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4 KADASTRO CBS YAZILIMI

4.4 Yazılımın Arayüzü

De acordo com Douglas Pereira Pedra e Rodrigo Milão de Paiva, “o setor de distribuição e revenda de combustíveis líquidos possui uma característica importante muitas vezes ignorada: a presença de agentes organizadores do mercado – os sindicatos.”62

Orlando Gomes e Elson Gottschalk definem sindicato como sendo um

(…) agrupamento estável de várias pessoas de uma profissão, que convencionam colocar, por meio de uma organização interna, suas atividades e parte de seus recursos em comum, para assegurar a defesa e a representação da respectiva profissão, com vistas a melhorar suas condições de vida e trabalho.63

As atividades exercidas pela entidade podem beneficiar seus associados e contribuir para o aumento da eficiência do setor.64

Contudo, “os sindicatos e associações – principalmente aqueles que congregam empresas concorrentes- são expostos a risco não desprezível de se envolverem em práticas contrárias à concorrência e ao livre mercado”.65

61

Vide Nota Técnica n° 46/2004/COGDC-DF/SEAE/MF. Disponível em:

http://www.seae.fazenda.gov.br/central_documentos/notas_imprensa/2004-1/nota_tecnica_-postos-de- combustiveis_santa-maria_-rs.pdf. Acesso em: 28/04/2013.

62

PEDRA, Douglas Pereira; PAIVA, Rodrigo Milão. A Atuação Recente da Coordenadoria de Defesa da

Concorrência da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis na Detecção de Cartéis na Revenda Varejista de Combustíveis. Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference. Rio de Janeiro: 2010VI

Congresso Brasileiro de Regulação da ABAR, 2009, Rio de Janeiro, p. 11. Disponível em: http://www.anp.gov.br/?pg=63613&m=&t1=&t2=&t3=&t4=&ar=&ps=&cachebust=1367379702405.Acesso em: 28/04/2013.

63

GOMES, Orlando; GOTTSCHALK, Elson. Curso de Direito do Trabalho. 15ª ed. Forense: Rio de Janeiro, 1998, p. 547.

64

Vale ressaltar que os sindicatos possuem seu papel reconhecido pela Constituição Federal de 1988 (art. 8°) e pela Consolidação das Leis do Trabalho, a qual determina em seu art. 511 ser lícita a associação de trabalhadores para fins de estudo, defesa e coordenação de seus interesses econômicos ou profissionais.

Assim, determinados sindicatos extrapolam suas funções institucionais, contribuindo para a prática de condutas anticoncorrenciais, seja influenciando acordos entre seus associados visando à uniformização de condutas comerciais, seja praticando tais condutas diretamente.

A OCDE, em estudo com o Banco Mundial tratou do tema e concluiu que

(...) as reuniões das associações comerciais podem também servir como um fórum para as ações dos cartéis, e as próprias associações podem ocasionalmente se envolver em atividades anticompetitivas. O compartilhamento de informações relevantes à concorrência pode estimular ou apoiar uma colusão tácita ou explícita, e as associações comerciais estão geralmente situadas de forma ideal para facilitar esses intercâmbios contrários à concorrência.66

Vale ressaltar que a Lei n° 12.529/2011 submete à sua aplicação um amplo rol de pessoas físicas e jurídicas, inclusive aos sindicatos, conforme se observa da leitura do art. 31, in verbis:

Art. 31. Esta Lei aplica-se às pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado, bem como a quaisquer associações de entidades ou pessoas, constituídas de fato ou de direito, ainda que temporariamente, com ou sem personalidade jurídica, mesmo que exerçam atividade sob regime de monopólio legal.

Sobre o tema, Fábio Ulhoa Coelho leciona que:

As práticas empresariais infracionais podem, por fim, se viabilizar através de associações ou sindicatos, como federações ou indústria ou associações de determinado segmento de mercado ou de certa região. Essas entidades instrumentalizadas na prática infracional, também podem ser responsabilizadas nos termos da legislação antitruste. A Ordem dos Advogados do Brasil, o Conselho Regional de Medicina, o Sindicato dos Engenheiros e outras entidades de profissionais podem ser considerados, nos

65

Secretaria de Direito Econômico, “Combate a Cartéis na Revenda de Combustíveis”. 1a ed., 2009, p.21. Disponível em: www.portal.mj.gov.br/services/.../FileDownload.EZTSvc.asp?. Acesso em: 28/04/2013.

66

MOURA, Fabíola; BELTRAME, Priscila Akemi. Diretrizes para Elaboração e Implementação de Política

mesmos termos, agentes ativos de infração contra a ordem econômica.67 (grifo nosso)

O Cade, no Processo Administrativo n° 08012.007515/2000-3168, onde se investigou o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais, afirmou que:

Os Sindicatos são órgãos de classe destinados a defender os interesses de seus filiados, com nobre papel outorgado pela Constituição, (…)

Entretanto, não se pode tolerar que estas tão nobres instituições venham a abusar da prerrogativa a elas conferida, distorcendo o papel a elas reservado, e passem a ser pivôs ou cúmplices de infrações puníveis pelo ordenamento jurídico pátrio.

Infelizmente, muitas delas vêm coordenando atitudes colusivas, com escopo de se uniformizar condutas comerciais, seja através de tabelas de preços ou de simples imposição, aproveitando-se de sua vantajosa posição de representante da classe.

É bem verdade que até bem pouco tempo nossa economia sofria intervenções maciças por parte do Governo, com vários setores sendo tabelados e, por conseqüência, sem a possibilidade de formar e exercer preços livremente. Neste cenário, os Sindicatos tiveram importância ímpar, negociando com os órgãos públicos os interesses de seus filiados, ajudando- os a formar o melhor preço para o setor. Com a abertura da economia e a desindexação dos preços, os Sindicatos passaram a conviver com uma nova realidade, qual seja, a livre concorrência e formação dos preços. Todavia, encontramos ainda hoje instituições que se sentem à vontade para impor aos seus associados a conduta a ser seguida, além do preço a ser por eles praticado, criando situações marginais à ordem econômico-jurídica vigente.

(...) Não obstante, inconcebível a idéia de os Sindicatos se prestarem ao papel de coordenar, ou mesmo mediar atitudes anticoncorrenciais entre seus associados, devendo eles, ao contrário, auxiliar e orientar seus filiados no sentido inverso, adequando-os à nova realidade pátria. (grifos nosso)

Assim, determinadas atividades desempenhadas pelos sindicatos apresentam risco de configurar ilícitos concorrenciais, tais como a troca de informações69, reuniões70 e tabela de preços.71

67

COELHO, Fábio Ulhoa. Direito Antitruste brasileiro. São Paulo: Saraiva, 1995, p. 40-41.

68

Voto disponível em: http://www.cade.gov.br/Default.aspx?e142c252a3798dadb8. Acesso em: 28/04/2013.

69

A troca de informações entre o sindicato e seus membros pode resultar em efeitos pró-competitivos; contudo, quando as informações são consideradas “sensíveis”, tais como preços atuais e futuros, participações de mercado

Benzer Belgeler