• Sonuç bulunamadı

Na Adequação, faremos uma análise comparativa da obra de Brandão (1888) e de Kury (1999), considerando o que esses autores têm de continuidade e descontinuidade acerca da sintaxe da Língua Portuguesa, sobretudo, da Função do Advérbio.

A obra Novas Lições de Análise Sintática,7 de Adriano da Gama Kury, foi

publicada em 1999, pela editora Ática em São Paulo, e contém 207 páginas. Salientamos que a ortografia do período era de acordo com a Reforma Ortográfica do Brasil de 1990.

Além da obra Novas Lições de Análise Sintática (1999), Kury publicou outras obras, a saber:

1. Em 1959, a Pequena Gramática: para a explicação da nova nomenclatura gramatical, pela Editora Agir, Rio de Janeiro.

2. Em 1960, o livro Português Básico, pela Editora Agir; hoje na Nova Fronteira, Rio de Janeiro.

3. Em 1961, o livro Lições de Análise Sintática, pela Editora Fundo de Cultura, Rio de Janeiro; depois, pela Editora Lisa, São Paulo; hoje, pela Nova Fronteira, Rio de Janeiro.

4. Em 1965, o livro Ortografia, pela Universidade de Brasília, Brasília. 5. Em 1968, publica o livro Manual Prático de Ortografia, pela Livraria Agir

Editora, Rio de janeiro.

6. Em 1971, publica o livro Meu Livro de Português. 4 volumes, pela Editora Lisa, São Paulo.

7. Em 1972, a Gramática Fundamental da Língua Portuguesa do Brasil, pela Editora Lisa, São Paulo.

8. Em 1974, o livro Curso Supletivo “João da Silva”, 5 volumes, pelo MEC,

Rio de Janeiro.

9. Em 1976, a Gramática Objetiva, 2 volumes. Em colaboração, pela Editora Rio, Rio de Janeiro.

10. Em 1982, o livro Ortografia, Pontuação, Crase, pela FENAME, Rio de Janeiro; hoje, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro.

11. Em 1987, o livro Elaboração e Editoração de Trabalhos de Nível Universitário (especialmente na área humanística), com colaboração de Maximiano de Carvalho e Silva e Irene de Menezes Dória, pela Fundação Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro.

12. Em 1989, o livro 1000 Perguntas de Português. Em colaboração, pela Editora Rio, Rio de Janeiro.

13. Em 2001, o Minidicionário Gama Kury da Língua Portuguesa, pela Editora FTD, São Paulo.

Cabe mencionar os acordos ortográficos no Brasil, para, assim, entendermos o acordo que influenciou a obra de Kury nesta pesquisa. Moreira; Smith; Bocchese

(2009, p.31) afirmam que a Academia Brasileira de Letras, em 1907, “cogitou adotar

uma ortografia de cunho claramente simplificador, influenciada pelo pensamento de Gonçalves Viana”. De tal modo, esclarecem que “inaugurava-se, com isso, no Brasil, um período reformista ou de tentativa de reformulação ortográfica”. Vale ressaltar que isso aconteceu antes mesmo dos trabalhos feitos pela comissão de filólogos portugueses, que culminaram na reforma em Portugal.

Para tanto, em 1915, afirmam Moreira; Smith; Bocchese que a “Academia

brasileira aprovou o projeto de Silva Ramos, que ajustou a grafia brasileira aos padrões lusitanos”. Porquanto, expõem Moreira; Smith; Bocchese (2009, p. 32) que, em 1919, “a mesma academia voltou atrás, à era do th, do ph, por sugestão do acadêmico Osório Duque Estrada”. Por meio disso, deu-se início à necessidade de se obter acordos ortográficos no Brasil, a saber: O Acordo de 1931; o Acordo de 1945; o Acordo de 1990 e o último Acordo de 2009.

