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Yo˘gunluk Kavramı

Belgede Yrd. Doç. Dr. Yurdal SEVER (sayfa 16-40)

Influência é um conceito polêmico, pois a maioria dos poetas sofre de uma terrível ânsia de originalidade. O poeta deseja ser Adão, ele quer ser cria de si mesmo. Com o objetivo de destruir essa idealização no âmbito da história poética, o crítico norte-americano Harold Bloom desenvolveu uma dinâmica e crítica noção de influência.

Publicado em 1973, A angústia da influência35 é o livro mais lido e debatido do referido pesquisador. A idéia de influência vem suscitando inquietação por parte de Bloom, desde a sua pesquisa de doutorado sobre a poesia romântica inglesa. O crítico investigou como se deu a formação de um “poeta forte” e as suas lutas poéticas para estabelecer-se como tal.

Segundo Harold Bloom: “A história da poesia... é considerada como indistinguível da influência poética, já que os poetas fortes fazem a história deslendo-se uns aos outros, de maneira a abrir um espaço próprio de fabulação.” (Bloom, 1992. p. 33). Percebemos que o crítico só se interessa pelos “poetas-fortes”, porque estes em sua busca de uma autonomia estética, travam verdadeiras lutas poéticas para fugir da sombra de seu precursor. Esta luta poética não se dá apenas em um contexto psicológico ou social, mas no textual. Portanto, esta noção de leitura crítica ou desleitura (misreading) adquire um papel de suma importância na teoria de Bloom.

T.S. Eliot, no ensaio “Tradição e o talento individual” (1919) estabeleceu a existência de uma ordem ideal na tradição artística, mas esta ordem era alterada pela introdução de uma nova obra de arte. Ele descreve a noção de “talento individual” como uma capacidade que tem o poeta de redefinir a tradição, através de sua própria obra. O crítico explica que são nas passagens mais individuais da obra de um poeta, que se afirmam a imortalidade dos poetas ancestrais. Portanto, o poeta deveria ter um “sentido histórico”, ou seja, uma compreensão e uma consciência de sua relação com a Poesia. Ao defender a idéia de uma impessoalidade da poesia, conceituando-a “extinção contínua da personalidade”, T.S. Eliot declara que o poeta não deseja expressar sua personalidade em sua poesia, mas fugir dela. Quanto mais o poeta se conscientiza, mais a sua personalidade se extingue.

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A edição utilizada com fonte de leitura para a nossa pesquisa é: BLOOM, Harold. A angústia da

Harold Bloom rejeita esta noção de “impessoalidade” da arte, pois sua teoria trabalha com a idéia de uma árdua formação de um poeta como poeta. A noção de

angústia da influência é sustentada por uma visão da literatura com um espaço de

constantes lutas. O poeta-forte não é aquele que é submisso à Tradição, mas o que a desafia, que combate os precursores a fim de subjugá-los. O posicionamento crítico de Harold Bloom não adentra o terreno do psicologismo, apesar de Freud ser uma de suas bases teóricas e de usar imagens e conceitos psicanalíticos.

O autor de Cânone ocidental (1995) não está interessado em uma psicanálise dos textos. O seu interesse está em provar que nenhum texto tem sentido isolado. Todo texto é uma leitura, sempre uma resposta a outro texto. Portanto, a “angústia da influência” é uma teoria da desleitura, pois “Todo poema é um desvirtuamento de um poema-pai. Um poema não é a superação de uma angústia, mas a própria angústia” (Bloom, 1991, p 132). O crítico afirma que todo texto poético escrito é uma angústia elaborada. O “poema se constitui como “forte” quando vence o combate edipiano com o „poema-pai‟, conquistando um lugar na tradição como um novo “poema-forte.”

A jornada do escritor para tornar-se um “poeta-forte” é descrito através de um ciclo de seis movimentos revisionários, calcados nas idéias de desapropriação (misprision). Para elaborar estes seis movimentos, Bloom serviu-se de variadas fontes: a tradição clássica, de Nietzsche, de Freud, da Cabala e da Bíblia.

O primeiro movimento é o CLINAMEN, que é a desleitura propriamente dita. É o conceito central da teoria de Bloom, pois significa a descrição mais geral do desvio de um poeta em relação ao seu antecessor. TESSERA é a complementação e antítese do precursor na obra do poeta efebo. KENOSIS é um processo de descontinuidade em relação ao precursor, é um mecanismo de ruptura semelhante aos mecanismos de defesa que a nossa psique emprega contra as compulsões de repetição. DEMONIZAÇÂO ou o movimento na direção de um Contra-sublime próprio, como uma reação ao sublime do precursor. O poeta não é possuído pelo demônio, tornando-se forte, ele próprio se transforma num demônio. ASKESIS ou sublimação poética. É uma aspiração a um pleno estado de isolamento, semelhante a ascese, prática dos xamanistas pré-socráticos, como Empédocles. O último movimento, APOPHRADES, é o retorno dos mortos, isto é, dos poetas mortos. Sustentado pelo peso de uma solidão imaginativa, o novo poeta forte se nutre da tradição (retorno dos poetas fortes como alimento poético) para criar uma poesia nova e singular.

Estas seis razões revisionárias podem ser concebidas como variações do processo básico de desvio descrito no clinamen, que tem por objetivo uma correção no interior do próprio poema. Alguns críticos tomam muito a sério estes seis movimentos, mas Arthur Nestrovski nos elucida que “Há uma boa dose de ironia no emprego desse vocabulário (que está entre o esotérico e um manual de Jogos de Guerra), e o próprio Bloom jamais se utilizou rigorosamente das seis razões revisionárias” (Nestrovski, 1992. p. 222).

Um poema, um conto, um romance servem de resposta a outros textos. Os textos funcionam como defesa ou resposta a um texto anterior. É importante salientar que nem o próprio Harold Bloom tentou aplicá-los operacionalmente na leitura de poemas individuais ou no estudo da obra completa de um único poeta.

Harold Bloom vai desenvolvendo o seu conceito de influência, ao passar dos anos, numa série de livros denominados como “tetralogia da influência.” Além de A angústia da influência (1973), os outros volumes são O Mapa da desleitura (1975), Cabala e a crítica (1975) e Poesia e Repressão (1976).

Portanto, através deste arcabouço teórico, estudaremos dois eixos de influência em Rodolfo Teófilo: as leituras românticas da mocidade e as leituras científicas relacionadas ao seu curso e a seu ofício de farmacêutico. As razões revisionárias que empregaremos nesta parte do estudo serão o clinamen e tessera, que mais adiante serão justificadas.

Belgede Yrd. Doç. Dr. Yurdal SEVER (sayfa 16-40)

Benzer Belgeler