Guajará-Mirim10, cujo significado em tupi-guarani é ‗cachoeira pequena‘, também conhecido como ‖Pérola do Mamoré‖ (por estar localizado à margem direita do Rio Mamoré), foi criado em 1928, pela Lei 991 e, juntamente com a cidade de Porto Velho, a capital, criada em 1914, deram origem, em 1981, ao Estado de Rondônia11 (figura 1), na região Norte do País (figura 2). É, portanto, a mais antiga cidade do interior do Estado.
9 A contextualização sobre os professores de Guajará-Mirim está no capítulo que trata da pesquisa
empírica.
10 Era município do estado de Mato Grosso até o ano de 1943.
11 Pelo Decreto Lei 7.470/1945, os municípios de Guajará-Mirim e Porto Velho passaram a fazer parte
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Fonte: Atlas Geoambiental de Rondônia (2001)
Figura 1 – Mapa da formação inicial de Rondônia em 1976
Fonte: www.portalbrasil.net/brasil.htm
Figura 2 – Mapa da divisão político-administrativa do Brasil com a localização de Rondônia na região norte do país
Guaporé. Com a Lei Ordinária 2731/1956, passa a ser denominado Território Federal de Rondônia, em homenagem ao sertanista Marechal Cândido Rondon (1865-1958). No ano de 1981 foi aprovada a Lei Complementar 41, criando o estado de Rondônia, cuja instalação ocorreu em 04/01/1982. Sua área total, na atualidade, é de 237.576,167 km2 (TEIXEIRA; FONSECA, 2003; OLIVEIRA, 2005).
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No início do século XIX, a região era uma povoação conhecida como Espiridião Marques e um indicativo geográfico do ponto brasileiro ao local boliviano de Guayaramerin (situado à margem esquerda do Rio Mamoré), esta pertencente ao Departamento do Beni (Bolívia). Até finais daquele século, havia apenas seringais no município, que ainda era um povoado incipiente e que exercia o comércio com a referida localidade boliviana (TEIXEIRA; FONSECA, 2003).
Guajará-Mirim tem sua história relacionada à construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM12 - figura 3), ocorrida nos anos 1872-1912. A estrada ligava Porto Velho ao município e servia para escoar os produtos bolivianos até o Oceano Pacífico através do rio Madeira. Somente com a estrada é que o povoado veio a se constituir, no início do século XX, um núcleo urbano13. A partir daí houve um crescimento da povoação local e um incremento da agricultura e do extrativismo vegetal, decorrente da ampla e rica vegetação natural existente, o que, associado a outros fatores, garantiu a subsistência da localidade (TEIXEIRA; FONSECA, 2003). A ferrovia foi um instrumento de integração de uma região longínqua constituída de imensa floresta e rios encachoeirados de difícil navegação ao resto do Estado de Mato Grosso e do país. Através dela chegavam mais depressa alimentos e medicamentos; saíam a borracha e os produtos agrícolas para outras regiões. A estrada de ferro também favoreceu o processo de comunicação e o transporte de pessoas.
12 No ano de 1898, a Comissão Demarcadora de Limites (sediada no Rio de Janeiro, incumbida das atividades nas fronteiras do Brasil com o Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia) confirma que as regiões do alto rios Purus e Acre eram territórios bolivianos, ocupados por seringueiros brasileiros (nas primeiras décadas do séc. XIX havia um grande deslocamento de mão-de-obra nordestina para a Amazônia, para trabalhar nos seringais), e para resolver o conflito (pelo Tratado de Ayacucho, ou da Amizade, assinado em 1867 entre o governo da Bolívia e o Império do Brasil, a área geográfica onde, na atualidade, é o estado do Acre pertencia à Bolívia), em 17 de novembro de 1903 os governos brasileiro e boliviano assinaram, na cidade de Petrópolis, RJ, o tratado intitulado Tratado de Petrópolis, que garantiu ao Brasil a anexação da área territorial que formou o estado do Acre, que era a maior região produtora de goma elástica (borracha) do mundo, antes pertencente à Bolívia. Em troca, o governo brasileiro se comprometeu a construir uma ferrovia margeando o trecho encachoeirado do rio Madeira ao Mamoré, além de pagar dois milhões de libras esterlinas à Bolívia. Sua construção envolveu a importação de mão-de-obra de várias partes do mundo como nativos das colônias inglesas da América Central (barbadianos), italianos, norte-americanos, ingleses, gregos, hindus, espanhóis, portugueses, alemães, libaneses, chineses, israelitas, franceses, além de muitos outros de nacionalidades não discriminadas. Estima-se que sua construção envolveu em torno de 22 mil trabalhadores e que morreram em torno de seis mil pessoas em decorrência de doenças tropicais características da região, como malária e febre amarela, além do ataque de índios, dos problemas de insalubridade e da carência de alimentos (TEIXEIRA; FONSECA, 2003; OLIVEIRA, 2005).
