03 ÇEŞİTLİ SOHBETLER
07- YEŞA” ALLAH’IN DİLEMESİ
Para falar sobre o Estado, na condição de agente econômico, é necessário discorrer so- bre John Maynard Keynes, economista inglês, nascido em Cambridge em junho de 1883 e falecido em Sussex em abril de 1946. Com a obra mais importante da literatura econômica, publicada em1936, A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, lançou as bases con- ceituais da macroeconomia, suscitando pontos fundamentais para a reforma do capitalismo, defendendo o papel regulatório do Estado para minimizar as instabilidades do mercado, pois postulou a ideia de que a economia capitalista de livre mercado, por si, não ensejaria demanda suficiente para atingir o pleno emprego, pela falta de mecanismos de sustentação própria, atribuída à ineficiência da mão invisível de harmonizar o interesse egoísta dos agentes econômicos e o bem-estar social (KEYNES, 1985; BARRETO, 2009).
Keynes defendeu a intervenção indireta do Estado na economia, como um meio para direcionar a poupança no financiamento das obras públicas a fim de garantir o emprego. O Estado, na condição de consumidor, é um grande gerador de demanda, que, em determinadas circunstâncias, conduziria ao pleno emprego, sem causar efeitos colaterais. Keynes defendeu o ponto de vista consoante o qual a demanda agregada é que define o nível de emprego, evi- denciando a importância do Estado em assumir a responsabilidade pela obtenção e manuten- ção do pleno emprego, valorizando a dignidade humana, que entendia ser desrespeitada nos períodos de recessão pelas leis de mercado (KEYNES, 1985; RODRÍGUEZ, 1999; BARRE- TO, 2009).
Keynes (1985) preocupou-se com a estabilidade econômica mundial no segundo pós- guerra e com a paz mundial. Em 1940, com panfletos - Como Pagar a Guerra - propôs meca- nismos de poupança compulsória a fim de proteger a economia da crise inflacionária, que se anunciava e o restabelecimento do comércio internacional. Participou, em 1944, do encontro
de Bretton Woods, na articulação da reconstituição da economia mundial, mas sua ideia de criar uma instituição a qual os bancos centrais se reportassem não prosperou, por pressão dos Estados Unidos, pois a riqueza capitalista do mundo estava em suas mãos, além de que a oca- sião não permitiria o pensamento supranacional, ante o flagelo dos países pós-guerra (KEY- NES, 1985; RODRÍGUEZ, 1999)
Para Keynes (1985), Rodriguez (1999) e Barreto (2009), a Economia é uma ciência moral, cuja visão de longo prazo dos ciclos econômicos, a preferência pela liquidez, os riscos da incerteza nas tomadas de decisões econômicas e a intuição humana no tratamento dos co- nhecimentos adquiridos precisam ser valorizadas. Portanto, para eles, a Economia é uma ci- ência inacabada, influenciada por inúmeras variáveis, dentre os quais o comportamento hu- mano.
Na compreensão de Rodríguez (1999), a análise econômica deveria ser conciliada com o estudo humanístico, identificando, assim, o caráter probabilístico da Economia, em que a construção do conhecimento também vem da prática do raciocínio, cujos resultados obtidos nem sempre são conclusivos. Portanto, os postulados das Ciências Econômicas são impossí- veis de alegar uma certeza absoluta. O caráter inconclusivo dessas ciências advém das inúme- ras variáveis, dentre elas a liberdade humana, a mais difícil de todas, o que torna insustentável uma opinião estabelecida com bases na evidência, ante novas informações, ou seja, a evolu- ção do pensamento e novas hipóteses ensejam outras probabilidades de conclusões baseadas nessas premissas.
