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O recebimento dos benefícios pelas pessoas idosas serve para auxiliar no sustento no que concerne à alimentação, higiene e aquisição dos medicamentos

necessários a melhoria de sua saúde, ou seja, devem ser convertidos em qualidade de vida.

O benefício que outorga a proteção contra a velhice é realmente importante, pois permite às pessoas que chegam a esse limite, que se supõe não estejam em condições físicas ou psíquicas de ganhar a vida e que tenham adquirido o direito ao descanso, manter seu nível de vida e não ser um peso econômico para a família (RUPRECHT, 1996, p. 168).

No caso das seis instituições asilares pesquisadas, atestou-se que três são os tipos de benefícios recebidos pelas pessoas idosas nela residentes: aposentadoria, pensão, benefício mensal. Destaca-se ainda a existência de 1 caso em que a idoso entrevistado recebe dois benefícios: a sua aposentadoria e a pensão do seu companheiro.

Seguem os dados que apresentam a identificação dos benefícios recebidos:

TABELA 19 – Distribuição percentual dos idosos institucionalizados segundo benefícios recebidos. João Pessoa/PB, 2007.

Beneficio recebido n % Aposentadoria 39 84,8 Pensão 5 10,8 Benefício mensal 1 2,2 Aposentadoria e pensão 1 2,2 Total 46 100,0 FONTE: Primária

Observa-se de acordo com os dados dessa Tabela que a grande maioria dos idosos entrevistados recebe aposentadoria (84,8%). Com relação à aposentadoria, Salgado (1990) argumenta que a aposentadoria coincide normalmente com o envelhecimento e que comumente fala-se que o aposentado é a pessoa que chega a obter o benefício devido ao trabalho subordinado que desempenhou durante a sua vida ativa. No entanto, Leite (1993, p.24) alerta para uma realidade entre as pessoas idosas e os aposentados, ao afirmar que “[...] normalmente todo aposentado é idoso, mas infelizmente nem todo idoso é aposentado”.

A afirmação de Leite procede a partir da distinção entre a interpretação dada aos benefícios previdenciários e aos benefícios assistenciais. Quando se afirma que os benefícios são garantias legais trata-se dos benefícios assistenciais, conforme

consta no Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741 de 01/10/2003), no Título II – Dos Direitos Fundamentais, em seu Capítulo VII, art. 29 a 36, ao enfocar que:

Art. 34 – Aos idosos, a partir de 65 (sessenta e cinco) anos, que não possuam meios para prover sua subsistência, nem de tê-la provida por sua família, é assegurado o benefício mensal de 1 (um) salário- mínimo, nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social

Parágrafo único. O benefício já concedido a qualquer membro da família nos termos do caput não será computado para os fins do cálculo da renda familiar per capita a que se refere a Loas.

Art. 35. Todas as entidades de longa permanência, ou casa-lar, são obrigadas a firmar contrato de prestação de serviços com a pessoa idosa abrigada.

§ 1º No caso de entidades filantrópicas, ou casa-lar, é facultada a cobrança de participação do idoso no custeio da entidade.

§ 2º O Conselho Municipal do Idoso ou o Conselho Municipal da Assistência Social estabelecerá a forma de participação prevista no § 1º, que não poderá exceder a 70% (setenta por cento) de qualquer benefício previdenciário ou de assistência social percebido pelo idoso.

§ 3º Se a pessoa idosa for incapaz, caberá a seu representante legal firmar o contrato a que se refere o caput deste artigo.

Assim, observa-se que a fonte de sobrevivência da grande maioria da população idosa na condição asilar advém da aposentadoria. A esse respeito, Camarano (1999, p.62) assevera que “O grau de dependência dos indivíduos idosos é, em boa parte, determinado pela provisão de rendas por parte do Estado ou, dizendo de outra forma, como retorno de poupanças passadas”.

