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Yatay ve Eğimli Yüzeye Gelen Güneş Enerjisi

3. GÜNEŞ ENERJİSİ

3.1 Yatay ve Eğimli Yüzeye Gelen Güneş Enerjisi

A proteção à velhice despontou como uma preocupação somente a partir do século XIX, diferentemente dos eventos morte e acidente de trabalho, cujas primeiras referências protetoras já são encontradas nas antigas civilizações, como ensina Maldonado Molina.226

O relativo atraso no desenvolvimento da proteção social aos mais velhos decorreu do fato de que, no passado, a esperança de vida das pessoas era muito baixa. Estima-se que a expectativa de vida no Império Romano era de apenas 25 anos227, sendo que quase dois milênios depois, no ano de 1940, esse valor nem

sequer chegou a dobrar, atingindo a baixa marca de 45,5 anos no Brasil228.

Contudo, a comparação deste precedente dado com o do corrente ano de 2010 revela, nos últimos setenta anos, um aumento na esperança de vida da população brasileira maior do que o experimentado pelo mundo nos últimos dois milênios, já que a expectativa de vida aumentou quase 28 anos, atingindo a marca de 73,4 anos229.

226 MOLINA, Juan Antonio Maldonado. La protección de la vejez en Espanã. Valencia: Tirant lo Blanch, 2002, p. 130.

227

LÓPEZ CUMBRE, Lourdes. (Coord) Tratado de jubilación. Homenaje a Luis Enrique de la Villa Gil Madri: Iustel, 2007, p. 119.

228 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Projeção da população do Brasil por

sexo e idade – 1980 – 2050. Revisão 2008. Rio de Janeiro, 2008. 229

O aumento da expectativa de vida da população230 decorre de uma

melhora geral nas condições de vida das pessoas (direitos trabalhistas, saneamento básico, educação, dentre outros) e do desenvolvimento das ciências médicas. No passado, sem a influência desses fatores, a expectativa de vida era baixa também em função das precárias condições de trabalho, das epidemias e das constantes guerras que dizimavam as populações231.

Uma vez exposto esse panorama, justifica-se a proteção à idade avançada ser relativamente recente se comparada à incidência de outros riscos sociais, constantes na história da humanidade.

O estudo do perfil demográfico da população brasileira revela que o aumento da expectativa de vida das pessoas tem sido um fator determinante para a configuração de um movimento de transição232 ou de “virada demográfica”233, o qual verifica que o Brasil está deixando de ser um país de jovens para tender, em um futuro próximo, a ter maioria de adultos e idosos234.

No ano de 1980, as pessoas com sessenta anos de idade ou mais eram equivalentes a 6,07% da população. Previsões indicam que no ano de 2050 essa porcentagem será de quase 30% dos habitantes brasileiros (64.050.980 idosos).

235

230

Jesús Uguina é enfático ao tratar do contexto europeu: “En ningún país europeo, tanto por lo que se

refiere a las mujeres como a los hombres y durante todo el período, desde el año 1960 al 2000, ha habido el más mínimo retroceso de la expectativa de vida.” in LÓPEZ CUMBRE, Lourdes. (Coord) Tratado de

jubilación. Homenaje a Luis Enrique de la Villa Gil Espanha: Iustel, 2007, p. 913. 231

Jean-Jacques Rousseau, importante filósofo suíço, em pleno século XVIII considerava que a velhice, dentre todos os males, era “aquele que menos os recursos humanos conseguem atenuar” in ROUSSEAU, Jean-Jacques. A origem da desigualdade entre os homens. Traduzido por Ciro Mioranza. 2ª ed. São Paulo: Escala, 2007, p. 36.

232 Ensina Lourdes Lopez Cumbre que “se utiliza la expressión ‘transición demográfica’ para designar un

período de fuerte crecimiento de la población, debido al prolongado y marcado decenso de las tasas de mortalidad y de natalidad”. in LÓPEZ CUMBRE, Lourdes. (Coord) Tratado de jubilación. Homenaje a Luis

Enrique de la Villa Gil Madri: Iustel, 2007, p. 97.

233 MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Envelhecimento e dependência: desafios para a

organização da proteção social. Coleção Previdência Social, v.28. Brasília, 2008, p. 118. 234

Propõe Maldonado Molina que “debe abrirse una auténtica interrelación entre sociedad y ancianos,

porque ámbos se necesitan mutuamente, y ahora más que en ningún otro momento de la Historia de la Humanidad, en que por primera vez la vejez representa un escalón destacado en la estructura demográfica”. op. cit., p. 106.

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INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Projeção da população do Brasil por

A “onda idosa”236 que toma conta do país237 decorre fundamentalmente de

dois fatores distintos: em primeiro lugar do envelhecimento da população e em segundo de uma expressiva queda na taxa de natalidade.

