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Yazdırma İşlemi

7. YAZDIRMA İŞLEMLERİ

7.2. Yazdırma İşlemi

Para discutir a relação entre a parte e o todo, optou-se pelo apoio de estudos semióticos das figuras de linguagem – Metáfora e Metonímia – sobretudo, os estudos realizados por Roman Jakobson (1999) e José Luiz Fiorin (2009).

Neste trabalho, a figura de linguagem analisada com destaque como estrutura significativa do discurso é a metonímia, que interessa em seu processamento como recurso comparativo que utiliza a parte para se referir ao todo. Primeiramente, deve se considerar a ideia do todo, sistema e conjunto, que pressupõe a parte, porção, fragmento e pormenor para se entender como esse processo metonímico pode ajudar no estudo da construção de sentido e interação na vídeoarte brasileira.

Entende-se que as figuras de linguagem ou estilo são usadas para valorizar um texto no sentido de torná-lo mais expressivo. No estudo dos vídeos aqui proposto, defende-se que a plástica sensível é responsável pelo despertar da

sinestesia, levando o sujeito a sentir o sentido em ato. Isto porque a expressão plástica está sendo considerada como resultado de processos metonímicos de composição do plano de expressão da linguagem audiovisual que tomam a parte, o fragmento, para promover a interação com o todo da obra.

Assim, os processos metonímicos são considerados recursos linguisticos explorados para expressar experiências cotidianas de maneiras diferentes, carregadas de originalidade, emotividade e poeticidade ao discurso. De outro lado, estes recursos expressivos da linguagem revelam a sensibilidade e o estilo de quem as emprega, cujo recurso utilizado de modo figurado, ou seja, não denotativo, passa a pertencer a outro campo de significação: o criativo.

Segundo Fiorin (2009), na retórica clássica, a metáfora e a metonímia são analisadas como figuras de linguagem usadas como procedimentos retóricos. A metáfora é definida como a substituição de uma palavra por outra quando ocorre uma relação de similaridade e a metonímia quando a relação é de contiguidade. Considerando os termos, a similaridade se define por aparência, analogia e semelhança e a contiguidade por continuidade, proximidade, vizinhança, e tanto a metáfora quanto a metonímia são procedimentos discursivos de constituição de sentido.

Nota-se que nos vídeos em estudo, a metonímia pode ser analisada como um conector de isotopias que permite a passagem de uma isotopia a outra num texto pluri-isiotópico. Nestes casos, segundo Fiorin (2009, p.118) “[...] o discurso (ou parte dele) passa a ser constituído de metáforas e metonímias projetadas, ou seja, torna- se unidade retórica dentro de uma determinada isotopia”. Baseados na fundamentação teórica de que a “[...] metáfora e a metonímia projetadas são relações que se estabelecem entre significados de um mesmo termo pertencente a várias isotopias” (FIORIN, 2009, p.118), propomos o estudo do fragmento na relação com os processos metonímicos tendo como metodologia a semiótica discursiva.

Em harmonia com este propósito, para Jakobson (1999) comunicar-se através de uma linguagem implica escolher e combinar códigos para produção da mensagem. Essa escolha e combinação variam de indivíduo para indivíduo, e é aquilo que caracteriza um estilo ou modo de usar a linguagem, um idioleto (JAKOBSON, 1999, p.47).

Em seu célebre estudo sobre as figuras de linguagem, Jakobson (1999, p.34- 62) trata da afasia caracterizada como um problema linguístico e parte para o estudo

das duas figuras polares de estilo, a metáfora e a metonímia. O autor relaciona estas figuras de linguagem com dois tipos de dificuldades enfrentadas pelos humanos no aprendizado da linguagem denominadas distúrbio da similaridade (JAKOBSON, 1999, p.41) e distúrbio da contiguidade (JAKOBSON, 1999, p.50).

Segundo Jakobson, a metonímia é uma figura de linguagem baseada na contiguidade muito usada pelos afásicos quando suas capacidades de seleção de palavras, por exemplo, foi afetada. Jakobson esclarece que:

Tais metonímias podem ser caracterizadas como projeções da linha de um contexto habitual sobre a linha de substituição e seleção; um signo (garfo, por exemplo), que aparece ordinariamente ao mesmo tempo que outro signo (faca, por exemplo) pode ser utilizado no lugar desse signo (JAKOBSON, 1999, p. 49).