13 Para a construção da EFMM, foram edificadas residências e escritórios da ferrovia e nos arredores
também foram levantadas edificações improvisadas, fazendo surgir um núcleo de povoamento (TEIXEIRA; FONSECA, 2003).
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Fonte: http://www.infoescola.com/historia-do-brasil/estrada-de-ferro-madeira-mamore/
Figura 3 – Imagem da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM)
Entre os anos de 1960 e 1961, por iniciativa do então Presidente Juscelino Kubitschek e do governador do território, Ênio Pinheiro, foi construída a BR14 364,
ligando Cuiabá (MT) a Porto Velho (RO), cuja pavimentação só ocorreu em 1984 (na atualidade, esta BR inicia no Estado de São Paulo), permanecendo a ligação da capital do Estado com Guajará-Mirim pela EFMM.
Em 1964, o regime militar decretou a extinção da EFMM e em 1966 enviou para a capital o 5º Batalhão de Engenharia e Construção (5° BEC) com o intuito de abrir uma rodovia que ligasse Porto Velho a Guajará-Mirim. Em 1972, a ferrovia foi desativada e seus pertences foram leiloados em decorrência da construção da BR 425 (TEIXEIRA; FONSECA, 2003).
O município está localizado a altura do Km 360 da BR 425, conforme figura 4.
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Fonte: http://webcarta.net/carta/mapa.php?id=276&lg=pt
Figura 4 – Mapa de localização das BRs 364 e 425, ligando a capital ao município
Guajará-Mirim divisa ao norte com Nova Mamoré e Campo Novo de Rondônia; a leste com Governador Jorge Teixeira e São Miguel do Guaporé, ao sul com Costa Marques e República da Bolívia (figura 5) e a oeste com a República da Bolívia15.
15 Enquanto a linha de fronteira do Brasil corresponde a 15.719 km de extensão (CENTRO DE
ESTUDOS DE POLÍTICAS E ESTRATÉGIAS NACIONAIS - CEPEN, 2010), fazendo limites com nove países da América do Sul, além do Departamento Ultramarino Francês da Guiana (figura 2), estando na região norte a maior extensão, quase dois terços, a do estado de Rondônia corresponde a cerca de 1.373 km, sendo 263 km pelo rio Mamoré e 1.210 km pelo rio Guaporé (ATLAS Geoambiental de Rondônia, 2002). BR 364 BR 425 Guajará-Mirim, localizado a altura do KM 360 da BR
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Fonte: dtr2002.saude.gov.br/caadab/indicadores/rondonia/GUAJARA-MIRIM.pdf
Figura 5 – Mapa de localização de Guajará-Mirim no Estado de Rondônia
A distância da cidade de Guajará-Mirim de Guayaramerin é de apenas 2 km, separadas somente pelo Rio Mamoré, conforme a figura 6.