Quanto ao segundo benefício citado só existe uma modalidade de pensão, que é a pensão por morte, concedida aos dependentes do segurado por motivo de falecimento (SENAC, 2004). Abaixo, se apresentam os dados acerca dos tipos de benefícios previdenciários recebidos pelos idosos entrevistados:

TABELA 20 – Distribuição percentual dos idosos institucionalizados segundo tipos de benefícios recebidos. João Pessoa/PB, 2007.

Tipo de Benefício n %

Aposentadoria por idade 15 32,6

Aposentadoria por invalidez 12 26,0

Aposentadoria por tempo de contribuição 13 28,3

Aposentadoria especial - -

Benefício de Prestação Continuada (BPC) 1 2,2

Renda Vitalícia - -

Pensão 5 10,9

Total 46 100,0

FONTE: Primária

Nota: Acredita-se que o número de idosos contemplados com o BCP seja significativo, no entanto, apenas um dos entrevistados afirmou o recebimento de tal beneficio.

Relativamente à situação previdenciária, constatou-se que os idosos entrevistados majoritariamente (86,9%) recebem aposentadoria, destes apresentam maior incidência os idosos que recebem aposentadoria por idade (32,6%), seguidos por invalidez (26%) e por tempo de contribuição (28,3%).

Esse dado é reafirmado por outros estudiosos, a exemplo de Alcântara (2004), que identificou que 84% dos sujeitos da sua pesquisa eram pessoas idosas que possuíam algum tipo de benefício, aposentadoria ou pensão e atribuiu aos que não recebiam (16%) o fato de não atingirem ainda a idade estipulada pelas normas, não serem portadores de deficiência ou não possuírem a documentação exigida conforme a lei.

Assim, a aposentadoria pode ser entendida como um pagamento mensal vitalício, efetuado ao segurado por motivo de idade, por tempo de contribuição ou pelo exercício de atividade sujeita a agentes nocivos à saúde. Quanto à aposentadoria por invalidez pode ser cessada após a recuperação da capacidade laborativa (SENAC, 2004).

Com relação à aposentadoria por idade, na ótica de Coutinho (2003) ela concebe-se como o benefício previdenciário típico da pessoa idosa. De acordo com a Legislação Oficial, têm direito à aposentadoria por idade os homens com 65 anos

e mulheres com 60 anos de idade se trabalhadores urbanos; e homens com 60 anos de idade e mulheres com 55 anos, se trabalhadores rurais (BRASIL, 2003).

A aposentadoria por invalidez, segundo benefício mais recorrente entre os sujeitos da pesquisa, é concedida ao segurado que for considerado incapaz total e definitivamente para o trabalho e não tiver condições de ser reabilitado para o exercício de atividades que lhe garantam o seu sustento, e, observada a carência, quando for o caso (SENAC, 2004).

Ainda de acordo com a legislação vigente, essa modalidade de aposentadoria tanto pode decorrer da transformação do auxílio-doença como ser concedida de início, após constatada a gravidade da situação do segurado que for considerado incapaz para o trabalho, por médico perito da Previdência Social. Há duas situações:

a) Para aposentadoria integral: o homem deve comprovar pelo menos 35 anos de contribuição e a mulher, 30 anos.

b) Para aposentadoria proporcional: tem que preencher simultaneamente os seguintes requisitos:

Homens: ter 53 anos de idade, 30 anos de contribuição (“pedágio” de mais um adicional de 40% sobre o tempo que faltava em 16 de dezembro de 1998 para completar 30 anos de contribuição).

Mulheres: ter 48 anos de idade, 25 de contribuição (“pedágio” de mais um adicional de 40% sobre o tempo que faltava em 16 de dezembro de 1998 para completar 25 anos de contribuição);

O segurado que trabalhou em condições prejudiciais à saúde ou à integridade física. O trabalhador deverá comprovar, além do tempo de serviço, a efetiva exposição aos agentes físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais pelo período exigido para a concessão do benefício (15, 20 ou 25 anos) (BATISTA, JACCOUD e LUSENI AQUINO, 2008, p. 98).

