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KURUCU’NUN KARŞILADIĞI GİDERLER:

B) Yatırımcılardan tahsil edilecek ücret ve komisyonlar a) Performans ücreti oranları:%20

Uma política que visa por em ação o Princípio de Respeito ao Indivíduo é a Política de Portas Abertas (PPA), pela qual, de acordo com o código de ética da empresa, é dado a cada trabalhador a chance de ser ouvido. Se o trabalhador tem uma ideia ou problema pode ir até o gerente e falar sem medo de retaliação, pode discutir qualquer assunto com qualquer membro da gerência ou, se por acaso, algum líder / gestor estiver envolvido em um problema, essa questão deve ser levada ao próximo nível de liderança, que não esteja envolvido na questão. Essa política, de acordo com os documentos da empresa e a opinião de alguns dos entrevistados, busca garantir que as dúvidas e os problemas sejam sanados e, se possível, que sejam feitas as mudanças necessárias e acatadas as sugestões dos trabalhadores. No entanto, foi possível verificar que nem todos têm acesso de forma igualitária a esta política e, conforme será analisado mais a frente, algumas pessoas que fazem a política de portas abertas, no sentido de realizar reclamações, sofrem retaliações por parte da empresa, algo que contraria o próprio código de ética e seus princípios adotados.

De acordo com os documentos da empresa, para que esta política funcione faz-se necessário seguir uma sequência de passos, para que se mantenha ordem e se respeite os princípios da empresa. Neste sentido, o primeiro passo é falar com o supervisor imediato, pois caso o trabalhador tenha algum problema com esta pessoa, ele deve ser o primeiro a saber, pois é obrigação do supervisor ouvir, reagir ou explicar sua posição na busca de uma solução para o problema. No entanto, se por acaso o trabalhador não se sentir à vontade para falar diretamente com o supervisor imediato, a empresa disponibiliza um canal específico para atender a estas questões, que é um canal telefônico gratuito, no qual não é necessário se identificar.

A política de portas abertas contribuiu para a mudança de uma cultura mais fechada e personalista para uma gestão mais aberta e mais propensa a ouvir os trabalhadores e

fazer com que eles contribuam com a empresa através de suas sugestões de melhoria. Todavia as sugestões, em muitos casos, não são acatadas, principalmente se elas exigem dispêndio de custos para a empresa ou chegam a ferir seus interesses de alcançar mais lucros ou de consolidar sua cultura:

Nós temos, como ela falou, a política de portas abertas, que o associado, ele tem um canal de comunicação, ele pode ligar gratuitamente, ele pode inclusive, preservar o seu anonimato e trazer as informações que quer e como vir aqui na gerência e falar com qualquer um de nós a qualquer momento. B2G4.10

No entanto, em alguns depoimentos foi possível constatar que ocorrem descumprimentos do princípio de confidencialidade e que, em alguns casos as pessoas precisam se identificar. Portanto, a consequência disso podem ser as discriminações por parte dos gerentes e até mesmo dos colegas de trabalho, conforme explana o ex gerente (G1):

[...] posso fazer uma reclamação, mas aí eu vou ter que deixar meu nome, vou ter que deixar meu registro ... e fatalmente o gerente vai saber. Eu conheci vários casos de pessoas que usaram a política de portas abertas e foram demitidos né, mais ou menos na frente um pouquinho quando todo mundo esqueceu, rua, perseguição, né. G1 (ex gerente)

Por sua vez, apesar da eficiência e das vantagens supostamente trazidas pela PPA, essa política não é muito utilizada pelos trabalhadores de base por medo de retaliação, pois embora eles sejam informados que deles não são identificados, ao menos diretamente, quando fazem alguma reclamação, não há nada que assegure isso, fazendo com que a ação de denúncia seja restrita, por causa do medo de se manifestar, e, certamente, por causa da ausência de uma cultura de contestação tão típica das relações no país. Por ter prevalecido no país uma cultura autoritária e de desconfiança na relação capital/trabalho, como foi visto no referencial, os trabalhadores receiam do ato de reclamar ou questionar, confirmando o que abordam Linhart (2007) e Alves (2011) em que a empresa procura manter o trabalhador fora dos valores contestados. Ademais, o medo acontece principalmente por causa do receio de perder o emprego, sendo, portanto, umas das formas de sofrimento dos trabalhadores, abordadas por Dejours (2001). O depoimento abaixo destaca bem as razões deste medo:

