• Sonuç bulunamadı

Dentre as aulas de leitura observadas, a pesquisadora presenciou duas atividades de leitura realizadas por uma estagiária do curso de Artes, quando esta regeu duas aulas a essa turma. Sabendo do projeto da Orquestra, a estagiária do curso de Artes levou músicas clássicas para a sala de aula em que, por meio destas, desenvolveu um pequeno teatro com os alunos. Esse teatro constituiu-se de uma narrativa, pois segundo Kaufman (1995, p. 16) esta apresenta “fatos em uma seqüência temporal e causal, residindo na ação através do qual adquirem importância as personagens que a realizam e o momento em que esta ação é concluída”. A mesma atividade foi realizada duas vezes, uma na sala da biblioteca e outra, na

própria sala de aula. Inicialmente, na biblioteca, foi explicado aos alunos, como seria a atividade, requerendo, para tanto, a participação de alguns deles atuarem como personagens. Também foi solicitado aos alunos para prestarem atenção na música para que acompanhassem o que estava acontecendo durante a encenação. O enredo da história estava diretamente relacionado ao ritmo da música. A história era sobre uns caçadores que saem à procura de raposas na floresta. Os caçadores obtêm sucesso na sua caçada, apesar da resistência dos corajosos animais e, ao final, participam de uma festa no castelo.

Durante essa atividade, puderam-se perceber alguns pontos que dificultaram a sua execução:

• O espaço da biblioteca não foi um lugar propício para a atividade: era pequeno para comportar os 20 alunos que estavam presentes, ainda mais para se deslocarem na sala e, assim, dar continuidade à história.

• Certa inabilidade em lidar com a indisciplina dos alunos: a estagiária não sabia como lidar com os alunos que, durante a apresentação, estavam conversando ou mexendo em objetos que estavam na sala, de modo que também participassem e prestassem atenção. Nos momentos em que a professora regente estava na sala, esta pedia que fizessem silêncio, mas este não durava por muito tempo.

Essa atividade, inicialmente, não teve muito significado aos alunos, pois não houve uma exploração da narrativa. A sua realização se limitou à dramatização de uma peça, utilizando um recurso, nesse caso, a música. Devido ao tempo, nem todos que se ofereceram para serem os caçadores ou as raposas puderam participar, a atividade seria realizada novamente em outro dia.

A segunda edição dessa atividade foi realizada na semana seguinte, porém teve como palco a sala de aula. Novamente, a atividade foi dirigida pela estagiária de Artes. Nessa ocasião, o espaço era a sala de aula, que foi um dos fatores que contribuiu para o bom andamento da atividade. Na segunda edição da atividade, foram realizados os mesmos procedimentos com os alunos que participaram da encenação. O cenário foram os corredores entre as carteiras dos alunos. A estagiária era a narradora, orientando os alunos a como agirem e, sobretudo, de acordo com o ritmo da música. As crianças que estavam representando mostraram-se bem atentas ao ritmo da música e ao momento em que era para atuarem. Os demais alunos ficaram nas suas carteiras, assistindo. A professora regente disse que esses alunos constituíam a platéia, assim como se tem em um espetáculo ou peça teatral. Um dos alunos também sugeriu que poderia ser as árvores da floresta, sendo assim, também era

participante da história. O comportamento dos alunos foi diferente: eles foram mais disciplinados tanto os atores como os demais alunos, sendo que estes orientavam os colegas a como agirem durante a apresentação.

A brincadeira constava de se contar uma história seguindo o ritmo da música. Havia caçadores e raposas. Os primeiros passeavam na floresta à procura de raposas. Os alunos por sua vez, deviam imitar, portanto, os caçadores cavalgando e observarem as raposas. No momento da entrada das raposas, estas deviam passear alegres entre as arvores. Ao ritmo da musica, invertiam-se os papéis e atuação dos personagens. Havia o momento do encontro de todos, em que as raposas eram levadas para dentro de um saco. Elas deviam se debater e tentar fugir do saco, mas, de tão exaustas, elas morriam. Os caçadores, felizes pela empreitada, terminam dançando num baile no castelo. As crianças foram as personagens, escolhidas pela estagiária. Primeiro foram escolhidas aquelas crianças que, geralmente, se comportam mal na sala, o que foi um estímulo para que ficassem em silêncio, participando da atividade como personagens. Souberam alternar os turnos das personagens, acompanhando o ritmo da música. Abaixaram no momento de entrar os outros personagens.