De acordo com Moreira; Smith; Bocchese (2009, p.32), o Acordo de 1931 trata do Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro, negociado pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras. Em virtude disso, esse Acordo foi necessário para publicações tanto em Portugal quanto no Brasil, uma vez que se deu, em Portugal, com o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (1940); no Brasil, com o Formulário Ortográfico da Língua Portuguesa, que deu origem ao Pequeno Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (1943).

Em relação ao Acordo de 1945, Moreira; Smith; Bocchese (2009, p.33) esclarecem que ele surgiu pelas divergências do Acordo de 1943. Tendo em vista a expansão da Língua Portuguesa no mundo e a regulação do sistema ortográfico, houve a unificação Ortográfica da Língua Portuguesa em 1945, consequentemente, não se admitia grafia dupla ou facultativa em Brasil e Portugal.

Quanto ao Acordo de 1990, dizem Moreira; Smith; Bocchese (2009, p. 37):

É um tratado internacional, assinado em Lisboa, em 1990, pelos representantes legais dos países em que o português é língua oficial (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe) com a adesão posterior de Timor Leste. (MOREIRA; SMITH; BOCCHESE, 2009, p.37).

Esse tratado internacional de 1990 “é resultante de um longo trabalho

desenvolvido pela Academia de Letras e pela Academia das Ciências de Lisboa desde, pelo menos, 1931”, dizem Moreira; Smith; Bocchese (2009, p.37). Por um

lado, o Acordo de 1990 tem “por objetivo dotar a língua portuguesa de um padrão

ortográfico único, visando à defesa de sua unidade essencial”. Por outro lado,

complementam que foram duas as normas ortográficas em vigor: “a brasileira, do

Formulário Ortográfico de 1943, e a lusitana (e dos demais países, que seguem essa norma), do Acordo de 1945”.

Segundo Moreira; Smith; Bocchese (2009, p.37), o Acordo de 1990 teve como objetivo principal “promover e salvaguardar a unidade ortográfica (e não simplificar a grafia, embora resulte em simplificação)”. Acrescenta-se, ainda mais, que esse Acordo buscou projetar a Língua Portuguesa internacionalmente. Diante disso, o Acordo não trouxe grandes mudanças em termos de escrita ao Brasil, de modo que, aproximadamente, só 0,6% do nosso vocabulário muda, enquanto, em Portugal, 1,6%. Com efeito, a fonologia, a fonética, a pronúncia, a morfologia, a sintaxe e o léxico ficaram inalterados.

E, por último, o Acordo Ortográfico de 2009, que surgiu na tentativa de unificação da Língua Portuguesa de cerca 98% do vocábulo geral da Língua, de modo que, em especial, fosse escrita a mesma língua, segundo Moreira; Smith; Bocchese (2009, p.120). Porquanto, essa tentativa de unificar a língua ocorreu uma vez que, ortograficamente, esses 98% estavam desunificados.

É importante salientar que a questão de continuidade e descontinuidade em relação à obra gramática tradicional de Port-Royal (1660) será abordada nesta

análise. Para tanto, esclarecemos que essa gramática torna-se relevante por influenciar muitos trabalhos produzidos no século XIX, em especial, a obra de estudo Syntaxe e construcção da Lingua Portugueza, de Brandão (1888).

Porquanto, convém mencionar a divisão da obra de Port-Royal (1660) que, assim como a obra de Brandão (1888), está dividida em duas partes, as quais tratam dos signos linguísticos. A primeira parte aborda o que se fala das letras e dos caracteres da escrita. Focaliza, pois, o estudo das letras e dos sons. A segunda parte trata os diversos princípios e motivos em que se baseiam os modos da significação das palavras. Assim, aborda, em especial, a Morfologia, uma vez que faz uso, apenas, do capítulo XXIV para a Sintaxe e outro Apêndice para as Figuras de Linguagem.

Desse modo, focalizaremos os quatro aspectos de análise, a saber: Prefácio; concepções de Língua, Linguagem e Gramática; Organização da Obra e Função do Advérbio, da obra de estudo Novas Lições de Análise Sintática, de Adriano da Gama Kury (1999). Iniciaremos pelo primeiro aspecto.

