Nas análises aerofotogramétricas realizadas, a primeira constatação feita refere-se à existência de um padrão de imagem característico à vegetação nativa. Este padrão destaca-se dos demais pela textura fina à média e tonalidade cinza claro para as fotografias aéreas dos anos de 1962, 1972 e 1979, sendo a tonalidade verde claro/médio para a fotografia aérea dos anos de 2000 e 2006 (Tabela 1 e Figura 7).
A interpretação das análises aerofotogramétricas permitiu, inicialmente, subdividir a vegetação encontrada, para todos os anos analisados, em duas classes fitofisionômicas principais (Figura 7): vegetação natural (fragmentos A e B) e reflorestamentos com espécies exóticas (área de entorno).
1962 1: 25.000 Sobreposição Várzea Sobreposição 1962 1:25.000 Fragmento A Fragmento B
Resultado e discussão 47
As literaturas analisadas, como IBGE (1992), CAVASSAN et al. (1993),
BERTONCINI (1996),DURAFLORA (1999),KRONKA et al. (1998,2003)DONATELLI et al.(2004),
PASCHOAL (2004) e Inventário florestal da vegetação natural do estado de São Paulo (SÃO
PAULO,2005), relatam que a vegetação nativa para a região de Agudos e Bauru é formada por
regeneração natural da mata nativa, constituída de poucos remanescentes de floresta estacional semidecidual e de cerrado no seu sentido amplo.
A princípio, as informações obtidas, por exemplo, pela fotografia aérea do ano de 1962, sem a sobreposição dos fragmentos, apresentaram as formações fitofisionômicas indicadas na literatura, citada no parágrafo anterior, porém sem distingui-las. Com o auxílio dos geoindicadores paras as primeiras análises observou-se nesta figura: solo exposto, estradas, campo aberto, reflorestamento e formações florestais nativas com fisionomias arbóreas e arbustivas, apresentando um dossel contínuo, com árvores emergentes e copas amplas e, em seu perímetro, formações arbóreas abertas com dossel descontínuo.
Figura 6: Fotografia aérea do ano de 1962; A – área de estudo A; B – área de estudo B.
1962 – 1: 25.000 A
A Figura 6 ainda destaca uma vegetação com aspecto homogêneo, levando a crer que se tratava de uma única fisionomia. Nas fotografias aéreas dos anos subseqüentes, já com a presença da fragmentação (Figura 7), esta vegetação pode ter se modificado gerando duas novas fisionomias, mas por falta de levantamentos fitossociológicos nos anos de 1962, 1972, 1979 e 2000 não se pôde concretizar tal afirmação.
De acordo com o histórico aerofotogramétrico realizado nos fragmentos A e B, pôde-se observar a dinâmica destas áreas principalmente quando visualizamos e comparamos a fotografia aérea do ano de 1962 com as dos demais anos (Figura 7), onde se vê a fragmentação e as transformações sofridas pela comunidade no decorrer do tempo.
Nas análises preliminares nota-se a presença de todos os geoindicadores descritos nesta pesquisa, principalmente no que diz respeito à floresta plantada. Não se pode deixar de comentar o desaparecimento da várzea (Figura 7), área bem visível nas primeiras fotografias aéreas (1962, 1972, 1979) e dominadas pelas plantações florestais, fotografias aéreas atuais (2000 e 2006).
Segundo GAMA et al. (2005), a floresta de várzea, cuja vegetação
ocorre ao longo dos rios e das planícies inundáveis, normalmente apresenta menor diversidade do que a terra firme e abriga animais e plantas adaptados a condições hidrológicas sazonais (KALLIOLA et al.,1993; apud GAMA et al., 2005). A menor diversidade ocorre porque poucas
espécies dispõem de mecanismos morfofisiológicos que tolerem o ritmo sazonal de inundação (SILVA et al., 1992; apud GAMA et al., 2005).