Se até a década de 1960 a taxa de fecundidade era estimada em valor ligeiramente superior a 6 filhos por mulher em idade reprodutiva, atualmente, este índice caiu para apenas 1,76 filho, neste ano de 2010, sem previsão futura de reversão na tendência existente de queda.238

Atribui-se ao fenômeno da diminuição da taxa de natalidade a incidência conjunta de três aspectos distintos239. Sob o prisma econômico, o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho e sua necessidade de conciliar a vida familiar com o emprego contribuíram de forma relevante para opção consciente de não se ter mais tantos filhos como antigamente. Sob o ângulo científico percebe-se que o desenvolvimento de métodos contraceptivos, que permitem a prática do planejamento familiar, é igualmente importante para a queda na natalidade. Por fim, sob a perspectiva sociocultural a verdadeira emancipação feminina vivida nas últimas décadas acarretou a revisão do papel da mulher na sociedade, agora não mais restrita à função reprodutiva.

Ruth Gelehter da Costa Lopes240 revela, com preocupação, que “o processo de envelhecimento alerta para novas demandas e atenções nos serviços e benefícios – lazer, médico, psicológico, previdência – prestados pela sociedade”.

Na mesma linha, aponta a professora Zélia Luiza Pierdoná que o processo de envelhecimento da população será acompanhado por grandes desafios

236 TAFNER, Paulo; GIAMBIAGI, Fabio (orgs.). Previdência no Brasil: debates, dilemas e escolhas. Rio de Janeiro: IPEA, 2007, p. 96.

237

Para melhor visualização do processo de envelhecimento da população brasileira recomenda-se a apreciação dos anexos gráficos 1 a 10.

238 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Projeção da população do Brasil por

sexo e idade – 1980 – 2050. Revisão 2008. Rio de Janeiro, 2008.

239 MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. A previdência social e o censo 2000: perfil dos idosos. Informe de Previdência Social vol. 14, no 09. Brasília, 2002.

240

LOPES, Ruth Gelehrter da Costa. Saúde na velhice: as interpretações sociais e os reflexos no uso do

O crescimento demográfico apresenta grandes desafios e adquire dimensões muito complexas e multifacetárias. O aumento da longevidade tem repercussões profundas para as questões relativas à qualidade de vida e, principalmente (...) para a seguridade social.241

Em síntese, o envelhecimento da população brasileira implica a necessidade inadiável de adequar as políticas sociais, especialmente a previdenciária242, à nova realidade demográfica do país.

Atendo-nos à repercussão do envelhecimento populacional no âmbito da Previdência Social, é de suma importância o estudo da efetividade da proteção dispensada e da sustentabilidade dos regimes previdenciários, já que desponta como um desafio futuro a outorga de proteção social adequada para um contingente crescente de beneficiários em um contexto de menor número de contribuintes.243

Dentro dos estudos necessários para a administração da previdência nesse novo contexto demográfico que se impõe, o presente trabalho, por opção metodológica, restringir-se-á ao exame da efetividade das prestações atualmente dispensadas pelo Regime Geral de Previdência Social, analisando-as sob o prisma constitucional da universalidade de proteção que deverá se intensificar diante do processo de envelhecimento permanente e irreversível que vai inexoravelmente se generalizar no planeta244.

241 PIERDONÁ, Zélia. A Velhice na Seguridade Social Brasileira. São Paulo, 2004. 241p. Tese de Doutorado em Direito Previdenciário – Faculdade de Direito, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, p. 161.

242

Lord Beveridge, no ano de 1942, em seu célebre relatório constatou: “o problema da natureza e extensão

das provisões que devem ser feitas para a velhice é o mais importante e, de certo modo, o mais difícil de todos os problemas do seguro social.” in BEVERIDGE, William. O Plano Beveride. Relatório sobre seguros

sociais e serviços afins. Tradução Almir de Andrade. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1943, p. 142.

243 O Ministério da Previdência Social entende como “particularmente preocupante (…) a relação entre o

número de contribuintes, que tende a decrescer, e o de aposentados, que se incrementa cada vez mais”. in MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Envelhecimento e dependência: desafios para a organização

da proteção social. Coleção Previdência Social, v.28. Brasília, 2008, p. 13.

244 Nas palavras de José Juan Toharia Cortês: “si algo parece claro es que este proceso de envejecimiento

demográfico (o lo que es igual: de alargamiento generalizado de la vida) no constituye algo transitorio o peculiar de unos pocos y concretos países. Es, por el contrario, algo permanente e irreversible (salvo catástrofe realmente cósmica) y que inexorablemente se irá generalizando en todo nuestro planeta”. in

Benzer Belgeler