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Yavaşça değişen boyutlar (Slowly changing dimension-SCD)

3. VERİ AMBARI

3.4. Veri Modelleme Teknikleri

3.4.2. Yavaşça değişen boyutlar (Slowly changing dimension-SCD)

Segundo resgate de Presthus, feita por Etzioni (1980, p. 7) “a nossa sociedade é uma sociedade de organizações”. Etzioni (1980, p. 7) destaca que:

―a sociedade moderna atribui um elevado valor moral ao racionalismo, à eficiência e à competência. [...] depende em grande parte, das organizações, como as formas mais racionais e eficientes que se conhecem de agrupamento social. A organização cria um poderoso instrumento social, através da coordenação de um grande número de ações humanas.‖

Vale lembrar, que assim como vários autores, Etizioni (1980, p. 9) assume a definição

organizacional de Parsons (1960) na qual ―as organizações são unidades sociais (ou

agrupamentos humanos) intencionalmente construídas e reconstruídas a fim de atingir objetivos específicos.

Perrow (1972) afirma analisa as organizações com base na estrutura, nos objetivos, e no ambiente, pois acredita que esses seriam os meios mais práticos e eficientes de lidar com os problemas organizacionais. Além disso, o autor estabelece cinco categorias de objetivos organizacionais: (a) objetivos da sociedade: que tem como ponto de referência a sociedade em geral; (b) objetivos de produção: que tem como ponto de referência o público que entra em contato com a organização; (c) objetivos de sistemas: que tem como ponto de referência a maneira de funcionar da organização ou seu estado; (d) objetivos de produtos: que tem como ponto de referência as características dos serviços e bens produzidos; e, (e) objetivos derivados: que tem como ponto de referência os usos feitos pela organização do poder originado pela consecução de outros objetivos.

Segundo Etzioni (1973, p. 138) uma organização econômica ―é aquela cujos objetivos

primários consistem em produzir bens e serviços, cambiá-los ou organizar e manipular processos monetários‖. De acordo com Weber (2009) há três tipos puros de dominação legítima: de caráter racional, de caráter tradicional e de caráter carismático. De acordo com

Weber (2009, p. 144) ―o tipo mais puro de dominação legal é aquele que se exerce por meio de um quadro administrativo burocrático.‖ Ainda segundo o autor (op. cit. p. 145-146), a

administração puramente burocrática, portanto, a administração burocrático- monocrática mediante documentação, considerada do ponto de vista forma, é, segundo toda a experiência, a forma mais racional de exercício de dominação, porque nela se alcança tecnicamente o máximo do rendimento em virtude de precisão, continuidade, disciplina, rigor e confiabilidade – isto é, calculabilidade tanto para o senhor quanto para os demais interessados -, intensidade e extensibilidade dos serviços, e aplicabilidade formalmente universal a todas as espécies de tarefas. [...] Do mesmo modo que os dominados só podem defender-se normalmente contra uma dominação burocrática existente criando uma contra- organização própria, também sujeita à burocratização.

Para King, Felin e Whetten (2010) a teoria das organizações é uma teoria sem um protagonista, na qual as organizações são geralmente retratadas como agregações de indivíduos, como parte de um ambiente, como nós em uma rede social ou como um conjunto de processos de organização. King, Felin e Whetten (2010) afirmam então que a organização deve ser encarada como um ator social. Os autores sustentam essa perspectiva a partir de dois pressupostos: (a) a atribuição externa, na qual as organizações devem ser atribuídas como capazes de agir por outros atores, especialmente por seus principais interessados e do público; e , (b) a intencionalidade , pelo fato das organizações serem capazes de deliberação, a auto- reflexão e ação guiada por objetivos. Primeiro, a hipótese de atribuição externa é que. King, Felin e Whetten (2010) apontam que os atores sociais são reconhecíveis por causa da maneira que eles são percebidos e interpretados por outros atores. Ainda segundo os autores, os atores têm a capacidade de tomar decisões e agir por vontade própria, e responsabilizá-las pelas decisões que tomam.

Figura 3: O cenário social das organizações

Fonte: adaptado de King, Felin e Whetten (2010).

Assim, King, Felin e Whetten (2010) afirmam que a organização age e é; isto é, as ações de uma organização define o que é. Para King, Felin e Whetten (2010), as organizações ocupam uma posição única no cenário social de formas e atores coletivos, conforme a figura a seguir. Segundos os autores, verticalmente, estes três tipos de atores podem e muitas vezes interagem uns com os outros, já que o Estado regula tanto a indivíduos e organizações, e os dois atores, por sua vez tentam moldar as competências de regulação do Estado.

