2.4. Yol Kusurları
2.4.9. Yol Kenarı Elemanları Tasarımı
Recapitulando sucintamente as idéias expostas ao longo desta pesquisa lembramos que de acordo com Peirce, “as categorias sugerem nosso procurar por uma lei sintetizante, e isto encontramos no poder de assimilação, incidente no qual está a faculdade de adquirir hábitos. Isto é tudo o que as categorias pretextam. Elas sugerem um meio de pensar”.350
Segundo o autor “hábito é aquela especialização da lei da mente por meio da qual uma idéia geral ganha o poder de ativar reações”351; vemos hábitos pelo universo afora e das mais variadas formas, como no movimento dos astros, no rodízio das estações e nos sistemas de crenças dos homens. Hábitos – que se referem a uma tendência à generalização – surgem no processo de evolução que se dá a partir do acaso absoluto, que é um continuum de possibilidades e que se refere sobretudo à primeiridade, em direção à ordem, condição predominantemente da terceiridade e que, portanto, visa o futuro. A tendência ao hábito é um princípio evolutivo e de fato Peirce afirmou que “um princípio de hábito […] é a única ponte que pode transpor o abismo entre a inadvertência do caos e o cosmos de ordem e lei”.352 No contínuo processo direcionado para ordem eclodem descontinuidades características da
349 CP 5.520 – 1905 (…the creative love of reasonableness, which subdues all other powers, and rules over them
with its scepter, knowledge, and its globe, love.)
350 CP 1.351 – fragmento não datado (...the categories suggest our looking for a synthetizing law, and this we
find in the power of assimilation, incident to which is the habit-taking faculty. This is all the categories pretend to do. They suggest a way of thinking)
351 CP 6.145 – 1892 (Habit is that specialization of the law of mind whereby a general idea gains the power of
exciting reactions.)
352 CP 6.262 – 1892 (…a principle of habit [...] is the only bridge that can span the chasm between the chance-
segundidade – como, por exemplo, dúvidas e reação do passado– e tais descontinuidades são condições necessárias para o processo de evolução, pois nos trazem experiência que é matéria-prima para processos de representação e de aprendizagem.
Os processos de aprendizagem e representação se referem diretamente à evolução; evolução não acontece sem mudança de hábitos e vice-versa. À medida que os processos de aprendizagem e representação vão se aprimorando o processo de mudança de hábitos vai se depurando e hábitos involuntários tendem a ser gradativamente substituídos por hábitos voluntários, na mesma medida em que, gradativa e logicamente, crenças inconscientes tendem a ser substituídas por crenças conscientes e mudanças de hábitos por necessidade tendem a ser substituídas por mudanças de hábitos por boa vontade.
O desenvolvimento do autocontrole se dá paralelamente ao processo de expansão da consciência que transforma crenças inconscientes e hábitos involuntários em crenças conscientes e hábitos voluntários, lembrando que hábito voluntário é sempre hábito consciente.353 Autocontrole é um tipo de hábito que se adquire e no processo de aquisição deste hábito, que como todo hábito está sujeito a aprimoramento, o olhar mira o futuro, pois conduta futura é a única que é sujeita ao autocontrole.354 Além de se direcionar para o futuro o olhar também se direciona para um ideal admirável que, como é de se esperar, também se submete ao processo de evolução.
O pragmatismo de Peirce, que tem em si um teor normativo, é uma teoria e um método cujo substrato encontra-se na seguinte máxima lógica anunciada em 1878: “Considere quais efeitos, que concebivelmente podem ter as relações práticas, que concebemos que o objeto da nossa conduta tem. Então, nossa percepção desses efeitos constitui o conjunto da nossa
353 Cf. EP 2: 449 – 1908. 354 Cf. CP 5.427 – 1905.
concepção do objeto”.355 O pragmatismo de Peirce não vê a ação como fim, mas apenas como uma importante etapa no processo evolutivo do qual fazemos parte.
Santaella afirma que “depois de enfrentar muitos dilemas, Peirce concluiu que o admirável coincidia com o ideal pragmático. O mais alto grau de liberdade do humano está, assim, no admirável estético que se consubstancia no ideal pragmático”.356
O ideal admirável e o ideal pragmático se equivalem e a liberdade em sua plenitude no que tange à dimensão humana torna-se considerável, ainda que num futuro irremediavelmente distante, via o processo de mudança de hábitos como evolução e autocontrole.
Apresentamos o quadro 15 com o intuito de diagramaticamente resumir parte do que foi colocado ao longo desta pesquisa, lembrando que ela é apenas uma leitura, dentre uma infinidade de possíveis leituras, de um recorte dentro do pensamento peirciano.
Caos (Acaso Absoluto) => Ordem (Hábitos/leis)
<<<___?___?__!____?_____?_!__Continuum_______!?_____?___!__?__>>>>>>>>>>>> Continuum de possibilidades => Continuum de necessidades
--- Mudança de hábitos com esse in futuro ---
Hábitos involuntários => Hábitos voluntários Crenças inconscientes => Crenças conscientes Mudança de hábito por esforço => Por boa vontade => Deliberação e autocontrole visando Ideal Admirável>>>>>>>>
Quadro 15
Ideal admirável como estímulo para mudança de hábito como autocontrole
355 CP 5.2 / EP2: 135 – 1878 (Consider what effects, that might conceivably have practical bearings, we
conceive the object of our conception to have. Then, our conception of these effects is the whole of our conception of the object.)
356 Maria Lúcia SANTAELLA, O papel da Mudança de Hábito no Pragmatismo Evolucionista de Peirce,
E relembrando que o processo de aprendizagem e representação está em evolução e é infinito dedicamos mais alguns parágrafos para a questão do crescimento da racionalidade concreta.