Por conseguinte, Jakobson afirma que, no campo da linguística, o mais correto é falarmos sobre os processos metafóricos, quando a metáfora aparece incompatível com o distúrbio da similaridade e processos metonímicos, quando a metonímia surge incompatível com a contiguidade.

Parece claro que a metonímia rompe com a continuidade na construção de sentido, uma vez que a troca de um signo por outro através do uso de partes, sinédoques, quebra a contiguidade e unidade de sentido de um texto, gerando outro sentido de totalidade: pela união das partes.

O fato é que, nas artes, tanto literárias quanto visuais, estes dois elementos são particularmente marcantes, imprimindo estilo e maneiras de usar os códigos linguísticos em diferentes culturas e contextos sociais, o que levou esta pesquisa à proposta de estudo dos processos metonímicos na linguagem vídeográfica. Essas variações de estilo e uso das figuras de linguagem podem ser descritas como que “nas canções líricas russas, por exemplo, em que predominam as construções metafóricas, ao passo que na europeia heroica o processo metonímico é preponderante” (JAKOBSON, 1999, p.57).

Introduziu-se, dessa maneira, o conceito de metonímia e processos metonímicos, justificando-se a relevância segundo Jakobson: de uma análise atenta e uma comparação desses fenômenos “[...] para uma pesquisa conjunta de especialistas em Psicopatologia, Psicologia, Linguística, Poética e Semiótica, a ciência geral dos signos” (JAKOBSON, 1999, p.58).

De igual forma, pretende-se, como metodologia, a semiótica discursiva de Algirdas Julien Greimas e seus colaboradores, para embasar a semiotização do corpo fragmentado nos vídeos a partir de outras formas de percebê-lo no mundo sensível. Os vídeos considerados fenômenos significantes em sua totalidade discursiva são analisados como textos sincréticos, geradores de sentidos, cognitivos estésicos e racionais responsáveis pela construção dos simulacros do corpo fragmentado.

Dessa forma, a teoria se fez presente na pesquisa sendo operacionalizada para fornecer orientação para análise, permitindo a semiotização do objeto de estudo por meio de alguns de seus questionamentos, como: quais são os universos de valores e modos de presença do corpo que a mídia vídeo seleciona para os enunciatários? Como opera o sistema axiológico dos vídeos, nos modos em que se constituem formando regimes de visibilidade do corpo fragmentado? Qual o papel da organização figurativa e plástica? Da tematização do corpo? Como a figuratividade do todo e das partes apontam para distintos tratamentos do sujeito e intervêm nas interações narrativas e discursivas? Como as relações entre os diversos sistemas expressivos que compõem o audiovisual atuam sincretizados na formação do arranjo da expressão para construir a identidade do sujeito? Que procedimentos enunciativos concretizam? Como orientam a apreensão dos sujeitos em interação e esses corpos processam estésica e fisiologicamente o sentido, a emoção, o sentimento dos actantes e dos atores? Que sentido do outro e do si são processados?

O exame do corpus da pesquisa foi realizado por meio da reconstrução de tais significações. Por isso, adentrou-se o universo dos textos audiovisuais para dialogar com eles, a fim de percebê-los com um olhar mais criterioso e apurado, focando o modelo enunciativo estabelecido na operação entre o enunciador que o artista assume no processo comunicativo voltado para o enunciatário – espectador do vídeo materializado no discurso.

Mediante os conceitos que norteiam a semiótica discursiva e a operacionalização do corpus, obteve-se uma percepção diferenciada do objeto de estudo a partir de um primeiro ponto – o percurso gerativo de sentido dos textos audiovisuais, que apresenta a organização e a combinação desse percurso de significação. No deslocamento do sentido, o plano do conteúdo foi analisado homologado ao plano da expressão, considerando-se que o sentido dos textos

audiovisuais é composto de camadas de estruturas, desde as mais concretas às mais abstratas.