A teoria geral keynesiana expressou a preocupação com o sistema econômico como um todo, merecendo destaque as seguintes ideias (KEYNES, 1985).
i) o conhecimento acerca da propensão ao consumo e à poupança possibilita a definição do nível de renda e de produção, informações relevantes para os problemas de finanças públicas e de políticas governamentais porque a propensão à poupança provocará cete- ris paribus a contração da renda e da produção, enquanto o aumento do estímulo para investir fará com que se expandam a renda e a produção e, em consequência, o empre- go;
ii) a função da taxa de juros é preservar o equilíbrio entre a demanda e a oferta de dinhei- ro;
iii) o nível de preços é determinado pela lei da oferta e da procura; condições técnicas, ní- vel de salários, grau de capacidade ociosa nas unidades de produção e da mão de obra, o estado do mercado e da concorrência determinam as condições de oferta dos produ- tos e a decisão dos empresários que geram a renda dos produtores, individualmente, e a decisão desses quanto à disposição dada por essa renda determinam as condições de demanda dos produtos;
iv) os fatores produtivos é que determinam o volume de emprego, portanto os ciclos econômicos são identificados pela ascensão e pela queda do sistema produtivo, pois o processo econômico é uma realidade dinâmica, cujas tendências ascendentes e des- cendentes não duram indefinidamente, entretanto, o movimento ascendente para o descendente é rápido e o contrário é lento, ou seja, a recuperação da economia é demo- rada e a sua queda é rápida;
v) exercício da função de intervenção moderada do Estado nas atividades que estejam fo- ra do âmbito individual, tais como: fixação das taxas de juros; tributação; estímulo à economia para superar as crises e garantir o pleno emprego e o funcionamento do sis- tema capitalista, preservando a liberdade humana e o sistema representativo, seguindo a linha do princípioda subsidiariedade pregado na Doutrina Social da Igreja Católica (DSI), que considera que a função primordial do Estado é intervir para evitar situações de desequilíbrio e de injustiça social, inclusive exercendo atividade supletiva sem in- terferir no corpo social e na sociedade civil além do necessário;
vi) exercício da função orientadora do Estado sobre a propensão a consumir, ou pelo sis- tema de tributação, ou pela fixação da taxa de juros ou recorrendo a outras medidas e vii) combate à desigualdade da distribuição da riqueza e da renda, pela ganância de ganhar
dinheiro e de fazer fortunas, sem entretanto, defender o igualitarismo social.
Os anos gloriosos de Keynes, de 1944 a 1970, que orientaram a reforma do sistema capitalista dos governos da Inglaterra e dos Estados Unidos, permitiram ao capitalismo supe- rar as crises cíclicas daquele período, com o surgimento do Welfare State, concebido para garantir padrões mínimos de educação, saúde, habitação, renda e seguridade social a todos os cidadãos (RODRÍGUEZ, 1999).
Dos anos de 1970 até os dias atuais, a doutrina keynesiana passou a ficar ineficiente para resolver problemas conjunturais, com uma série de fenômenos não previstos por Keynes:
como o fim da conversibilidade do dólar em ouro; as crises do petróleo, surgindo os carteis dos países produtores; as antecipações racionais desenvolvidas no mundo capitalista; a crise das dívidas do Brasil, México e Argentina de 1982; amplo desenvolvimento da telemática e aplicação no mercado financeiro; novos requerimentos do comércio internacional; protecio- nismo dos países de seus produtos; dinâmica ideológica da Guerra Fria; derrubada do muro de Berlim; redução do poder do Estado nacional; crise sistêmica dos mercados emergentes, des- de 1995, dentre outros (RODRÍGUEZ, 1999).
Após a obsolescência da ordem econômica internacional surgida de Bretton Woods; não ficou bem definida, nos últimos trinta anos do século XX, a nova ordem econômica inter- nacional, apesar dos esforços da ONU, Banco Mundial, Organização Internacional do Comér- cio, Fundo Monetário Internacional (FMI) e conferências internacionais de países desenvolvi- dos e emergentes em tentar definir (RODRÍGUEZ, 1999).
A doutrina keynesiana não pôde evitar a agressão do mercado internacional com a globalização, pois os mecanismos de controle eram limitados ao plano nacional, necessitando institucionalizar o intercâmbio financeiro internacional, mediante a criação de uma instituição global, que superasse a atuação do FMI, para evitar a hipervalorização das bolsas de valores; a euforia do fluxo de recursos monetários internacionais e a agressividade dos grandes blocos econômicos, além de instituir o princípio da transparência, nas trocas comerciais e na admi- nistração da economia, para o acompanhamento das finanças dos países deficitários (RO- DRÍGUEZ, 1999).
O fato é que os ensinamentos pregados pela doutrina keynesiana aplicaram-se e apli- cam-se a contextos econômicos de economia em crescimento e em declínio.