2.7. Malzemelerde Yorulma Ve Yorulma Analiz ÇalıĢmaları
2.7.7. Yorulma AraĢtırmaları
O serviço social atua com as relações sociais e, de maneira geral, realiza sua ação profissional no âmbito das políticas sociais. O profissional desenvolve atividades relacionadas diretamente com a população na busca da garantia dos seus direitos. Para Piana, os profissionais que atuam no âmbito do serviço social têm por objetivo trabalhar com a “questão social e suas diversas expressões, formulando e implementando propostas para seu enfrentamento, por meio das políticas sociais, públicas, empresariais, de organizações da sociedade civil e movimentos sociais” (PIANA, 2009, p.86).
O processo de profissionalização do Serviço Social surge no Brasil a partir de meados da década de 1930, como resultado das demandas da sociedade capitalista e suas estratégias de dominação. O período foi marcado por mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais devido à perda da característica agroexportadora do país, que sustentava as relações sociais baseadas no escravismo e a ascensão do modelo industrial, que demandava a organização das relações sociais pautadas pelo assalariamento.
Nesse sentido, o surgimento da profissão serviço social é motivado pelas demandas capitalistas, com o suporte da Igreja Católica, e se institucionaliza como um dos recursos mobilizados pelo Estado e pelo empresariado para o enfrentamento da regulação da questão social. Assim, o ideário assistencialista da profissão com formação em serviço social recebe a influência da Igreja Católica que trata a questão social como questão moral, 55
atribuindo aos indivíduos as responsabilidades dos problemas vivenciados na vida cotidiana, embora reconhecendo-os como próprios das relações capitalistas. Piana (2009) relata a presença de um Estado corporativista, centralizador e autoritário que mantem a burguesia industrial aliada aos grandes proprietários rurais.
Para Yazbek, considerar as contribuições doutrinárias do pensamento social da Igreja Católica ajuda a compreender a lógica da trajetória da constituição da profissão serviço social e os pensamentos que interferem ainda nos dias atuais na ação profissional dos trabalhadores da área. Para a autora:
[...] é por demais conhecida a relação entre a profissão e o ideário católico na gênese do Serviço Social Brasileiro, no contexto de expansão e secularização do mundo capitalista. Relação que vai imprimir à profissão carácter de apostolado fundado em uma questão social como problema moral e religioso e numa intervenção que prioriza a formação da família e dos indivíduos para solução dos problemas e atendimento de suas necessidades materiais, morais e sociais. (YAZBEK, 2009, p. 3)
Dessa maneira, serviço social como profissão possui vínculos conservadores e assistencialistas desde sua criação. A origem da profissão esteve marcada pelo capitalismo na era dos monopólios, pela necessidade de organização da questão social em função do modelo urbano-industrial e pela tendência crescente da Igreja Católica de ‘recristianizar’ a sociedade, apoiando-se na modernização das ações legais. Silva (2008) relata que a proposta da igreja católica, a partir de meados de 1930, era humanizar o capitalismo e rejeitar o consumismo. Contudo, a partir dos debates estabelecidos para a reorganização das orientações teóricas na profissão, desencadeou o distanciamento com a doutrina social da igreja.
A preocupação com o ideário assistencialista da profissão é apresentada pelos técnicos do Programa BH em Férias como uma questão que ainda marca a intervenção dos profissionais nos dias atuais.
Quando a gente começa o curso a visão da gente muda bastante, porque a gente começa a trabalhar na lógica do dever e do direito. Então a gente vê a importância da nossa profissão quando você começa a trabalhar com os cidadãos as questões referentes aos direitos, mas também tem os deveres. Romper com a lógica do coronelismo, com a lógica do assistencialismo, que infelizmente está muito enraizado na própria profissão. (colaborador 1).
A partir do período entre a década de 1940 a 1970, o processo de modernização do país impôs uma revisão do ‘Serviço Social Tradicional’. Silva (2008) acrescenta que essa revisão focalizou a discussão da formação profissional, a interlocução com outras áreas do
conhecimento, a importância da pesquisa e da produção científica no âmbito da profissão, entre outros aspectos.
O processo de renovação profissional do ‘Serviço Social Tradicional’ foi composto por três perspectivas ideológicas diferentes, conforme apontam Ferreira, Brito e Miranda (2011), considerando a formação do profissional: a perspectiva de modernização conservadora, a perspectiva de reatualização do conservadorismo e a perspectiva de intenção de ruptura. A primeira perspectiva propôs, no âmbito da formação, dar ênfase à especialização e ao avanço técnico científico, pautado por procedimentos metodológicos voltados para o desenvolvimento das comunidades. A perspectiva de reatualização do conservadorismo apontou para a manutenção do pensamento católico, resistindo ao processo de laicização da profissão, a partir da renovação do referencial científico. E por fim, a perspectiva de intenção de ruptura propôs distanciamento do monopólio conservador na profissão.