Nas análises realizadas durante a pesquisa, identificaram-se e se desenvolveram todos os níveis que compõem o discurso por meio da interpretação e descrição dos textos audiovisuais. Nas estruturas profundas, analisou-se o sistema axiológico por meio dos valores instalados no quadrado semiótico dos vídeos, e com isso se conheceram os dispositivos modais, a sintaxe actancial e o esquema narrativo que são conhecidos no nível semionarrativo, e no nível discursivo, as tematizações por meio da presença das isotopias figurativas, (espaço, tempo, atores), enfim, o ato da produção das figuras do mundo.

O contato com as camadas de significações dos textos audiovisuais tornou possível a localização dos espaços de sentido que podem ser compartilhados e comunicados por meio das articulações internas dos textos e das operações de discursivização, que geram desdobramentos do mundo trazidos à tona, como visões do corpo que se dá a ver na contemporaneidade através do audiovisual.

Operacionalizou-se o corpus da pesquisa a partir da articulação entre o plano de expressão e o plano de conteúdo: o primeiro como lugar das linguagens para se dizer e o segundo, dos conceitos. Como resultado, se compôs a análise do percurso gerativo de sentido por meio do estudo dos planos de expressão e conteúdo dos vídeos em seus temas, figuras e isotopias compostos de figurativizações do corpo em fragmentos, os quais geram sentidos e interação.

Os regimes de visibilidade do corpo fragmentado foram descritos por meio dos resultados das análises dos percursos gerativos de sentidos dos vídeos, examinados levando-se em conta a construção do enunciador dada por meio de procedimentos sintático-semânticos empregados de modo a evidenciar seu sistema axiológico. Para tanto, buscou-se o que é reiterado nos corpos figurativizados por estes vídeos, e quais os traços renovados em seus discursos.

Assim, no plano da expressão, se consideraram as dimensões figurativas, estésicas e plásticas no tema do corpo fragmentado, sua relação com as operações e procedimentos técnicos da linguagem audiovisual e como se configuram os simulacros do corpo fragmentado instalados pelos enunciatários. Ao passo que, no plano do conteúdo e das figuras da aparência, descreveu-se como o mundo social é presentificado nos vídeos realizando a inter-semioticidade entre os planos. A análise permitiu a apreensão sensível dos enunciatários em cada um dos discursos por

meio das variantes e invariantes, como temas e figuras de expressão e figuras do conteúdo, de cada texto audiovisual.

O quadro teórico é composto por autores que contribuem tanto para o apontamento dos elementos que constituem os formantes do plano de expressão, quanto aos esquemas culturais do plano de conteúdo que permitem captar e analisar a reiteração do simulacro do corpo fragmentado nos vídeos.

Dado o exposto e considerando uma sequência lógica para apresentação dos resultados, no primeiro capítulo se apresentam os caminhos da pesquisa e a metodologia empregada para fundamentação teórica e análise do material coletado. O segundo capítulo é composto de um retrospecto dos contextos socioculturais que deram origem ao vídeo e ao corpo no vídeo, assim como as relações entre os campos da Comunicação e da Arte, visando um estudo de questões que envolvem a linguagem vídeográfica e o corpo.

No terceiro capítulo, optou-se pela apresentação da análise da enunciação vídeográfica por meio da descrição dos percursos gerativos de sentido, tratando-se da pesquisa propriamente dita, com análise detalhada dos vídeos e da expressão plástica, temas e figuras, suas dimensões matéricas, eidéticas, cromáticas e topológicas, um estudo da enunciação e do sincretismo audiovisual.

Para tanto, apresenta-se uma análise da semântica narrativa que proporcionou a apreensão dos regimes de sentido e interação dos vídeos em estudo. Após a descrição dos percursos de construção de sentido, das modalizações e dos regimes de programação e manipulação, partiu-se para a descrição dos regimes de interação, de ajustamento cujo contágio é seu modo operativo, visando um estudo cuidadoso para perceber como valores e objetos concretos se manifestam em cada narrativa audiovisual.

No quarto capítulo, empreende-se um estudo da semântica discursiva com relação às figuras de linguagem visando à descrição da construção das isotopias figurativas do corpo e dos procedimentos retóricos empregados pelas vídeoartes em estudo.

Finalmente, no quinto e último capitulo, se retomam as principais características do corpus por meio de correspondências e particularidades dos vídeos, visando refletir sobre o papel do simulacro do corpo fragmentado na construção identitária do sujeito contemporâneo e os destinadores sociais que se projetam neste corpo

Capítulo II

Benzer Belgeler