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Yenileşme Devri Türk Edebiyatındaki Edebî Tartışmalardan

3. Türk Edebiyatında Belagat

2.2.10. Yenileşme Devri Türk Edebiyatındaki Edebî Tartışmalardan

Em seu estudo Elites Mineiras Setecentistas: conjugação de dois mundos, Virgínia Trindade Valadares (2004)23 investiga a experiência de 320 estudantes

Mineiros que foram estudar na Universidade de Coimbra ao longo do século XVIII. A autora denomina “grupo de junção ou grupo de conjugação, os estudantes de Minas que, ao irem estudar na Universidade Coimbrã, dali trouxeram a sua filosofia, ideologia e influência, aplicando-as aos costumes e modos de vida da elite Mineira, numa verdadeira simbiose e conjugação do mundo metropolitano como o mundo colonial Mineiro.” (VALADARES, 2004, p. 24).

Após identificar pelo livro de matrícula da Universidade de Coimbra, o nome dos mineiros que foram para a Universidade em todo o século XVIII, Valadares (2004) faz uma separação — entre outros procedimentos metodológicos mais refinados — por grupos profissionais, a saber: juristas (Cânones e Leis), padres, médicos, filósofos e matemáticos (p. 24). A autora considera esses estudantes como componentes da segunda geração da elite mineira, “com suas raízes fincadas na primeira geração dos habitantes aventureiros que haviam chegado à região mineira em busca do paraíso onde jorrava o ouro e riqueza.” (p. 508). Ademais, que

a elite dos trópicos, formada na mesma Universidade da elite do reino, se aculturou nos hábitos, costumes e na forma de ser e pensar o mundo. Entretanto, também se aculturou o português que veio para o paraíso/inferno de Minas Gerais. E foi exatamente este homem aculturado e rico que enviou os seus filhos para se educarem em Coimbra. (VALADARES, 2004, p. 508).

Sobre os estudantes egressos24 da Universidade de Coimbra, a autora conclui

que, ao retornarem como médicos, naturalistas, botânicos, ou juristas e eclesiásticas, trouxeram na sua bagagem o que assimilaram na Universidade de Coimbra na corte metropolitana. Destaca que essa elite de letrados e afortunados, visíveis representantes do rei e perfeitos legitimadores do sistema metropolitano, formava

23 Esse livro é fruto de sua tese de doutoramento defendida em 2002 na Faculdade de Letras da

Universidade de Lisboa.

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Em sua pesquisa documental, a autora verifica que nem todos os estudantes regressam à colônia. Nesse sentido, a autora os divide em dois grupos: o primeiro, o da disjunção, que não chega a conjugar os dois mundos porque não voltou; e o segundo, da junção ou conjunção, aquele que retorna à colônia. (VALADARES, 2004, p. 513a).

um grupo distinto e com distinção social, seja pela função ou cargo, seja pelo traje e ultraje; seja pela mentalidade reacionária, seja pela manutenção da cerimônia e da etiqueta tiranas incumbidas de marcar e demarcar as distâncias sociais. (VALADARES, p. 513).

Por minha vez, em uma pesquisa de mestrado25 dedicada à escolarização da língua francesa em Minas Gerais no século XIX, O ensino de francês em Minas

Gerais entre 1831 e 1855, como já mencionada na Introdução desta pesquisa,

tangenciei o tema das viagens, analisadas sob o ponto de vista da viagem como potencializadora do aprendizado da língua:

O envio de estudantes à Europa se constituía como uma das possibilidades de aprendizado da língua francesa. Enviar os filhos para estudar na Europa era um empreendimento das “famílias mais distintas” da província mineira (LAGES & SILVA, 2007, p. 38, grifos da autora).

Com o objetivo de ilustrar tal assertiva, destaquei um extrato do jornal Astro

de Minas, de São João Del Rei, de 1828. Em uma seção do periódico denominada

“Necrologia”, faz-se uma homenagem de falecimento.

Faustino José de Azevedo, pertencente a uma das mais distintas famílias da Villa da Campanha da Princeza, Bacharel em Filosofia pela Univ. de Coimbra, Doutor em Medicina pela de Mont-Pellier — o credito que em toda a Europa se propagava da Escola de Mont- Pellier. (NECROLOGIA. Astro de Minas, 1828, p. 5, apud LAGES & SILVA, 2007, p. 38).

Ainda nessa direção — da viagem e aprendizado de línguas — analisei os relatos do viajante francês, Auguste de Saint-Hilaire, sobre suas incursões em terras Mineiras na primeira metade do século XIX; mais exatamente, suas explorações pelo Distrito dos Diamantes. O dito viajante, ao ir explorar o Pico do Itacolomy, é surpreendido por uma tempestade, quando se refugia na casa de um fazendeiro. Tal é a surpresa de Saint-Hilaire quando aí encontra um homem que se dirigiu a ele em francês e que falava tão bem essa língua.

Um dos que se achavam presentes dirigiu-me a palavra em francês, e falava tão bem essa língua que não pude deixar de lhe perguntar se havia viajado pela França; respondeu-me que não. Supus então que esse homem podia ter sido educado em um colégio fundado em

Portugal por D. Marquet, antigo superior do colégio de Pontlevoy; dei-lhe a conhecer tal conjectura e vi que não me havia enganado. Eu havia passado em Pontlevoy os primeiros anos de minha infância e tivera D. Marquet por professor. Encontrar um de seus alunos tão longe da França era para mim como se encontrasse um velho companheiro. (SAINT-HILAIRE, 1974, p. 86).

