminação do prazo contratual, garantindo aos trabalhadores um maior tempo em atividade. Isso aconteceria à medida que os trabalhadores fossem aproveitados para um conjunto de outras atividades agrícolas e não agrícolas a serem realizadas nos períodos fora da colheita, como consertos de cercas e instalações, tratos culturais, plantio etc.
Schiavi (2004) também compartilhava desta opinião ao dizer que o consórcio de produtores parecia ser uma fonte efetiva de fixação do trabalhador em uma atividade, garantindo continuidade do contrato de trabalho. Assim, os trabalhadores não ficariam mais na dependência das falsas cooperativas que assolavam o trabalho rural com sucessivos contratos de safra.
Além desses autores, muitos juristas consideravam que uma das vantagens da contratação feita através de consórcios de produtores rurais seria a indeterminação do prazo
de contratação, uma vez que o objetivo do consórcio é prestigiar a continuidade do contrato de trabalho e ser uma fonte fixa de renda para o trabalhador.
Outra vantagem da formação dos consórcios é a possibilidade de fixação de residência dos trabalhadores em determinada localidade. Mazur (2003) acreditava que a contratação pelos consórcios inibiria a imigração do trabalhador rural para outras cidades à procura de trabalho. O trabalhador teria a possibilidade de manter a família próxima ao local de atividade porque essa forma de contratação possibilitaria a predeterminação dos locais de trabalho, uma vez que o trabalhador ficaria restrito às propriedades dos produtores consorciados.
Mazur (2003) também acreditava que com a união dos produtores em consórcios haveria uma maior facilidade de negociação e de formalização de acordo coletivo de trabalho junto às entidades sindicais da categoria.
Alves e Almeida (2000), por sua vez, visualizaram outra possibilidade com a união dos produtores em consórcios, que é a formação de pools de venda. Com a formação de
pools de venda, os produtores passariam a vender as frutas em conjunto, o que levaria à
ampliação do poder de barganha com as indústrias.
A expectativa criada com o surgimento dos consórcios foi tão grande que alguns autores cogitaram a hipótese dos consórcios terem suas atividades expandidas para o meio urbano, já que essa poderia ser utilizada nos casos de descontinuidade na prestação de serviço como um meio de regularizar as relações de trabalho e fomentar a atividade econômica (DELGADO, 2002; CALVET, 2002 ; SCHIAVI, 2004).
No que diz respeito às desvantagens, poucos são os trabalhos que especulam algum tipo de desvantagem nesta forma de contratação. Nascimento (2004) diz que poderiam ocorrer problemas jurídicos, uma vez que há possibilidade de fraude na formação dos consórcios. O consórcio poderia ser utilizado como “simples fachada” e ser formado por tomadores sem patrimônio para se furtar do cumprimento das obrigações trabalhistas. O autor também levanta a possibilidade da realização de inúmeros contratos por prazo determinado, sendo cada contrato registrado em face de um “tomador” diferente componente do consórcio.
Freitas & Gonçalo (2001) e Schiavi (2004) levantam a questão da possibilidade de os consórcios ameaçarem a redução de empregos no campo ao propor uma maximização do aproveitamento da mão-de-obra com a manutenção do vínculo empregatício por um maior tempo. Já Almeida (2002) diz que é possível a redução na mão-de-obra empregada devido a uma maior racionalização dos processos e a criação de um monopólio do emprego, já que um único consórcio em uma região ficaria responsável pela contratação de uma soma
considerável de trabalhadores, o que lhe permitiria praticar reduções salariais e superexplorar a mão-de-obra.
Os trabalhos que se propuseram a verificar “in loco” a atuação dos Consórcios de Produtores Rurais no CAI citrícola paulista são o de Almeida; Paulillo e Ferrante (2006) e de Almeida et al (2007). Em ambos os trabalhos, os autores concluem que os consórcios são novas práticas que rompem com situações de precarização e que efetivamente apresentam alternativas de inclusão social na mediada em que se apresentam como um novo modelo organizacional coletivo que contribui com a formação de uma rede de capital social no território citrícola paulista.
No trabalho realizado em 2007, porém, os mesmos autores alertam para o “risco de simplificações ou de diagnósticos tendentes à idealização” dos consórcios, na medida em que, por meio de entrevistas realizadas com dois consórcios de produtores rurais, um localizado na cidade de Porto Ferreira e outro na cidade de Novo Horizonte, denominado Grupo Citrus Novo, chegaram à conclusão de que o primeiro tratava-se de um consórcio espúrio e de que o segundo seria o consórcio ideal.
De acordo com os autores, os consórcios espúrios seriam aqueles que “não se cristalizam em elementos com suporte, pois mesmo que se apresentem como alternativas efetivas de inclusão social não oferecem um conjunto relevante de recursos de poder” (ALMEIDA et al, 2007, p 39).
Percebe-se que a maior parte dos autores possuía a expectativa de que os consórcios trariam benefícios às relações de trabalho no CAI citrícola. Já os trabalhos de Almeida; Paulillo e Ferrante (2006) e de Almeida et al (2007) não se basearam em expectativas, pois buscaram analisar no presente o funcionamento dos consórcios. Os autores chegaram à conclusão de que os consórcios apresentam-se como uma alternativa de inclusão social e contribuem para a formação de uma rede de proteção social no CAI citrícola paulista, conclusão que será confrontada mais adiante.
A maior parte dos autores aqui comentados realizou trabalhos com base em expectativas, já que escreveu textos imediatamente após esta modalidade de contratação ser criada. Assim, os autores não acompanharam o funcionamento real dos consórcios.
O capítulo a seguir mostra o funcionamento dos consórcios de produtores rurais a partir da análise de dados obtidos em pesquisa de campo.