2. YENĠ MEDYA VE GELENEKSEL MEDYA
2.5. Yeni Medya ve Siyasi Kampanyalar
A relação entre a Prefeitura Municipal de São Sebastião do Paraíso e os ternos de Congada e Moçam- bique datam do início da década de 1960. Desde então a formas de estímulo da atividade cultural vêm se desenvolvendo, o que culminou numa lei específica para a salvaguarda e manutenção dos ternos. Essa lei, datada de 2007, estabeleceu um compromisso entre a autoridade munícipe e os ternos. Um processo de institucionalização tomou conta da prática, os grupos doravante precisavam ser registrados como entida- des jurídicas, precisavam de autorização judicial pra acolher os menores de idade, deveriam cumprir uma série de exigências relativas aos ritos religiosos e aos desfiles competitivos para fazer jus ao benefício pe- cuniário ofertado pela prefeitura e deveriam prestar contas dos subsídios assim recebidos.
Apesar do papel essencial que o financiamento representa e da concordância dos ternos com o siste- ma vigente, uma série de tensões permeia a organização do evento e a manutenção dos ternos fora da época de festa. Essa tensão se deve em especial às diferentes mentalidades que guiam a esfera
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do poder público, eminentemente administrativa, e a mentalidade tradicional que rege uma prática de forte conte- údo religioso e conservador e que tem mecanismos tradicionais próprios de resolução de conflitos e de as- censão de seus membros. De maneira mais vasta, o embate, diga-se de passagem, sempre produtivo para esclarecimento das políticas e valorização das tradições, entre estes entes sociais liga-se à interdependên- cia entre a modernidade e a tradição.
Por um lado, a Prefeitura está interessada em tornar a expressão congadeira um espetáculo de am- plo alcance que seja reconhecido em consideráveis distâncias, elevando o nome da cidade no rol das ma- nifestações culturais, granjeando com isso um incremento no turismo atraído por essa festa tão linda. Por outro lado, há o interesse político de se manter próximo das massas como estratégia legítima de apoio eleitoral. De sua parte, contudo, os congadeiros e moçambiqueiros estão interessados na maximização de sua performance, na louvação que é religiosa, mas não intrinsecamente católica, no atendimento das ne- cessidades de seus membros que escapam à participação da festa. O terno não pode ser visto como unica- mente um grupo de dança que se apresenta num espetáculo, é uma associação solidária de sujeitos com demandas sociais e econômicas que são supridas na esteira do conforto espiritual que a devoção provê.
O estímulo à competição e o desconhecimento ou a desconsideração das formas complexas de con- flitos sagrados que permeiam os congados e moçambiques pode, sem que seja sua intenção, minar os gru- pos, lançando-os numa disputa dispendiosa para a qual os subsídios municipais são insuficientes e determi- nando assim que só os ternos maiores e com fontes externas de financiamento sobrevivam em longo prazo. Os critérios da verba pública não deveriam obrigar a participação no concurso, nem vincular a vitória à uma parcela maior de bônus. Os grupos menores deveriam ter uma atenção diferenciada. O mesmo valen- do para os ternos de moçambique que por sua natureza mantiveram-se menores e que, do ponto de vista espetacular equivocado, parecem menos importantes mas que são essenciais para o desempenho dos ritos como um todo, na medida que são grupos santos e com os direitos mágicos de carregarem santos e bandei- ras, sem os quais não haveria festa.
Outra coisa a se ponderar é que os ternos não compreendem exclusivamente os que saem a desfilar, sendo a sua rede social maior que seus componentes, pois engloba além dos participantes imediatos, fami- liares destes e visitantes. Por outro lado, os ternos são lugares de distribuição de alimentos, principalmen- te durante as festas, de forma que a quantidade de comida que a Prefeitura oferece deveria contemplar essa rede alimentar extra que acompanha o Congado e Moçambique.
Outra questão importante para os congadeiros é a ausência de uma política que sustente a tradição fora da época de festas. Os grupos permanecem e têm uma série de compromissos em festividades na re- gião vizinha e até mais longe, em São Paulo, cumprindo um ciclo de visitações que é um dos traços funda- mentais dessa prática. Além disso, mesmo durante a festa, grupos que se situam mais longe precisam de transporte. Todos os ternos entrevistados expressaram o desejo de que houvesse uma oferta de transporte que facilitasse essas excursões, o que contribuiria tanto para a manutenção da tradição quanto para a di- vulgação da cultura paraisense. Uma tradição viva deve ter apoio integral e um acompanhamento dura- douro de suas demandas. Contudo, a demanda mais perene é a de uma sede, pois nem todos os grupos a possuem e é uma tarefa complicada alugar um espaço por
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três meses para organizar a festa. Além do cus- to, tem um componente logístico que pode prejudicar e muito a preparação das manifestações.
Por fim, um assunto que foi muito debatido durante a festa de 2009 foi a transferência da festa de lugar. É fato que nos primeiros tempos a festa das congadas e moçambiques não era realizada na Praça da Matriz mas, desde que a Igreja do Rosário foi perdida, a Igreja Matriz tem sido palco desta festa. A nova Igreja do Rosário foi usada apenas uma vez e seria um destino lógico. No entanto, o seu sítio não é do agrado dos congadeiros e moçambiqueiros, pois não se situa na parte alta da cidade e ainda há um sanató- rio vizinho que impede festas de vulto. A mudança implica num deslocamento da tradição, que sairia da
centralidade do município para sua periferia. Os praticantes temem a perda de seu status e a perda de brilho da festa. Por outro lado a prefeitura alega que as festas teriam um infraestrutura melhor e o públi- co seria mais bem atendido.