• Sonuç bulunamadı

O período histórico compreendido pela era da pós-modernidade caracteriza-se por um paradoxo de ruptura, em virtude do questionamento e superação da escala de valores inerentes ao ciclo cultural referido à Idade

243 Eduardo C. B. Bittar, O Direito na Pós-Modernidade, p. 102/103. Apesar de não existir um consenso em relação ao marco histórico que inaugura a pós-modernidade, acredita-se que ³D PRGHUQLGDGH HVWDU-se-ia fragmentando com maior nitidez e clareza a partir de 1970, com a irrupção de inúmeros fenômenos sociais e culturais que marcam de modo incontestável a sua falência paradigmática. É exatamente neste contexto que a idéia de absurdo, a filosofia da existência, a desesperança no projeto da modernidade, o desencantamento do mundo surgem como idéias fortes, na tentativa de entrever respostas, ainda que lânguidas aos desesperos existenciais de um modelo esfacelado e desprRYLGRGHVHQWLGRILORVyILFR´(Eduardo C. B. Bittar, O Direito na Pós-modernidade, p. 99).

Moderna, e, simultaneamente, de continuidade, pois, ainda que se constate a crítica aos valores próprios da modernidade, eles não desaparecem e sim passam a ser combinados gradualmente com as novas tendências necessárias ao atendimento das exigências originadas no plano da realidade sócio- econômica na qual se desenvolve a humanidade, propiciando a revelação da solidariedade social como invariante axiológica.

Doravante, a convivência recíproca entre valores na pós-modernidade conduz a sociedade para uma crescente heterogeneidade, sem qualquer possibilidade de retorno, na qual as diversidades dos modos de vida se relacionam e se implicam mutuamente, o que exige uma conformação que não se sustenta por paradigmas históricos ou mesmo dogmas sociais, erigindo, daí, a importância decisiva de se reafirmar o conteúdo axiológico da solidariedade neste momento como tentativa de alcance da unidade em sintonia com a diferenciação progressiva de ideais existentes no contexto social244.

Sob a perspectiva do mundo jurídico, a complexidade da sociedade pós-moderna acaba por colocar em risco seus primados fundamentais,

244 Perante tal cenário, algumas vozes se levantam em prol do sentimento de solidariedade, como o caso do filósofo belga Philippe Van Parijs, que, ao justificar o necessário intervencionismo estatal, utiliza-se de uma concepção tripartite, que procura consagrar em seu núcleo o ideal de solidariedade: a existência de uma renda básica universal, distribuída indistintamente a todos os membros da sociedade, como consagração de um direito humano a uma subsistência mínima; a globalização democrática, voltada para formação de uma comunidade política mundial, que possibilitará o reconhecimento consciente de que todas as nações compartilham dos mesmos interesses; e, finalmente, o patriotismo solidarista, sentimento de ordem moral fundado na caridade, que exige o comprometimento dos cidadãos para com a criação de uma sociedade justa, a partir de tratamentos igualitários e do respeito aos postulados institucionais de preservação da ordem pública. E Van Parijs pondera que: ³XPDVRFLHGDGHMXVWDpXPDVRFLHGDGHRUJDQL]DGDGHWDOPDQHLUDTXH QmR WUDWD VHXV PHPEURV VRPHQWH FRP LJXDO UHVSHLWR PDV WDPEpP FRP LJXDO VROLFLWXGH´. (O que é uma sociedade justa?, p. 210).

principalmente, no plano constitucional, demonstrando sua inoperância no atendimento de diretrizes retratadas no corpo de Textos Constitucionais construídos para o provimento de ações públicas positivas direcionadas à garantia das liberdades individuais e do intervencionismo no campo social, ou seja, Constituições que refletem em seus conteúdos as conquistas históricas obtidas durante o ciclo cultural da modernidade, com a consagração do Estado Liberal e, posteriormente, do Estado Social245.

Por certo, a questão que envolve a fundamentação jurídica da solidariedade aparenta estar superada, existindo, durante este período, um consenso em relação a sua necessária inserção em documentos normativos voltados à consagração de direitos humanos, haja vista sua primeira percepção histórica como invariante axiológica, ao servir como valor determinante para justificar a consagração dos direitos humanos de terceira geração.