3.2.1 Primeiro aspecto: Prefácio

Na Advertência da obra Novas Lições de Análise Sintática, de Kury (1999, p.5), o autor justifica o porquê de republicar a sua obra ao afirmar:

Ao receber da Editora Ática o convite para republicar minhas Lições de Análise Sintática, há vários anos esgotados (e não reeditadas, a despeito da vontade do autor), não hesitei quanto ao caminho a seguir: decidi manter, no seu cerne, a estrutura desse trabalho, que tão útil se revelou nas sucessivas edições, e que vinha sendo em vão procurado, especialmente por estudantes de Letras, convidados a comparar um método pejorativamente rotulado de “tradicional” com as novidades da moda. (KURY, 1999, p.5)

Nesse sentido, o autor refere-se à 8ª edição (1999), sendo que a primeira ocorreu em 1985 e a última, que é a 9ª edição, foi publicada em 2008. Ressalta-se que Kury (1999) volta a sua obra, especificamente, aos estudantes de Letras, convidando-os a compararem um método tradicional com as novidades da moda.

Quanto ao estudo sintático da Língua Portuguesa, o autor faz referência ao estudo tradicional de Saussure ao tratar da análise estrutural da frase, afirma Kury (1999, p.5):

Apesar desse epíteto de tradicional que se tem dado à análise estrutural, saussuriana, da frase, ela se tem revelado, no curso dos anos, sólida e consistente. Resistiu incólume às novidades em voga na década de 70, e mantém-se como o método mais adequado ao exame da estrutura da frase. (KURY, 1999, p.5).

A análise estrutural da frase de Saussure tornou-se resistente na década de 70 e perpetua até o início do século XXI. Diante disso, Kury (1999) afirma que, para o exame da frase, essa forma de análise estrutural é mantida como o método mais apropriado.

No que diz respeito à terminologia gramatical, Kury (1999, p.5-6) faz considerações ousadas e desafiadoras à Nomenclatura Gramatical Brasileira e assevera:

Quanto à terminologia, coincide, grosso modo, com a Nomenclatura Gramatical Brasileira, que, velha embora de 25 anos, e necessita de reforma, ainda se presta razoavelmente, no seu conjunto, ao uso prático. (KURY, 1999, p. 5-6).

De modo que a Nomenclatura Gramatical Brasileira, de acordo com Kury (1999, p.5-6), está ultrapassada quanto aos conceitos gramaticais, de tal maneira que precisa fazer uma reforma, acompanhando, assim, as mudanças ocorridas no ensino da Língua Portuguesa ao decorrer do tempo.

Vale destacar que a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) surgiu em um ofício do Estado brasileiro para instituir uma terminologia única às gramáticas, segundo Moreira; Smith; Bocchese (2009, p.61). Assim sendo, foi publicada em 1959, pelo ministério da Educação.

Assim como Brandão (1888), Kury (1999) é um autor que confronta seus colegas e, em vista disso, ambos autores apresentam esse desafio na Advertência de suas obras, afirma Kury (1999, p.6):

Se dela por vezes me afasto, nisso não vai indisciplina nem sede de originalidade, mas a convicção doutrinária , da qual não abdico, e a necessidade mesma da exposição. [...] Espero, de bom grado, a crítica dos colegas e dos usuários, responsável pelo reexame a que procedi de muitos pontos controversos desse campo movediço da análise sintática. (KURY, 1999, p.6).

Com base nisso, o autor não abre mão de suas advertências sobre a sintaxe e está aberto às críticas de outros estudiosos da gramática, assim como dos usuários de sua obra.

Assim sendo, após o primeiro aspecto, passaremos ao segundo, Concepções de Língua, Linguagem e Gramática.