Nessa segunda versão da atividade, a exploração da história foi diferente, pois houve uma abordagem em que se discutiu acerca da história, além de ter sido uma atividade significativa aos alunos, como pode ser percebido pela postura que adquiriram nessa segunda edição da história.

No final, portanto, a professora regente perguntou aos alunos se eles haviam gostado da atividade. Responderam afirmativamente e um deles questionou porque que as raposas perdiam nessa história. Antes de responder a essa pergunta, foram perguntados sobre o que poderia mudar nessa história. Alguns alunos disseram:

As raposas poderiam ganhar”

“As raposas poderiam escapar dos caçadores ou arranhá-los, de modo a evitar a captura”.

Além dessas sugestões, ao falarem o que poderia ser mudado na história, os alunos introduziriam outros animais também. Esse momento de diálogo com os alunos foi interrompido, pois devido à Abertura dos Jogos da Copa, realizada pela própria escola, os alunos pararam a atividade e esta não foi retomada posteriormente.

Diante do interesse dos alunos pela atividade, poderia ser explorado esse tipo de gênero e inclusive, uma produção textual, em que cada aluno reescreveria a história segundo o

seu ponto de vista, fazendo as alterações que fossem necessárias ou que julgassem melhor. Tal atividade permitiria que, enquanto escritores, empregassem a sua marca pessoal na escrita de um texto, pautados nas características do gênero textual, imprimindo-lhe a sua subjetividade.

5.6.3 “Palavras importantes”

Após a escrita ou a leitura de um texto, a professora regente realizava atividades de destaque das palavras importantes, segundo ela escrevendo ou circulando-as. Essas palavras importantes constituiriam os núcleos das orações, aquelas palavras que, se fossem retiradas do texto, comprometeria o seu sentido.

Quando há a escrita na lousa, a professora pergunta, individualmente, aos alunos quais são as palavras importantes e as destaca. Posteriormente, a professora pede que sejam lidas por todos os alunos. Uma atividade dessa relacionada ao texto escrito na lousa, foi à notícia que escreveram sobre a ida ao Automóvel Clube.

“No dia 11 de junho de 2010, os alunos do terceiro ano C e quarto ano C e D foram assistir o ensaio da orquestra sinfônica no Automóvel Clube. O maestro Paulo conversou com os alunos e mostrou instrumentos um de cada vez.

A orquestra tocou a trilha sonora dos Piratas do Caribe e Fantasma da Ópera. Para tocar na orquestra precisa ter acima de oito anos.”

As palavras importantes destacadas foram: “orquestra”; “Automóvel Clube”; “maestro”; “instrumentos”; “Piratas do Caribe”; “Fantasma da Ópera”. Nessa atividade, a orientação didática dada pela professora foi:

“As palavras que eu circular vocês vão copiar uma embaixo da outra”

Em relação à escrita de palavras retiradas de alguma leitura, segue uma que foi realizada pela professora. Houve a atividade de leitura da cantiga popular “Meu chapéu tem três pontas”, cuja letra é descrita abaixo:

“O meu chapéu tem três pontas Três pontas têm o meu chapéu Se não tivesse três pontas Não seria o meu chapéu.”

Essas duas atividades por si só limitam a compreensão do aluno acerca da língua, pois não há um entendimento dessas práticas para a sua formação. Alguns alunos já internalizaram que após atividades do gênero, sempre vem o destaque das palavras importantes. Nas aulas que foram observadas não foram mencionadas como se obtinham essas palavras importantes e a relevância de tal prática para a organização da escrita tampouco foi trabalhada a sua compreensão. O fato de os alunos já perguntarem acerca delas pode ter algumas explicações: é uma atividade que eles vêem como importante ou já se tornou hábito realizá-la. Pela forma como ocorre, é possível depreender a segunda opção.

Benzer Belgeler