No entanto, o problema a ser solucionado parece ser outro, diante dos influxos da política neoliberal e do surgimento da pós-modernidade, dizendo respeito à plena objetivação destes direitos perante o contexto sócio-cultural:

³3RU PDLV TXH HGLWH WH[WRV OHJDLV SDUD FRRUGHQDU gerir, induzir, balizar, controlar, disciplinar e planejar o comportamento dos

245 Norberto Bobbio, ao analisar o problema da efetivação dos Direitos Humanos, demonstra sua opção por uma discussão aprofundada acerca da necessidade de serem buscados elementos direcionados ao desenvolvimento conjunto da civilização humana, independentemente da nacionalidade, credo e outras concepções meramente individualistas. Com efeito, é enfático ao dizer que: ³eXPSUREOHPDFXMDVROXomR depende de um certo desenvolvimento da sociedade e, como tal, desafia até mesmo a Constituição mais evoluída e põe em crise até mesmo o maiVSHUIHLWRPHFDQLVPRGHJDUDQWLDMXUtGLFD´. (A Era dos Direitos, p. 45).

agentes produtivos (no âmbito do trabalho, das finanças, da indústria e do comércio), esse seu instrumental normativo já não FRQVHJXHµSHQHWUDU¶GHPRGRGLUHWRLPHGLDWRSOHQRe absoluto na essência do sistema sócio-HFRQ{PLFR´246.

Desdobrando a idéia anterior, tem-se que os direitos humanos de terceira geração, os quais representam de certo modo prescrições jurídicas ligadas a valores solidários, não se contentam com meras prescrições abstratas, exigem o comprometimento de ações estatais para com sua plena efetivação, e a inexistência de políticas públicas e programas de governo dirigidos aos setores da sociedade que devem ser abrangidos por estas formulações implica, por conseqüência lógica, no desatendimento destes direitos.

Demais disso, evidencia-se, neste momento vivenciado pela humanidade, a obrigação de levar efetivamente a solidariedade a todos os

246 José Eduardo Faria, O Direito na Economia Globalizada, p. 126. Ao tratar do assunto, José Eduardo Faria GHQRPLQDGH³LQIODomROHJLVODWLYD´RSURFHVVRGHFULDomRGHVHQIUHDGRGHQRUPDs jurídicas, que ³LPSORGHRV marcos normativos fundamentais da vida social; impede a certeza jurídica; e ainda acaba contribuindo para UHGX]LU D Sy GLUHLWRV FRQTXLVWDGRV GH PRGR OHJtWLPR´. (O Direito na Economia Globalizada, p. 129), promovendo, assim, insegurança no desenvolvimento das relações sociais. Em outros termos, a descomedida concessão legal de benefícios sociais, sem qualquer compromisso com sua materialização, demonstra a incapacidade do Estado para fazer frente às demandas públicas, que se atem DWDUHIDDSHQDVGH³FDWDORJDU´ por meio de normas jurídicas, os desajustes existentes na sociedade.

segmentos da sociedade247 e não somente ao Poder Público, com o estreitamento dos laços de interdependência recíproca entre os seus membros, conciliando a diversidade de interesses existentes no âmbito da experiência social, a fim de que cada indivíduo se conscientize da relevância de suas responsabilidades para com seus semelhantes e com o projeto de atendimento ao bem comum, participando ativa e continuamente de sua formação e desenvolvendo ao máximo suas potencialidades com a garantia de níveis satisfatórios de existência digna.

Neste panorama, ocorre a complementação do conteúdo da solidariedade social como invariante axiológica presente na atualidade, na medida em que passa a se relacionar íntima e reciprocamente com os demais valores fundamentais em transito no plano experimental, mantendo sua vinculação imediata ao valor fonte da pessoa humana, para lhe ser conferida a dimensão exigida pelas complexidades vivenciadas no mundo histórico- cultural e ditar o fundamento ético das ações humanas manifestadas nas regras de Direito.

