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TURİZMDE YEŞİL PAZARLAMA

YEŞİL TEDARİK ZİNCİRİ YÖNETİMİ

3.3.4 Yeşil İletişim Kapsamında Turizmde Tutundurma Faaliyetleri 1 Turizmde Tutundurma ve İmaj

Considerando as motivações para trabalhar com línguas angolanas, nos empenhamos em coletar o máximo de dados possíveis de línguas das três zonas linguísticas do grupo banto de Angola, as zonas H, K e R, que também abrange alguns países fronteiriços. Como já mencionado, as línguas do grupo banto são classificadas em zonas designadas por letras do alfabeto (A, B, C, D...) subdividads por dezenas (H. 10; H. 16; R. 10; R. 20, etc.). Para uma melhor visualização das zonas das línguas angolanas, temos o seguinte mapa:

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É inevitável não lembrar que a primeira gramática do quimbundo foi escrita fora de Angola (Bonvini, 2008, p. 33).

16 “For the most part, linguistic data gathered away from speakers’ traditional homelands can be just as valid as

linguistic data gathered in those homelands. But of course there are tradeoffs.”

No website do LinguistList, http://linguistlist.org/ é comum encontrarmos referências a estudos realizados com falantes de línguas em perigo de extinção em grandes centros urbanos como Toronto e Nova York. Apesar da diferença das situações, as línguas angolanas na Diáspora são ainda um campo a ser explorado. Conferir dissertação de mestrado defendida por Lourdes dos Santos (2005) para a situação de angolanos em São Paulo.

Figura 1.3 – Mapa das zonas linguísticas do grupo banto (adaptado de Maho (1999), baseado em Guthrie (1948)) Devemos dizer que não foi uma tarefa fácil coletar todo o material que precisávamos para elaborar um corpus preliminar. Por questão de viabilidade de acesso a material bibliográfico e contato com falantes fora da África, a elaboração de nosso corpus se concentrou muito mais sobre algumas línguas em particular, tais como dialetos do quicongo (H16) principalmente o quissolongo, quissicongo e quizombo; e o umbundo (R11), além do lingala (C36d), a qual decidimos incluir em nossa pesquisa pelo seu papel de língua de contato e o crescente uso dessa língua por parte de jovens angolanos (Ndonga, 2010), além de outros motivos sobre os quais falaremos adiante. Para outras línguas angolanas, tivemos acesso apenas a material publicado. Nem todos os trabalhos publicados foram utilizados inteiramente, como fabulários (Valente, 1973), coletâneas de provérbios (Kunzika, 2008) e adivinhas (Etaungo Daniel, 2002), devido às dificuldades de realizar um trabalho sobre

categorias cognitivas baseado em textos coletados por terceiros. Uma amostra das principais línguas utilizadas para a elaboração do corpus escrito está na Tabela 1.1:

Tabela 1.1 – Relação das línguas selecionadas e bibliografia17

Zona Linguística

Língua: material bibliográfico

Zona H Quicongo (H16): Ndonga, (1995; 2010); Carter (1973); Carter; Makoondekwa (1987);

Fernando (2008); Lumwamu (1973); Diarra (1989); Dereau (1955); Tavares (1915)18

Quimbundo (H21): Xavier (2010); Pedro (1993); Chatelain (1888/1889); Dias (1697/2006)

Zona K Luchazi (K13): Fleisch (2000)

Ganguela (K12): Maniacky (2003); Baião (1939)

Zona R Umbundo (R11): Alves (1951); Valente (1964; 1973); Schadeberg (1991; 1986; 1982);

Chacusanga (2006)

Kwanyama (R21): Halme, (2004)

Herero (R31): Möhlig; Kavari (2008); Möhlig; Marten; Kavari (2002); Elderkin (2003) Yeyi (R41): Seidel (2008)

Ochindonga (R22): Fivaz (2003)

