Atualmente muito tem sido solicitado às pessoas em relação a sua atuação em equipe. Times têm sido formados. Equipes de profissionais multidisciplinares tem transformado as realidades integradas em contextos inclusivos; a complementaridade de saberes é requerida e o compartilhamento de práticas incentivado. Diferentemente do profissional que detinha os conhecimentos ‘todos’ necessários a um trabalho, hoje aos bons profissionais são exigidas habilidades e trocas produtivas em meio ao emaranhado de informações existentes e de novos conhecimentos, construídos diariamente.
A primeira característica da aprendizagem em equipe é seu alinhamento, que acontece “quando um grupo de pessoas funciona como um todo” (SENGE, 1998, p. 262). É uma maneira de dizer que a equipe possui um foco reconhecido, compartilhado, e empenhará esforços para realizar ações que almejem a chegada em objetivos, sempre tendo como prerrogativa o foco. Desta maneira, a sinergia estaria presente na equipe, não sendo desprendidas ações com gasto de energia em outro sentido senão no do foco acordado.
Na Academia ‘Estar e Bela’ são disponibilizados cursos que devem ser realizados pelos funcionários de acordo com sua área de atuação. Entretanto, aos gestores (líderes, supervisores, gerentes) é solicitada a realização de todos os treinamentos a fim de encontrarem-se alinhados com sua equipe, o que demonstra a incidência da aprendizagem em equipe na empresa.
Portanto, “a aprendizagem em equipe é o processo de alinhamento e desenvolvimento da capacidade da equipe de criar os resultados que seus membros realmente desejam” (SENGE, 1998, p. 263).
Todos os entrevistados em suas falas fazem menção ao engajamento, seja através da participação em times – por exemplo, time dos eventos, que envolve pessoas que organizam as recepções, despedidas, comemorações das lojas – e da incidência da liderança de um supervisor auxiliando no foco; seja por meio do afeto desenvolvido com a equipe em treinamentos como o ‘Magia’ ou pela filosofia de encantamento aprendida e mantida na empresa, pois “o encantamento não é só nosso, é entre nós e com o nosso cliente” (GL3). Por exemplo, no ano de 2006 foi confeccionado um escudo com sentimentos que os colaboradores não gostariam de sentir e os que gostariam de portar durante todo o ano.
A aprendizagem individual não garante a existência da aprendizagem organizacional. Entretanto, sem a primeira a segunda inexiste. Face a este impasse, a aprendizagem em equipe, e mais propriamente a equipe, é apresentada como um espaço para o desenvolvimento de idéias, conhecimentos e ideais, um microcosmos que acentua a capacidade de aprendizagem individual e facilita o processo de expansão do aprendido para novos espaços na organização, visando a reflexão, indagação, conhecimento conjunto, auxiliando a construção da aprendizagem organizacional.
A aprendizagem em equipe busca a comunicação clara entre os membros da empresa, a receptividade e a propagação de conhecimento, elementos bem elaborados e utilizados pela empresa ‘Estar e Bela’ que “extrapola o conceito de treinador, utilizando-se de multiplicadores” (DTI) e trabalhando dentro de cada grupo um assunto com comunicação clara para todos, tanto para as pessoas da área de vendas, quanto para as pessoas que trabalham na fiscalização desenvolvendo o grupo. Dando crédito à
diversidade, “às experiências diferentes, às origens diferentes, às raças diferentes, às idades diferentes, porque essa mescla é muito salutar” (DRH), estimulando muito que haja essa troca no aprendizado, pois “o que leva a empresa a crescer é a equipe, os colaboradores, os clientes que são de vários tipos; o nosso ciclo é esse, a gente diz que encanta e é encantado, trabalha para encantar o colaborador para ele estar sempre encantando o cliente” (GL2).