Quanto ao recebimento da pensão, denomina-se de pensão por morte o benefício concedido aos dependentes do trabalhador em caso de morte, conforme segue:

Cônjuge, companheiro ou companheira, filho não emancipado ou equiparado, menor de 21 anos ou inválido de qualquer idade, sendo que essa invalidez deve ser comprovada por perito oficial do INSS. Essas pessoas são consideradas dependentes por presunção, sendo desnecessária a prova dessa situação. (BATISTA, JACCOUD e LUSENI AQUINO, 2008, p.104).

O Benefício de Prestação Continuada (BCP), conforme aludido anteriormente neste Capítulo foi instituído na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 203, inciso V, no âmbito da Assistência Social. O direito ao esse benefício só foi implementado em janeiro de 1996 após a publicação do Decreto nº 1.744/1995 e a criação, no mesmo ano, do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS). No texto legal, verifica-se de maneira genérica, que tal benefício seria dirigido às pessoas idosas ou com deficiência que não possuíssem meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la provida pela família, além de fixar o valor do BPC em 1 SM(salário-mínimo) mensal.

É na Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS – Lei nº 8.742/1993) que se encontra a determinação da adoção de uma renda mensal familiar per capita inferior a 1/4 do SM como a que indicaria a incapacidade para prover a manutenção da pessoa idosa ou com deficiência. Atualmente o benefício é regido pelo Decreto 6.214 de 26/09//2007 e faz parte das ações de proteção social básica no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) (BATISTA, JACCOUD e LUSENI AQUINO, 2008, p.116).

Assim, o BCP, consiste em benefício assistencial devido pelo INSS ao cidadão comprovadamente deficiente ou idoso. Tem direito a ele a pessoa, a partir de 65 anos de idade, que não tem condições de se manter. Este benefício pode ser pedido em qualquer agência da Previdência Social, e tanto no caso de deficiência como no da pessoa idosa, o interessado deve comprovar que é carente. Diferentemente da aposentadoria, se o beneficiário falecer, não há pensão decorrente deste benefício para seus dependentes (DPSP, 2008).

O benefício chamado de “renda mensal vitalícia”, foi criado em 1974, através da Lei nº. 6.179, pago pela Previdência Social ao maior de 70 (setenta) anos de idade ou inválido que não exercesse atividade remunerada, não auferisse qualquer rendimento superior ao valor da sua renda mensal, não fosse mantido por pessoa de quem dependesse obrigatoriamente e nem tivesse outro meio de prover seu próprio sustento (CASTRO, 2001. p.503). A obtenção desse benefício era necessária ainda, que o beneficiário:

tivesse sido filiado à Previdência Social, em qualquer época, no mínimo por 12 (doze) meses, consecutivos ou não;

tivesse exercido atividade remunerada, posteriormente abrangida pelo Regime Geral da Previdência Social;

tivesse sido filiado à antiga Previdência Social urbana após completar 60 (sessenta) anos de idade, sem direito aos benefícios regulamentares.

Essa situação só perdurou até a promulgação da Constituição Federal de 1988. Nessa Constituição foi prevista no inciso V, art. 203, que instituição dentre outras mudanças a majoração do valor do benefício que até então era de meio salário mínimo, com as mudanças a quantia paga passou a ser de um salário mínimo.

Art.203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente da contribuição à seguridade social, e tem por objetivos:

[...]

V – a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. (BRASIL/SENADO FEDERAL, 2008).

Conforme se observa nesse texto constitucional, trata-se de um benefício de trato continuado, devido mensal e sucessivamente. Concedidos às pessoas idosas ou deficientes físicos que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou tê-la provida por sua família. Como elucidado anteriormente, não é necessário que tenha contribuído para a Seguridade Social, desde que não tenha outra fonte de renda (BATISTA, JACCOUD e LUSENI AQUINO, 2008).

