Sultan III. Selîm Hân (24 Ocak 1761-29 Temmuz 1808)
YENİKAPI MEVLEVÎHÂNESİ’NDE BAYRAMLAŞMA USÛLÜ
Em qualquer ato linguístico, realizamos também significados de tipo textual, significados estes ligados ao modo como as coisas de que falamos estão relacionadas entre si, o modo como se relacionam com o que foi dito anteriormente e/ou com a situação de comunicação. Tais significados associam-se à metafunção textual, responsável pela organização dos significados experienciais e interpessoais e pela criação do sentido global do texto. Por meio dessa metafunção ocorrem as escolhas da construção da mensagem, as decisões que o falante toma em relação à distribuição da escolha do seu discurso.
Assim sendo, a atuação da metafunção textual é essencial para a construção de instâncias de significado ideacional, quer no momento da produção quer no da recepção do enunciado, devido ao papel que desempenha na organização da oração como mensagem. Para Halliday (1994:37), o sistema temático dá à sentença o status de mensagem. A metafunção textual diz respeito aos recursos linguísticos disponíveis para a organização – especialmente do fluxo de informação – de um texto. Segundo Halliday ([1970] 2002:199) e Halliday e Mathiessen (1999:11-15),
o sistema semântico capacita o falante para estruturar o significado como texto, organizando cada elemento como uma informação e relacionando-a significativamente ao que veio antes.
A metafunção textual reflete ou destaca a importância de uma informação – já conhecida ou nova – diante da posição que esta ocupa na sentença. Matthiessen (1995:26) descreve a metafunção textual como a metafunção que torna possível a um sujeito falante e a um sujeito ouvinte desenvolverem sistemas de instanciação ideacional. Para o autor, a metafunção textual
permite que o falante e/ou escritor organize os seus significados no discurso; sendo assim, ele/ela orienta o ouvinte e/ou leitor a construir um sistema ideacional na interpretação do desdobramento do texto.13
Essa metafunção é um sistema que intervém, necessariamente, a favor das metafunções ideacional e interpessoal na organização da mensagem e apresenta diferentes realizações na organização da mensagem.
O tema e suas diferentes realizações
A escolha temática é um recurso utilizado pelo autor para atingir os seus objetivos. Em uma oração, o elemento tipicamente escolhido como tema dependerá da escolha de modo da oração, seja no modo indicativo seja no imperativo.
Quando as orações se apresentam no modo indicativo, podem ser declarativas ou interrogativas. Orações interrogativas iniciadas por (QU-) podem apresentar polaridade (sim/não) de conteúdo. Em orações declarativas, os temas podem ser marcados e não marcados, sendo que estes últimos – os não marcados – correspondem ao padrão mais usual.
13 “(…) enables the speaker or writer to organize his/her instantial meanings logogenetically in text and by doing this, s/he guides the listener or reader in constructing an instantial ideational system in his/her interpretation of the unfolding text”.
Os temas marcados são atípicos, ou seja, não usuais, e podem ser representados por um sintagma adverbial ou preposicionado, funcionando como adjunto na oração; ou por um complemento, um sintagma nominal que não esteja funcionando como sujeito. Em vista disso, esta costuma ser a opção temática mais marcada em orações declarativas. Vejamos o exemplo (1) de tema14 não marcado:
(1) LADEL 007
Seleção temática
TEMA
REMA
textual interpessoal ideacional
Ex nãomarcado Esseartigo
apresenta uma análise comparativa de partes de dois documentos oficiais que têm por função explícita prescrever o trabalho dos professores.
As discussões existentes sobre temas não marcado e marcado pairam sobre a questão de uma escolha considerada marcada ser não marcada em contextos diferentes. Alguns trabalhos discutem essa questão ao tratarem de relatórios anuais e cartas de anúncio de produtos e serviços (SIQUEIRA, 2000; LIMA-LOPES & VENTURA, 2008). Em suas pesquisas, os autores lembram que há casos em que o tema deve ser o processo (ou verbo) por representar o primeiro elemento experiencial da sentença, como em: Busco aqui elaborar um estudo sobre a textualidade eletrônica e a autoria nos blogs.