Neste mesmo raciocínio, a aprendizagem em equipe nas organizações pressupõe a utilização de processos reflexivos; o empreendimento na empresa da inteligência coletiva, fazendo uso da inteligência de cada indivíduo da equipe para torná-la algo superior à inteligência de cada membro separadamente; o uso de ações inovadoras e coordenadas; a união entre percepção e ação; o trânsito dos membros da equipe em outras equipes, o que enriquece visões e potencializa trocas na empresa; bem como o necessário entendimento da amplitude da aprendizagem em equipe nas organizações (SENGE, 1998).
O pensamento coletivo é uma forma de interação e discurso dos sujeitos uns com os outros, um exemplo de sua importância encontra-se na linguagem, que precisa possuir seus obstáculos eliminados para sua clareza e objetividade. Esta clareza é apontada na empresa estudada como uma filosofia do conhecimento, uma garantia de que todos falem a mesma língua, não concentrando o conhecimento em apenas uma pessoa, mas fazendo “com que cada um aprenda com o outro” (DTI), estimulando que os profissionais envolvidos nas atividades de educação continuada discutam seu andamento, pensem juntos como proporcionar mais desenvolvimento.
Um exemplo do peso dado pela empresa à comunicação e à participação encontra-se na realização do Ponto de Partida. No Departamento de RH há um sorteio, as pessoas se dividem e todas passam pelo ponto de partida; é considerado importante porque as pessoas ficam informadas, sabem, por exemplo, quem não vai estar na empresa, o que tem de novo em cada setor “alinhando o que vai acontecer na semana” (OPP), fazendo com que todas falem a mesma língua.
A aprendizagem em equipe é coletiva, pressupondo diálogo e discussão. Almeja a incidência de diferentes pontos de vista sem vencedores, mas colaboradores, afinal, quando se compartilha uma idéia com a equipe, esta deixa de possuir ‘dono’ e passa a
ser atributo das reflexões dos diversos membros presentes. Além disso, “no diálogo as pessoas tornam-se observadoras do seu próprio pensamento” (SENGE, 1998, p. 269) e têm a possibilidade de darem-se conta das incoerências existentes neste, construindo um pensamento coletivo mais coerente.
Para um diálogo real é preciso que os membros da equipe tentem suspender seus pressupostos; ouvir o outro; perceber a relação com os demais colegas, em especial com o facilitador e se disponibilizar à participação; equilibrar as práticas de diálogo, indagação e discussão, visto o conflito ser inerente à equipe que aprende e potencializador do processo criativo.
É preciso que as pessoas entendam a importância do saber falar e ouvir. Por esta razão, na empresa ‘Estar e Bela’ é oportunizado o feedback e a abertura para trocas. “É esse estímulo que leva as pessoas a estarem buscando, até mesmo fora, cursos, treinamentos, palestras” (OPP), à procura da superação diária, do desafio e do reconhecimento.
As habilidades coletivas são mais difíceis de desenvolver que as habilidades individuais. Por isso, são necessários campos de prática, daí a importância de mundos virtuais que oportunizem a liberdade de experimentação. A Empresa ‘Estar e Bela’ trabalha com programas – como o de trainees – e métodos – como as simulações, os desafios, os jogos, as brincadeiras, as dinâmicas e os teatros realizados nos treinamentos e o envio de artigos para debate em equipe nas lojas – em espaços de aprendizagem que priorizam as trocas grupais e dispensam formalismos, sendo momentos de reflexão e indagação, sem o medo do erro. Por exemplo, o programa Magia no ano de 2006 convidou os funcionários para que fossem ‘anjos’ uns dos outros durante o ano, auxiliando no desenvolvimento de seus pares, o que resultou em maior proximidade e cumplicidade dos participantes.
No Projeto Pescar, a aprendizagem em equipe é percebida como uma ajuda mútua, troca em que o individual e o coletivo se desenvolvem, conseguindo com que as pessoas façam “coisas que talvez individualmente seriam mais complicadas” (OPP), esclarecendo dúvidas, realizando feedback com amor, envolvendo colaboradores e voluntários.