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YENİ MUHASEBE VE DENETİM SÜRECİNE GÖRE ZORUNLU MESLEKİ EĞİTİMİN DEĞERLENDİRİLMESİ

Belgede TÜRK YE MUHASEBE FORUMU (sayfa 105-114)

MESLEKİ EĞİTİM VE SINAVLARIN DURUMU

YENİ MUHASEBE VE DENETİM SÜRECİNE GÖRE ZORUNLU MESLEKİ EĞİTİMİN DEĞERLENDİRİLMESİ

As análises realizadas na seção anterior conduziram-nos a perceber alguns indícios que nos permitiram apreender as formas de circulação de sentidos. Percebemos que do processo de regularização dos sentidos atestados para as sátiras coloniais no interior dos discursos advindos dos institutos históricos decorreu a representação de Cartas Chilenas como a mais expressiva produção literária que registraria o espírito militante de liberação dos povos, característico do movimento político que fora abordado em uma narrativa que comportaria em seus versos uma biografia de seu autor e da sociedade mineira. No plano das representações da memória cultural da nossa região,

admitimos que as sátiras, em seu estatuto máximo de prova documental do clima político típico de Vila Rica no século XVIII, são incorporadas interdiscursivamente ao mito da Inconfidência como discurso constituinte, posto que elas conferem sentido aos atos de fala de uma coletividade, de uma comunidade discursiva guiada por intencionalidades políticas bem específicas, como já discutimos. Na perspectiva que assumimos:

Os discursos constituintes tem a seu cargo o que se poderia denominar o

archeion de uma coletividade. Esse termo grego, étimo do termo latino

archivium, apresenta uma interessante polissemia para a nossa perspectiva: ligado a arché, ‘fonte’, ‘princípio’, e, a partir disso, ‘mandamento’, ‘poder’, o

archeion é a sede da autoridade, um palácio, por exemplo, um corpo de magistrados, mas igualmente os arquivos públicos. Ele associa, dessa maneira, intimamente, o trabalho de fundação no e pelo discurso, a determinação de um lugar vinculado com um corpo de locutores consagrados e uma elaboração de memória. (MAINGUENEAU, 2006, p.61)

Recorremos então aos debates discursivos propostos por Maingueneau (2006, p. 60), para o qual a expressão discurso constituinte designa fundamentalmente aqueles discursos que se propõem como discursos de Origem, validados por uma cena de enunciação que autoriza a si mesma, além de estarem atrelados a uma fonte legitimadora. No caso das Cartas Chilenas, o discurso presente em sua estrutura narrativa foi concebido sob a aparência do real, de modo que os fatos/personagens nela representados equivalem àquela realidade atestada pelos arquivos, logo, seu insumo biográfico atravessa necessariamente sua significação tanto no campo político como no literário. Dizemos isso em função da convocação frequente que se faz às sátiras para que elas respondam tanto sobre o clímax político experienciado em Vila Rica em épocas de motins, quanto sobre o nascimento de uma literatura genuinamente brasileira, já que sugerem um autor cuja observação sutil recai sobre a natureza que o cerca. Ancoradas no arquivo, o Estado e a História constituem-se como suas fontes legitimadoras na medida em que buscam consolidar uma tradição de sentidos.

Prende-se ainda a essa tradição de sentidos a retomada de padrões comportamentais expressos pelos valores materializados em discurso. Como discutimos, tais valores emergem da incorporação Gonzaga/Critilo de forma que conferem às sátiras um caráter formativo, já que elas são postas a serviço de uma autodefinição e confirmação de identidades ao narrarem histórias que devem ser assumidas como nossas, como aponta Assmann (2008a) ao debater a questão dos textos culturais. Dessa forma, a imagem do brasileiro moldado pelo Estado tem sua fundação na própria ação política dos

inconfidentes, homens destemidos que lutam pela liberdade de sua pátria, opondo-se a qualquer injustiça. Indivíduos patriotas.

Acreditamos que o processo de inscrição discursiva das Cartas Chilenas no plano da memória cultural da nação e mais especificadamente da Região dos Inconfidentes acionou duas operações discursivas precisas: (I) o estabelecimento do estatuto de prova documental observável no interior dos institutos e reafirmado nos prefácios analisados, procedimento científico que atesta a legitimidade das sátiras, centralizando-as no campo do fazer histórico; (II) a incorporação da narrativa em seu aspecto de obra literária como discurso constituinte do Mito da Inconfidência, a partir do qual se podem constituir outros discursos, sejam sobre liberdade, injustiça, governantes fanfarrões, corrupções, entre outras temáticas que podem ser apreendidas nas sátiras, que adentram a categoria do citável. Essas duas operações, que se chocam e se comunicam, situam as Cartas Chilenas no interior de um imaginário sociodiscursivo que deve vibrar no tempo, garantindo assim que sua significação seja coesa à tradição de sentidos empreendida pela República. Um corpo consagrado de interlocutores estabeleceu um percurso discursivo de sentidos:

Portanto, não podemos ter certeza de como as pessoas estão significando/interpretando as palavras que supomos serem as mesmas para todos. Porque não temos controle sobre o modo como a ideologia funciona, constituindo o individuo em sujeito, nem como os sentidos fazem sentido para os sujeitos. Não sabemos como os sentidos se constituem em nós mesmos. Nossa memória discursiva é estruturada pelo esquecimento. Já nem lembramos quando e como a palavra liberdade começou a fazer sentido para nós, ou para a sociedade na qual vivemos. Como diz M.Pecheux (1990) ‘é por filiação a uma complexa rede de sentidos e não por aprendizagem que os sentidos se constituem’.(ORLANDI, 2012, p.156)

Partindo dessas colocações, gostaríamos de recuperar um princípio que norteia este estudo: sentidos e sujeitos constituem-se recíproca e mutuamente. Longe de atestarmos uma significação precisa para as sátiras, buscamos evidenciar certas peças do jogo mnemônico articulado pelo poder republicano em prol de uma política nacionalista carente de um projeto de identidade que reunisse os membros da nação em termos de um copertecimento capaz de desfazer ou apaziguar certas desigualdades. O discurso pela liberdade seduziu multidões, sendo ele a engrenagem central de tal jogo mnemônico: para ser livre, é preciso lutar como nossos antepassados lutaram pela liberdade em Minas. A bandeira dos inconfidentes deve ser aquela de todos os nossos dias: Libertas quae sera tamem.

Nosso estudo discursivo direciona-se agora para a estrutura retórica das sátiras. Nosso objetivo é perceber quais elementos característicos das sátiras permitiriam o ajuste de lente efetuado pelos agentes do poder de modo que os sentidos estabelecidos por uma comunidade discursiva específica sejam efetivados na leitura dos versos. Nosso ponto de partida são justamente as paráfrases identificadas nos prefácios: em que circunstância é possível aferir o discurso libertário? De que modo a persona satírica mostra-se humana, compreensiva, corajosa, entre outras imagens representadas de Critilo? Sobre o que se delibera nas sátiras? Estes questionamentos exigem uma observação cuidadosa das engenhosidades presentes no plano retórico de Cartas Chilenas, para o qual deslocamos nossa análise.

Belgede TÜRK YE MUHASEBE FORUMU (sayfa 105-114)