Horizontalmente, a organização pode ser comparada a dois outros tipos de entidades sociais que também são, estruturalmente, constituído por indivíduos e são regulados pelo Estado: os mercados e as comunidades (KING, FELIN E WHETTEN, 2010).

Para King, Felin e Whetten (2010) as organizações são um tipo de ferramenta social projetado pelos indivíduos para realizar uma ação coletiva intencional em uma escala e de forma que seja inatingível por qualquer indivíduo e, depois de formada, como tal, as organizações assumem uma vida própria e estão sujeitos a um padrão de responsabilidade análoga à que acompanha a indivíduos. Os autores apresentam implicações analíticas a partir da perspectiva de organizações como atores sócias, dentre elas o fato de que estando as organizações dadas atores sociais, os estudos organizacionais precisam ser capazes de distinguir entre a ação organizacional e as ações individuais que ocorrem dentro de um ambiente organizacional, já que as ações individuais que ocorrem dentro de um contexto organizacional são muitas vezes apenas vagamente relacionado com a participação de organização de uma pessoa, às vezes feitas em nome da organização e, por vezes dirigidas à organização . Além disso, os autores afirmam que essas características distintivas apontam para formas específicas em que as organizações se relacionam com outras formas coletivas, já que embora as organizações possam surgir das condições de mercado ou de tentativas de organização da comunidade, uma vez criadas, as organizações representam uma entidade distinta com características sociais que são independentes de tais condições de fundação.

Para Ibarra-Colado (2010), a própria idéia de 'organização' tem sido reinventada como um artifício indispensável que homogeneíza as diferentes realidades. Este conceito dominante de organização formula as nações da periferia como expressões imperfeitas dos países do Centro. Apesar de suas limitações são óbvias, este conceito adquiriu maior relevância nas últimas décadas devido à implementação do neoliberalismo e da racionalidade do mercado. Estes mesmos fatos ajudam a explicar a crescente importância dos Estudos Organizacionais em toda a região. Em segundo lugar, seria difícil negar que as sociedades modernas em todo o mundo passam a ser regidos pela imposição da racionalidade instrumental. Essa racionalidade tem sido adaptado para os modos de organizar rapidamente ganhando autonomia e produção de riscos e efeitos inesperados em todo lugar (IBARRA- COLADO, 2010).

Para Ibarra-Colado (2010) a principal característica do desenvolvimento Estudos Organizacionais de da América Latina como a sua tendência para a falsificação e imitação do conhecimento gerado no Centro. Além disso, o papel desempenhado pelo termo 'organização' funciona como um artifício que facilita a comparação de diferentes realidades através de suas

variáveis estruturais,mas também a incapacidade de este termo para reconhecer qualquer realidade que escapa à racionalidade instrumental e da lógica do mercado. Ele também articula a crescente importância de tais conceitos no contexto do neoliberalismo.

Para Ramos (1981) a teoria da organização predominante era pré-analítica e ingênua, já que é baseada na racionalidade instrumental. Para o autor, seu sucesso era unidimensional, em virtude do impacto desfigurador que oferecia à vida humana associada. A teoria da organização naquele momento daria

um cunho normativo geral ao desenho implícito da racionalidade funcional. Admitindo como legítima e ilimitada a intrusão do sistema de mercado na vida humana, a teoria de organização atual é, portando teoricamente incapaz de oferecer diretrizes para a criação de espaços sociais em que os indivíduos possam participar de relações interpessoais verdadeiramente autogratificantes. A racionalidade substantiva sustenta que o lugar adequado à razão é a psique humana. Nessa conformidade, a psique humana deve ser considerada o ponto de referência para a ordenação da vida social, tanto quanto para a conceituação da ciência social em feral, da qual o estudo sistemático da organização constitui domínio particular (RAMOS, 1981, p.23).

Segundo Ramos (1981, p.86) a ―ciência da organização [...] está enredada numa trama de pressupostos não questionados, que derivam da sociedade centrado no mercado e dela são

reflexos‖. Para Ramos (1981, p. 92), ―o mercado tende a transformar-se na força modeladora

da sociedade como um todo, e o tipo peculiar de organização que corresponde às suas exigências assumiu o caráter de um paradigma, para a organização de toda a existência humana‖. Nessa perspectiva o autor indica a existência de três pressupostos não articulados até aquele momento na disciplina organizacional dominante: ―(a) a identificação da natureza humana, em geral, com a síndrome de comportamento inerente à sociedade centrada no mercado; (b) a definição do homem como detentor de emprego; e, (c) a identificação da comunicação humana com a comunicação instrumental‖.