3.2.2 Segundo aspecto: Concepções de Língua, Linguagem e Gramática

A língua é citada pelo autor em sua observação a respeito dos verbos transitivos direto, assevera Kury (1999, p.35) que:

Nem todos os verbos transitivos diretos, entretanto, podem constituir-se na voz passiva analítica. Alguns, porque já possuem sentido passivo (agüentar, sofrer, etc.); outros, pelo uso da língua, que não obedece a normas fixas (ter, conter, querer, poder, crer, etc.). (KURY, 1999, p.35, grifo nosso). Nesse sentido, destaca-se a língua escrita, nesse caso, a portuguesa. Essa ideia é ressaltada por Kury (1999, p.35) ao explicar a voz passiva pronominal (ou sintética) que ocorre quando:

[...] numa oração na voz ativa com verbo transitivo direto, o agente (sujeito) é indeterminado, e o paciente (objeto direto) é um ser inanimado, incapaz de praticar a ação expressa pelo verbo, nossa língua admite, além da voz passiva composta, com auxiliar, outra construção, sintética, em que à forma do verbo na voz ativa se acrescenta, para indicar passividade, o pronome se. (KURY, 1999, p.35, grifo nosso).

Mais uma vez, temos a língua escrita abordada como idioma de uma comunidade que obedece regras gramaticais fundamentais à análise sintática da língua portuguesa.

A linguagem pode ser escrita ou oral. Dessa maneira, afirma Kury (1999, p.13) que:

Frase é a unidade de comunicação entre falante e ouvinte, entre escritor e leitor. Na linguagem oral, cada frase possui uma melodia, um ritmo, uma

entoação peculiar que a escrita procura sugerir por meio dos sinais em que

é proferida ou escrita. (KURY, 1999, p.13, grifo nosso).

Os vocábulos (falante e ouvinte, escritor e leitor) confirmam o uso da linguagem oral e escrita. O autor faz esse jogo de palavras para explicar a diferença entre a oralidade e a escrita. A primeira ocorre por meio da entonação a cada frase

proferida pelo falante, isso se dá pelo ritmo das palavras faladas. Já a segunda tenta mostrar a melodia das frases orais por meio dos sinais de pontuação.

Enfatiza-se, também, a linguagem literária, explica Kury (1999, p.38):

O uso vulgar estende esse emprego até aos verbos transitivos diretos sem objeto preposicionado (“Conserta-se relógios.”, “Aluga-se apartamentos”.), construções que contrariam a norma vigente na boa linguagem literária. Apesar disso, já se encontram exemplos literários, como este de Aluísio Azevedo:

“Como que se sentia ainda na indolência da neblina as derradeiras notas da última guitarra da noite antecedente...”. (KURY, 1999, p.38).

Diante disso, fica explícito também o uso da linguagem formal e da informal.

Como prova disso, o autor usa a expressão “vulgar” que remete ao uso coloquial

(informal) da língua, bem como construções que contrariam a norma da boa linguagem literária.

Quanto ao aspecto da gramática, Kury (1999), tal qual Brandão (1888), não deixa explícito o conceito de gramática, pois a sua obra não é uma gramática, mas um estudo dela, de forma que opta, apenas, pela parte sintática. No entanto, é possível perceber seu aprofundado conhecimento gramatical, uma vez que o autor escreveu dois volumes de sua obra a Gramática Objetiva (1976), bem como a Pequena Gramática (1959) para explicar a nova nomenclatura gramatical. Nessa perspectiva, o autor deixa claro, na advertência de sua obra Novas Lições de Análise Sintática (1999), a indignação para com algumas questões sintáticas da NGB, assevera Kury (1999, p.5) que “coincide, grosso modo, que, velha embora 25 anos, e necessitando de reforma, ainda se presta razoavelmente, no seu conjunto, ao uso prático”.