Zona C Lingala (C36d): Meeuwis (1998)19

O lingala está incluído na Tabela 1.1 porque, embora seja uma língua de contato e veicular, essa língua oferece alguns traços que podem auxiliar em nossa análise, como a inexistência de classes nominais locativas e a grande produtividade da partícula comitativa na, além de contar com material bibiográfico mais atual (Cf. Meeuwis, 1998). De certa forma, o lingala está se tornando uma língua angolana, pelo seu crescente uso no Norte de Angola e principalmente nas províncias de fronteira com a República Democrática do Congo (Ndonga, 2010). Além das línguas da Tabela acima, sempre que pertinente e necessário faremos menção a outras línguas bantas, dessas mesmas zonas H, K e R, ou de outras zonas mais

17 Seguimos a proposta de Fiorin e Petter (2008) para a utilização de formas aportuguesadas de nomes de línguas

africanas. No Apêndice B relacionamos os nomes de línguas africanas aportuguesadas e as diferentes grafias empregadas, da forma como são encontradas na literatura específica.

18 Não fazemos distinção aqui dos dialetos do quicongo, decidimos englobar todos os trabalhos a que tivemos

acesso, independente de que variedade os autores estavam tratando. No entanto, no uso dos exemplos, indicamos a que variedade cada trabalho trata. O mesmo vale para o caso do quimbundo.

19 É importante que se note o papel do lingala como língua franca na Diáspora. Como observamos em Lisboa, o

seu uso pela comunidade de angolanos era bastante forte, o que não nos deixa dúvida de que o lingala tem se tornado cada vez mais presente até mesmo no território angolano (Ndonga, 2010).

distantes, mas que tenham alguma relação com os tópicos em discussão, como por exemplo, o chicheua, presente em diversos trabalhos sobre inversão locativa. Dentre outras zonas bantas presentes nesta tese, temos as que já possuem uma boa tradição de estudos como o suaíli (G42), zulu (S12), chona (S10), chicheua (N31), como também outras com poucas descrições, como o leembama (B62) e o nzadi (B865).

Para uma melhor visualização da distribuição espacial das zonas linguísticas do domínio banto, apresentamos o mapa abaixo:

Figura 1.4 - Mapa etnolinguístico de Angola20

1.5 Metodologia

Esta pesquisa teve, inicialmente, dois objetivos certos: descrever e analisar as construções possessivas em relação com outras construções relacionadas e o de trazer os debates sobre possessivos as particularidades tipológicas das línguas bantas, enfatizando as zonas linguísticas de Angola. O primeiro objetivo já desde sua elaboração era um desafio, tratar de uma temática semântica e cognitiva em línguas que ainda não tiveram estudos mais abrangentes em outras áreas, como para a fonologia e morfossintaxe. O segundo objetivo agravava mais ainda o primeiro: o pouco conhecimento das línguas angolanas e as dificuldades de realização de ida a campo, como descrito nas seções anteriores.

Uma primeira alternativa foi a de trabalhar com o material disponível sobre essas línguas, na sua maioria, gramáticas e dicionários produzidos por religiosos (Alves, 1951; Valente, 1964; 1973; Chatelain, 1988/1989, etc.). A essa altura, intentávamos realizar um trabalho seguindo as diretrizes de outros em linhas comparativistas e que se basearam especialmente em fontes publicadas de línguas bantas, como o estudo sobre classes nominais de Maho (1999) ou sobre tempo e aspecto em banto, de Nurse (2008). Guardadas as devidas particularidades, logo vimos que a natureza de nosso trabalho exigiria muito mais do que um banco de dados de línguas bantas com material publicado de possessivos em relação com outros domínios conceituais. Diferentemente de Maho e Nurse, o primeiro lidando com classes nominais e o segundo com categorias verbais, fontes publicadas de línguas bantas dedicam geralmente alguns capítulos focalizando classes nominais ou as categorias de tempo, aspecto e modo (TAM), enquanto para categorias cognitivas como possessivos, comitativos, etc., infelizmente não acontece o mesmo.

