Muitos dos conceitos que formam a base da compreensão da estratégia na atualidade foram desenvolvidos na primeira metade do século XX, com Frederick Taylor, por meio da Administração Científica. As premissas eram a produção baseada na eficiência, o desenvolvimento de estruturas organizacionais e a transformação de organização de produção para organizações guiadas por demanda após a Segunda Guerra Mundial.
Newman (1951) (apud Rainer Feurer e Kazem Chaharbaghi) foi o primeiro a demonstrar a natureza e a importância da estratégia. Em pouco tempo, o seu trabalho foi expandido por outros estudiosos. Em 1960, Andrews, Chistiansen e Ansoff (apud Rainer Feurer e Kazem Chaharbaghi) firmaram a base do planejamento estratégico demonstrando a necessidade de combinar as oportunidades de negócios com recursos organizacionais e ilustrando a utilidade dos planos estratégicos. Na década de 80, o foco mudou de planejamento estratégico para gerenciamento estratégico, tendo cada vez mais importância a questão da implementação da estratégia.
Nos anos 80, Henry Mintzberg admitira ser a estratégia descontínua e artesanal, enfim, uma arte que ultrapassava o formalismo que lhe fora imposto na década de 70 (CAVALCANTI, 2001). Para esta autora, a linha de evolução da estratégia empresarial continua em busca de uma construção organizacional que permita identificar competências amplas a serem desenhadas.
Esse cenário demonstra que existe uma evolução do conceito de estratégia, tornando necessário compreender o seu significado. A conceituação de estratégia apresentada nos livros de Administração é a de um plano, elaborado pela alta administração, para atingir determinados resultados. Entretanto, para Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), tal definição não parece representar a complexidade desse conceito, precisando ser mais bem explorada.
Segundo Mintzberg e Quinn (2001), em um ambiente competitivo, várias dimensões podem ser associadas à estratégia. O motivo de haver uma gama de conceituações diferentes acerca desse termo pode estar relacionado a sua origem grega, que relacionava a estratégia com a palavra guerra, e a tática com a palavra batalha. Mas, sob a ótica destes autores, na prática empresarial uma relação complementa a outra e, ainda, estratégia e tática podem ser vistas de formas diferentes pelos diversos gestores, dependendo da perspectiva de ação (MINTZBERG e QUINN, 2001).
planos e objetivos traçados com uma finalidade predeterminada para que a organização atinja os resultados convencionados, comunicados e formalizados. Já para Porter (1986), estratégia é um plano de como atingir as metas estabelecidas, enquanto as metas indicam aquilo que uma unidade de negócios deseja alcançar.
Já para Oliveira (1991), a estratégia não deve ser considerada como um plano fixo ou determinado, mas um esquema orientador dentro de um fluxo de decisões. Em outras palavras, para ele a estratégia empresarial é definida como um caminho, uma maneira ou ação estabelecida e adequada para alcançar os objetivos da empresa. Esse mesmo autor acrescenta, ainda, que a estratégia está relacionada à arte de utilizar adequadamente os recursos tecnológicos, físicos, financeiros e humanos, tendo em vista a minimização dos problemas empresariais e a maximização do uso das oportunidades identificadas no ambiente da empresa. Portanto, a estratégia empresarial é o ajustamento da empresa a seu ambiente, em geral em constante mutação, quase sempre com a empresa alterando suas próprias características, tendo em vista esse ajustamento. Assim, todo processo de implantação e acompanhamento das estratégias empresariais ocorre em circunstâncias de constante mudança (OLIVEIRA, 1991).
Para Matos (1993, p. 135), a estratégia deve afirmar preceitos da organização, como: Sua razão de ser (missão), e os valores que norteiam seu comportamento (filosofia), os objetivos, e as orientações compatíveis (políticas) e suas metas (que traduzem os objetivos em alvos concretos e como atingi-los), consideradas as exigências da situação, a níveis de ambiente interno e externo (planejamento estratégico).
Nesse sentido, a organização deve estabelecer uma estratégia adequada, que se fundamente em dois fatores: objetivos coerentes e compreensão do negócio (SERRA, TORRES e TORRES, 2004).
