Este trabalho procura estabelecer uma metodologia coerente e que seja capaz de identificar os arranjos produtivos potenciais. Para isto, utiliza-se a metodologia desenvolvida por Crocco (2003) a respeito dos indicadores quantitativos utilizados, tais como: Quociente Locacional, Participação Relativa e o Índice de Hirschman-Herfindahl modificado.
Tal metodologia combina três critérios que exprimem a relação de concentração e especialização de uma região em determinado setor de atividade econômica. O
Quociente Locacional (QL) é um índice de especialização e será utilizado para
determinar em quais microrregiões essas atividades estão localizadas. Esse quociente ajuda a determinar se uma cidade em particular possui especialização em um setor específico, sendo obtido através da seguinte expressão:
� = � � ��� ��� Em que,
� = Emprego do setor i na cidade j;
� = Emprego total da indústria na cidade j; ��� = Emprego do setor i no Ceará;
��� = Emprego total da indústria no Ceará.
O QL é um indicador que procura comparar duas estruturas espaciais segundo os setores de atividade econômica localizados nestes espaços. O numerador define a
proporção de empregos de um setor em uma região em relação ao total de empregos da região, o que pode ser considerada como o peso relativo do setor na região considerada. O denominador expressa o peso do emprego em um setor com relação ao emprego total de uma região de referência, no caso, o Ceará.
Assim, a verificação de um QL menor que um (<1) indica que a (micro) região tem um grau de especialização menor que o do conjunto, podendo ser o Estado ou o País; quando o QL é igual a 1 (=1) é porque o grau de especialização da (micro) região é igual ao do conjunto; e quando o QL é maior do 1 (>1) se diz que a (micro) região tem um grau de especialização maior que o do conjunto.
Apesar de fornecer boas indicações no processo de identificação das especializações presentes nas localidades, algumas observações devem ser consideradas quanto à utilização desta metodologia com relação a seus limites e distorções.
Com relação aos limites, o QL deve ser encarado apenas como um passo exploratório para tão somente indicar a presença de aglomerações especializadas de setores produtivos. Ele não indica a densidade de tal atividade nem o grau de complexidade da aglomeração, formada pelas interações entre os agentes (AMARAL FILHO et al, 2004).
Com relação às distorções, elas são, basicamente, de três formas (AMARAL FILHO et al, 2004):
i. A presença de uma grande empresa, intensiva em mão de obra, em um município que tem pouca densidade industrial, pode produzir uma falsa imagem, tanto no tocante ao aspecto da aglomeração, quanto no que diz respeito ao aspecto da especialização.
ii. Municípios grandes, com estrutura industrial densa e diversificada, podem apresentar QLs baixos, pouco significativos, comparados aos dos municípios pequenos.
iii. A metodologia não distingue diferenças nos padrões tecnológicos nem nas escalas de produção, entre os setores.
Com o intuito de corrigir, em parte, estas distorções, foram introduzidos neste trabalho dois outros indicadores: Participação Relativa e o Hirschman-Herfindahl modificado, que serão apresentados a seguir, e o uso de um filtro para as condições
onde o valor do QL seja igual ou superior à unidade; abaixo disso, o município estará automaticamente eliminado. Isso porque não incorreremos nas distorções apresentadas pelo item (ii), citado anteriormente.
O segundo componente do índice de Concentração (IC), é a Participação
Relativa (PR), uma proporção que relaciona a importância do setor no município em
âmbito Estadual:
= � ���
� = Emprego do setor i na cidade j; ���= Emprego do setor i no Ceará;
O indicador varia entre zero e um; quanto mais próximo de um, maior a importância da atividade ou setor i do município j no âmbito do Ceará.
O último indicador é o de Hirschman-Herfindahl modificado (HHm), elaborado na tentativa de captar em que medida a especialização do setor no município reflete um fenômeno do setor ou da estrutura industrial do município como um todo, isto é, procura captar o real significado do peso do setor na estrutura produtiva local em relação a região econômica de referência. Ele é definido da seguinte forma:
= �
��� − � ���
� = Emprego do setor i na cidade j;
� = Emprego total da indústria na cidade j; ��� = Emprego do setor i no Ceará;
��� = Emprego total da indústria no Ceará.
Tal índice controla a proporção entre empregos em determinado setor presente no município j com relação ao emprego do mesmo setor em escala estadual (a primeira proporção do lado direito da equação). Se algum município apresenta alta proporção de empregos em um setor, mas ao mesmo tempo o emprego no município é relativamente alto, se estará lidando com economias centralizadoras de recursos e muito diversificadas. A segunda proporção do lado direito da equação evita que o HHm entre (2)
no cálculo do índice de concentração sem descontar o fator de diversificação da economia local.
Um valor positivo indica que o setor i, do município j, na economia referencial (Ceará) está mais concentrado e, portanto, com maior poder de atração econômica, dada sua especialização em tal setor. Este indicador irá possibilitar comparar o peso do setor i, na região j, no setor i do estado, com o peso da estrutura produtiva da região j na estrutura do estado. Quanto mais próximo da unidade for o índice HHm, maior será o peso do setor i na região j em relação ao setor no estado.
É importante informar que o cálculo realizado para o indicador HHm, especificamente a segunda proporção do lado direito, da Equação 3, é realizado de acordo com o total de setores selecionados para análise, ou seja, neste trabalho estão sendo considerados dezessete setores, portanto, o total de empregos da cidade é o somatório destes dezessete setores. Para o caso da agricultura e pecuária, será utilizado o mesmo procedimento, mas para uma base de dados setorial diferente, uma para lavoura permanente e lavoura temporária, no caso da agricultura; e uma para o setor de pecuária.