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YATIRIMLARDA DEVLET YARDIMLARI HAKKINDA KARARIN UYGULANMASINA İLİŞKİN TEBLİĞ

Realizar esta pesquisa foi a concretização de um sonho pessoal cultivado já há algum tempo. Quando fiz a opção (feliz) de trabalhar como médico do Programa de Saúde da Família (PSF) fui ao encontro do meu coração e ignorei, completamente, os conselhos (!) de alguns professores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), instituição onde realizei minha graduação, que diziam que quem não estudasse acabaria por se tornar médico do PSF. Pois bem, nunca tive que estudar tanto em minha vida e, ironia do destino, justamente por ter me tornado médico de família...!!! A discussão acerca do território, proveniente de diversas tradições das ciências humanas, permitiu-me entrar em contato com um mundo completamente novo. As mudanças econômicas, políticas e culturais nos convidam a buscar novas ferramentas teóricas, metodológicas e conceituais para a compreensão do mundo contemporâneo. Assim, trabalhar no Programa de Saúde da Família (PSF) exige a aquisição de determinados referenciais que tradicionalmente não nos são repassados nos bancos da graduação e sua formação eminentemente voltada para o “território” do corpo, mas não para o “território” da vida das comunidades das periferias dos grandes centros urbanos brasileiros.

As discussões mais recentes sobre o território incorporam o componente cultural considerando que o território carrega sempre, de forma indissociável, uma dimensão material, mas também uma dimensão simbólica, esta última repleta de significações e sentidos para as pessoas que vivem suas vidas não somente em um espaço político-administrativo, mas em um lugar cotidianamente vivido. Assim, trabalhar como médico na comunidade do mangue do bairro Vila Velha é algo realmente instigante, pois naquele contexto estão articuladas diversas realidades. O território do SUS na comunidade que mostramos em nossa pesquisa não diz muito a respeito das vidas daquelas pessoas, pois não é suficiente enquadrá-las em micro-áreas, estas agrupadas em áreas, que por fim compõem a área de abrangência do Centro de Saúde da Família João Medeiros, unidade básica de saúde responsável pelo atendimento do bairro Vila Velha. Logicamente, o sistema de saúde organiza-se a partir de

um substrato territorial, mas não faz sentido encerrar a discussão sobre aquele território e sua gente sofrida, mas cheia de força, nos limites singulares propostos pela territorialização em saúde do município de Fortaleza.

Daí, termos feito a opção de estudar a comunidade do mangue do bairro Vila segundo sua articulação em três territórios distintos, mas inter- ligados: o território do SUS local e sua lógica própria de organização da atuação das equipes do Programa de Saúde da Família para a consecução de suas ações programáticas, o território do bairro Vila Velha em sua conexão com o crescimento e a expansão urbana da cidade de Fortaleza e sua precária oferta de serviços urbanos a importantes contingentes de sua população e, por fim, o território da Área de Proteção Ambiental (APA) do Estuário do Rio Ceará, especificamente um grande trecho da margem direita do Rio Ceará, em sua planície flúvio-marinha, área sujeita às oscilações de maré e que vem sendo ocupada por famílias em um contexto de elevada vulnerabilidade social. No entanto, as pessoas que ali vivem o fazem pela falta de opção de ocupar outros espaços da cidade, sendo os excluídos da lógica urbana perversa que reserva aos pobres urbanos os espaços que em um determinado momento histórico não fazem parte da lógica da valorização do solo urbano pela especulação imobiliária.

Assim, buscamos compreender estes três “territórios” segundo o discurso dos órgãos oficiais, que culpabiliza as famílias que lá vivem (e sobrevivem) pelo elevado grau de degradação ambiental da APA do Rio Ceará; a partir da perspectiva de alguns de seus moradores mais antigos e suas histórias de vida no lugar e suas trajetórias de exclusão em busca de espaço no concorrido solo urbano para construir suas casas e viver com dignidade suas vidas; e, por fim, do ponto de vista dos profissionais de saúde que assistem à comunidade do mangue do bairro Vila Velha.

Dos moradores da comunidade do mangue do bairro Vila Velha, intentamos analisar suas opiniões sobre as condições gerais de vida e de moradia, as condições de saúde e a questão da repressão e do uso do poder coercitivo do Estado para a transferência das famílias para os questionáveis conjuntos habitacionais.

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Dos profissionais do Programa de Saúde da Família, buscamos compreender como estes avaliam as condições gerais de vida e de moradia, bem como as condições de saúde da comunidade, além das impressões dos mesmos acerca dos processos de territorialização em saúde e as políticas de saúde e ambiente.

Ao final, obtivemos um amplo e complexo cenário repleto de significados e disputado por distintos atores sociais, com notáveis diferenças de poder de ação. Uns tentando viver suas vidas (os moradores), outros tentando ajudá-los nessa jornada (os profissionais do PSF), e outros buscando transferir milhares de pessoas que ali residem sob a argumentação da preservação ambiental do lugar. Outros pesquisadores já estudaram a comunidade sob variados ângulos de análise e, certamente, a nossa pesquisa corresponde a mais uma destas tentativas de compreender este cenário de tantas riquezas, mas também de muitas privações.

Aquilo que vimos e ouvimos dos participantes da pesquisa não encerram a discussão sobre a comunidade do mangue do bairro Vila Velha, nem foi esta nossa intenção, mas o conjunto de informações levantadas pode servir de apoio para outros estudos acerca daquele território.

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Benzer Belgeler