Mintzberg e Quinn (2001) propõem cinco definições diferentes para a estratégia. Segundo estes autores, estratégia pode ser definida como padrão, posição, perspectiva, plano ou pretexto. A estratégia como padrão, seja ela pretendida ou não, é uma consistência percebida no comportamento de uma empresa. Como posição, pode ser conceituada como uma maneira específica de uma empresa se colocar no ambiente no qual atua. A estratégia como perspectiva está direcionada a interpretar o indivíduo, caracterizando-se como união de pensamentos comuns e comportamento, interpretando assim a mente coletiva, compreendendo as intenções com o objetivo de compartilhá-las. Como plano, a estratégia dispõe de duas características essenciais: a) no sentido de que são preparadas previamente às ações para as quais se aplicam; e b) são desenvolvidas consciente e deliberadamente. Já como pretexto, a
estratégia pode valer-se de uma manobra com o sentido específico de enganar o concorrente ou em uma situação de negociação. Sua intenção real é a ameaça (MINTZBERG e QUINN, 2001).
Estes autores ressaltam que a estratégia como plano ou pretexto serve de sustentação para conduzir a estratégia de sua abordagem tradicional para a abordagem de estratégia emergente, a qual consolida a situação em que a estratégia pode efetivar-se em uma empresa de maneira não consciente, ou mesmo sem ser formulada.
Para Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), estratégia é um padrão, isto é, consistência em comportamento ao longo do tempo. Nesse sentido, os autores consideram que a estratégia como plano é a pretendida, projetada para o futuro, enquanto a estratégia como padrão é a realizada e diz respeito ao comportamento passado.
As cinco definições de estratégia propostas por Mintzberg e Quinn (2001) não se excluem mutuamente e estão interligadas, representando assim maneiras diferentes de compreender a abordagem que pode ser dada à estratégia, dependendo de em qual objetivo e missão a organização está focada.
Com base nos pressupostos teóricos antes abordados sobre a evolução do conceito da estratégia, foi elaborado o quadro 7, que destaca os autores citados e suas abordagens acerca de estratégia:
Autores citados Abordagens do conceito de estratégia
Newman (1951) Na década de 50, foi demonstrada a natureza e a importância da estratégia
Andrews, Chistiansen e Ansoff (1960) Na década de 60, foi firmada a base do planejamento estratégico demonstrando a necessidade de combinar oportunidade de negócios com recursos organizacionais Porter (1986) Estratégia é um plano de como atingir as metas estabelecidas
Mintzberg e Quinn (2001) Nos anos 80, é vista como descontínua e artesanal, diferentemente da perspectiva do formalismo que lhe fora imposto na década de 70
Matos (1993)
Razão de ser de missão, valores, filosofia, objetivos e metas, consideradas as exigências da situação, em nível de ambiente interno e externo (planejamento estratégico) Mintzberg e Quinn (2001) Padrão ou plano que integra os objetivos maiores de uma empresa, suas políticas e seqüência de ações em um todo
coeso Oliveira (1991)
Um esquema orientador dentro de um fluxo de decisões e um caminho, uma maneira ou ação estabelecida e adequada para alcançar os objetivos da empresa
Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000) É um padrão, consistência em comportamento ao longo do tempo Mintzberg e Quinn (2001) Aprimorado o conceito, analisando sob o enfoque dos 5 P’s: plano, pretexto, padrão, posição ou perspectiva
Abordagens do conceito de estratégia – continuação
Autores citados Abordagens do conceito de estratégia
Cavalcanti (2001)
Caracteriza-se pela composição de planos e objetivos raçados com uma finalidade predeterminada para que a organização atinja os resultados convencionados, comunicados e formalizados
Serra, Torres e Torres (2004) Fundamenta-se em objetivos coerentes e compreensão do negócio Quadro 7: Abordagens do conceito de estratégia
Fonte: Elaborado pelo pesquisador
Em se tratando de estratégias, torna-se necessário também mencionar outras abordagens relacionadas a esta orientação, que consiste na estratégia competitiva e na Visão Baseada em Recursos.