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Yedinci Alt Problem: Vurgu ve Tonlamalarla Konuşmayı Etkili Hale Getirme

4. BULGULAR VE YORUM

4.2. Alt Problemlere İlişkin Grafikler, Bulgular ve Yorumlar

4.2.7. Yedinci Alt Problem: Vurgu ve Tonlamalarla Konuşmayı Etkili Hale Getirme

Mas, além de homicídios, encontramos outras formas de violência retratadas pelos jornais. Exemplo disso é uma imagem32 publicada no Diário da Tarde acompanha a seguinte

manchete: “Briga e tiroteio em boate na Pampulha”. A foto mostra um muro com um grande portão, totalmente fechado e com algumas pichações. No alto do portão vemos uma espécie de toldo enrolado e, acima, uma placa parcialmente escondida pelos galhos de uma árvore que se encontra na calçada para onde dá o muro. Na placa podemos ler as palavras “Star Club”. Trata-se da fachada da boate a que se refere o título da matéria. No momento da foto, uma mulher passa em frente ao portão, e vemos um homem sentado em um caixote e encostado no muro lateral à fachada. O estabelecimento fica na Avenida Antônio Carlos, segundo o texto, na altura do Bairro Liberdade. A imagem não mostra o crime mas aponta o local e acresce a ele uma relação de violência, de perigo. Há um acréscimo no significado aparente da imagem e, conseqüentemente, um novo significado para a apreensão desta pelo leitor. A cidade permanece divida pela representação do jornal.

No jornal Estado de Minas do dia 06 de agosto de 2003, um crime está retratado a partir não do local, mas a partir do criminoso. Uma foto33

mostra um rapaz que caminha em frente a uma parede toda pintada de vermelho onde podemos ler parcialmente as palavras “Compra”, “Vende”, “Troca” e “Financia”. A imagem acompanha a seguinte manchete: “Sargento é suspeito de roubo e receptação”. O homem da imagem é o sargento acusado de envolvimento em crime de roubo e receptação de veículos, mais especificamente de motos. A foto publicada é uma foto de arquivo, conforme indicam suas referências. Mas além desta indicação, apontando o criminoso, desperta-nos um curioso jogo de palavras. As palavras escritas na parede vermelha vão de encontro às palavras do título e criam um embate. A figura do sargento não está relacionada às palavras que o acompanham na imagem e sim às que o

32 Foto sem referência de autor; P&B; 9,6 cm x 7 cm; Diário da Tarde; 14/02/2004; caderno CIDADES; pág. 05. 33 Foto de Emmanuel Pinheiro (30/07/2003); 4C; 9,5 cm x 11,4 cm; Estado de Minas; 06/08/2003; caderno GERAIS;

descrevem no título. Através de um retrato e de um ambiente externo, na rua, o jornal aponta para a corrupção na cidade.

Outra imagem, uma grande foto34

publicada no jornal Diário da Tarde, mostra a carroceria de um caminhão aberta e em seu interior várias caixas. Apoiado em uma das caixas, no centro do interior do veículo, um quadro da Polícia Civil onde podemos ler “Repressão ao Furto e Roubo de Cargas”. A imagem corresponde a um caminhão carregado de eletrodomésticos, roubado por uma quadrilha especializada e recém-apreendido pela polícia. A legenda abaixo da foto diz: “O caminhão Mercedes-Benz com os eletrodomésticos foi tomado de assalto no último dia 2, quando o motorista passava pelo bairro Jardim Vitória. Ele e o filho ficaram em poder dos criminosos”. Sobre os criminosos, a manchete principal diz: “Mulheres envolvidas”.

Relacionada a essa manchete está uma foto-notícia35

estampada no jornal O Tempo, onde vemos um homem e uma mulher, sentados em uma sala. O homem, mais ao fundo, no canto esquerdo da imagem está cabisbaixo, com as mãos para trás, provavelmente presas. A qualidade da imagem impede de vermos nitidamente seu rosto. Já a mulher, uma loira, em primeiro plano da foto, olha fixamente para um ponto, para cima, como se olhasse para alguém. Pela expressão do rosto do casal alguém parece lhes falar em tom de repreensão. A mulher está algemada, o que é possível ver com precisa clareza. O texto abaixo da foto diz: “Roubo de Carga: Gracielle Fagundes Dias e Wiliam Luiz de Paula foram detidos pela Delegacia de Repressão ao Furto, Roubo e Desvio de Carga de Veículos; eles são acusados de integrar uma quadrilha de receptação de carga roubada”.