Considerando as diversas possibilidades de expressão de posse que uma língua oferece para seus falantes, percebemos logo de início que trabalhar com textos escritos, mesmo que fábulas, contos, etc., acabaríamos por coletar dados insuficientes para a natureza do trabalho que desejávamos fazer, e que somente sessões de eliciação de dados poderiam ser satisfatórias para nossa empreitada. Pensando nisso e na impossibilidade de se fazer um trabalho de campo

in situ, utilizamos todo o material ao qual tivemos acesso das línguas bantas das zonas de

interesse, até que, por fim, houve a chance de trabalhar com alguns falantes de quicongo, umbundo e lingala, fato que nos permitiu realizar a eliciação de dados. Nosso primeiro contato com falantes se deu durante nosso estágio de doutorando no exterior, na Universidade de Bayreuth, Alemanha, durante o ano letivo de 2011. Durante os meses de maio e junho de

2012, realizamos viagem de missão de pesquisa para Lisboa, para contactar e entrevistar angolanos residentes em Portugal.

Elaboramos questionários preliminares nos quais pedíamos para o falante para traduzir algumas frases do português para suas línguas. O questionário foi dividido em quatro partes: (1) Construções Locativas; (2) Construções Existenciais; (3) Construções Comitativas; e (4) Construções Possessivas. Com esses questionários, percebemos a grande dificuldade de tratar de categorias semânticas, como possessivos e locativos. Não raramente, ao pedirmos para nossos colaboradores a tradução da sentença: “Há aç car no café” a preferência era por um locativo: “O aç car está no café”, por mais que explicássemos que a sentença pretendida era com o sentido de existência. Vimos com isso que diferenças na conceitualização espacial estavam em jogo. Uma alternativa foi a de elaborar uma pequena história, explicando a cena pretendida para a sentença. Assim, elaboramos um pequeno conto “O pescador e o filho” e selecionamos 14 trechos com as construções objeto de nosso estudo (Cf. Apêndice A).

Frente às limitações de trabalho com fontes publicadas, nosso trabalho só progrediu de forma significativa, tanto no aspecto teórico quanto descritivo, após o recurso à eliciação de dados com falantes das línguas de nosso interesse. Dos 6 colaboradores de nossa pesquisa que contribuíram na eliciação de dados, temos o seguinte perfil sociolinguístico: a maioria é do sexo masculino, acima de 40 anos, cursando no momento das entrevistas pós-graduação em Portugal e Alemanha. Dentre eles, apenas uma era mulher, residente em Angola, e que contribuiu, via internet, na elaboração do corpus. Todos os nossos colaboradores que estavam fora de Angola relataram que viveram até o fim da adolescência em suas regiões de origem, onde só eram faladas suas línguas étnicas. No período das guerras, dois deles se ausentaram do país.

Resolvemos utilizar o lingala pelos motivos já apresentados. Ironicamente, tivemos contato com um maior número de falantes de umbundo, porém os trabalhos de eliciação com essa língua foram mais limitados, principalmente pela disponibilidade de tempo dos falantes. Esta é uma das razões de não termos explorado mais detidamente a questão do tom nessa língua. Devido a isso, os exemplos retirados de nosso corpus para essa língua não apresentam a marcação tonal, o que demanda novos trabalhos nesse sentido.

Inevitavelmente, a representatividade das línguas no corpus não é a mesma. Da mesma forma, o corpus retirado das fontes publicadas é bastante heterogêneo. De esboços gramaticais (Schadeberg, 1990) ou gramáticas tonais (Halme, 2004) a gramáticas de referência (Möhlig; Kavari, 2008; Seidel, 2008; Fivaz, 2003). Do corpus escrito conseguimos

coletar um conjunto de exemplos que possibilitou empreender um de eliciação minimamente satisfatório, em sintonia com nossos questionamentos teóricos e descritivos.