Acrescenta-se a gramática latina, citada pelo autor, ao falar do aposto de especificação, explicita Kury (1999, p.58) que é:

Um substantivo de sentido genérico pode ser imediatamente seguido, sem pausa, de um termo, preposicionado às vezes, que o especifica e o individualiza. É o que se chama dentro da gramática latina (“urbs Roma”), APOSTO DE ESPECIFICAÇÃO:

Cidade de Roma, mar mediterrâneo. (KURY, 1999, p.58).

Segundo Kury (1999, p.58), a gramática latina foi citada para justificar o fato de que escritores modernos da língua portuguesa utilizam uma forma de aposição

parecida, para indicar a ocupação habitual ou a profissão, ex.: “Mestre Gaudêncio curandeiro gingava”.

Diante disso, vale destacar que Kury (1999), assim como Brandão (1888), apresenta concepções sintáticas contrárias à gramática tradicional da língua portuguesa, pois ambos citam, na advertência de suas obras, que pretendem preencher lacunas no que diz respeito à análise sintática.

Portanto, terminados os aspectos da língua, linguagem e gramática, e dando continuidade ao princípio da imanência, passaremos agora à análise da organização da obra selecionada.

3.2.3 Terceiro aspecto: Organização da Obra

Percebemos que a obra analisada, nesta pesquisa, tem forma singular na organização dos conteúdos que são apresentados. Vale mencionar que elaboramos uma apresentação diversa do Índice da obra Novas Lições de Análise Sintática, de Kury (1999) com o propósito de termos objetividade no estudo, tendo o cuidado para sermos fiéis ao conteúdo. Salienta-se que o original encontra-se nos ANEXOS 15 a 20 (pp.127-132).

Faz-se necessário ressaltar que a obra contém 207 páginas e quatro capítulos. É preciso enfatizar que Kury (1999) não apresenta o Prefácio em sua obra. Diante disso, levamos em consideração a Advertência.

A organização da Obra de Kury:

SUMÁRIO

Advertência 4. Problemas e fatos sintáticos

de interesse para a análise

Epígrafes Apêndices

1. Modelos de análise sintática 2. Quadros sinópticos

3. Exercícios de verificação 4. Textos para exercícios de revisão

1. Noções básicas preliminares Livros usados (e respectivas siglas)

2. A oração independente absoluta

Termos essências: sujeito e predicado

Termos integrantes da oração Termos acessórios da oração O vocativo

Índice analítico

Composição do período Tipos de oração

Orações independestes coordenadas entre s

Orações ou período interferentes Orações subordinadas

O autor começa o primeiro capítulo com o Sintagma, diferente de Brandão (1888) que não apresenta esse assunto em sua obra, porque foi tratado com Saussure a partir do século XX. Afirma Kury (1999, p.9):

SINTAGMA é a palavra criada por F. de Saussure para designar dois elementos consecutivos, um dos quais é o DETERMINADO (principal) e o outro DETERMINANTE (subordinado). Há, portanto, uma relação necessária de subordinação entre os dois. (KURY, 1999, p.9).

Por conseguinte, partindo desse conceito anterior, adverte Kury (1999, p.9) que “[...] embora Saussure estenda o conceito de sintagma à Morfologia (reler, por exemplo, forma-se do determinado ler e do determinado re-), aqui só o empregamos

no campo da sintaxe”. Assim sendo, o presente autor usa o sintagma de uma forma

diferente, uma vez que é trabalhado morfologicamente por Saussure, mas Kury adequa o sintagma ao estudo sintático. Com base nisso, Kury (1999, p.9) faz uma advertência ao afirmar que “estendem muitos, hoje em dia, na esteira de Noam

Chomsky, o uso do termo sintagma, que aqui só de utiliza no sentido saussuriano”.

Além do Sintagma, a “Seqüência”, também, é trabalhada, diz Camara Júnior

(apud KURY, 1999, p.9) que “[...] quando a combinação cria uma mera

COORDENAÇÃO entre os elementos, tem-se, ao contrário, uma SEQÜÊNCIA”.

