Kıvanç Demirci*
YAYIN VE YAZIM İLKELERİ Yayın İlkeleri
sobre o direito ao trabalho. O primeiro diz respeito ao seu reconhecimento no
campo normativo internacional, e o segundo a sua recepção dicotômica em
diversas constituições nacionais, notadamente nas legislações dos antigos países
socialistas e dos países de livre mercado
418.
416 Rafael Sastre Ibarreche, “El derecho al trabajo”, pg. 36. 417 Rafael Sastre Ibarreche, “El derecho al trabajo”, pg. 36.
418 Jean Mayer, “El concepto de derecho al trabajo en las normas internacionales y en la legislación de los
De tal modo, há quem aponte como um dos fatos mais notáveis do
segundo pós-guerra, “o triunfo, pelo menos teórico, do direito ao trabalho”. Mas,
nem por isso, este tema deixou de evocar ardentes polêmicas
419.
O processo de internacionalização das normas de direitos econômicos,
sociais e culturais está vinculado às ações das organizações internacionais, dentre
as quais a Organização das Nações Unidas e a Organização Internacional do
Trabalho. E o reconhecimento dicotômico do direito ao trabalho aparece nas
constituições nacionais a partir da promulgação da Constituição de Weimare se
acentua após a 2
agrande guerra
420.Nos países inspirados pelo antigo modelo soviético, houve uma fusão do
direito ao trabalho com o dever de trabalhar, que acabou gerando a figura:
“direito-dever de trabalhar”. De fato, a instrumentalização deste “direito-dever”
estava sujeita a uma detalhada planificação dos recursos e das necessidades de
419 Paul Lambert, “El derecho al trabajo”, pgs. 18. Também J. López Gandía, “Breve nota sobre el
artículo 35 de la CE (derecho al trabajo, libertad profesional y promoción en el trabajo”, en AA.VV., “Estudios sobre la Constitución española de 1978”, pg. 147, aponta que “no constitucionalismo moderno o direito ao trabalho se configura como um direito social com autonomia própria e conceitualmente diverso da liberdade de trabalho ou liberdade profissional”.
420 Rafael Sastre Ibarreche, “El Derecho al Trabajo”, pg. 38. Neste contexto, não podemos deixar de
ressaltar o marco significativo que a Constituição de Weimer de 1919 representa em qualquer indagação que se possa fazer sobre os direitos sociais. Quanto ao direito ao trabalho, o artigo 163-II dispunha: “ (...) a todo alemão se oferece a possibilidade de ganhar seu sustento mediante o trabalho”, acrescentando “quando não for possível oferecer-lhe um trabalho apropriado, deve-se atender ao seu indispensável sustento”. Como todos os direitos fundamentais sociais constitucionalizados, o direito ao trabalho aparecia reconhecido como programa e instruções para o legislador. Porém, a grande importância deste texto foi, sem dúvida, a mudança qualitativa que se produziu na materialização dos distintos direitos. Willis Santiago Guerra Filho também lembra que a “Constituição de Weimar produziu uma transformação de significados dos direitos fundamentais, passando de um Estado de Direito Liberal – burguês a um Estado de direito social (...) e os direitos fundamentais são descobertos agora com um significativo fator de integração na esfera da vida estatal e social e como meio também de desenvolvimento do Estado e da sociedade”. Entretanto, a experiência de Weimar serviria para lembrar, no processo de formação e consolidação do Estado Social que se produziu a partir de 1945, que a mera inserção de direitos em documentos formais, sem contar com uma importante cumplicidade dos poderes públicos estava destinada ao fracasso.
trabalho, bem como a uma restritiva legislação sobre despedidas do
trabalhador
421.
A fórmula mais significativa desta fusão foi a do artigo 24 da Constituição
da RDA, de 06-04-68, que previa: “o direito ao trabalho e o dever de trabalhar
constituem uma unidade” (bilden eine Einheit). Cabe mencionar, ainda, a
Constituição da URSS (anterior à de 07-10-77), que ficou conhecida por adotar
tal formulação e repetir o mandamento: “aquele que não trabalha, não come”
422.
