C) AKDÎ SORUMLULUĞA YOL AÇAN HÂLLER
1- Yolcunun Uğradığı Kişisel Zararlardan Kaynaklanan Akdî Sorumluluğa Yol Açan Hâller
As linhas de transmissão, inclusive dos parques eólicos, também requerem o seu devido licenciamento ambiental. Tais instalações foram pela primeira vez inseridas entre as atividades cujo Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental se mostram obrigatórios, a partir da edição da Resolução do CONAMA n.º 01/86, que dispôs em seu art. 2º, inciso VI, a obrigatoriedade da submissão da instalação de linhas de transmissão de corrente elétrica ao órgão licenciador estadual para as instalações acima de 230KV.
258 Acerca do assunto, vejam-se os seguintes acórdãos: Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), AC -
Apelação Civel – 497350, Rel. Des. Emiliano Zapata Leitão, Quarta Turma. Publicação no DJe: em 23 de setembro de 2010; Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), APELREEX - Apelação / Reexame Necessário – 8195, Rel. Des. Francisco Barros Dias, Quinta Turma. Publicação no DJe, em: 1 de julho de 2010.
A Resolução CONAMA n.º 6, de 16 de setembro de 1987 dispôs suplementarmente sobre o licenciamento ambiental das linhas de transmissão das grandes obras hidrelétricas, infirmando que no licenciamento de subestações e linhas de transmissão, a Licença Prévia (LP) deve ser requerida no início do planejamento do empreendimento, antes de definida sua localização, ou caminhamento definitivo, a Licença de Instalação (LI), depois de concluído o projeto executivo e antes do início das obras e a Licença de Operação (LO), antes da entrada em operação comercial.
Até o advento da Resolução n.º 279/2001, estas eram as principais regras acerca do licenciamento de linhas de transmissão em vigência a serem adotadas pelos diversos órgãos licenciadores. Contudo, no contexto do racionamento de energia elétrica e objetivando a simplificação das instalações elétricas, passou a ser exigido, pelo art. 1, III, desta Resolução, o Relatório Ambiental Simplificado (RAS) para o licenciamento de Sistemas de transmissão de energia elétrica (linhas de transmissão e subestações) em empreendimentos considerados de pequeno potencial de impacto ambiental. Este último critério referente ao pequeno potencial de impacto ambiental pode ter como referência ao ser fixado, estar situado abaixo dos 230KV que a Resolução n.º 01/86 expressamente conceitua como capazes de causar dano em potencial superior.
Os principais problemas causados pela instalação de linhas de transmissão são: erosão da terra, contaminação da água, destruição de habitats naturais de algumas espécies da fauna e a alteração da paisagem que pode causar a desvalorização de áreas rurais ou urbanas259. Deste modo a causação de alteração no ambiente circundante certamente torna esta atividade indeclinavelmente sujeita ao licenciamento.
5.3.3 Parque eólico localizado em área de preservação permanente (APP)
Acerca dos licenciamentos a serem realizados em Áreas de Preservação Permanente (APP), são necessárias considerações apropriadas para a identificação da plausibilidade das atividades de exploração da energia cinética do vento nestas localidades.
As Áreas de Preservação Permanente (APP) tiveram o seu regime inicialmente previsto no Código Florestal, promulgado pela Lei Federal n.º 4.771, de 15 de setembro de
1965, hoje revogado pela Lei Federal n.º 12.651, de 25 de maio de 2012, que estabeleceu como definição para estas localidades, serem áreas protegidas, cobertas ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.
A atividade de exploração da energia eólica, distintamente de outras modalidades possui possibilidades bastante limitadas para a manipulação técnica das suas instalações, notadamente porque precisam ser edificadas em áreas comprovadamente – através de estudos específicos – favoráveis às correntes de vento. É perfeitamente possível, como se infere do próprio cotidiano que as áreas meteorologicamente adequadas coincidam com Áreas de Preservação Permanente, não sendo este fator determinante para a inviabilidade do projeto.
A Resolução CONAMA n.º 369, de 28 de março de 2006, editada ainda sob a vigência da Lei n.º 4.771/65, regulamentou os casos de excepcional utilidade pública e interesse social que possibilitam a intervenção ou supressão de vegetação em Área de Preservação Permanente. Neste ponto, consignou em seu art. 2, I, ―b‖, dentre as atividades que autorizadas para desenvolvimento em APP, as obras essenciais de infraestrutura destinadas aos serviços públicos de transporte, saneamento e energia.