247 A efetivação da solidariedade distancia-se, de certo modo, da pauta de prioridades das atuações estatais, que não reúne mais condições financeiras e mesmo materiais para concretizá-la, e dirige seus apelos, novamente, para consciência ética da sociedade civil, passando a depender de ações voluntárias desenvolvidas, especialmente, no âmbito do denominado terceiro setor, em que são convocados e mobilizados publica e desinteressadamente grupos e indivíduos dispostos a colaborar na realização de direitos sociais e na prestação de auxilio mútuo aos necessitados, ocupando, assim, de tarefas que caberia inicialmente ao Poder Público: ³e MXVWDPHQWH QHVWD UH FRQYRcação pública, ou melhor estadual, da sociedade civil, que é como quem diz de cada um e do conjunto dos cidadãos e seus grupos sociais, que UHVLGH DFWXDOPHQWH XP GRV PDLV LPSRUWDQWHV H VLJQLILFDWLYRV VXSRUWHV GD LGpLD GH VROLGDULHGDGH´. (José Casalta Nabais, Algumas Considerações sobre a Solidariedade e a Cidadania, p. 154). Deveras, em razão da ausência do Estado na realização de políticas públicas sociais consistentes, assiste-se ao desenvolvimento do terceiro setor, fenômeno, que, segundo Maria Cecília Baêtas Dyrlund, ³RFRUUH HP WRGR PXQGR PDV QRV países em desenvolvimento fica mais evidente: entidades privadas mobilizam-se para reverter os graves SUREOHPDVVRFLDLVTXHDVRFLHGDGHHQIUHQWDVXEVWLWXLQGRR(VWDGRQDSUHVWDomRGHXPDDWLYLGDGHS~EOLFD´. (Dicionário de Filosofia do Direito, p. 777).

Reforça-se, então, a compreensão axiológica da solidariedade social, que pretende atingir e envolver todos os participantes da vida social na busca de objetivos sociais comuns, advindo daí a necessidade de se estabelecer um discurso jurídico pautado na perspectiva Tridimensional do Direito, proposta por Miguel Reale, na qual a experiência jurídica, vislumbrada concretamente na integralidade de suas possibilidades de manifestação (fato, valor e norma), se revela apta a absorver e alcançar as transformações e a multiplicidade de valores presentes na sociedade pós-moderna, como bem observa Eduardo C. B. Bittar:

³1D YLVmR WULGLPHQVLRQDO KLVWyULFR-axiológica de Miguel Reale, são incindíveis as dimensões do fato, do valor e da norma na identificação do que é o direito, e é por esta mesma vertente que se pensa ser extremamente sensível o direito a toda e qualquer intervenção de modificações culturais a todo universo de valores jurídicos e aos modos instituídos pela sociedade para a proteção desses mesmos valores identificados e eleitos como SULPRUGLDLV´248.

Esta opção pelo culturalismo, corrente filosófica em que se insere o pensamento de Miguel Reale, que pressupõe o dado axiológico na própria estrutura do conhecimento, se justifica em razão de revelar a interpenetração da experiência jurídica no processo histórico-cultural, sendo utilizada na compreensão do Direito e do Estado referência ao sistema de valores

248 O Direito na Pós-Modernidade, p. 105.

pertencentes a uma civilização, possibilitando a efetiva apreensão do conteúdo ético das prescrições jurídicas:

³2 FXOWXUDOLVPR WDO FRPR HQWHQGHPRV p XPD FRQFHpção do Direito que se integra no historicismo contemporâneo e aplica, no estudo do Estado e do Direito, os princípios fundamentais da Axiologia, ou seja, da teoria dos valores em função dos graus de HYROXomRVRFLDO´249.

Diante desta postura cognitiva de natureza essencialmente axiológica, as prescrições de Direito tendem abarcar uma ampla classe de fatos para se adaptar com maior facilidade às alterações sofridas na vida social, escapando das inconveniências oriundas de soluções jurídicas pautadas em um formalismo estático, para, ao contrário, interpretar a norma jurídica dialeticamente de acordo com o contexto em que se acha inserida, respeitando valores éticos culturais, e proceder ao caminhar rumo a sua concreção, de forma dinâmica e prospectiva, aberto às transformações sentidas no âmbito histórico-cultural.