Do mesmo modo, tratei das viagens subvencionadas pelo governo de Minas Gerais na primeira e segunda metade do XIX: em 1835, são enviados dois estudantes à França, com o intuito de aí aprenderem tudo o que poderia se referir à melhoria da instrução pública na província; em 1857, são enviados dois outros estudantes que deveriam seguir o Curso de Estudos de Engenharia Civil na Escola Central de Artes e Manufaturas de Paris.

Por sua vez, ao se propor a realizar um “relato historiográfico da trajetória profissional de Maria Guilhermina Loureiro de Andrade (1839-1929), professora, escritora e tradutora que atuou no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais na segunda metade do século XIX e início do século XX”, Carla Simone Chamon (2005) nos apresenta o percurso de uma educadora, cuja atuação fora orientada pelos padrões pedagógicos norte-americanos; que fez circular no Brasil, nas três últimas décadas do século XIX e início do século XX, elementos de uma pedagogia considerada moderna. De acordo com Chamon, “saberes e práticas que foram apropriadas por ela do repertório educacional norte-americano, a partir de seu contato e experiência com educadores da América do Norte”. (p.22).

A autora nos faz saber que esse contato se dera de dois modos: “em primeiro lugar, com os missionários presbiterianos de origem norte-americana que aportaram na terra brasilis a partir da década da 1850”; e, posteriormente, por meio de sua viagem aos Estados Unidos, em 1883, “onde permaneceu por quatro anos estudando, experimentado e testemunhando os processos pedagógicos ali praticados”. (CHAMON, 2005, p.22-23).

Ao colocar a viagem no centro de suas análises, Chamon demonstra como essa experiência conferiu à Maria Guilhermina “o reconhecimento e credibilidade entre seus contemporâneos, sendo aqui elaborada como divisor de águas em sua trajetória profissional e como condição de possibilidade de sua inserção privilegiada no campo educacional brasileiro.” (CHAMON, 2005, p. 22-23).

Ceres Leite Prado (2002) aborda igualmente a experiência de estudantes Mineiros no exterior, mas em viés sociológico de análise e centrada em práticas

contemporâneas. A autora estudou jovens belo-horizontinos que partiram, entre os

anos de 1996 e 1998, para intercâmbios culturais em outros países. Jovens, entre 15 e 20, cursavam o ensino médio, entre eles, mais de 50% pertencia ao gênero feminino. Ao refletir sobre os destinos escolhidos pelos estudantes, a autora considera que “os Estados Unidos são quase um sinônimo de intercâmbios” (p.136). Toma por base os dados obtidos por meio de entrevistas com as famílias, com os intercambistas, mas também com o pessoal diretamente envolvido nas empresas particulares — agências de intercâmbio, entre outras —, que ranqueiam os Estados Unidos como principal destino escolhido pelos jovens. Informa que, de acordo com as “agências” estudadas, em “duas, os Estados Unidos representam 90% dos intercâmbios, em outra, 80%”, constituem-se como o país que mais recebe intercambistas em todo o mundo. E ainda, segundo opinião das organizações responsáveis por esse tipo de viagem, “o país vai continuar sendo o destino mais importante.” (PRADO, 2002, p.136).

À guisa de conclusão, Prado afirma ser o destino da viagem, “sobretudo uma escolha dos filhos”, e que “a opção que país, quando ocorre, é, geralmente, vinculada à língua — inglês na maioria dos casos” (p. 316). Os intercâmbios se constituiriam, efetivamente, como estratégias educativas das famílias: estas os consideram como meios de internacionalização, de desenvolvimento de uma sensibilidade cultural, poderiam oportunizar maiores chances no mercado escolar e profissional e, além disso, proporcionar o aprendizado de línguas (PRADO, 2002, p.324).

Essa breve revisão sobre o tema viagens como oportunidades de formação nos permitiu uma reflexão sobre os destinos/finalidades e, especificamente, sobre a experiência dos estudantes Mineiros no exterior. A propósito dos destinos que se destacaram, os estudos de Valadares (2004) nos remetem a Portugal como principal destino dos estudantes mineiros no século XVIII; Cito, em minha pesquisa de mestrado (LAGES & SILVA, 2007), a escolha da França, no século XIX, para estudos de medicina e engenharia; por sua vez, Chamon (2005), ao tratar da viagem da educadora Maria Guilhermina Loureiro de Andrade, indica a “a América como possibilidade” no final do XIX; já os estudos de Prado (2002), classificam os Estados Unidos quase como “sinônimo de intercâmbio” no final do século XX.

As pesquisas acima tratadas indicam que em determinadas épocas alguns países foram privilegiados como destinos escolhidos para estudos. Não se pretende

aqui afirmar tais países como únicos portos buscados, e, sim, colocar o acento sobre os motivos impulsores dessas escolhas. Diante disso, o exame das viagens oficiais com fins de estudos e subvencionadas pelo governo da Província Mineira no século XIX será feito a partir da problematização dos motivos ou finalidades desses deslocamentos para terras estrangeiras.

2.1.3 Estudantes/viajantes mineiros do século XIX: as viagens oficiais da