Dessa forma, Ramos (1981, p.118) estabelece que a ―formação de uma abordagem

substantiva para a organização inclui duas tarefas distintas: a) o desenvolvimento de um tipo de análise capaz de detectar os ingredientes epistemológicos dos vários cenários organizacionais; b) o desenvolvimento de um tipo de análise organizacional expurgado de padrões distorcidos de linguagem e conceitualização‖. Assim, Ramos (1981) apresenta quatro pontos cegos da teoria organizacional (op. cit., p. 121):

o conceito de racionalidade predominante na vigente teoria organizacional parece afetado por fortes implicações ideológicas; [...] a presente teoria da organização não distingue, sistematicamente, entre o significado substantivo e o significado formal da organização; [...] a presente teoria da organização não tem clara compreensão do papel da interação simbólica, no conjunto de relacionamentos interpessoais; a presente teoria da organização apóia-se numa visão mecanomórfica da atividade produtiva do homem.

Segundo Demo (2009) enquanto o funcionalismo acentua a face consensual e harmoniosa da sociedade, o sistemismo parte de certa dose de conflito. Assim, segundo o autor, o sistemismo exige a elaboração de respostas adequadas para resolver, compensar ou abafar os conflitos e ressalta a dinâmica de manutenção do sistema. Demo (2009) afirma que o sistemismo não concebe bem os conflitos não solucionáveis que resultariam na superação do sistema. O sistemismo invadiu principalmente a administração pública, a administração de empresas, a política e a economia, pois foca a manutenção de sistemas, ao seu funcionamento mais racional e produtivo possível e ao cuidado de não colocá-lo sob contestação (Demo, 2009). O autor afirma que para a manutenção das estruturas de poder e de dominação, a perspectiva sistêmica foi um achado. Demo (2009, p.111) afirma que ―diante de estruturas muito sofisticadas de informação, a sociedade tornou-se mais manipulável, mais previsível, mais administrável. A mudança mais drástica vai ficando mais difícil porque os controles são

inúmeros e eficientes[...]‖. Assim, o controle duro dá lugar à cooptação dos adversários, à

oposição domesticada, ao convencimento via propaganda, via indústria cultural.

Da mesma forma que trabalha com a racionalidade, Ramos (1981) também caracteriza as organizações como formais e substantivas, de acordo com o tipo de racionalidade que as sustenta. Nesse sentido, para o autor, as organizações formais são criadas para a maximização de recursos. Ao propor uma conceitualização de uma abordagem substantiva de organização, Ramos (1981, p.134-135) estabelece algumas considerações, das quais se destaca aqui três delas:

Os limites da organização deveriam coincidir com seus objetivos. [...] É possível tentar definir a organização econômica como um sistema microssocial que produz mercadorias segundo normas contratuais objetivas, dispõe de meios operacionais para a maximização de recursos limitados e utiliza critérios quantitativos para avaliar a equivalência de bens e serviço. [...]A conduta individual, no contexto das organizações econômicas, está, fatalmente, subordinada a compulsões operacionais, formais e impostas.[...] Uma abordagem substantiva da teoria organizacional preocupa-se, sistematicamente, com os meios de eliminação de compulsões desnecessárias agindo sobre as atividades humanas nas organizações econômicas e nos sistemas sociais em geral. [...] Todavia, essa abordagem está interessada em meios viáveis de redução, e mesmo de eliminação, de descontentamentos e com o aumento da satisfação pessoal dos membros das organizações econômicas.

A partir de suas análises, Ramos (1981) propõe a Teoria da Delimitação dos Sistemas Sociais, na qual cria um modelo multidimensional, onde a delimitação organizacional envolve a perspectiva de a sociedade é construída por vários enclaves, na qual o mercado é apenas um deles e de que o homem atua em tipos diferentes de atividades substantivas. A figura a seguir ilustra o modelo:

Não caberia aqui um detalhamento desse paradigma, mas sim ressaltar que sua proposta, segundo Ramos (1981) é uma tentativa de superar o processo contínuo de

unidimensionalização da vida. Nesse sentido, a ideia de paraeconomia do autor também ―pode

ser entendida como proporcionadora da estrutura de uma teoria política substantiva de alocação de recursos e de relacionamentos funcionais entre enclaves sociais, necessários à

estimulação qualitativa da vida social dos cidadãos‖ (op. cit. p.177).