Ao analisar esta questão, Francisco X. Schaller destaca que o regime
socialista foi garantido pela obrigação do trabalho e não pelo direito ao trabalho.
Aquela impunha a natureza, o lugar e o valor do trabalho, enquanto que o direito
não encerra nenhuma obrigação, uma vez que se trata de uma faculdade
423.
Já nos países democráticos ocidentais que, de um modo geral, adotaram o
regime de livre mercado, as duas figuras apresentavam contornos distintos.
Quanto ao direito ao trabalho, constatava-se a impossibilidade dos poderes
públicos controlarem todos os mecanismos de criação de empregos
424. E o dever
de trabalhar aparece vinculado a uma obrigação social ou a um dever moral, e
421 Antonio Martín Valverde, “Pleno empleo, derecho al trabajo, deber de trabajar en la Constitución
española de 1978”, en AA.VV., “Derecho del trabajo y de la seguridad social en la Constitución”, pgs. 193 e 194.
422 Antonio Martín Valverde, “Pleno empleo, derecho al trabajo, deber de trabajar en la Constitución
española de 1978”, en AA.VV., “Derecho del trabajo y de la seguridad social en la Constitución”, pgs. 193 e 194. Segundo o autor, o fato de que o direito ao trabalho tenha consistido em uma “pedra de toque de políticas e regimes econômicos” permitiu que o trabalho fosse considerado não somente como um direito, mas também como um dever. O autor destaca também o governo de Hitler, que teoricamente se apoiou no dever de trabalhar para instituir o trabalho forçado, que foi igualmente utilizado como forma de se compensar o desemprego juvenil e de doutrinação política.
423 Francisco X. Schaller, “A propósito del derecho al trabajo”, pg. 386. Para o autor, “confundir o direito
e a obrigação do trabalho é um menosprezo, que somente cometem aqueles que procuram se basear em “slogans” para controlar a qualidade e o gosto dos alimentos, que lhes servem diariamente certas cozinhas especializadas na propaganda totalitária”.
424 Antonio Martín Valverde, “Pleno empleo, derecho al trabajo, deber de trabajar en la Constitución
española de 1978”, en AA.VV., “Derecho del trabajo y de la seguridad social en la Constitución”, pgs. 193 e 194.
não propriamente jurídico. Esta vinculação impede a sua sanção direta, mas não
exclui a possibilidade de que esta se dê de forma indireta, como, por exemplo,
nos casos em que se estabelece um ônus adicional para aqueles que se utilizam
do capital financeiro-especulativo, ou quando se fundamenta a negativa do
pagamento de prestações de desemprego por recusa de oferta de emprego
adequada às habilidades e qualificações
425.
De modo geral, o constitucionalismo vigente nestes países a partir da II
Guerra Mundial não apresenta notáveis desvios à tendência de configurar o
direito ao trabalho como um direito (econômico-social) autônomo e
independente, salvo algumas interpretações que o vinculam à liberdade de
trabalho
426.
Sob tal perspectiva, constata-se que as distintas formas de se entender o
direito ao trabalho têm uma correlação direta com os diferentes sistemas
econômicos e modelos jurídicos vigentes em um determinado país. Mesmo
assim, a incorporação deste direito nas constituições nacionais, juntamente, com
a liberdade de trabalho e com o dever de trabalhar impõe uma reflexão sobre seus
traços distintos.
425 Antonio Martín Valverde, “Pleno empleo, derecho al trabajo, deber de trabajar en la Constitución
española de 1978”, en AA.VV., “Derecho del trabajo y de la seguridad social en la Constitución”, pg. 195.
426 J. López Gandía, “Breve nota sobre el artículo 35 de la CE (derecho al trabajo, libertad profesional y
promoción en el trabajo”, en AA.VV., “Estudios sobre la Constitución española de 1978”, pgs. 147 e 148. O autor destaca a situação especial prevista na LEI FUNDAMENTAL DE BONN, em que não há um reconhecimento expresso do direito ao trabalho, cuja construção se dá a partir da liberdade profissional reconhecida no artigo 12 e do princípio do Estado Social. Por esta razão, parte da doutrina alemã tem oferecido resistências a esta configuração do direito ao trabalho, imprimindo-lhe tão somente uma natureza programática.