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1. GİRİŞ

2.1. Yenilikçilik Kavramı

No Brasil, a partir do final do século XX, o Estado, pressionado por alguns segmentos da sociedade, vem adotando políticas para conter essa prática antiga e cruel. Contudo, a adoção de ações e leis promotoras da igualdade entre os sexos convive com as resistências que se impõem em forma de estatísticas oficiais, uma vez que a violência contra as mulheres atinge números alarmantes, ainda que medidas de combate à mesma tenham se firmado em nosso país,

como os tratados internacionais de direitos humanos, dos quais o Brasil é signatário87.

Em nossas pesquisas, alguns desses tratados, assim como políticas públicas e leis específicas, foram considerados essenciais, já que buscam combater a violência contra as mulheres, além de atribuir visibilidade a essa forma de violência. Contribuiu também o reconhecimento acadêmico da necessidade de pesquisas que envolvam os conflitos de gênero. A primeira a se fazer presente foi a CONVENÇÃO PARA A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO CONTRA A MULHER, realizada com disposição para tomar medidas eficazes com relação à violência contra as mulheres, conhecida como Convenção dos Direitos da Mulher, foi ratificada pelo Brasil em 1º de fevereiro de 1984. Tal convenção reconheceu a existência de leis internas que colocavam as mulheres em situação desigual, em relação aos homens, inclusive discriminando e limitando o exercício da sua vida sexual de forma autônoma e independente, reforçando o seu papel de subordinação. Isso, por si só, já evidencia que o Estado discrimina as mulheres de seu território por agir com omissão e tolerar de maneira sistemática a existência de casos de violência doméstica e sexual contra as mulheres em seu território.

Nesse sentido, os Estados que ratificaram essa Convenção concordaram em adotar, através de todos os meios apropriados, uma política destinada a eliminar a discriminação contra as mulheres (art. 2º), que incluiu: estabelecer a proteção jurídica dos direitos das mulheres em uma base de igualdade com os do homem e garantir, por meio dos tribunais nacionais competentes e de outras instituições públicas, a proteção efetiva das mulheres contra todo ato de discriminação; a adoção de medidas adequadas de caráter legislativo para modificar ou derrogar

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Conforme dados do Banco Mundial, a violência de gênero no mundo causa mais danos e mortes às mulheres entre 15 e 44 anos do que câncer, malária, acidentes de trânsito ou até mesmo a guerra. E ainda, segundo a Sociedade Mundial de Vitimologia (Holanda), que pesquisou a violência doméstica em 138 mil mulheres de 54 países, 23% das mulheres brasileiras estão sujeitas à violência doméstica. A cada 4 minutos, uma mulher é agredida em seu próprio lar por uma pessoa com quem mantém relação de afeto. As estatísticas disponíveis e os registros nas delegacias especializadas de crimes contra as mulheres demonstram que 70% dos incidentes acontecem dentro de casa e que o agressor é o próprio marido ou companheiro. Mais de 40% das violências resultam em lesões corporais graves decorrentes de socos, tapas, chutes, amarramentos, queimaduras, espancamentos e estrangulamentos. O Brasil é o país que mais sofre com a violência doméstica, perdendo cerca de 10,5% do seu PIB em decorrência desse grave problema. Pelo menos uma em cada três mulheres sofrem violências físicas, sexuais ou alguma outra forma de abuso. O espaço doméstico é o principal local de violência contra as mulheres, sendo os membros da família os principais agentes. Um em cada 5 dias de falta ao trabalho no mundo é causado pela violência sofrida pelas mulheres dentro de suas casas. A cada 5 anos, a mulher perde 1 ano de vida saudável se ela sofre violência doméstica. O estupro e a violênciadoméstica são causas importantes de incapacidade e morte de mulheres em idade produtiva. Na América Latina a violência doméstica atinge 25% a 50% das mulheres.

leis, regulamentos, usos e práticas que constituam discriminação contra a mulher e todas as disposições penais nacionais que constituam discriminação contra a mulher, entre outras medidas.Outra convenção adotada neste sentido foi a CONVENÇÃO PARA PREVENIR, PUNIR E ERRADICAR A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER, também conhecida como Convenção do Belém do Pará, ratificada pelo Brasil em 27 de novembro de 1995, define a violência contra a mulher como: “qualquer ato ou conduta baseada no gênero que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher tanto na esfera pública como na privada”. (art. 1º). Além disso, a convenção estabelece que “toda a mulher tem direito a viver uma vida livre de violência, tanto na esfera pública, quanto na esfera privada” (art. 3º). E que “toda mulher tem direito ao reconhecimento, desfrute, exercício e proteção de todos os direitos humanos e liberdades consagrados em todos os instrumentos regionais e internacionais relativos aos direitos humanos” (art. 4º).

Este é o principal instrumento internacional que trata da violência doméstica e sexual contra as mulheres e adolescentes, dando visibilidade para o problema e estabelecendo o dever de o Estado adotar políticas para a sua prevenção, punição e erradicação no âmbito dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A Convenção do Belém do Pará estabelece o dever do Estado de modificar ou abolir leis e regulamentos vigentes; práticas jurídicas ou consuetudinárias que respaldem a persistência ou a tolerância da violência contra as mulheres. (art. 7º).

A partir dessas convenções, o combate à violência contra as mulheres passou para o âmbito de organismos internacionais, podendo a vítima recorrer a eles quando a banalização de casos como esses ocorram sem ter a atenção devida por parte do país signatário em que a violência aconteceu.

Dando continuidade às políticas públicas e leis estabelecidas em relação ao combate da violência contra as mulheres, nos ateremos agora à mais efetiva política instituída no Brasil de combate à violência contra as mulheres: as Delegacias de Mulheres.

1.6.1 - A CRIAÇÃO DAS DELEGACIAS DE COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A

Benzer Belgeler