Serva (1997) resgata que Guerreiro Ramos constrói sua ―teoria substantivada vida

humana associada‖, tendo a racionalidade substantiva como principal categoria de análise, na

qual a ética seria elemento central para abordar a vida social e por meio dela as pessoas poderiam conduzir sua vida em direção à auto-realização e à emancipação, sempre considerando o direito dos outros em também alcançar esses caminhos. O autor (op. cit. p.

20) destaca que ―os autores brasileiros criticam e denunciam a razão instrumental, opondo a

ela a racionalidade substantiva. No entanto, não conseguem comprovar empiricamente se esta última pode ser empregada na gestão das organizações produtivas‖.

Tentando contornar esse impasse, Serva (1997) realiza um estudo, agregando à tipologia de Guerreiro Ramos a perspectiva de Habermas, de ação comunicativa, na tentativa de construir elementos que permitam uma melhor caracterização dos dois tipos de racionalidade, conforme o quadro a seguir.

Quadro 5: Características da Racionalidade Substantiva e da Racionalidade instrumental

Racionalidade substantiva Racionalidade instrumental

Auto-realização Entendimento Julgamento ético Autenticidade Autonomia Cálculo Fins Maximização de recursos Êxito, resultados Desempenho Utilidade Rentabilidade Estratégia interpessoal Fonte: adaptado de Serva (1997, p. 22-23).

A partir dessa caracterização, na qual uniu as perspectivas de Guerreiro Ramos e Habermas, Serva (1997) estabeleceu alguns indicadores do processo administrativo (Hierarquia e normas, Valores e objetivos organizacionais, Tomada de decisão, Controle, Comunicação e relações interpessoais, Ação social e relações ambientais, Reflexão sobre a organização, Conflitos, Satisfação individual e Dimensão simbólica) para caracterizar as organizações estudas em cada um dos elementos do seu processo administrativo a partir dos dois tipos de racionalidade. Para tal, o autor estabeleceu um continuum de intensidade da

racionalidade substantiva, na qual poderia ser estabelecida a intensidade de razão substantiva para cada empresa estudada.

Segundo Alves (2002), Guerreiro Ramos (1987) ao trabalhar sua ―teoria substantiva da

vida associada‖ dá as pistas do que seriam organizações substantivas, definindo-as como

aquelas que se constroem em um eixo não separado da esfera mercantil ou pelo menos não subordinado à ele. De acordo com Alves (2002, p.6),

Guerreiro Ramos concebe um modelo dual de organizações: por um lado, organizações formais (que ele iguala às burocracias, no sentido weberiano) regidas pela racionalidade instrumental; por outro lado, organizações substantivas regidas pela racionalidade substantiva. Apesar da importância que é atribuída ao conceito de organização substantiva na obra de Guerreiro Ramos, pode-se afirmar que, do ponto de vista descritivo operacional, não se consegue visualizar, em seu pensamento, a estrutura desse tipo de organização.

Alves (2002) ainda resgata o estudo em que Serva (1993) apresentou as características das organizações substantivas: são norteadas por princípios logicamente inter-relacionados: primazia da ação coletiva, respeito às diferenças individuais, busca de equilíbrio entre homem e organização, ação calcada em identidade de valores; são organizações nas quais há relações interpessoais intensas e fortes; é constante e intensa a reflexão coletiva sobre o cotidiano da organização; as estruturas hierárquicas são ou extremamente flexíveis ou inexistentes; só se aceitam novos membros que se identifiquem com os valores e com a causa maior da organização; há livre circulação de informações, o que facilita o processo coletivo de tomar decisões; os indivíduos são remunerados conforme a atividade que executem e seu comprometimento com a organização; os horários de trabalho são flexíveis; o rendimento dos indivíduos é aferido coletivamente, em reuniões periódicas e há abertura para o diálogo e para a negociação; a organização se expressa, em termos sociais, pelos valores que esposa; são precários os mecanismos para avaliar sistematicamente a satisfação do usuário; sempre busca na sociedade o respaldo para suas ações.