[...] tem uma política lá, de portas abertas. Conheci cinco pessoas que utilizou essa política de portas abertas, todos os cinco foram demitidos. Vai lá, você se queixa do

seu gerente, aí uma pessoa, lá de Recife liga e ele diz ‘não foi bem assim, e tal...” aí

fica ali... passa três, quatro meses e na primeira brecha, tchau, voa. É um problema. A política de portas abertas, se ela fosse sigilosa, mas não, a pessoa que tá sendo reclamada tem que saber. Mais dia, menos dia, você tá fora. Se for uma pessoa que

final das contas os trabalhadores não usam esse meio?] Eles têm medo”. G1 (ex

gerente)

A este respeito, o ex gerente (G1) destoa algo que destaca do princípio de respeito ao indivíduo, pois, segundo ele, o gerente geral da loja tem conhecimento de quem faz a

reclamação, e quando é necessário reduzir os quadros, nas palavras dele: “demite com certeza aquele funcionário...”. Então, fica explicito que não é tão clara essa questão da não

identificação nesta política, na dúvida ou até por medo, muitos preferem não usá-la. Portanto, apesar da PPA ser um canal aberto, por meio do qual o trabalhador pode realizar suas reclamações, existem muitas controvérsias em relação a esta política, a depender, sobretudo, do assunto tratado. Aqueles que vão de encontro às estratégias de extrair mais trabalho do trabalhador não entram em discussão:

A gente só via o resultado dessas políticas quando acontecia algo que era de encontro aos interesses do [...nome da empresa...], um funcionário, de repente, viu que um líder, um setor, um chefe dele estava desviando alguma mercadoria, que tava fazendo algo que ia de encontro com a política do [...nome da empresa...]. Se fizesse essa política de portas abertas, com certeza, o resultado ia chegar lá, e no outro dia tava: isso foi fruto da política de portas abertas: Mas, se por acaso, um funcionário se negasse a trabalhar uma hora a mais, entendeu, você hoje vai precisar fazer três horas extras e você disser: não, hoje eu tenho que ir embora no meu horário, não hoje eu não posso fazer hora extra e o chefe obrigar você a fazer, podia fazer um milhão de políticas de portas abertas que não iam dar em nada... B21G2.50

Sim, mas não existia não... a porta ficava aberta! [risos] Não existia isso não...Não existia não. Muita coisa só existe no papel... A empresa mudou, mas a política não muda não... não muda totalmente não, tem muita restrição... Por exemplo, tinha um número que a gente podia ligar, assim, a gente tinha que, por exemplo, ia até o gerente, conversava com ele...mas aí a gente ligava pro 0800...A gente ligava pra lá, mas não dava em nada...Chamava, chamava, mandava um número pra gente e pra depois saber... A gente ligava, mas...a gente desistiu. Não tinha retorno nenhum. B2S7.51 (trabalhadores de Petrolina)

No entanto, é preciso considerar que um dos motivos pelos quais a empresa incentiva o uso da PPA é porque a gerência depende cada vez mais da colaboração do trabalhador, não apenas no sentido de retirar dele sugestões de melhoria, mas como forma de fazê-lo se sentir parte da empresa, dono da mesma, por ter acesso às informações e acompanhar as metas de vendas. Diante de um contexto de quadros enxutos, se exige mais esforço dos trabalhadores para melhorar o desempenho, por isso, a gerência se mostra mais dependente dos subordinados. A PPA, de alguma forma, quebra o caráter personalista e autoritário da cultura paternalista e cria no trabalhador a ideia, mesmo que limitada, de que pode ser ouvido e respeitado.

Neste sentido, a mentalidade da gerência muda, pois esta não pode mais tratar com aspereza e coerção os subordinados, mas através da conquista, ou seja, de fazer com que o trabalhador se envolva mais, seja mais comprometido com a empresa. Para que isso seja possível, de acordo com Oliver e Wilkinson (1988), faz-se necessário conquistar o trabalhador e fazer com que ele acredite que a empresa na qual trabalha é a melhor, é justa e que está fazendo o melhor pelo trabalhador. Para isso, a empresa se utiliza de políticas que fazem com que o trabalhador contribua de forma efetiva para a melhoria dos seus processos e produtos.

Como argumenta Linhart (2007) existe uma espécie de “exploração consentida”, pela qual os

trabalhadores acabam sendo coniventes com a exploração da empresa.

Por outro lado, apesar da gerência depender dos trabalhadores, estes também dependem da empresa, pois precisam trabalhar para sobreviver, principalmente, no setor varejista, que possui uma oferta de trabalho bastante competitiva e abundante, consequência essa advinda do processo de flexibilização das relações de trabalho e da reestruturação produtiva (ANTUNES, 2002; DRUCK, 2003), que busca reduzir a quantidade de trabalhadores para atender a lógica de redução de custos.

Benzer Belgeler