Abrem-se as portas para uma compreensão mais concreta e viva do Direito, em que a forma não ocupa a posição central de suas preocupações,

249 Miguel Reale, Teoria do Direito e do Estado, p. 08. Reafirmando a posição exposta, na defesa do Culturalismo e da Teoria Tridimensional de Miguel Reale como marco teórico a ser utilizado para consagração da solidariedade no estabelecimento de soluções jurídicas para questões colocadas diante da complexidade que envolve a sociedade moderna, encontra-se o posicionamento de Judith Martins-Costa: ³R culturalismo jurídico, com sua atenção voltada à noção de experiência jurídica concreta, com sua decisiva rejeição ao formalismo abstracionista ± TXHMXOJDXPDµSHUYHUVmR¶-, com o olhar voltado à processualidade do processo normativo e à contextualidade que cerca as ações humanas, mostra-se um filtro teórico particularmente indicado para auxiliar o legislador e o interprete na necessária concreção que viabiliza o HQFRQWURGHµSHVVRDV¶VREDFDSDGRVµVXMHLWRV¶HSHUPLWHDFRQFHVVmRGHWXWHODVMXUtGLFDVDGHTXDGDVjµpWLFD da situação¶GHPRGRDIDFLOLWDUDLPSOHPHQWDomRGRVGHYHUHVGHSURWHomRTXHLQFXPEHPDR(VWDGRFRPR JDUDQWLDGRV'LUHLWRV)XQGDPHQWDLV´(Constituição, Direitos Fundamentais e Direito Privado: Os Direitos Fundamentais e a Opção Culturalista do Novo Código Civil, p. 72/73).

mas sim a observação do fenômeno jurídico como experiência, como aspecto vital da realidade, que procura identificar o ser humano nas coordenadas de espaço e tempo sociais em que se relaciona, onde as soluções normativas devem comportar maior plasticidade, com a conciliação de modelos jurídicos fechados e abertos, para obter maximizar seus resultados, com a objetivação dos valores essenciais da pessoa humana, em especial, a invariante axiológica da solidariedade social250.

Desse modo, a Teoria Tridimensional desenvolvida por Miguel Reale apresenta-se como pensamento jurídico adequado ao enfrentamento das contingências existentes na pós-modernidade, na medida em que, além de permitir a compreensão integral da realidade que compõem o fenômeno de Direito (fatos/valores/normas), possibilitando a verificação empírica e dinâmica do componente axiológico contido em seus preceitos, inseri a pessoa como seu valor fonte, permitindo a reavaliação das condicionantes histórico-culturais que atuam perante a experiência jurídica, direcionando suas prescrições ao estabelecimento de modelos voltados a um projeto de busca incessante pela atribuição de existência digna para todos com fulcro na

250 Esta perspectiva de abertura do fenômeno jurídico que privilegia os valores que o estruturam em relação à forma mostra-se de extrema pertinência na observação do Texto Constitucional, que atua como instrumento de validação e construção de sentido dos demais complexos normativos, exigindo a coexistência de idéias e a conscientização dos cidadãos para a busca contínua de seus propósitos axiológicos: ³1mR p D OHWUD GD Constituição, mas o seu espírito, ou seja, os seus valores dominantes e específicos que devemos procurar realizar, sob pena de continuarmos a viver, como até agora temos vivido, à sombra de um constitucionalismo aparente. Para a formação dessa consciência política é indispensável o debate de idéias que nos impõe fidelidade às que elegemRV´. (Miguel Reale, O Estado Democrático de Direito e o Conflito das Ideologias, p. 46).

alteridade e respeito mútuo entre os membros da comunidade para robustecer seus vínculos de cooperação.

Ao compreender a experiência jurídica em sua concepção tridimensional histórico-cultural, como fenômeno essencialmente axiológico, Miguel Reale apresenta o valor da pessoa humana como seu valor primordial, ponto de partida para se aferir à legitimação da ordem jurídica positivada, afirmando ainda que:

³DOLQKDGHSURJUHVVRKXPDQRpUHSUHVHQWDGRSHORµPRGHORLGHDO¶ (no sentido weberiano deste termo) de um ordenamento jurídico- político no qual cada homem possa alcançar o máximo de preservação de sua subjetividade com o máximo de participação aos valorHVFRPXQLWiULRV´251.

Tais afirmações demonstram que a conscientização do valor da personalidade humana pressupõe a própria idéia de sociabilidade, abrindo caminho para a consagração do ideal de solidariedade social, vez que o sentido do valor pessoa se atualiza perante a sociedade e esta, por sua vez, depende do mencionado valor para estreitar e fortalecer os laços conscientes GHLQWHUGHSHQGrQFLDUHFtSURFDHQWUHVHXVPHPEURV³(QWUHSHVVRDHVRFLHGDGH há, pois, uma correlação primordial, um vínculo de implicação e polaridade, de tal sorte que o homem na sociedade, ainda que só milênios após tenha

251 Nova Fase do Direito Moderno, p. 63.

podido atingir a consciência de sua individualidade ética e de sua co- SDUWLFLSDomRDXPDµFRPXQLGDGHGHSHVVRDV¶´252.

