3. Nüfus Hareketleri
3.2. Yerleşim Biriminden Ayrılanlar
A metodologia adotada nesse estudo para a coleta de dados, com grande ênfase em entrevistas, pode apresentar algumas limitações. No caso das entrevistas realizadas com os representantes dos GSR, o conteúdo obtido pode não refletir exatamente o pensamento do entrevistado ou daquele GSR. A opinião apresentada pelo entrevistado pode não refletir suas opiniões pessoais sobre o tema, pois o entrevistado pode ajustar seus posicionamentos em função da empresa que representa ou do cargo que ocupa na instituição. Adicionalmente, durante o estudo, utilizamos a opinião de um representante do GSR, que pode não refletir necessariamente a opinião desse grupo.
Além disso, nem todos os entrevistados tem a mesma predisposição para a participação em entrevistas ou a possibilidade em revelar todas as informações que possuem. Entretanto, mesmo com essas limitações, a metodologia continua sendo a mais adequada para o objeto de estudo em questão.
5. CONCLUSÃO
Esse estudo foi realizado com a utilização do método qualitativo para coleta e análise dos dados, suportado pelo Multilevel Framework e Teoria dos Custos de Transação. O objetivo principal foi identificar os aspectos limitadores e incentivadores para a adoção do
mobile payment para a realização de operações de microcrédito no Brasil.
Existem exemplos de iniciativas bem sucedidas de microcrédito e mobile payment em alguns países do mundo. Entretanto, tais iniciativas não são replicáveis em outros países, mesmo que existam os fatores considerados essenciais para o surgimento dessas iniciativas.
O Multilevel Framework foi importante no processo de identificação dos GSR participantes dos arranjos de mobile payment, bem como no processo de entendimento do nível de participação e influência de cada grupo. A partir das entrevistas, foi possível perceber que alguns GSR possuem opiniões bastante divergentes entre si.
A Teoria dos Custos de Transação auxiliou no processo de entendimento dos motivos pelos quais algumas instituições de microcrédito (MFI) não são financeiramente sustentáveis. De acordo com as entrevistas e autores analisados, isso ocorre em função dos elevados custos de transação envolvidos na origem e na manutenção das operações de microcrédito. O mobile payment poderia auxiliar na diminuição dos custos de transação, atuando na redução da assimetria da informação por meio do compartilhamento de informações entre os participantes dos arranjos de pagamento.
Durante o estudo, a coleta de dados primários e secundários foi realizada com o intuito da identificação dos limitadores e incentivadores para a adoção do mobile payment para a realização de operações de microcrédito no Brasil. Entretanto, as opiniões dos representantes dos GSR entrevistados nem sempre apresentavam um alinhamento.
Um dos principais aspectos identificado como inibidor refere-se ao alinhamento de interesses entre os GSR. Como o arranjo de mobile payment para microcrédito envolve diversos participantes com interesses distintos, o surgimento e a perpetuação desses arranjos dependem em grande parte da conciliação dos interesses e adequado compartilhamento dos resultados entre os participantes. Entretanto, esse cenário parece estar sendo alterado com o alinhamento entre diversos GSR para o lançamento de arranjos de pagamentos.
Outro aspecto limitador identificado refere-se à confiança que deve ser depositada no arranjo para que ele seja utilizado. Esse processo, que pode ser gradual em termos de novos usuários e incremental em termos de valor, pode resultar em um processo lento para a adoção por um número satisfatório de usuários. Esse aspecto pode se tornar um inibidor do
sucesso da iniciativa, pois esses arranjos, em função dos valores reduzidos das transações, necessitam de um volume mínimo elevado para a sua sustentação econômico-financeira.
Em termos de facilitadores, o Brasil apresenta atualmente uma situação bastante favorável para o surgimento de iniciativas de microcrédito e mobile payment. As iniciativas de microcrédito podem ser favorecidas pela parcela ainda expressiva da população de baixa renda existente no Brasil, bem como pela impossibilidade de acesso de grande parte dessa população ao sistema financeiro. As iniciativas de mobile payment podem ser favorecidas pela grande penetração da utilização de celulares no Brasil, conjugado com o crescimento da utilização de smartphones, principalmente nos últimos anos.
Além disso, a publicação em novembro de 2013 pelo BACEN do marco regulatório dos arranjos de pagamentos já propiciou o surgimento de quatro arranjos de pagamentos no Brasil. Cada um desses arranjos de pagamentos possui a participação de uma das empresas de telefonia móvel (Claro, Vivo, Oi e TIM), sendo que apenas um desses arranjos não envolve a parceria de bancos, sendo formado por uma empresa representando uma bandeira de cartão de crédito e uma empresa de telefonia móvel. Provavelmente, mesmo que novos arranjos sejam lançados, o mercado deve permanecer no futuro composto prioritariamente por esses arranjos já formados.
A utilização de arranjos de pagamento com a funcionalidade do mobile payment é factível, desejada e com potencial de proporcionar diversos benefícios para as iniciativas de microcrédito. Esses benefícios podem ocorrer nas etapas do ciclo de crédito (análise, concessão e cobrança dos créditos em atraso), na distribuição das operações de crédito e na facilidade proporcionada para a realização de movimentações financeiras de recursos.
Apesar da escolha criteriosa das teorias para suportar as análises realizadas, bem como da utilização de metodologia que julgamos adequada para a análise do objeto do estudo, as conclusões apresentadas podem conter imprecisões. Adicionalmente, as conclusões apresentadas nesse estudo poderiam ser diferentes com a aplicação de outras metodologias de pesquisa ou teorias.