Visualiza-se também a formação de um pequeno fragmento, presente nas fotografias aéreas de todos os anos, ao noroeste de cada fotografia (Figura 7). Este fragmento não foi amostrado, mas merece atenção pelo seu desenvolvimento no decorrer dos anos. Onde no início apresentava-se com características estruturais que indicavam solos nus e formações arbóreas pequenas passou a uma floresta madura de dossel contínuo com algumas árvores emergentes. Este desenvolvimento pode ter sido causado pela própria fragmentação que toda a comunidade sofreu. Esta evolução temporal poderá ser visualizada através das fotografias aéreas dos fragmentos A e B da Figura 8.
Resultado e discussão 49
Figura 7: Fotografias aéreas dos anos de 1962, 1972, 1979, 2000 e 2006 indicando as áreas de nativas estudadas existentes na Fazenda Monte Alegre. A – fragmento florestal nativo A; B – fragmento florestal nativo B; c – área de várzea. Áreas entorno – reflorestamento de Pinus spp.; - áreas amostradas.
1962 – 1:25.000 A B c 1972 – 1:25.000 A B c 1979 – 1:35.000 A B c 2000 – 1:30.000 A B c 2006 – 1:30.000 A B c
Com base nas análises aerofotogramétricas foram determinadas para cada fotografia aérea, em seus respectivos anos, as classes fitofisionômicas dentro dos fragmentos. Os fragmentos se modificaram no decorrer dos anos, não sendo possível obter as mesmas classes em todas as fotografias aéreas.
Auxiliada pelos geoindicadores e baseando-se nesta evolução apresentada na Figura 7, foram determinadas para a vegetação nativa dos fragmentos A e B, utilizando as fotografias aéreas anos de 1962, 1972, 1979, 2000 e 2006, seis classes fitofisionômicas baseadas na estrutura do dossel destes fragmentos. São elas:
Classe 1: apresenta características estruturais onde o solo está praticamente nu,
podendo apresentar algumas árvores de pequeno porte com copas de tamanho pequeno;
Classe 2: apresenta características estruturais que indicam formações arbóreas abertas
e fechadas, com dossel descontínuo, sem árvores emergentes mas, com copas de tamanhos variados;
Classe 3: apresenta características estruturais que indicam formações arbóreas de porte
pequeno, com dossel contínuo e sem árvores emergentes;
Classe 4: apresenta características estruturais que indicam formações arbóreas de porte
pequeno, com dossel contínuo podendo apresentar árvores emergentes com copas amplas;
Classe 5: apresenta características estruturais de uma floresta madura, com
predomínio da fisionomia arbórea sobre as demais, com dossel descontínuo, podendo apresentar árvores emergentes com copas de tamanhos variados;
Classe 6: apresenta características estruturais de uma floresta madura, com predomínio
da fisionomia arbórea sobre as demais, com dossel contínuo, podendo apresentar árvores emergentes com copas amplas;
Classe 7: apresenta características estruturais de estrato herbáceo e solo nu, onde as
áreas de vegetação nativa foram substituídas por outras resultantes da ação antrópica. Esta classe foi elaborada para indicar os pomares de sementes implantados dentro do fragmento A, pela empresa.
Para um maior esclarecimento da evolução destas áreas tem-se a descrição e análise das classes fitofisionômicas para os fragmentos A e B, demonstradas nas fotografias da Figura 8.
Resultado e discussão 51
Figura 8: Histórico aerofotogramétrico dos fragmentos A e B utilizando fotografias aéreas dos anos de 1962, 1972, 1979, 2000 e 2006, com demarcações de classes fitofisionômicas. A – fragmento A; B – fragmento B; Áreas de entorno – reflorestamento de Pinus spp.; - área amostrada; ? – sem várzea.
1962 – 1: 25.000 1972 – 1: 25.000 1979 – 1: 25.000 2000 – 1: 25.000 2006 – 1: 25.000 Várzea Várzea Várzea ? Várzea ? Várzea ? A A A B A A B B B B LEGENDA Cores fisionomias Classes de
Classe 1 Classe 2 Classe 3 Classe 4 Classe 5 Classe 6 Classe 7