Tomando, então, a pessoa como valor fonte, fundamento da ordem jurídica e política, não se pode consentir com a proposta de minimização do Estado pregada pelo ideário neoliberal, que acarreta no agravamento das desigualdades econômicas e sociais, com o risco de se perder outros valores historicamente conquistados como segurança, igualdade e liberdade, essenciais para assegurar o mínimo necessário ao pleno desenvolvimento das potencialidades humanas253, evidenciando a necessidade de se pensar em alternativas para busca de um novo modelo de Estado, apto a concretizar políticas públicas e envolver todos os participantes da vida social em um projeto de vida comum que possibilite a atribuição de condições dignas de existência e formação de bem-estar a todos, ou seja, que tenha como plano de ação a reafirmação de valores já consagrados historicamente e a busca pela justiça social, com a diminuição do processo de exclusão deflagrado pelo modelo neoliberal254.

252 Miguel Reale, Filosofia do Direito, p. 214.

253 O próprio Miguel Reale, ao analisar as vertentes do liberalismo, critica a revelia estatal e defende sua postura ativa quando se verifica a possibilidade de as soluções advindas da livre iniciativa atingir ao campo UHVHUYDGRj³OLEHUGDGHVRFLDOLVWRpDTXHOHPtQLPRGHYLGDLQGLYLGXDOVHPRTXDODVOLEHUGDGHVMXUtGLFDVH política são PHURVVLPXODFURV´ Paradigmas da Cultura Contemporânea, p. 119).

254 Ao traçar comentários sobre as ideologias liberais, socialistas e social-democratas, Miguel Reale defende o modelo propugnado pelo social-liberalismo: ³RVRFLDO-liberalismo, conforme terminologia hoje dominante, pDUHFXVDGHYHUR(VWDGRFRPRµXPPDOQHFHVViULR¶RXDSHQDVQXPDDWLWXGHGHIHQVLYDRXVXEVLGLiULDGD economia de mercado, por se entender que esta, visualizada segundo o prisma social, implica atribuição ao Estado do poder-dever, não de controlar a iniciativa privada, mas de estabelecer normas que assegurem uma necessária complementaridade entre liberdade de iniciativa e justiça social, tendo como ancora o SULQFtSLRGDVROLGDULHGDGH´(Miguel Reale, Paradigmas da Cultura Contemporânea, p. 116).

Ainda nesta perspectiva histórico-axiológica, que ± ressalte-se ± tem como núcleo o ser humano consciente de sua dignidade e imersão social, se faz necessária uma profunda revisão de conteúdo das próprias relações sociais, afastando os malefícios ocasionados pelo individualismo unilateral ou mesmo possíveis excessos do coletivismo, para elevar o sentimento de solidariedade ao patamar de invariante axiológica diretiva da vida social em sintonia com os demais valores ligados a pessoa humana que lhe corresponde.

São lançadas, assim, as bases do Estado Democrático de Direito, que, na terminologia utilizada por MigueO5HDOHHTXLYDOHDR³(VWDGRGH'LUHLWRH -XVWLoD 6RFLDO´ QR TXDO R (VWDGR DWXD QR GLPHQVLRQDPHQWR HKDUPRQL]DomR dos valores liberdade e igualdade, respeitando as condições existenciais individuais e coletivas em sintonia com os ideais axiológicos propostos pela solidariedade, para efetivamente atender e estabilizar os dissensos e questionamentos existentes nos quadrantes da sociedade pós-PRGHUQD³HVWi- VHYHULILFDQGRHPQRVVRWHPSRpXPµUHYLVLRQLVPR¶TXHVHHVWHQGHGRFDPSR liberal ao campo socialista, visando preservar os valores da liberdade jurídica e política (conquistas por excelência do liberalismo) com imperativos de LJXDOGDGH FXMR FRUROiULR p D µOLEHUGDGH VRFLDO¶ Vy SRVVtYHO RQGH H TXDQGR todos os cidadãos venham dispor de um mínimo de base econômica e H[LVWHQFLDO´255.

Benzer Belgeler