Nesse exemplo, os autores defendem que o tema seria Busco, enquanto aqui elaborar um estudo sobre a textualidade eletrônica e a autoria nos blogs seria o rema.
Vale ressaltar que partilhamos da postura adotada por Barbara e Gouveia (2001) em relação à realização do tema em português. Para esses autores, o tema é um elemento coesivo que pode (ou não) ser expresso; acrescentam, ainda, que – apesar de elíptico – o tema é recuperável pelo processo de coesão textual.
Ainda segundo Barbara e Gouveia, quando o tema não está expresso as escolhas podem, em vários contextos, ser consideradas equivalentes a situações onde ele está presente, visto que o falante não vê diferenças entre essas instanciações. Por último, sustentam que a classificação do processo como tema 14
marcado é uma transferência direta da regra do inglês, deixando de lado as especificidades do português. Portanto, a oração Busco aqui elaborar um estudo sobre a textualidade eletrônica e a autoria nos blogs assim se apresentaria:
(2) LADEL 022
Seleção temática
TEMA
REMA
textual interpessoal ideacional
Ex. (Eu)
Busco aqui elaborar um estudo sobre a textualidade eletrônica e a autoria nos blogs,
Passo agora à identificação dos principais tipos de temas: simples e múltiplos. Temas simples são formados apenas pelo primeiro elemento experiencial da oração. O tema no exemplo 2 é simples pois limita-se ao elemento experiencial da oração (o sujeito, ou seja, o participante – neste caso, “eu elíptico”).
O tema múltiplo é formado por um tema experiencial precedido por outros tipos de temas: o textual e/ou o interpessoal. Antes de abordarmos os temas múltiplos, cabe esclarecer que há elementos que mantêm um status especial na estrutura temática, aqueles que são tipicamente mas não obrigatoriamente temáticos – por exemplo, os adjuntos conjuntivos (de fato, ou seja, além do mais, assim...), cujo papel é o de relacionar a oração ao texto que a antecede. Já os adjuntos modais (certamente, talvez, infelizmente...) expressam o julgamento do falante em relação à relevância da mensagem.
Por sua vez, os elementos obrigatoriamente temáticos são as conjunções (e, logo, mas...) e os relativos (o qual, cujo,...), elementos esses que relacionam a oração à oração anterior, dentro da mesma sentença. Como são tipicamente ou necessariamente temáticos, a presença de um deles na oração não esgota o seu potencial temático. Sendo assim, o elemento que o sucede ainda fará parte do tema. Por conseguinte, quando um adjunto conjuntivo, modal, relativo ou conjunção estiver em posição inicial na oração, ele formará, juntamente com o elemento subsequente, um tema múltiplo. O tema múltiplo pode ser constituído por um tema textual + tema experiencial; por um tema interpessoal + tema experiencial; ou por uma combinação dos três, sendo que a ordem mais típica é a textual^interpessoal^experiencial.
O exemplo 3 contém um tema múltiplo constituído por um tema interpessoal e um tema ideacional. (3) LADEL 021 Seleção temática TEMA REMA
textual interpessoal ideacional
Ex. Decididamente, a ciência
começa quando podemos provar que o sol não nasce nem morre no ocidente.
No exemplo 4, podemos observar outro tema múltiplo, constituído por um tema textual e um tema ideacional.
(4) LADEL 003
Seleção temática
TEMA REMA
textual interpessoal ideacional
Ex. contudo, o nomadismo
implica no trânsito necessário entre as disciplinas, como forma de ampliação do olhar que lançamos ao nosso objeto de estudo.
Em síntese, a metafunção textual é responsável pela organização da mensagem. O tema representa o ponto de partida da mensagem, enquanto o rema é responsável pela informação nova. Dessa forma, esses dois elementos dão à sentença o seu caráter de mensagem, estabelecendo coesão e coerência textuais.
Em seguida, apresento a metafunção interpessoal em maior profundidade, uma vez que ela também se constitui em um dos focos desta pesquisa.