Para diminuir as diferenças na coleta de cada língua, consideramos, também, o uso de meios de comunicação digitais disponíveis na atualidade para mantermos contato com falantes de línguas nacionais angolanas via internet, por meio de programas de mensagem de texto instantâneo e conversas via Skype. Foi interessante encontrar na Rede Mundial de Computadores blogs voltados exclusivamente para textos, músicas, provérbios nas línguas nacionais angolanas, além de rápidas eliciações da forma que o contato virtual permitia.21 O corpus foi então sendo elaborado aos poucos, e apenas com a eliciação foi possível

delinearmos melhor nossas expectativas e perspectivas de descrever e analisar as construções possessivas, existenciais, comitativas e locativas em línguas bantas.

1.5.1 O corpus

O corpus pode ser classificado da seguinte forma:

Corpus escrito: dicionários, gramáticas, teses, dissertações e outras publicações de línguas

bantas com ênfase das línguas que contam com gramáticas já publicadas;

Corpus eliciado: com o apoio de falantes residentes fora de Angola e falantes residentes em

Angola que colaboraram via internet, a partir de um questionário previamente elaborado. Um conto, “O pescador e o filho”, elaborado para nossas sessões de eliciação. No Apêndice A, apresentamos a transcrição desse conto em quicongo. As transcrições para as gravações realizadas com falantes de umbundo e lingala foram prejudicadas pela impossibilidade de os colaboradores nos auxiliarem com a referida transcrição.

Todos os nossos colaboradores afirmaram ter aprendido suas línguas maternas juntamente com o português, no entanto, a atitude linguística da maioria deles foi a de considerar o português como a língua de mais uso, sendo que suas línguas étnicas foram citadas como usadas preferencialmente no âmbito familiar ou contextos sociais mais propícios para o uso de suas línguas, como igrejas, casamentos, etc. Devido ao pouco consenso no que tange a um sistema ortográfico para as línguas angolanas, decidimos adotar a sugestão de cada colaborador, todos eles alfabetizados em português e com desenvoltura para escrever em suas línguas étnicas, seguindo assim suas sugestões durante os trabalhos de eliciação. O Instituto

21 O escritor angolano, de Benguela, Gociante Patissa, também um dos nossos colaboradores, escreve no blog

http://ombembwa.blogspot.de/ notícias, provérbios, contos, etc., todos em umbundo, seguidos de uma tradução para o português.

de Línguas Nacionais de Angola tem trabalhado para padronizar a ortografia das principais línguas faladas no território angolano, mas até o momento ainda não foi apresentada uma proposta consistente para a escrita dessas línguas. Uma transcrição fonética se fez impossível devido ao pouco tempo dos colaboradores e à heterogeneidade das fontes utilizadas para a produção do corpus.

Para as fontes publicadas, buscamos utilizar a transcrição de cada autor e seguir na medida do possível as glosas de cada trabalho. Para o caso dos trabalhos descritivos nos quais os autores não disponibilizaram as glosas, tentamos na medida do possível indicar minimamente as abreviaturas e segmentações necessárias para um melhor entendimento dos exemplos. Na impossibilidade de identificar todas as unidades morfológicas, recorremos à indicação por meio do ponto de interrogação para os segmentos não identificáveis de cada língua. Buscamos evitar a disponibilização apenas da tradução provida pelos autores, tentando assim, padronizar um pouco mais a apresentação dos dados retirados de terceiros. Devemos então ressaltar que os dados das línguas parecerão bastante diversos, isso no que diz respeito ao grau de refinamento explicativo em cada exemplo. Alguns dados são apresentados sem a indicação numérica das classes nominais às quais pertencem cada palavra ou a não marcação dos tons. Em outros exemplos, principalmente aqueles retirados de gramáticas de referência, tivemos pouco problema para a identificação de morfemas ou processos morfossintáticos envolvidos em cada caso particular.