Guayaramerim-Bolívia
Guajará-Mirim-Brasil
Fonte: http://folhadevilhena.com.br/news2011/?p=189
Figura 6 – Imagem de Guajará-Mirim (Brasil) e de Guayaramerin (Bolívia)
Nova Mamoré
Campo Novo de Rondônia
Governador Jorge Teixeira
Costa Marques São Miguel do Guaporé
Guajará-Mirim
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A área do município, na atualidade, é de 24.856 km² (IBGE, 2008), sendo considerada a segunda maior área do Estado de Rondônia (que possui 52 municípios) em extensão territorial (em torno de 10,4% do total). Cerca de 92% dela constitui-se de unidades de conservação (UCs) que devem ser preservadas, conforme instrumentos legais16. Além disso, é o oitavo município do Estado em população.
Em maio de 2009, no Rio de Janeiro, juntamente com outros 29 municípios, angariou o título de Cidade Verde, concedido pelo Instituto Ambiental Biosfera17, considerando seu mosaico18 de áreas protegidas, que o torna um dos maiores municípios brasileiros em áreas preservadas. Salienta-se que além das UCs, com Reservas Extrativistas (RESEXs) e Reservas Biológicas (REBIOS), criadas entre os anos de 1990-1995, abrange, em seu território, terras indígenas19.
Apesar de sua grande extensão territorial, apenas 8% (aproximadamente) dessa área está destinada à exploração humana, em termos de urbanização (envolvendo indústrias e serviços), agropecuária e pesca.
Por estar situada em área de fronteira internacional, no ano de 1991 foi criada a Área de Livre Comércio de Guajará-Mirim (ALCGM), com 82,50 km2, através da
Lei 8.210/1991, regulamentada pelo Decreto 843/93, como alternativa econômica, considerando que os produtos nacionais vinham perdendo mercado para os importados vendidos no país vizinho. Como parte de um programa desenvolvido pelo Ministério de Integração Regional, a ALCGM foi criada visando favorecer o comércio e a indústria. Em pleno funcionamento e totalmente estruturada, está sob administração direta da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA).
16 Exemplos: a Reserva Extrativista (RESEX) Rio Ouro Preto, federal, criada pelo Decreto 9.166/1990,
assinado pelo então Presidente José Sarney; as RESEXs estaduais Rio Cautário, através do Decreto nº 7.028/1995, e Pacaás Novos, por meio do Decreto 6.953/1995; o Parque Estadual de Guajará- Mirim, pelo Decreto 4.575/1990; e as reservas biológicas (REBIOs) estaduais Rio Ouro Preto, pelo Decreto 4.580/1990, e Traçadal, pelo Decreto 4.583/1990 (ATLAS Geoambiental de Rondônia, 2001). Em 1990 era governador do estado Gerônimo Garcia de Santana, e em 1995, Valdir Raupp de Matos.
17 Organização não-governamental sem fins lucrativos (ONG), criada em dezembro de 1989, com
sede no Rio de Janeiro.
18 Se refere à imagem que se observa (o todo) constituída da justaposição de partes menores e
diferenciadas ou distintas, por exemplo, o conjunto de áreas protegidas constituídas das UCs do município.
19 São terras destinadas pelo governo federal para o usufruto exclusivo das comunidades indígenas.
De acordo com o art. 231, § 1º, da Constituição Federal (CF)/1988, ―são terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas‖.
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Conforme art. 1º do Decreto 843/1993, a ALCGM, em Rondônia,
é dotada de condições para exercer o livre comércio de importação e exportação, sob regime fiscal especial, criada com a finalidade de promover o desenvolvimento das regiões fronteiriças do extremo noroeste daquele Estado, bem como incrementar as relações bilaterais com o país vizinho, segundo a política de integração latino-americana.
A instalação da ALCGM acentuou o fluxo de turistas, fez crescer o número de habitantes e de investimentos, particularmente na prestação de serviços hoteleiros, restaurantes e no negócio de importados. Além disso, constituem a base econômica local a pecuária, a atividade pesqueira, a agricultura, a indústria extrativista, além da forte ―economia do contracheque‖20, e das atividades informais, constituídas pelos
vendedores ambulantes e feirantes.