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4. ARAŞTIRMA BULGULARI VE YORUM

4.1. Yenikent Kadın Kapalı Ceza İnfaz Kurumunda Bulunan Hükümlü Ve

Nas discussões sobre o modelo de Lee foi dito que o estoque patrimonial, agregado para toda a população, reduz-se aos ativos e passivos em transferências e ao capital real. A idéia de que pode haver um excesso de dívida ou de riqueza em transferências, tornou-se patente nas simulações. A aplicação empírica comprovou que as obrigações e os direitos destes sistemas não se anulam no balanço total, graças ao vínculo criado entre gerações. Dentre os resultados, seis pontos sintetizam os aspectos particulares das transferências na contabilidade das gerações no Brasil. Do ponto de vista da riqueza per capita na população, cabe destacar:

• O papel irrefutável do setor público como transferidor de recursos entre gerações,

principalmente, em direção aos grupos etários mais velhos. Confirmando as suspeitas

de LEE (1995a) a respeito do Brasil, ao contrário de outras regiões em desenvolvimento, o setor público constitui mecanismo essencial de alocação de recursos no país. O sistema de saúde pública e, principalmente, o INSS e a previdência dos servidores remetem grande monta da fase ativa, para os idosos. O estoque per capita de direitos a receber é considerável, tanto em razão da diferença entre as idades médias ao pagamento e recebimento, quanto em função dos fluxos anuais. Juntos, os três mecanismos significam um contrato entre gerações de cerca de R$23.400,00. Em sentido inverso, parte dos ativos é compensada pelos recebimentos antecipados em educação, seguro desemprego e outras despesas em bens e serviços. Seus fluxos líquidos negativos, implicam em um total de passivos de R$6.500,00. Em média, no balanço final, cada cidadão brasileiro possui um patrimônio líquido positivo junto ao governo, da ordem de R$16.900,00. A liquidez do sistema é mantida graças à solidariedade intergeracional. Ao serem tributadas, as novas coortes creditam os antigos contribuintes, garantindo, através de um processo contínuo, o equilíbrio dos fluxos no ciclo de vida.

• O peso da dependência econômica na infância e juventude, responsável pela maior

proporção de passivos a serem cumpridos entre gerações. As transferências

domiciliares são eminentemente negativas, comprovando as idéias desenvolvidas no capítulo 2. Cada indivíduo recebe como antecipação líquida, em média, R$20.800,00. A dívida é contraída dos genitores e deve ser saldada com a futura prole, através da transmissão de herança e dos demais gastos em sua criação. O consumo de bens não duráveis na infância e na adolescência, é responsável por 80% do total de passivos.

• A supremacia da dívida líquida na população. Na contabilização final, o somatório das obrigações domiciliares com os ativos em transferências públicas traduz-se em uma dívida média por habitante de quase R$4.000,00. Este resultado indica que entre títulos a receber e a pagar, na média, cada brasileiro guarda um saldo negativo. Não há dúvidas quanto à precisão das estimativas dos portfolios públicos e domiciliares, no que se refere a sua natureza contábil no ciclo de vida brasileiro. Estas distribuições apresentam um comportamento típico, não neutro e bem definido em relação à idade. Não obstante, ressalta-se que o peso de cada um destes sistemas na carteira individual está sujeito aos pressupostos do modelo com capital de Lee. Em primeiro lugar, como os títulos a receber do setor público concentram-se nas fases mais adiantadas do ciclo vital são favorecidos pela escolha de uma taxa de juros mais baixa do que a real. Além disso, ao serem agregados para toda a população recebem um peso maior pela aplicação de uma estrutura etária relativamente mais velha do que a observada.

Além da riqueza média na população, outro dado revelado pelo modelo é a formação do patrimônio individual em transferências, ao longo do ciclo de vida. Com base nas Figuras 3.10 a 3.12 conclui-se que:

• O ponto máximo de títulos a receber do governo concentra-se nas idades entre 50 e

59 anos, antecedendo os recebimentos dos sistemas previdenciários. Nos primeiros

trinta anos de vida, os recebimentos em educação traduzem-se no acúmulo de obrigações com os governos que atingem o valor presente de cerca de R$6.000,00 aos 15 anos. A partir dos 30 anos, o aumento da contribuição tributária amplia os fluxos de saída, revertendo a situação patrimonial. Os créditos são reunidos e atingem um pico de mais de R$45.000,00 aos 55 anos de idade. A realização destes títulos garante uma fração importante do consumo nos últimos vinte anos de vida.

• Os recebimentos domiciliares reúnem-se nas primeiras fases do ciclo vital,

motivando o predomínio constante dos títulos a pagar, ao longo de todo o período de existência das coortes. Verifica-se pela Figura 3.11 que o ponto máximo da dívida,

superior a R$30.000,00, é assinalado entre as idades de 20 a 29 anos. A redução no total de obrigações é condizente com o intervalo médio de tempo entre duas gerações, representado pela idade média à fecundidade O cumprimento dos primeiros deveres assumidos na infância se dá imediatamente após o nascimento dos filhos.

• Somados, os sistemas de transferências públicas e domiciliares explicam grande

parte do perfil do patrimônio no ciclo de vida. Esta afirmativa é válida, principalmente,

para as fases compreendidas entre 0 e 20 anos de idade. Mais de 90% da composição dos

portfolios na infância e juventude, refere-se a dívidas públicas, principalmente educação,

e aos passivos domiciliares. A partir dos 20 anos há sucessivos erros por falta, com exceção do grupo 40 a 49 anos no qual os ativos em transferências superam o patrimônio total. A fração restante pode ser atribuída aos demais componentes da riqueza individual, não avaliados na dissertação: os investimentos em capital real, os títulos em operações de crédito e as remessas intradomiciliares para os mais velhos.

Benzer Belgeler