Ramos (1996) também propõe a noção de redução sociológica, que não se destina apenas em habilitar a transposição , de forma crítica, do conhecimento de um contexto social para outro, m também caracteriza a existência culta e transcendente da existência humana, que habilita a superação de condicionamentos circunstanciais. O autor descreve a redução como: (a) uma atitude metódica; (b) que não admite a existência na realidade social de objetos sem pressupostos; (c) que postula a noção de mundo; (d) que é perspectivista; (e) na qual seus suportes são coletivos e não individuais; (f) que se constitui como um processo crítico- assimilativo da experiência estrangeira; e. (g) que embora tenha como suportes coletivos as vivências populares, é uma atitude altamente elaborada. Ramos (1981, p. XI) afirmava que

―uma teoria da organização centralizada no mercado não é aplicável a todos, mas apenas a um

tipo especial de atividade. A aplicação de seus princípios a todas as formas de atividade está dificultando a atualização de possíveis novos sistemas sociais, necessários à superação de dilemas básicos de nossa sociedade‖.

Bariani (2010) afirma que Guerreiro Ramos releva a condição do Estado como grande arauto da modernização, único agente capaz de se sobrepor aos interesses privatistas das oligarquias. No entanto, tal condição do Estado elide a participação dos grupos sociais no processo de mudança.

Segundo Tenório (2010, p.36) :

O reconhecimento da precariedade fundamental de qualquer tipo de organização social deve advertir o administrador contra o perigo de uma técnica ou ciência da administração que se pretenda auto-suficiente e capaz de resolver todas as questões que emergem da realidade social. O sucesso da administração depende de sua modéstia e de sua humildade. Na medida em que ela sabe distinguir os seus domínios daqueles que pertencem a outras ciências e se dispõe a uma tensão crítica relativa aos seus procedimentos, permanece um instrumento de progresso, erigindo-se em verdadeira prestidigitação quando transpõe estes limites e normas (RAMOS apud TENORIO, 2010, p. 36).

França Filho (2010) afirma que o vigor da análise de Guerreiro Ramos está na sua capacidade em retomar o debate sobre a transmutação do conceito de razão ao longo do tempo. Segundo o autor, a alternativa apresentada por Guerreiro Ramos ao conceito unidimensional de razão seria a noção de racionalidade substantiva, que o autor teria elaborado a partir de uma tradição crítica da razão moderna presente em Weber, Mannheim, Horkheimer, Habermas e Voeglin. Enquanto na racionalidade instrumental deve prevalecer a assertiva maquiaveliana – segundo a qual ―os fins justificam os meios‖, pois o que importa, neste parâmetro de racionalidade, é a capacidade que possuem os meios para atingir os objetivos pré-fixados, ou seja, os meios não têm importância em si mesmos –, na racionalidade substantiva, por outro lado, avalia-se a qualidade intrínseca de cada ação empreendida, já que o propósito dessa razão é o entendimento humano. Nela, a escolha e definição dos fins não podem ser jamais exteriores à condição humana. Isto é, os fins definem-se como valores. (FRANÇA FILHO, 2010)

Radin (2010, p. 598-599) aponta algumas características do cenário do setor público no ínicio do século XXI: (a) fronteiras de políticas mutáveis; (b) percepções inconstantes sobre o papel do governo; (c). interdependência entre níveis de governo; (d) interdependência entre público e privado; e, (e) foco no desempenho.

De acordo com Lynn Jr. (2010, p.30) as diferenças entre a gestão pública e a gestão privadas estão pautadas nos seguintes argumentos:

(1) o interesse público difere do privado; (2) as autoridades públicas, por exercerem o poder soberano do Estado, devem necessariamente atender aos valores democráticos em detrimento dos interesses de qualquer grupo ou material em particular; e, (3) a Constituição exige o tratamento igualitário das pessoas e descarta o tipo de seletividade que é essencial para sustentar a lucratividade.

Segundo Bartels (2009) as propostas neoliberais para as reformas estruturais na área pública são baseadas na destituição da utilidade da burocracia para a sociedade moderna. Para o autor, na perspectiva liberal argumenta-se não só que burocracia está ultrapassada ou tem algumas disfunções estruturais, mas que a burocracia tem de ser substituída devido à falha fundamental de sua racionalidade formal.

Bartels (2009) afirma que na sociedade moderna, as organizações estão mudando os valores a que o homem orientado suas ações, ficando em tensão com a pluralidade de maneiras distintas de ver, pensar e agir que os indivíduos possuem. Dessa forma, para o autor, em vez de perder o trabalho de Weber através de uma "mudança de paradigma", parece mais

Benzer Belgeler