O serviço social, no processo de ruptura com o conservadorismo, deixou de tratar o campo das relações sociais a partir do viés da demanda da população carente e da necessidade do sistema capitalista e passou a reconhecer os direitos sociais e a defesa da democracia. Dessa maneira, para Piana, o processo de ruptura do conservadorismo possibilitou afirmar que a atuação do profissional com formação em serviço social:
[...] não se trata apenas de operacionalizar as políticas sociais, embora importante, mas faz-se necessário conhecer as contradições da sociedade capitalista, da questão social e suas expressões que desafiam cotidianamente os assistentes sociais, pensar as políticas sociais como respostas a situações indignas de vida da população pobre e com isso compreender a mediação que as políticas sociais representam no processo de trabalho do profissional, ao deparar-se com as demandas da população. (PIANA, 2009, p. 86).
A partir dessa perspectiva, houve um movimento de revisão curricular para o curso de Serviço Social, com a aprovação no Conselho Nacional de Educação em 1982. Nesse sentido, percebeu-se uma alteração no perfil do profissional. Ferreira, Brito e Miranda (2011) afirmam que de um perfil técnico de intervenção profissional passou-se para um perfil técnico-intelectual qualificado para atender a realidade social. Esse novo perfil aponta para um profissional propositivo, reflexivo e crítico frente à realidade. Piana (2009) afirma que, além disso, o novo perfil aposta no protagonismo dos sujeitos e em sua capacidade de desenvolver pesquisas e incentivar a gestão participativa de programas sociais.
Partindo dessa premissa, os assistentes sociais precisam entender as demandas dos cidadãos, no intuito de melhor auxiliá-los no enfrentamento das dificuldades. É preciso considerar que esse processo de superação dos problemas necessita de envolvimento coletivo
dos sujeitos atendidos pelo serviço social. Como forma de contextualizar a ação do profissional, apresento a seguir trecho da fala de um analista entrevistado:
Em cada atendimento que eu faço as famílias (individualmente) [...] vem com alguma demanda pontual, você atende, faz a escuta, vê quais as necessidades que elas apresentam e quais encaminhamentos podem ser realizados; quais benefícios ela está requerendo que é possível acessar e conceder no CRAS, ou se é necessário encaminhar para outro lugar. [...] E o atendimento coletivo são as atividades que a gente desenvolve, por exemplo, tem uma oficina que chama “oficina de direito e cidadania” que a gente reúne um grupo de pessoas que tem uma demanda pontual de acesso à documentação civil. Esta é uma atividade coletiva para os usuários entenderem a necessidade de terem os documentos civis. (colaborador 6).
Quando veio a proposta do BH em Férias, que é um programa da cidade e tem o intuito de assegurar ao público [...] mais vulnerável dessa cidade, o acesso a espaços da cidade, que até então eles não frequentavam por não ter conhecimento, ou às vezes, pela própria dificuldade de acessá-lo. [...] Eu acredito que isso é importante para a família já que estou na política que trabalha justamente o direito dessas pessoas. Então a minha formação que é garantir o acesso ao direito, porque nós trabalhamos no aceso ao direito. A proposta do BH em Férias já vem com esse valor e eu não tenho nem como questionar uma questão dessa. Eu trato esse assunto como uma questão muito natural pra mim. (colaborador 7).
Essa maneira de intervir profissionalmente parece ter relação com a atuação mais reflexiva e propositiva proposta pela formação inicial do profissional, além de fazer parte da ação dos assistentes sociais prevista pela Prefeitura de Belo Horizonte. O decreto nº 14.833, do dia 09 de fevereiro de 2012, que estabelece as atribuições dos cargos efetivos integrantes do plano de carreira da área de atividades de administração geral, norteia que os profissionais com formação em serviço social devem realizar, entre outras coisas, orientação “em matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade”. (PREFEITURA DE BELO HORIZONTE, 2012, p. 5).
Para Narcizo, a formação do profissional em Serviço Social vem construindo um projeto pedagógico cujo marco é a revisão curricular de 1982, que “vincula-se à concepção de educação e de sociedade perseguindo a possibilidade de uma nova forma de sociabilidade, sem exploração de qualquer espécie, supondo com isso a erradicação dos processos de exploração, opressão e alienação” (NARCIZO, 2014, p. 145). Esse princípio, que norteia atualmente o trabalho dos assistentes sociais, é encontrado no Código de ética do Assistente Social que expressa as conquistas da profissão por meio da negação de sua base filosófica tradicional, nitidamente conservadora e a afirmação de um novo perfil do profissional competente teórico, técnico e politicamente.
Esse novo perfil de profissional, formado a partir de uma perspectiva crítica, deve perceber que as possibilidades de transformações sociais não se encontram somente nos
saberes da profissão, e sim no contexto social e na forma como nos relacionamos com ele. Por isso Piana (2009) afirma que a competência dos profissionais é dinâmica, construída social e historicamente, de maneira a ultrapassar os saberes constituídos pelos profissionais, uma vez que é fundamental que haja a articulação dos saberes com os sujeitos e a realidade social.