Tendo em vista que nem todos os termos consecutivos têm uma relação sintagmática e subordinativa. Em vista disso, afirma o autor que, nesse caso, ocorre uma sequência.

Kury (1999, p.12-13), assim como Brandão, conceitua a análise sintática:

ANÁLISE (do substantivo grego analysi, cognato do verbo analyein, “desatar, desprender, soltar”, composto do prefixo ana-, “para cima”, + lyein, “soltar”) é a decomposição de um todo em seus elementos componentes. A ANÁLISE SINTÁTICA decompõe os elementos componentes (sintagmas) da “frase”, examina a sua estrutura: divide um “período” nas “orações” que o compõem, e cada oração nos seus termos (essenciais, integrantes e acessórios). (KURY, 1999, p.12-13).

Nessa perspectiva, o conceito de Kury (1999) para a análise sintática difere

do de Brandão (1888), apenas, por apresentar a terminologia da palavra “análise”.

Em virtude disso, Brandão (1888) apresenta, somente, a sua função da análise sintática.

Acrescentando ao estudo sintático, como se não bastasse conceituá-lo, Kury (1999) mostra, ainda, a sua finalidade e Melo; Gotardelo (apud KURY, 1999, p.13) afirmam:

A análise sintática serve para tornar “claras e racionalmente perceptíveis as relações entre os membros da frase” (sua concordância, sua regência, sua colocação); serve, mais, como elemento de verificação da boa construção de uma frase: “a análise lhe revelará o ponto fraco, a estrutura mal urdida”; permite, ainda, racionalizar a pontuação. ((MELO; GOTARDELO apud KURY, 1999, p.13).

Desse modo, a análise sintática vai além de estudar a função dos termos na oração, uma vez que, por meio dela, percebe-se a estrutura mal colocada na oração. Paralelamente, a sintaxe é complexa, uma vez que estudar sintaticamente as orações permite fazer bom uso da pontuação.

Vale ressaltar que Kury (1999) cita a diferença entre frase, oração e período assim como Brandão, porém há algumas diferenças de nomenclatura, mas, o sentido é o mesmo.

Em questão à frase, Kury (1999, p.13) conceitua:

Frase é a unidade de comunicação entre falante e ouvinte, entre escritor e leitor. Na linguagem oral, cada frase possui uma melodia, um ritmo, uma entoação peculiar que a escrita procura sugerir por meio dos sinais de pontuação e que lhe empresta sentido completo na situação em que é preferida ou escrita. É a entoação a alma da frase. Um simples fonema, uma única sílaba, um vocábulo, podem, graças a ela, ascender ao nível da frase. (KURY, 1999, p.13).

Em virtude disso, ressalta-se que a frase obtém um sentido completo, e isso se dá pela entoação na linguagem oral por meio dos sinais de pontuação à escrita. Dessa forma, uma única palavra ou fonema pode se tornar uma frase.

A esse respeito, Brandão (1888, p. 225) não conceitua frase em sua obra, mas, é apenas citada:

Essas diferentes collocações, que muito concorrem para a clareza e harmonia da phrase, constituem o que em gramática se denomina construcção, a qual se define: a clara e hamornica disposição das palavras na proposição e das proposições no período. (BRANDÃO, 1888, p.225).

Diante disso, Brandão trata da frase na segunda parte do seu livro: a Construção da Língua Portuguesa. Essa parte diz respeito à clareza e harmonia da frase, bem como à harmonia das palavras na proposição. Com base nisso, conclui- se que o autor já fazia uma distinção entre frase e proposição.

Sobre a oração, justifica Kury (1999, p.13-15):

O tipo mais comum de frase é a ORAÇÃO, sintagma formado de Sujeito e Predicado, e como tal estruturada em torno de um verbo; o verbo, explícito ou não, é a característica do predicado, indispensável à existência da oração [...]. A frase não-oracional, por não ter estrutura linguística elaborada, não se presta a análise sintática; só a frase oração, pela sua

Benzer Belgeler