As duas imagens, como podemos ver, ilustram um crime e o constroem imageticamente de maneiras opostas. No entanto, permeando as duas imagens, encontramos novamente a figura da polícia. Mas diferentemente do que vimos nas imagens que representavam sob diversos ângulos os assassinatos ocorridos na cidade, onde a polícia era uma “presença ausente”, podemos dizer que desta vez há uma “ausência presente”. A polícia não aparece, mas sua presença na resolução dos crimes de outra natureza que não os homicídios está evidente. Outras imagens de crimes mostram isso.

Nesse sentido, uma fotografia, publicada no jornal O Tempo, deixa essa relação transparecer. No primeiro plano da foto, uma foto-chamada36 (Figura 33) na capa do jornal,

vemos um aglomerado de garrafas de “bebidas de dose”, todas desfocadas pela câmera, das quais vemos apenas a parte superior. Ao fundo da imagem, “acuadas” pelas garrafas, cinco pessoas. Aparentemente quatro homens e uma mulher. Todos estão de cabeças baixas, escondendo seus

34 Foto de Jair Amaral; 4C; 29,7 cm x 15,7 cm; Diário da Tarde; 09/10/2003; caderno CIDADES; pág. 06. 35 Foto de Rodrigo Clemente; P&B; 9,5 cm x 9 cm; O Tempo; 09/10/2003; caderno CIDADES; pág. B3. 36 Foto de Pedro Vilela; 4C; 14 cm x 9,4 cm; O Tempo; 14/02/2004; capa. (Figura 33)

rostos. Eles se encontram sentados de costas para um portão azul. A distância entre eles e as garrafas, reforçada pela composição da imagem, mostra que todos encontram-se no fundo de um lote, de um espaço aberto de algum local. Abaixo da fotografia o seguinte texto: “Bebida que desce quadrado: Falsificadores de bebida são presos no bairro Trevo, Pampulha. A ‘fábrica’ funcionava atrás de templo do Evangelho Quadrangular. A polícia quer saber onde as bebidas eram vendidas”.

Novamente não vemos a polícia, mas o ângulo sob o qual foi representado o crime e o do texto da foto deixam clara a presença policial. A foto reforça a idéia da apreensão policial, mostrando, como já dissemos, os criminosos ao fundo (não deixando, portanto, de evidenciar o crime), cercados pelas garrafas em primeiro plano, fazendo alusão ao cerco da polícia, indicado pelo texto, e reforçando a idéia, que também já apresentamos, da represália.

Uma outra imagem37

(Figura 34) que deixa evidente a presença policial, dessa vez de forma mais precisa, está estampada no jornal Diário da Tarde. Uma grande foto mostra o capô de um carro da Polícia Militar e, sobre ele, vários sacos plásticos contendo munição (balas de armas de fogo) e outros sacos que, segundo a legenda, conteriam drogas (cocaína e pedras de crack). Todo esse material foi apreendido pela PM em um barraco na favela do Morro das Pedras e, segundo os textos principais que a acompanham, pertenceriam ao traficante Ném Sem-Terra. O barracão pertence a uma dona de casa que teria sido obrigada a guardar o “arsenal”. O jornal, portanto, traz uma imagem dos produtos já apreendidos pela polícia. Assim, poderíamos nos perguntar: não seria esta então uma foto estritamente relacionada à polícia e não ao crime? Talvez. No entanto, a presença da droga deixa à mostra a tensão existente na imagem.

Ao longo do corpus, outras imagens, referindo-se a crimes e a outros temas relacionados à violência da cidade, trarão representada a polícia (os policiais) e a representarão de diversas maneiras. Nelas, mais que os crimes, as vítimas e os criminosos, a segurança e o controle da polícia (dos policiais) ganham destaque, ocupando lugares, combatendo ações criminosas, intervindo de alguma forma na vida dos cidadãos em busca de dar-lhes vigilância e proteção.