Deste modo, mesmo anteriormente ao novo Código Florestal não haveria obstáculo jurídico para o aproveitamento de Áreas de Preservação Permanente para a produção de energia, sempre que justificada a utilidade pública e o interesse social.
O art. 9, caput, da Lei 12.651/12, facilitou a interpretação dos dispositivos e consolidou a situação de maneira genérica ao dispor que é permitido o acesso de pessoas e animais às Áreas de Preservação Permanente para obtenção de água e para realização de atividades de baixo impacto ambiental. O baixo impacto a que se refere este artigo pode ser traduzido na esfera ambiental das normas vigentes também para as atividades tratadas no art. 1.º, incisos I, II, III e IV, da Resolução CONAMA n.º 279/2001. A abrangência da norma que se vale de conceitos indeterminados tem o seu espaço de interpretação preenchido pela atuação supletiva dos Órgãos consultivos e deliberativos de âmbito federal e estadual, com competência para definir o potencial danoso das diversas situações.
Sendo os empreendimentos eólicos expressamente concebidos, junto com as demais energias renováveis, como de baixo potencial danoso sua viabilidade estaria devidamente respaldada na situação.
A exceção para esta exposição está no art. 8, caput, do Novo Código Florestal, que veda a utilização de Áreas de Preservação Permanente que importe em significativa supressão
de vegetação nativa, dependendo estas de se amoldarem expressamente às hipóteses previstas na Lei.
As regras de competências são dispostas na Lei Complementar n.º 140/2011, que delimita a atuação dos Estados, em regra, para a realização do licenciamento ambiental, por ser o preceptor das competências residuais, ou seja, que não estejam expressamente previstas para os outros entes federados.
5.3.4 Parque eólico localizado em Zona Costeira
A força dos ventos é muito presente nas zonas costeiras do país, cuja justificativa é influenciada por diversas condições naturais, dentre elas a inexistência de barreiras para a fruição das correntes de ar. Assim, estas localidades se tornaram importantes para a exploração da energia eólica e, como cada ecossistema, possuem suas especificidades na proteção normativa.
A Zona Costeira, nos termos do art. 224, § 4º, da Constituição Federal é patrimônio nacional e sua utilização deve se dar de modo sustentável em consonância com os critérios previstos na Lei nº 7.661, de 16 de maio de 1988. Consigne-se em princípio que o termo ―patrimônio nacional‖ não pode ser interpretado como propriedade da União260
. Assim, não é o simples fato do empreendimento estar localizado na zona costeira que caracteriza a competência da União para o seu licenciamento, mas sim a respectiva regra de competência para tanto.
Neste sentido, a Lei Complementar n.º 140/2011, dispôs no art. 7º, parágrafo único, sobre as competências da União, que o licenciamento dos empreendimentos cuja localização compreenda concomitantemente áreas das faixas terrestre e marítima da zona costeira será de atribuição da União exclusivamente nos casos previstos em tipologia estabelecida por ato do Poder Executivo, a partir de proposição da Comissão Tripartite Nacional, assegurada a participação de um membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e considerado os critérios de porte, potencial poluidor e natureza da atividade ou empreendimento.
Até que advenha o ato do Poder Executivo que trate do estabelecimento das situações
260 No mesmo sentido: Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5). Agravo de Instrumento (AGTR) 75561
específicas em que a União deverá atuar no licenciamento, não é plausível sustentar que ela detém competência genérica e universal para todos os empreendimentos da Zona Costeira. Inexistindo o critério de competência por estar pendente de regulamentação e por razões de obediência ao princípio da legalidade, o Ente Federal não pode atrair para si de maneira genérica competências que não decorram da correta aplicação da Lei.
A seu turno os Estado gozam, com autorização legal, da competência residual para o licenciamento ambiental. Isto seria suficiente para lhes reconhecer a competência para o licenciamento até que o ato do Chefe do Poder Executivo Federal delimite especificamente quais os critérios que ensejam a atuação do Órgão ambiental federal.
Para a instalação de parques eólicos na Zona Costeira, o processo de licenciamento ambiental precisa estar de acordo também com o art. 6º da Lei n.º 7.661/88, o qual propugna que o licenciamento para construção, instalação, funcionamento e ampliação de atividades, com alterações das características naturais da Zona Costeira, deverá observar, além do regime genérico disposto na lei as demais normas específicas federais, estaduais e municipais, respeitando as diretrizes dos Planos de Gerenciamento Costeiro. Os planos de gerenciamento costeiro podem ser instituídos nas três esferas de competência (federal, estadual e municipal) e a compatibilidade do empreendimento deve ser aferida em todas elas.