O último benefício é a pensão, os pensionistas são as pessoas que percebem uma pensão especialmente do governo. De acordo com o Ministério da Previdência Social (BRASIL/MPS, 2008), seria o benefício pago à família do trabalhador quando ele morre. Para concessão de pensão por morte, não há tempo mínimo de contribuição, mas é necessário que o óbito tenha ocorrido enquanto o trabalhador tinha qualidade de segurado.

No entanto, outra modalidade de pensão foi instituída com a promulgação do Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03) determina que pessoas com 60 anos ou mais têm

direito de exigir de seus familiares o seu sustento. A pessoa idosa e, quem quer que esteja obrigado a contribuir para sua manutenção poderão comparecer perante um promotor de Justiça e celebrar um termo com o valor e as demais condições da contribuição.

Passa-se a analisar o décimo terceiro salário, entendido como uma gratificação compulsória por força de lei; tem natureza salarial e é também denominado de gratificação natalina.

Em termos históricos, tal benefício foi instituído no Brasil, através da Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, que o disciplinou como pagamento no mês de dezembro, baseado sobre a remuneração desse mês, e em valor correspondente ao numero de meses trabalhados pelo empregado no ano, havendo fração igual ou superior a quinze dias como mês integral para efeito de cálculo. Ou seja, em termos monetários o 13º corresponde a 1/12 (um doze avos) da remuneração por mês trabalhado (MASCARO, 1997).

O 13º salário é uma garantia legal inserida na Constituição Federal de 1988 (art.7º, VIII, da Carta de 1988) a qual assinala que essa prestação é devida a todo empregado urbano ou rural (caput), inclusive o servidor público (art.39, parágrafo 2º) e o doméstico (art.7º, parágrafo único), além dos aposentados, pensionistas e trabalhadores avulsos.

No campo do Direito do Trabalho, a novidade foi à extensão ao empregado doméstico, pois a Lei nº. 4.090 já beneficiavam os demais empregados urbanos e rurais. Também o trabalhador avulso teve reconhecido esse direito, confirmando, assim, a determinação da Lei nº. 5.480, de 1968 (BRASIL, 1988).

A legislação determina ainda quem não tem direito ao recebimento do décimo terceiro: quem recebe renda mensal vitalícia, amparo assistencial ao idoso e ao deficiente, auxílio-suplementar por acidente de trabalho, pensão mensal vitalícia, abono de permanência em serviço e salário-família.

De acordo com tais dispositivos legais, apresentam-se os resultados deste estudo na Tabela seguinte:

TABELA 21 – Distribuição percentual dos idosos institucionalizados segundo recebimento do 13º salário. João Pessoa/PB, 2007.

Décimo Terceiro n % Sim 31 67,4 Não 9 19,6 N. R. 6 13,0 Total 46 100,0 FONTE: Primária

Verifica-se que um percentual significativo (67,4%) dos entrevistados afirma receber décimo terceiro salário, enquanto 19,6% afirmaram não receber tal benefício. O não recebimento se justifica pelo tipo de benefício recebido, como foi aludido anteriormente, porque só os aposentados e pensionistas têm direito ao 13º conforme a previsão legal.

Chama-se a atenção para um dado deveras polêmico em razão de sua ilegalidade: os idosos entrevistados afirmaram receber décimo terceiro salário e o compreendem esse como direito legal, no entanto, a instituição asilar não repassa para o idoso asilado, esse valor fica como pagamento a instituição que reside. Dessa forma, nega-se a pessoa idosa em situação asilar de usufruir desse direito. Entretanto, a reação dos entrevistados foi de comodismo e aceitação desse fato.

Figueiredo (2003, p.161), em pesquisa realizada com pessoas idosas em situação asilar identificou, que; “[...] em virtude de a maioria se sentir abandonada, o fato de lhe ser garantida a acolhida ao asilo, isto é, a segurança pessoal, potencializa-se esse elemento em relação aos demais. Desse modo, aflora o sentimento de gratidão [...]”.

Benzer Belgeler